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3. RECONSTRUINDO O CONTEXTO SOCIAL: A TRAJETÓRIA DE MANO

3.4 Reconstruindo o contexto das entrevistas

3.4.2 O programa Papo com Benja

No intuito de observar como o programa Papo com Benja está inserido no campo jornalístico, será preciso partir de algumas considerações a respeito da agência LANCEPRESS!51, instituição jornalística responsável pelo grupo Lance!. Abaixo, seguem algumas informações sobre a agência:

Com 14 anos no mercado, a LANCEPRESS! se destaca por ser uma agência especializada na cobertura esportiva, marca registrada do grupo LANCE!, do

qual compartilha o conhecimento do maior diário esportivo da América Latina, que dá nome ao grupo.

Por registrar exclusivamente eventos ligados ao esporte, sobretudo do futebol nacional, disponibiliza conteúdo com olhar diferenciado e especializado no registro. Com parceiros nas cinco regiões do país, nossa cobertura se notabiliza pela amplitude, qualidade e agilidade do material oferecido aos nossos clientes.

A LANCEPRESS! atualmente comercializa conteúdo de texto, foto e vídeo para veículos do Brasil e do exterior e vem ampliando sua carteira de clientes entre agências de publicidade e comunicação, assessorias e editoras.

Mais que uma agência convencional, a LANCEPRESS! adapta e desenvolve projetos personalizados às necessidades do cliente, trazendo soluções no fornecimento de conteúdo esportivo.

O excerto acima foi divulgado no sítio de divulgação na internet pertencente ao grupo LANCE!. A partir dele, podemos observar referências a sua posição no campo jornalístico. Num primeiro momento, é possível observar informações quanto à delimitação do conteúdo produzido pelo grupo midiático: a cobertura jornalística esportiva, “sobretudo do futebol nacional”. São também apresentadas informações que se referem à atuação do grupo em diversos tipos de mídia para a produção desse conteúdo, em fotos, textos e vídeo. Tais informações, a nosso ver, circunscrevem a produção de conteúdo da agência LANCEPRESS! ao jornalismo esportivo.

Consideramos que outras informações expostas no excerto acima se referem à posição da agência LANCEPRESS! no campo jornalístico e a sua autonomia também em relação ao campo econômico. Se tomarmos a ideia de que “comercializa” conteúdos ligados ao esporte para diversos “clientes”, será possível compreender que a agência se apresenta como instituição midiática não inteiramente autônoma, na medida em que fornece as informações produzidas para outras instituições do campo jornalístico e tem nesse serviço uma fonte de suas receitas e de seu capital econômico.

Tendo em vista o pensamento de Bourdieu a respeito do campo jornalístico (1997 [1996]), a nosso ver, é possível notar que as atividades da LANCEPRESS! se relacionam mais estreitamente a lógica empresarial que está na base do campo jornalístico: isso porque a agência se posiciona como produtora dos conteúdos (fotos, vídeos, notícias) que serão comprados por outras instituições para elaboração de seus produtos jornalísticos – numa espécie de terceirização da produção jornalística, que tem na LANCEPRESS! um estágio intermediário entre o meio de divulgação final e o evento reportado.

Ressalte-se, também quanto a isso, as informações que fazem referência a sua experiência no “mercado” (de notícias) e que a caracterizam pela adaptação de soluções para cada cliente, a ampla cobertura em diversas regiões e a “agilidade” na produção de conteúdo.

Nesse sentido, as informações fornecidas pela agência LANCEPRESS! parecem corresponder à caracterização feita por Bourdieu acerca de alguns mecanismos de organização do campo jornalístico, como a produção rápida das notícias e dos “furos” e a “circulação circular de informação” por várias instituições midiáticas.

Além do excerto de apresentação divulgado em seu domínio na internet, importa considerar alguns pontos da própria trajetória da agência LANCEPRESS! no campo jornalístico, iniciada em 1997 com a fundação do jornal LANCE!. Sediada inicialmente no Rio de Janeiro, a produção se voltou desde sua fundação para o conteúdo esportivo nacional tanto em mídia impressa (com o jornal LANCE!) quanto pela internet (por meio do sítio denominado LANCENET52) o qual contava com a divulgação das notícias, das reportagens e com a L!TV como plataforma de divulgação de programas televisivos produzidos pelo grupo somente para a internet.

O jornal LANCE! durante diversos anos contou com ampla tiragem em território nacional, sobretudo no estado de São Paulo onde se encontra ainda dentre as maiores vendagens realizadas em bancas pelas cidades. Após tempos voltados para impressão do jornal LANCE! e para a divulgação pela LANCENET e pela L!TV, a produção do grupo passou a envolver ainda duas outras distribuições impressas, ligadas ao futebol (Fut!Lance) e destinadas ao público masculino (revista A+), além da produção de conteúdo jornalístico esportivo comercializada para outras instituições. Desse modo, é possível observar que a ainda recente trajetória da agência LANCEPRESS! dedicou-se, desde sua fundação, à produção de conteúdo pelos meios digital e impresso.

Quando observamos a atuação da agência LANCEPRESS!, é possível perceber que sua posição no campo não pode ser descrita pelas diferenças, muitas vezes estanques, entre jornalismo televisivo ou impresso. A nosso ver, casos como o da agência LANCEPRESS! mereceriam uma observação detalhada para dar conta das mudanças que parecem ocorrer no campo jornalístico em função das possibilidades trazidas pela web. Consideramos que o trabalho na internet, por meio do jornalismo online, tal como feito pela LANCEPRESS!, tem feito com que instituições midiáticas combinem práticas antes mais vinculadas à mídia impressa (como a produção de reportagens escritas, textos, notícias, colunas semanais) a outras antes restritas ao meio televisivo (como a exibição de programas semanais de entrevistas).

Consideramos que o programa Papo com Benja exemplifica esse tipo de atuação online no campo jornalístico possibilitada pela web. Exibido em meio digital pela L!TV53, o programa Papo com Benja tem como entrevistador o jornalista esportivo Benjamin Back. No programa, “Benja”, apelido pelo qual o jornalista é conhecido, recebe como convidados atletas profissionais ou ex atletas de futebol, treinadores, dirigentes de clubes de futebol, jornalistas esportivos e também outros entrevistados que não atuam profissionalmente no esporte. Desse modo, podemos notar que o programa de entrevistas é composto por agentes internos e legitimados no campo esportivo, mas também por entrevistados cuja ligação com esse campo se dá de modo mais externo, como os integrantes de bandas e músicos brasileiros já entrevistados ao longo da exibição do programa.

Na reconstrução contextual do programa, parece-nos fundamental considerar a trajetória do apresentador do programa Papo com Benja e o modo como suas ações influenciam o contexto de entrevista no qual esteve presente Mano Brown. Benjamin Back, segundo as informações das quais dispusemos, teve toda sua inserção no campo jornalístico voltada para o jornalismo esportivo, em canais de rádio e de televisão aberta. Economista de formação, sua entrada no campo jornalístico teve início com as relações profissionais feitas no meio radiofônico ainda quando a empresa na qual trabalhava divulgava seus anúncios na Energia 97 FM, rádio na qual era transmitido o programa esportivo Estádio 97. Por conta dos contatos feitos à época, Benjamin Back recebeu um convite para atuar como radialista no programa Estádio 97, segundo ele54, tanto por seu conhecimento sobre o futebol quanto por seu humor

extrovertido. Após essa atuação, Benja atuou ainda como produtor de conteúdo para o site Fanáticos FC, também voltado ao jornalismo esportivo. Em 2001, já contratado pelo grupo LANCE!, tornou-se colunista, mantenedor de um blog no sítio do diário na internet e apresentador do programa semanal de entrevistas, Papo com Benja55.

De modo geral, podemos considerar que a trajetória de Benjamin Back no jornalismo esportivo está ligada a uma série de práticas recentes do campo, no âmbito do jornalismo online. Nesse sentido, acreditamos que sua posição no campo jornalístico deva ser compreendida como marcada ainda pela busca de oficialização e legitimidade próprias das práticas jornalísticas na web. Embora as entrevistas em instituições jornalísticas da web nos

53 Disponível em: <http://www.lancetv.com.br/>. Acesso em 03/06/2015.

54 Disponível em: <https://esportes.yahoo.com/blogs/tv-esporte/benjamin-back-onde-e-que-esta-escrito-que-nao- 192829351.html> Acesso em: 20/07/2015.

55 Disponível em: <http://blogs.lancenet.com.br/benja/>,

<http://natelinha.ne10.uol.com.br/noticias/2014/10/10/benjamin-back-sobre-fox-sports-deixaram-eu-brincar-ser- irreverente-80905.php>. Acesso em: 03/06/2015.

pareçam ainda pouco estudadas, são vários os trabalhos que se propõem a tratar da atuação no campo jornalístico dos blogs, como o mantido por Benjamin Back ao longo de 13 anos atuando profissionalmente pelo jornal LANCE!. Braganholo (2011) afirma que a prática jornalística em blogs caminha para a regularização e oficialização (enquanto gêneros textuais) por meio de recursos vários, como, por exemplo, a recorrência à legitimação e a trajetória profissional de seus autores e também em função das possibilidades de interação dos autores com o público leitor, por meio dos comentários presentes nos blogs.

As considerações a respeito dos blog jornalísticos, a nosso ver, auxiliam numa descrição da trajetória de Benjamin Back no campo jornalístico, pois aventam o que parece ser uma marca importante do fazer jornalístico desse agente: as referências a seu comportamento extrovertido e informal no campo jornalístico. Outra marca de sua trajetória nesse campo está na “exclusividade” de algumas de suas entrevistas, tendo em vista que muitos indivíduos pouco afeitos a participações na mídia fariam concessões ao se tratar de Benjamin Back como entrevistador. Acerca dessa característica, tomemos o seguinte trecho:

[Entrevistador] E por que você acha que essas pessoas, de conhecidas

personalidades tão fortes, abrem concessões exclusivamente para você?

[Benjamin Back] Acho que é muita arrogância falar isso, certo seria perguntar

pra eles…

[Entrevistador] Mas o poder de persuasão é seu…

[Benjamin Back] Você quer que eu responda? Tá bom, vou te dizer o que eu

acho. É porque respeito os caras. Não trago ninguém aqui pra polêmicas de 15 anos atrás. Eles sabem que não estão vindo pra território inimigo, não trago os caras pra ferrá-los, não é esse meu objetivo, não gosto disso. (grifos nossos)

Em resposta ao blog TV Esporte, do portal Yahoo de notícias online, Benjamin Back justifica a exclusividade de algumas de suas entrevistas em função de sua conduta nessas interações: seu respeito aos entrevistados faria com que não estabelecesse interações pautadas pelo conflito e por polêmicas anteriores – por meio, por exemplo, da instauração de tópicos “ameaçadores” – e, nesse sentido, as entrevistas não ofereceriam prejuízos à posição de seus convidados. Acreditamos que essas características da trajetória de Benjamin Back estão presentes na entrevista concedida por Mano Brown ao Papo com Benja de junho de 2011, num primeiro momento, em função da informalidade estabelecida nas interações ao longo do programa.

Importa ressaltar duas questões suscitadas pela própria nomeação dada ao programa de entrevistas Papo com Benja. A primeira diz respeito, a nosso ver, a uma centralização ou a um destaque da figura do entrevistador Benja (alcunha pela qual o entrevistador é conhecido)

nas interações que se estabelecem no programa, ao sugerir que ações estabelecidas nesse contexto podem ser compreendidas algo mais por sua relação com o entrevistador, isto é, por estar num “papo com Benja”. Nesse sentido, o programa parece destacar a figura do apresentador enquanto agente reconhecido no campo jornalístico esportivo, sobretudo, na medida em que uma interação com esse agente é usada como expressão referencial para designar o contexto de entrevista.

Outra questão suscitada pelo nome do programa se refere ao emprego do referente “papo”56, categorização que, a nosso ver, alude à informalidade e à descontração como

propriedades importantes para a compreensão das relações que se estabelecem sob a configuração do contexto de entrevista nesse caso. Por conta disso, consideramos que a nomeação do programa evoca a figura do apresentador como central para essa interação e algumas das características de como essa entrevista, comandada por ele, localiza-se num continuum de formalidade e informalidade.

É preciso destacar, ainda, algumas questões da organização cenográfica do programa Papo com Benja, para compreendermos como se formulam diferentes dimensões contextuais que corroboram uma interação pautada pela descontração, pela informalidade e pelo apresentador Benja como figura importante na entrevista. O programa Papo com Benja contou com exibições semanais entre os anos de 2001 e 2013 e as entrevistas eram realizadas num estúdio do jornal LANCE! envolto em janelas de vidro pelas quais era possível observar, ao fundo, outras dependências do local. Outros aspectos do cenário podem ser compreendidos pelas figuras a seguir:

Figura 4- Organização cenográfica do programa Papo com Benja em 06/2011

56As características elencadas até o momento para compreender a entrevista concedida por MB ao Papo com Benja demonstram que a configuração do programa parece corresponder às entrevistas conhecidas como “talk-shows” (FÁVERO et al., 2010).

Figura 5- Organização cenográfica do programa Papo com Benja em 06/2011

Figura 6- Organização cenográfica do programa Papo com Benja em 06/2011

A Figura 6 representa a organização cenográfica do programa Papo com Benja no momento da entrevista concedida por Mano Brown. Nela, podem ser vistos dois ambientes: a Sala 1, representando as dependências (com computadores e mobílias de escritório) do entorno da sala de entrevista, e a Sala 2, na qual estavam o entrevistador Benjamin Back (BB) e os entrevistados Mano Brown (MB) e William Magalhães (WM). A partir do direcionamento da câmera instalada na Sala 2 para a entrevista, era possível que os espectadores visualizassem também o que ocorria na Sala 1, envolta por aberturas de vidro que proporcionavam a amplitude da visão desse espaço.

No momento da entrevista, encontrava-se na Sala 2 também uma mesa, representada pelo quadrilátero de cor laranja na figura acima. Três objetos estavam dispostos sobre a mesa no estúdio: duas camisetas de uniformes comemorativos de times de futebol (O1 e O3) e, em meio a elas, um recipiente de bebida energética. Tais objetos compõem o cenário do programa - portanto, a situação enunciativa como um todo – e foram mencionados pelos participantes da interação e, por conta disso, sinalizados na figura acima.

A nosso ver, a disposição cenográfica do programa Papo com Benja relaciona-se com uma maior simetria no que diz respeito à estrutura de participação dessa interação, haja vista que os lugares ocupados pelo entrevistador e pelos entrevistados encontram-se alinhados quanto à possibilidade de visão por parte dos espectadores do programa. Além disso, consideramos que a possibilidade de que sejam avistados outros espaços que compõem a localidade da instituição midiática atenta para a simultaneidade entre a entrevista e outras atividades que se dão no seio do campo jornalístico e no cotidiano de seus outros agentes. Acreditamos que, juntas, essas características da organização cenográfica do programa proporcionam condições mais ligadas à informalidade para essa entrevista enquanto contexto situado no campo jornalístico.

Além do entrevistado Mano Brown, o programa contou também com a participação de William Magalhães, entrevistado levado ao programa a convite do próprio Brown, como mencionado pelo entrevistador Benja. William Magalhães é instrumentista (pianista), arranjador e produtor musical. À época, integrava um projeto musical realizado por Mano Brown57. O entrevistador Benja se refere inicialmente à presença de William Magalhães no programa como uma “surpresa” e como uma “surpresaça”, o que, acreditamos, vale ser considerado numa observação sobre o contexto do programa quanto à formalidade ou informalidade. Isso porque, o fato de que se possa receber um segundo entrevistado no programa como convidado “surpresa” nos remete a um planejamento menos ritualístico para essa situação e, por conseguinte, mais flexível no que concerne às regras de produção estabelecidas pelo campo jornalístico e por essa instituição midiática, especificamente.

As informações apresentadas até o momento têm o intuito de uma reconstruir algumas das dimensões contextuais mais amplas da entrevista com o rapper Mano Brown no programa Papo com Benja, por meio de algumas considerações que podem ser retomadas do seguinte modo:

57 Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/william-magalhaes/biografia>,

<http://oglobo.globo.com/blogs/amplificador/posts/2012/08/31/black-rio-prepara-trilogia-supernovasambafunk- 462980.asp>. Acesso em: 03/06/2015.

i. sobre a agência LANCEPRESS!, foi possível notar que a comercialização de seu conteúdo a outras instituições faz com que ocupe uma posição mais voltada à lógica comercial do campo jornalístico. Além disso, sua trajetória, ainda recente, dedica- se exclusivamente à elaboração de conteúdo esportivo, tanto em meio impresso como pela web.

ii. observamos que o programa Papo com Benja se vincula às práticas do campo jornalístico na web e que as entrevistas divulgadas pelo canal L!TV correspondem a conteúdos antes restritos ao jornalismo televisivo que, de modo mais recente, agora são divulgados online.

iii. para compreender o contexto do programa Papo com Benja, recorremos a algumas informações da trajetória profissional de Benjamin Back, uma vez que consideramos de suma importância observar como sua posição no campo jornalístico é marcada por traços de seu comportamento e de sua conduta enquanto entrevistador.

iv. assim, foi possível notar que a representação social de Benjamin Back é fundamental na compreensão do contexto do Papo com Benja, em termos da informalidade presente nas interações do programa e até mesmo para compreender a “exclusividade” de alguns de seus convidados.

v. notamos também como o nome do programa (uma categorização da interação informal com o apresentador) e alguns aspectos da organização cenográfica (como o alinhamento entre o assentos e o próprio local da entrevista) contribuem para a construção de um contexto pautado pela descontração e informalidade.

No capítulo 4 do presente trabalho, buscaremos demonstrar como esses aspectos contextuais se desdobraram nas ações de textualização presentes ao longo da entrevista concedida por Mano Brown ao programa. Para isso, não deixaremos de levar em conta outras semioses presentes nessas ações do entrevistado.

3.5 Algumas conclusões

Procuramos, no presente capítulo, reconstruir diferentes níveis contextuais da participação do rapper Mano Brown em entrevistas, tomadas enquanto contextos interacionais do campo jornalístico. Tal percurso, a nosso ver, faz-se necessário às próximas seções, posto que nos auxiliará a compreender como as categorias textuais podem ser aventadas para construir

um empreendimento analítico que articule a materialidade linguística, a nível textual- discursivo, a uma compreensão mais ampla das relações entre texto e contexto.

Na elaboração do capítulo, perfilamos uma certa estrutura conceptual que não se esgota numa estrutura linguística stricto sensu. Partimos das noções de representatividade e estigmatização como características comumente associadas à posição de Mano Brown, seja na própria periferia ou por agentes que não se inserem nesse campo, e recorremos a informações sobre sua trajetória pessoal e profissional, no intuito de compreender a construção dessa representação social em torno do rapper. Esse conjunto de informações, a nosso ver, pode compor uma descrição contextual mais ampla de sua inserção nas entrevistas, visto que nos permite relacionar ações e disposições ancoradas nas socializações anteriores do rapper com as ações de textualização emergentes na temporalidade dos programas de entrevista.

A inscrição de Brown no campo jornalístico também foi evocada no presente capítulo, já que, a nosso ver, sua participação Brown em contextos midiáticos anteriores nos indica algumas de suas tomadas de posição no campo. Consideramos, primeiramente, visão do campo jornalístico sobre o rapper. Nesse momento, foi possível compreender como os contextos de entrevista podem trazer à tona questões diretamente ligadas à representatividade e à estigmatização do rapper - seja como “a voz da periferia” ou como aquele que, após sua ascensão, deve praticar ações em prol da periferia, tendo em vista que conhece e relata os problemas da população desses espaços. Observamos, ainda, algumas características da visão do próprio Brown acerca do campo jornalístico e daquilo que sua participação nesse campo pode significar. Segundo as informações que levantamos, Mano Brown reconhece o campo