ELETRIFICAÇÃO RURAL
6 O PROGRAMA LUZ PARA TODOS NA BAHIA
A Bahia, de acordo com o Censo 2000 do IBGE, possuía uma população de 13.070.250 habitantes, sendo que 8.772.348 pessoas, correspondente a 67,12%, residentes na sua zona rural. Esta estatística posicionava o Estado como o de maior população rural do Brasil. Associado a isto, o Atlas do Desenvolvimento Humano do IBGE de 2000, identificou o IDH médio municipal dos estados brasileiros e aferiu que o IDH médio da Bahia era de 0,688, valor abaixo da média nacional, que apresentava um índice de 0,766. Aferiu também, que dos 415 municípios da Bahia, apenas 36 apresentavam IDH maior ou igual à média estadual, restando portanto 379 municípios com IDH inferior a 0,688. Salienta-se que o Censo 2000 não apontou os dados referentes aos municípios de Luís Eduardo Magalhães e Barrocas, criados em 30 de março daquele ano, através das leis estaduais 7.619 e 7.620 respectivamente.
Quadro 4 - Índices de Desenvolvimento Humano Municipal – 2000
Estudos realizados pela Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia – SEINFRA, através da Coordenação de Planejamento de Obras (COPLO) da Diretoria de Energia (DIREN), apontavam que em 2000, apenas 95 dos 413 municípios baianos pertencentes à área de concessão da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia – COELBA, apresentavam índices de atendimento com energia elétrica na zona rural superiores a 85%, ou seja, havia 318 municípios com índice de atendimento menor ou igual ao referencial estabelecido como faixa de atuação do Programa Luz para Todos, conforme explicitado no gráfico a seguir.
Gráfico 8 - Municípios por faixa de índices de atendimento com energia elétrica na zona rural - Área de concessão da COELBA - 2000 0 20 40 60 80 100 120 140 28 a 50 50 a 60 60 a 70 70 a 85 ACIMA DE 85 48 68 67 135 95 MUN ICÍ P IO S FAIXA DE ATENDIMENTO (%)
Índices de Atendimento com Energia Elétrica ‐ 2000
MUNICÍPIOS
Fonte: BAHIA, 2005. Adaptado pelo autor, 2010
Acrescidos a estes 318 municípios, existiam mais dois da área de concessão da Companhia Sul Sergipana de Eletricidade (SULGIPE) nessa mesma situação, perfazendo um quantitativo total de 320 dos 415 municípios do estado com índice de atendimento inferior a 85%.
Dessa forma, analisando-se as estatísticas obtidas do Censo 2000 referentes aos índices de desenvolvimento humano municipais do estado, em conjunto com os dados informados pela
SEINFRA sobre os índices de atendimento com energia elétrica no ano 2000, torna-se evidente o porquê da Bahia ter se tornado o maior demandante das obras e serviços executados no âmbito do Programa Luz para Todos, haja vista possuir o maior número de consumidores rurais excluídos do acesso a energia elétrica no Brasil e situar-se no nordeste, notadamente a região com a maioria dos municípios com índices de desenvolvimento humano posicionados entre os mais baixos do país.
O Governo do Estado da Bahia e a COELBA aderiram ao Luz para Todos, em 31 de março de 2004, após a assinatura de Termo de Compromisso com o Ministério de Minas e Energia. Em 08 de junho de 2004 o então Governador Paulo Souto sancionou a Lei n.º 9.136, autorizando o estado a participar do programa. A Lei estadual estabelecia a meta de atendimento a 357.970 novas ligações a consumidores rurais, no período de 2004 a 2008, compreendendo a construção de 90.000 km de linhas, entre redes primárias e secundárias, a ampliação de sistemas de geração descentralizada com redes isoladas ou sistemas individuais, e a implantação de aproximadamente 1.193.000 postes. O investimento total estimado era de R$ 1.734.511.418,00 (um bilhão, setecentos e trinta e quatro milhões, quinhentos e onze mil, quatrocentos e dezoito reais), cuja cota da participação financeira do estado, mediante subvenção econômica, foi estabelecida no percentual de 30% do investimento total, correspondente ao valor de R$ 520.353.425.00 (quinhentos e vinte milhões, trezentos e cinqüenta e três mil, quatrocentos e vinte e cinco reais).
A alocação de recursos do Governo da Bahia no Luz para Todos teve por objetivo, mitigar o impacto tarifário que ocorreria nas contas de energia elétrica de todos os consumidores do estado, caso não houvesse essa participação governamental no programa. Sendo assim, foi estabelecido que os recursos fossem transferidos pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), através de convênios a serem celebrados com Associações Comunitárias beneficiárias do Programa PRODUZIR18, pela SEINFRA e também pelos municípios beneficiados com obras de eletrificação. Observando-se que nos casos de participação municipal a mesma seria facultativa e de no máximo 10% do custo total das obras.
18O Programa Produzir é executado no Estado da Bahia desde 1996 e integra uma proposta mais ampla de combate à pobreza rural implementada pelo Banco Mundial e governos estaduais da região Nordeste do país. Com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais, criar emprego e renda e melhorar a vida das populações mais pobres, o programa financia projetos comunitários nas áreas social, de infraestrutura e produção. Os recursos financeiros são do Banco Mundial e do Governo do Estado e toda a coordenação técnica é de responsabilidade da CAR.
Por fim, após serem resolvidos os objetivos a ser atingidos e a conformação da parcela de responsabilidade financeira de cada agente envolvido no programa, a SEINFRA assinou com a COELBA em 04 de outubro de 2004 um contrato de subvenção econômica, com o objetivo de execução das obras e serviços integrantes da 1ª etapa do Programa Luz para Todos, permitindo o atendimento com energia elétrica a 63.402 domicílios rurais do estado. As metas anualizadas do Luz para Todos na Bahia ficaram definidas conforme o gráfico a seguir.
Gráfico 9 - Metas anuais do Programa Luz para Todos na Bahia na área de concessão da COELBA
ANO
LUZ PARA TODOS
B a h i a 2004 2005 2006 2007 2008 TOTAL 20.394 76.894 91.894 91.894 76.894 357.970 D o m i c í l i o s ANO
C G E - B A
Comitê Gestor Estadual - Bahia
Fonte: BAHIA, 2005
Posteriormente, através da Lei n.º 9.442 de 11 de abril de 2005, de modo a também contemplar a atuação da SULGIPE em sua área de concessão, corresponde aos municípios de Rio Real e Jandaíra, os artigos 1º e 2º da Lei n.º 9.136 passaram a vigorar com a seguinte redação:
Art. 1º - Fica o Estado da Bahia, através do Poder Executivo, autorizado a participar do Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica – LUZ PARA TODOS, a ser executado pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia – COELBA e pela Companhia Sul Sergipana de Eletricidade – SULGIPE, nas áreas de suas respectivas concessões, com o objetivo de propiciar o acesso à energia elétrica a 360.707 (trezentos e sessenta mil, setecentos e sete) consumidores do meio rural, até o ano de 2008.
Art. 2º - A participação do Estado far-se-á mediante subvenção econômica, no percentual de até 30% (trinta por cento) do montante estimado de R$ 1.743.247.237,75 (um bilhão, setecentos e quarenta e três milhões, duzentos e quarenta e sete mil, duzentos e trinta e sete reais e setenta e cinco centavos), relativo à totalidade do Programa de Obras. (BAHIA, 2005).
De forma semelhante àquela estabelecida com a COELBA, o Estado da Bahia através da SEINFRA contratou com a SULGIPE, em 21 de dezembro de 2005, a execução de obras e serviços para atendimento a mais 1.254 novos consumidores.
A novidade existente nesse novo contrato e em todos os posteriormente assinados com os Agentes Executores do Luz para Todos, foi que a cota de participação financeira do Estado se daria por transferências de recursos sob responsabilidade da SEINFRA, através de repasses do Tesouro do Estado advindos de receitas de royalties19, e principalmente da transferência de recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (FUNCEP)20, deixando de existir a transferência pela CAR, através do Programa PRODUZIR, conveniado com o Banco Mundial. Esse novo contrato resultou no estabelecimento de novas metas anuais do programa no estado para o período de 2004 a 2008, conforme apresentado no gráfico a seguir.
19Na antiguidade, royalties eram os valores pagos por terceiros ao rei ou nobre, como compensação pela extração de recursos naturais existentes em suas terras, como madeira, água, recursos minerais ou outros recursos naturais, incluindo, muitas vezes, a caça e pesca, ou ainda, pelo uso de bens de propriedade do rei, como pontes ou moinhos.Na atualidade, royaltie é o termo utilizado para designar a importância paga ao detentor ou proprietário ou um território, recurso natural, produto, marca, patente de produto, processo de produção, ou obra original, pelos direitos de exploração, uso, distribuição ou comercialização do referido produto ou tecnologia. Os detentores ou proprietários recebem porcentagens geralmente pré-fixadas das vendas finais ou dos lucros obtidos por aquele que extrai o recurso natural, ou fabrica e comercializa um produto ou tecnologia, assim como o concurso de suas marcas ou dos lucros obtidos com essas operações. O proprietário em questão pode ser uma pessoa física, uma empresa ou o próprio Estado. Fonte: Wikipédia
20LEI Nº 11.610 DE 28 DE SETEMBRO DE 2009 - Prorroga o prazo de vigência do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza e dá nova redação a dispositivos da Lei nº 7.988, de 21 de dezembro de 2001, que o instituiu. “Art. 4º - Fica instituído, para vigorar por prazo indeterminado, o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza, com o objetivo de viabilizar à população do Estado o acesso a níveis dignos de vida cujos recursos serão aplicados em ações suplementares de nutrição, habitação, educação, saúde, reforço da renda familiar e outros programas de relevante interesse social voltados para melhoria da qualidade de vida.”
Gráfico 10 - Metas anuais do Programa Luz para Todos na Bahia nas áreas de concessão da COELBA e SULGIPE 20.394 20.394 600 76.894 77.494 650 91.894 92.544 800 91.894 92.694 687 76.894 77.581 2.737 357.970 360.707 2004 2005 2006 2007 2008 TOTAL SULGIPE COELBA TOTAIS
LUZ PARA TODOS - B a h i a
C G E - B A
Comitê Gestor Estadual - Bahia