• Nenhum resultado encontrado

PROGRAMA REDE DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES (PRBE)

Categoria I. Descrição Programa/Projeto

Anos de vigência: 22 anos (desde 1996 até à atualidade)

População alvo:

Numa fase inicial, a população alvo do PRBE era constituída pelas escolas públicas de todos os níveis de ensino. De acordo com o site oficial do Programa, “mais recentemente, [o PRBE] tem vindo a alargar-se a outros públicos, designadamente escolas com contrato de associação com o MEC e Instituições Particulares de Solidariedade Social” (PORTUGAL, 2017).

Propósitos principais:

O PRBE foi criado “com o objetivo de instalar e desenvolver bibliotecas em escolas públicas de todos os níveis de ensino, disponibilizando aos utilizadores os recursos necessários à leitura, ao acesso, uso e produção da informação em suporte analógico, eletrónico e digital” (PORTUGAL, 2017).

Na sequência da definição da Estratégia Europa 2020, que estabelece os objetivos da União Europeia no período 2014-2020, em 2013 o Programa atualizou as suas linhas prioritárias de ação, entendendo as bibliotecas escolares como um “importante parceiro desta estratégia de melhoria da educação e de combate ao insucesso e abandono escolares” (PORTUGAL, 2013, p. 7). Nesse enquadramento, o PRBE reforçou o seu comprometimento em contribuir para as “metas nacionais na área da educação [que] apontam para a redução da taxa de saída precoce dos sistemas de ensino e formação e para a melhoria das habilitações literárias e qualificações da população portuguesa”, incluindo ainda como objetivos do Programa “elevar os resultados das provas nacionais de português e matemática” e “reduzir as taxas de retenção e de desistência” (idem).

Relação com as

literacias do PISA: Literacia da leitura

Estratégias e Métodos de Concretização e Desenvolvimento:

No plano das estratégias e métodos de concretização e desenvolvimento, o PRBE apresenta quatro características que importa destacar. Uma primeira característica prende-se com a implicação, envolvimento e articulação entre diferentes serviços do Ministério da Educação e com outras agências de decisão política formal, como é o caso das autarquias, assim como de instâncias de coordenação intermédia criadas no âmbito do programa e das escolas e agrupamentos de escolas. Embora a elaboração e execução da rede de bibliotecas escolares tenha ficado sob a tutela do Ministério da Educação através do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, e em articulação com o Ministério da Cultura (Despacho Conjunto 184/ME/MC/96, de 27 de Agosto e Despacho conjunto nº. 872/2001), na sua arquitetura organizacional, o PBRE foi concebido como uma estrutura desconcentrada, pelo envolvimento das Direções Regionais de Educação, e descentralizada, tendo sido estabelecidos protocolos com os municípios para o lançamento de candidaturas concelhias logo no início do programa em 1997 (PORTUGAL, 2016). Destaca-se ainda a articulação do PRBE com outros programas institucionais com objetivos semelhantes, com particular destaque para o Plano Nacional de Leitura, bem como outras entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, que operam nas áreas da leitura e das bibliotecas.

A segunda característica decorre da promoção de uma lógica não impositiva, mas antes de adesão voluntária das escolas ao PRBE. De facto, a construção da Rede processou-se através de candidaturas apresentadas pelas escolas que foram sendo selecionadas para efeitos de financiamento e apoio técnico,

em função dos projetos apresentados para a instalação e criação de serviços de biblioteca no agrupamento, bem como para a requalificação de bibliotecas entretanto já integradas na Rede (PORTUGAL, 2017). A partir de 2005 foi lançada a candidatura “Ideias com mérito” que visava incentivar práticas existentes nas escolas que fossem “centradas no uso da informação e no conhecimento, destacando o papel transversal [da] biblioteca escolar (…) no apoio aos curricula e na melhoria das aprendizagens” (idem), assim como no envolvimento da comunidade educativa ou a promoção da literacia de informação” (Costa et al, 2009, p.52).

A terceira característica diz respeito ao reforço da provisão de recursos financeiros para equipamento e de recursos humanos afetos às bibliotecas escolares. No que se refere aos recursos financeiros, de acordo com os dados disponíveis, nos 10 primeiros anos do Programa o investimento “rondou os 40 milhões de euros” (Costa et al, 2009, p. 47). No que se refere aos recursos humanos, importa destacar três medidas centrais: a atribuição de um crédito horário para professores afetos à biblioteca escolar (previstos inicialmente em 2002 cf. Despacho interno conjunto n° 3 - I/SEAE/SEE/2002); a criação de um enquadramento legal próprio para as funções de um professor bibliotecário, incluindo a possibilidade de abertura de concurso caso não existissem nas escolas ou agrupamentos de escolas docentes a afetar para essas funções (Portaria n.º 192-A/2015 do MEC); a criação de coordenadores interconcelhios, professores responsáveis por assegurar “o elo de ligação entre o Gabinete Coordenador da RBE e as escolas” (Despacho nº 17670/2009), “assegurando ainda o apoio técnico e pedagógico aos professores bibliotecários e às equipas das bibliotecas” (PORTUGAL, 2017; Portaria n.º 756/2009 de 14 de Julho).

Finalmente, a última característica refere-se à preocupação em assegurar vários mecanismos de difusão da informação relativa ao programa, incluindo um Portal, um blogue, uma newsletter, uma conta Twitter e uma conta Facebook e uma plataforma moodle de apoio às ações de formação dinamizadas no âmbito do programa.

A RBE é financiada pelo Orçamento Geral do Estado.

Principais

intervenientes: Ministérios da Educação e da Cultura, Escolas e agrupamentos de escolas. Categoria II. ENQUADRAMENTO SOCIOPOLÍTICO

Instituições e/ ou Entidades Responsáveis pelo Programa/ Projeto:

O Programa Rede de Bibliotecas Escolares (PRBE) foi lançado em 1996, pelos Ministérios da Educação e da Cultura. Atualmente é coordenado pelo Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação (Despacho Conjunto 184/ME/MC/96, de 27 de Agosto e Despacho conjunto nº. 872/2001).

Fundamentos

No final de 1995 o Ministro da Educação e o Ministro da Cultura assinaram um despacho conjunto (Despacho Conjunto nº. 43/ME/MC/95, de 29 de Dezembro) onde reconheciam a “insuficiência de hábitos e práticas de leitura da população portuguesa” e a necessidade de desenvolver uma “política articulada” entre os dois ministérios que incentivasse uma “leitura pública mais ampla que apoie e amplifique a acção da escola e que se mantenha ao longo da vida”. No mesmo despacho, os ministros criavam um grupo de trabalho, liderado por Isabel Alçada, para analisar a realidade portuguesa neste setor e propor medidas de promovessem a “utilização do livro nas metodologias de ensino e na organização do tempo escolar, e o desenvolvimento de bibliotecas escolares integradas numa rede” (idem).

Nessa sequência, o grupo de trabalho produziu um diagnóstico sobre as bibliotecas escolares, tendo concluído que na generalidade das escolas públicas, da falta de espaços e equipamentos, de fundos documentais e parques informáticos desatualizados, assim como da ausência de atividades de formação e dinamização para as bibliotecas escolares. Em síntese, este diagnóstico dava conta que o “o que falta, na maioria dos casos, é afinal um serviço de biblioteca que deveria ser básico, permanente e estimulante” (Veiga et al, 1996, p. 27).

O grupo de trabalho apontava a necessidade de alterar este cenário, indo ao encontro das práticas seguidas por outros países europeus e das recomendações produzidas por organizações internacionais, designadamente da UNESCO. Entre estas recomendações, os autores do relatório

sublinhavam a importância da biblioteca escolar para o desenvolvimento de competências dos alunos no que se refere à aprendizagem da leitura e ao domínio dessa literacia, à pesquisa, identificação, reorganização, avaliação, síntese e apresentação de informação, “contribuindo assim para que os cidadãos se tornem mais conscientes, informados e participantes, e para o desenvolvimento cultural da sociedade no seu conjunto” (Veiga et al, 1996, p. 16). Para além da evocação das orientações transnacionais, os autores afirmavam ainda que as bibliotecas escolares constituíam um “importante veiculo para a transformação global das práticas escolares” e em relação com “o processo de reforma educativa, desencadeado na sequência da aprovação, em 1986, pela Assembleia da República, da Lei de Bases do Sistema

Educativo” (idem, p. 118).

Para tal, o grupo recomendava a criação de um programa que procedesse a uma profunda alteração nos prossupostos e princípios organizadores das bibliotecas escolares que começaram a ser financiadas no quadro do PRODEP no início da década de 1990. Para além da intervenção ao nível organizacional, o grupo proponha que fosse criada uma rede de bibliotecas escolares da mesma área geográfica facilitando a permuta de recursos e a partilha de recursos e serviços comuns.

Categoria III. AVALIAÇÃO GLOBAL

Sobre a avaliação do programa, importa começar por destacar a existência de um processo de avaliação das bibliotecas escolares, com a disponibilização de um “instrumento criado pela RBE para que as bibliotecas possam, de forma autónoma, realizar a avaliação da sua ação e definir estratégias de melhoria e desenvolvimento das suas práticas” (PORTUGAL, 2017). O PRBE foi também alvo de um processo de avaliação externa conduzido pelo Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa/ Centro de Investigação e Estudos Sociais, cujo relatório foi publicado em 2009.

No essencial, os dados de avaliação do programa apontam para a concretização dos propósitos centrais do PRBE no que se refere à integração sustentada de praticamente todas as bibliotecas escolares da rede pública de ensino. De facto, se em 1997 foram integradas no PRBE 164 bibliotecas escolares, vinte e um anos depois, em 2017, a rede integrava 2461 bibliotecas escolares, sendo que todas as escolas sede de agrupamento e de ensino secundário estão atualmente incluídas na rede (idem), tendo afetos cerca de 1300 professores bibliotecários (PORTUGAL, 2016). Este processo permitiu que atualmente “cerca de 1 milhão de alunos é abrangido pela RBE”, i.e., “uma grande maioria da população escolar do país tem, já hoje, à disposição serviços de biblioteca de boa qualidade, prestados seja por bibliotecas das suas escolas, seja por bibliotecas dos seus agrupamentos escolares” o que constitui um importante indicador do elevado grau de concretização do Programa (Costa et al, 2009, p. 136). Mais recentemente o Gabinete responsável pelo programa anunciou a intenção em alargar a sua ação junto de outros públicos “designadamente escolas com contrato de associação com o MEC e Instituições Particulares de Solidariedade Social (PORTUGAL, 2017).

Para além do investimento concretizado nas instalações, equipamentos e recursos

documentais, houve também um investimento importante no plano da formação de recursos humanos para integrarem as bibliotecas escolares, quer no plano da gestão dos fundos documentais, quer na sua dinamização, lúdica, pedagógica e curricular, e em relação com os projetos escolares.

Os avaliadores externos do PRBE recolheram dados relevantes no que toca aos possíveis resultados que este Programa teve junto dos alunos e, mais especificamente, no domínio da literacia da leitura:

“as bibliotecas escolares são muito frequentadas e apreciadas pelos alunos, que, em geral, as consideram os espaços mais agradáveis das escolas. Permite concluir ainda que as BE constituem um importante elemento de inovação nas escolas, tendo produzido impactos relevantes na promoção da leitura de crianças e jovens, na difusão de novas literacias

(audiovisual, mediática, informática, da informação), nas aprendizagens curriculares, em geral, e na realização de actividades não disciplinares (área de projecto, estudo acompanhado, etc.) ou de enriquecimento curricular” (Costa et al, 2009, p. 142).

Um inquérito realizado pela equipa de avaliação externa relevou ainda a importância atribuída pelas escolas envolvidas no PRBE a atividades de promoção da leitura. Em 2008, 97% dos estabelecimentos tinham desenvolvido ações com esse propósito, muitas delas em relação com o Plano Nacional de Leitura e através de ações de trabalho colaborativo com os professores, sendo uma das ações consideradas como mais positivas por 80% dos docentes respondentes. Citado pela mesma fonte, o Barómetro de Opinião Pública de 2007, assim o como o barómetro de 2009, indicava que a população portuguesa reconhecia a “importância das bibliotecas escolares para o desenvolvimento da leitura no país”, destacando, justamente, as atividades de promoção da leitura das escolas como muito importantes para “o melhoramento da

preparação escolar dos jovens e as bibliotecas das escolas. A percentagem dos que atribuem a importância máxima (“muito importante”) às BE é de 67%” (Costa et al, 2009, p. 80).

Referências e publicações mais relevantes

Costa, A. F., Pegado, E., Ávila, P., e Coelho, A. R. (2009). Avaliação do programa rede de bibliotecas escolares. Lisboa: RBE/ME <http://www.rbe.min-edu.pt/np4/ file/31/978_972_742_3194.pdf>

Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares (2002). Relatório do questionário de avaliação - Ano lectivo 2000/2001. Lisboa: RBE/ME <http://www.rbe.min-edu.pt/np4/file/42/relatorio_ avaliacao_2001.pdf>

Veiga, I., Barroso, C., Calixto, J. A., Calçada, T., e Gaspar, T. (1996). Lançar a rede de bibliotecas escolares. Lisboa: Ministério da Educação.

Veiga, I., Barroso, C., Calixto, J. A., Calçada, T., e Gaspar, T. (1996). Lançar a rede de bibliotecas escolares – relatório síntese. Lisboa: Ministério da Educação.

Portugal. Ministério da Educação. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares (2016). 20 anos RBE [Consult. 25-01-2018] Disponível em WWW: <URL: https://www.rbe20anos.pt/>

Portugal. Ministério da Educação. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares (2017). Portal RBE: Programa Rede de Bibliotecas Escolares. [Consult. 25-01-2018] Disponível em WWW: <URL: http://www.rbe.mec.pt>

Portugal. Ministério da Educação. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares (2013). Portal RBE: Programa Rede de Bibliotecas Escolares. Quadro estratégico: 2014-2020 [Consult. 25-01-2018] Disponível em WWW: <URL: http://www.rbe.mec.pt/np4/qe.html>