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Programa Saúde da Família (PSF)

No documento Ep SC 2014 (páginas 62-67)

A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde

ATENÇÃO - Material destinado ao uso exclusivo nas atividades da disciplina de Epidemiologia e Saúde Coletiva do UNICEP. Não deve e não pode ser divulgado, publicado, citado ou postado, especialmente na internet, sem a expressa autorização da autora.

desta comunidade. A responsabilidade pelo acompanhamento das famílias coloca para as equipes saúde da família a necessidade de ultrapassar os limites classicamente definidos para a atenção básica no Brasil, especialmente no contexto do SUS.

A estratégia de Saúde da Família é um projeto dinamizador do SUS, condicionada pela evolução histórica e organização do sistema de saúde no Brasil. A velocidade de expansão da Saúde da Família comprova a adesão de gestores estaduais e municipais aos seus princípios. Iniciado em 1994, apresentou um crescimento expressivo nos últimos anos. A consolidação dessa estratégia precisa, entretanto, ser sustentada por um processo que permita a real substituição da rede básica de serviços tradicionais no âmbito dos municípios e pela capacidade de produção de resultados positivos nos indicadores de saúde e de qualidade de vida da população assistida. A Saúde da Família como estratégia estruturante dos sistemas municipais de saúde tem provocado um importante movimento com o intuito de reordenar o modelo de atenção no SUS. Busca maior racionalidade na utilização dos demais níveis assistenciais e tem produzido resultados positivos nos principais indicadores de saúde das populações assistidas às equipes saúde da família.

Criado em 1994 pelo Ministério da Saúde

Principal propósito: reorganizar a prática da atenção à saúde em novas bases e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto da família e, com isso, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.

Estratégia  prioriza as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua.

Atendimento

Prestado na unidade básica de saúde (UBS) ou no domicílio

Equipe - profissionais (médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde) que compõem as equipes de Saúde da Família.

Profissionais e população acompanhada criam vínculos de co-responsabilidade, o que facilita a identificação e o atendimento aos problemas de saúde da comunidade.

Princípios Básicos

A estratégia do PSF está estruturada a partir da Unidade Básica de Saúde da Família e incorpora e reafirma os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS) –

Universalização

Descentralização

Integralidade

Participação da comunidade

Integralidade e hierarquização

A Unidade de Saúde da Família está inserida no primeiro nível de ações e serviços do sistema local de assistência, denominado atenção básica.

Deve estar vinculada à rede de serviços, de forma que se garanta atenção integral aos indivíduos e famílias

Devem se asseguradas a referência e a contra-referência para clínicas e serviços de maior complexidade, sempre que o estado de saúde da pessoa assim exigir.

Territorialização e cadastramento da clientela

A Unidade de Saúde da Família trabalha com território de abrangência definido

É responsável pelo cadastramento e acompanhamento da população vinculada (adscrita) a esta área.

Recomenda-se que uma equipe seja responsável por, no máximo, 4.500 pessoas.

ATENÇÃO - Material destinado ao uso exclusivo nas atividades da disciplina de Epidemiologia e Saúde Coletiva do UNICEP. Não deve e não pode ser divulgado, publicado, citado ou postado, especialmente na internet, sem a expressa autorização da autora.

O trabalho de equipes da Saúde da Família é o elemento-chave para a busca permanente de comunicação e troca de experiências e conhecimentos entre os integrantes da equipe e desses com o saber popular do Agente Comunitário de Saúde. As equipes são compostas, no mínimo, por um médico de família, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e 6 agentes comunitários de saúde. Quando ampliada, conta ainda com: um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental.

Cada equipe se responsabiliza pelo acompanhamento de cerca de 3 mil a 4 mil e 500 pessoas ou de mil famílias de uma determinada área, e estas passam a ter co-responsabilidade no cuidado à saúde. A atuação das equipes ocorre principalmente nas unidades básicas de saúde, nas residências e na mobilização da comunidade, caracterizando-se: como porta de entrada de um sistema hierarquizado e regionalizado de saúde; por ter território definido, com uma população delimitada, sob a sua responsabilidade; por intervir sobre os fatores de risco aos quais a comunidade está exposta; por prestar assistência integral, permanente e de qualidade; por realizar atividades de educação e promoção da saúde.

E, ainda: por estabelecer vínculos de compromisso e de co-responsabilidade com a população; por estimular a organização das comunidades para exercer o controle social das ações e serviços de saúde; por utilizar sistemas de informação para o monitoramento e a tomada de decisões; por atuar de forma intersetorial, por meio de parcerias estabelecidas com diferentes segmentos sociais e institucionais, de forma a intervir em situações que transcendem a especificidade do setor saúde e que têm efeitos determinantes sobre as condições de vida e saúde dos indivíduos-famílias-comunidade.

Como Funciona

Atribuições dos membros das equipes:

– Médico: Atende a todos os integrantes de cada família, independente de sexo e idade, desenvolve com os demais integrantes da equipe, ações preventivas e de promoção da qualidade de vida da população.

– Enfermeiro: Supervisiona o trabalho do ACS e do Auxiliar de Enfermagem, realiza consultas na unidade de saúde, bem como assiste às pessoas que necessitam de cuidados de enfermagem, no domicílio.

– Auxiliar de enfermagem: Realiza procedimentos de enfermagem na unidade básica de saúde, no domicílio e executa ações de orientação sanitária.

– Agente Comunitário de Saúde: Faz a ligação entre as famílias e o serviço de saúde, visitando cada domicílio pelo menos uma vez por mês; realiza o mapeamento de cada área, o cadastramento das famílias e estimula a comunidade.

•Cada equipe é capacitada para:

– conhecer a realidade das famílias pelas quais é responsável, por meio de cadastramento e diagnóstico de suas características sociais, demográficas e epidemiológicas;

– Identificar os principais problemas de saúde e situações de risco aos quais a população que ela atende está exposta;

– elaborar, com a participação da comunidade, um plano local para enfrentar os determinantes do processo saúde/doença;

– prestar assistência integral, respondendo de forma contínua e racionalizada à demanda, organizada ou espontânea, na Unidade de Saúde da Família, na comunidade, no domicílio e no acompanhamento ao atendimento nos serviços de referência ambulatorial ou hospitalar;

– desenvolver ações educativas e intersetoriais para enfrentar os problemas de saúde identificados.

Implantação

•A implantação do Programa Saúde da Família depende, antes de tudo, da decisão política da

administração municipal, que deve submeter a proposta ao Conselho Municipal de Saúde e discutir o assunto com as comunidades a serem beneficiadas. O Ministério da Saúde, juntamente com as Secretarias Estaduais de Saúde, está empenhado em dar todo o apoio necessário à elaboração do projeto e à sua implantação

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Agentes Comunitários de Saúde

O Programa de Agentes Comunitários de Saúde é hoje considerado parte da Saúde da Família. Nos municípios onde há somente o PACS, este pode ser considerado um programa de transição para a Saúde da Família. No PACS, as ações dos agentes comunitários de saúde são acompanhadas e orientadas por um enfermeiro/supervisor lotado em uma unidade básica de saúde.

Os agentes comunitários de saúde podem ser encontrados em duas situações distintas em relação à rede do SUS: a) ligados a uma unidade básica de saúde ainda não organizada na lógica da Saúde da Família;e b) ligados a uma unidade básica de Saúde da Família como membro da equipe multiprofissional. Atualmente, encontram-se em atividade no país 204 mil ACS, estando presentes tanto em comunidades rurais e periferias urbanas quanto em municípios altamente urbanizados e industrializados.

Núcleo de Apoio à Saúde da Família - NASF

Para ampliar o atendimento e a qualidade dos serviços do SUS, o Ministério da Saúde ampliou o leque de serviços oferecidos aos usuários da Atenção Básica. Além dos profissionais que já vêm prestando atendimento nas Unidades Básicas de Saúde/Saúde da Família, a partir de agora, e contando com a decisão dos gestores locais, outros profissionais que trabalham com a promoção, prevenção e reabilitação da saúde também estarão ao acesso da população.

A Portaria nº 154, de 24 de janeiro de 2008, republicada em 04 de março de 2008, instituiu a criação dos Núcleos de Apoio Saúde da Família (NASF), atendendo a uma das maiores reivindicações dos profissionais da Saúde da Família: a inserção de áreas co-relatas às atividades dos profissionais da Atenção Básica.

A responsabilização compartilhada entre as Equipes Saúde da Família (ESF) e as equipes do NASF na comunidade prevê a revisão da prática atual do encaminhamento com base nos processos de referência e contra-referência, ampliando-a para um processo de acompanhamento longitudinal de responsabilidade da equipe de Atenção Básica/Saúde da Família, atuando no fortalecimento de seus atributos e no papel de coordenação do cuidado no SUS.

A portaria salienta que os NASF "não se constituem em porta de entrada do sistema e devem atuar de forma integrada à rede de serviços de saúde a partir das demandas identificadas no trabalho conjunto com as ESF". Tem como responsabilidade central atuar e reforçar 8 diretrizes na atenção à saúde: a interdisciplinaridade, a intersetorialidade, o território, a integralidade, o controle social, a educação permanente em saúde, a promoção da saúde e a humanização. O NASF está dividido em oito áreas estratégicas sendo elas: atividade física/praticas corporais; práticas integrativas e complementares; reabilitação; alimentação e nutrição; saúde mental; serviço social; saúde da criança/ do adolescente e do jovem; saúde da mulher e assistência farmacêutica.

Foram concebidos, nos moldes da Portaria 154, os NASF 1 e 2 sendo que em nenhum município brasileiro ou no Distrito Federal poderão existir os dois modelos concomitantemente. As características dos modelos 1 e 2 são:

NASF 1 - Introduzidos com repasses de R$ 20 mil mensais e compostos por, no mínimo, cinco profissionais de ocupações não - coincidentes, entre elas: • médico acupunturista; • assistente social; • profissional de Educação Física; • farmacêutico; • fisioterapeuta; • fonoaudiólogo; • médico ginecologista; • médico homeopata; • nutricionista; • médico pediatra; • psicólogo; • médico psiquiatra; e • terapeuta ocupacional. Cada NASF 1 servirá de referência para no mínimo

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oito ESF. Exceto nos municípios com menos de 100 mil habitantes da Região Norte, nos quais, o mínimo poderá ser de cinco Equipes de Saúde da Família.

NASF 2 - Esta modalidade será introduzida somente nos municípios que tenham densidade populacional abaixo de dez habitantes por quilômetro quadrado, de acordo com dados da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ano base 2007, com repasse de R$ 6 mil mensais. Comporá esta equipe um mínimo de três profissionais de ocupações nãocoincidentes, entre elas: assistente social; profissional de Educação Física; farmacêutico; fisioterapeuta; fonoaudiólogo; nutricionista; psicólogo; e terapeuta ocupacional.

A Portaria recomenda, ainda, que a composição das equipes deve ser definida pelos gestores, conforme as prioridades locais, desde que observada a carga horária: assim como os profissionais das UBS, os trabalhadores desta nova modalidade de atendimento deverão cumprir 40 horas semanais, sendo possível, em casos específicos, a contratação de dois profissionais, cada um com 20 horas/semanal.

Dentre as propostas advindas da adoção dos NASF, estão a questão da intersetorialidade com as diversas instâncias do poder público: educação, cultura, trabalho, lazer, entre outras. Dentro dessa linha, também há a possibilidade do usuário ter sua voz ouvida, pois é vislumbrada a participação popular na tomada de decisões, por meio da gestão integrada e da atuação dos Conselhos Municipais e/ou Locais de Saúde. Visto seu caráter complementar à Saúde da Família, em todos os atendimentos devem ser consideradas a elaboração de projetos terapêuticos individualizados promovendo a responsabilidade compartilhada e realizando atendimentos "multiprofissionais e transdisciplinares".

Uma grande demanda nas UBS/SF que o NASF procura cobrir é a procura por práticas corporais e atividades físicas. A Política Nacional de Promoção da Saúde PT nº 687/GM, de 30 de março de 2006, define que estas "são expressões individuas e coletivas do movimento corporal advindo do conhecimento e da experiência em torno do jogo, da dança, do esporte, da luta, da ginástica". Seguindo essa definição, o NASF também torna-se, dentro da Atenção Básica, mais um espaço para a prevenção e promoção da saúde: incentiva as práticas de caminhada, orienta para a realização de exercícios, práticas lúdicas, esportivas e terapêuticas como a capoeira, danças, Tai Chi Chuan, Lian Gong, Lian Chi, Tui-n, Shantala, Do-in e Yoga. Muitas dessas atividades estão vislumbradas também na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, que encontra no NASF um grande aporte para a sua viabilização, com a criação de espaços de inclusão social, com áreas que ampliam o sentimento de pertinência social nas comunidades, por meio das áreas individuais e coletivas referentes às práticas integrativas.

A definição dos profissionais que irão compor os núcleos é de responsabilidade dos gestores municipais, seguindo os critérios de prioridade identificados a partir das necessidades locais e da disponibilidade de profissionais de cada uma das diferentes ocupações.

A equipe do NASF e as equipes da saúde da família criarão espaços de discussões para gestão do cuidado. Como, por exemplo, reuniões e atendimentos conjuntos constituindo processo de aprendizado coletivo. Desta maneira, o NASF não se constitui porta de entrada do sistema para os usuários, mas apoio às equipes de saúde da família e tem como eixos a responsabilização, gestão compartilhada e apoio à coordenação do cuidado, que se pretende, pela saúde da família da família.

Organização do processo de trabalho, nos territórios de sua responsabilidade, referido às ESF que a ele se vinculam e fazem a gestão do cuidado, priorizando:

ATENÇÃO - Material destinado ao uso exclusivo nas atividades da disciplina de Epidemiologia e Saúde Coletiva do UNICEP. Não deve e não pode ser divulgado, publicado, citado ou postado, especialmente na internet, sem a expressa autorização da autora.

• Atendimento compartilhado para uma intervenção interdisciplinar, com troca de saberes, capacitação e responsabilidades mútuas (estudo/ discussão de casos/situações, orientações, atendimentos em conjuntos);

• Encaminhamento de usuários/famílias para o Núcleo pela equipe de saúde da família, sendo realizada, necessariamente, uma discussão a priori entre os profissionais responsáveis pelo caso. (Atendimento individual em situações extremamente necessária pelo NASF).

• Ações comuns nos territórios de responsabilidade do NASF, sendo desenvolvidas de forma articulada com a ESF e outros setores públicos (exemplos: educação permanente, planejamento integrado, potencialização do uso de espaços públicos de convivência, ações focadas na inclusão social, enfrentamento da violência, educação popular em saúde, organização em rede intersetorial para a equidade e cidadania - escolas, creches, equipamentos da assistência social, etc -, trabalhos com grupos vulneráveis).

No que se refere a atuação dos profissionais, esta será realizada de forma ampla com ações especificas por áreas estratégicas e ações comuns de responsabilidade de todos os profissionais, a serem desenvolvidas em conjunto com as ESF e com a comunidade. À atenção primária à saúde colocam-se alguns desafios, entre estes estão a ampliação progressiva de sua cobertura populacional e sua integração à rede assistencial. O NASF insere- se neste sistema buscando tanto o aumento de sua resolutividade quanto de sua capacidade de compartilhar e fazer a coordenação do cuidado compartilhando esses desafios com as ESF.

No documento Ep SC 2014 (páginas 62-67)