3.1 O historial que nos constitui
3.1.2 Programas e ações de EaD no Brasil
A integração dos recursos tecnológicos para a EaD possibilita que esta
ocorra de forma mais dinâmica. Com isso, as agências de fomento à pesquisa
e ao desenvolvimento tecnológico aumentam seus investimentos para
atividades de EaD com uso das TIC.
Através de programas e ações da SeeD, o governo investe em
programas de capacitação e formação continuada de profissionais para
atuarem na EaD, em projetos de elaboração de materiais-pedagógicos digitais
e no fomento de cursos superiores nessa modalidade. Atualmente, alguns dos
programas e ações que estão em vigência na SeeD são:
Domínio Público: disponibiliza arquivos, de textos, sons,
imagens e vídeos de diferentes temas, e é organizado em
forma de uma biblioteca digital de acesso livre.
Ambiente Colaborativo de Aprendizagem e-ProInfo: permite
a concepção, administração e o desenvolvimento de ambientes
virtuais para diversos tipos de ações, tais como: cursos a
distância, complemento a cursos presenciais, projetos de
pesquisa e diversas outras formas de apoio a distância.
Banco Internacional de Objetos Educacionais: possui
objetos educacionais gratuitos, livres em diversas mídias
(áudio, vídeo, animação/simulação, imagem, hipertexto,
softwares educacionais) e idiomas destinados a todos os níveis
de ensino nas diversas áreas do conhecimento.
TV Escola: proporciona aos educadores da rede pública a
capacitação e o aperfeiçoamento para a utilização de
programas de TV desenvolvidos com fins educacionais.
DVD Escola: oferece às escolas mídias DVD com a
programação produzida pela TV Escola, com o objetivo de
manter a atualização tecnológica das escolas públicas de
educação básica.
Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo):
promove o uso pedagógico da informática na rede pública de
ensino fundamental e médio. A meta do MEC, em 2008, foi
investir na implementação de mais de 25 mil laboratórios de
informática.
Mídias na Educação: proporciona a formação continuada
de profissionais de educação em exercício para o uso
pedagógico das diferentes mídias – TV e vídeo, informática,
rádio e material impresso – de forma integrada ao processo de
ensino e aprendizagem.
Universidade Aberta do Brasil (UAB): propõe a articulação
das IES já existentes, possibilitando levar o ensino superior
público de qualidade aos municípios brasileiros que não
possuem cursos de formação superior, utilizando a EaD para a
veiculação dos diversos cursos.
Pró-licenciatura (Prolic): oferta cursos superiores de
licenciatura dirigidos a professores em exercício nos anos finais
do Ensino Fundamental e do Ensino Médio dos sistemas
públicos de ensino que não tenham a habilitação legal
(licenciatura) exigida para o exercício da função.
Escola Técnica Aberta do Brasil (E-TEC Brasil): propõe
cursos em nível médio de educação técnica e profissional,
visando levar esses cursos para regiões distantes das
instituições de ensino técnico e para a periferia das grandes
cidades brasileiras, incentivando os jovens a concluírem o
Ensino Médio.
Programa Um Computador por Aluno (Prouca):
regulamentado em 26 de julho de 2010, prevê a aquisição de
computadores portáteis novos para uso nas escolas da rede
pública de educação básica.
Portal do Professor: ambiente virtual destinado a
professores do ensino fundamental e médio para a socialização
de experiências; o acesso a sugestões por disciplinas e a
informações sobre cursos de capacitação continuada
ofertados.
Programa Banda Larga nas Escolas: propiciar às escolas
públicas o acesso à rede mundial de computadores, por meio
da instalação de infraestrutura de rede para suporte à conexão
de velocidade, agregando mais qualidade ao ensino público do
país.
Outras Secretarias em conjunto com a então SeeD
20desenvolvem ações
de EaD, principalmente com a oferta de alguns cursos a distância.
Com as colocações anteriores, visualizou-se, portanto, que são muitas
as iniciativas e muitos os programas de incentivo do governo e isso tem feito
com que a EaD alcance uma posição de destaque no Brasil. Tal posição se dá
principalmente por se tratar de um instrumento de democratização do acesso
às universidades públicas, já que oferece oportunidade para um maior número
de pessoas ingressarem nas instituições de ensino.
Essa modalidade torna-se, então, um novo meio para a inclusão
daqueles ainda excluídos dos processos tradicionais de ensino, por questões
20
Exemplo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) criada
com o objetivo de contribuir para a redução das desigualdades educacionais por meio da
participação de todos os cidadãos em políticas públicas que assegurem a ampliação do acesso
à educação.
de horário, de localização de moradias ou por falta de recursos materiais,
dentre outras causas.
Nesse sentido, iniciativas com caráter potencialmente inclusivo
especialmente pela flexibilidade de tempo e espaço têm mostrado que não são
suficientes para se garantir a formação superior a muitos estudantes, pois a
falta de tempo bem como a organização desse tempo têm sido um fator
presente na EaD.
Assim, atender aos estudantes em contextos distintos, de modo flexível,
em seus diferentes tempos e espaços é um dos desafios da modalidade a
distância. Na EaD, a concepção de tempo é uma construção cultural, entendida
no universo do simbólico, do subjetivo, em uma compreensão de que o tempo
é o tempo de cada um, que permite um acompanhamento individualizado que
respeita as diferenças e os ritmos de aprendizagem (NEDER, 2002).
Por outro lado, uma das preocupações dessa modalidade é o índice de
evasão. Ao contrário do que se pode imaginar, a distância maior ou menor não
interfere nos índices de evasão, o que interfere é a constância, a presença do
professor e do tutor durante o processo, seja uma presença física ou virtual.
Estudo realizado pelo CENSO EAD.BR (2010) mostrou que os motivos
que mais contribuem para a evasão são: a falta de condições financeiras e de
tempo, mas problemas referentes ao desconhecimento dos métodos dessa
modalidade de ensino também têm influenciado nos índices de evasão. Faz-se
importante destacar ainda que a região sul é a que apresenta o menor índice
de evasão (14,8%); em contrapartida, a região norte é a que apresenta o maior
índice (27,8%). Segundo projeção realizada, somente entre as instituições
credenciadas pelo MEC, no ano de 2008 no Brasil, houve cerca de 140 mil
alunos evadidos de cursos de EaD (CENSO EAD.BR, 2010).
Nesse aspecto, cabe às IES garantirem a qualidade dos cursos
ofertados na modalidade a distância, bem como prepararem os profissionais
para uma sociedade da informação que esteja cada vez mais imersa nas
tecnologias digitais. Para tanto, é importante que as instituições constituam, em
seu interior, um corpo docente com formação específica para a EaD,
contemplando recursos humanos para atuar tanto na gestão quanto nos
processos pedagógicos.
No documento
COOPERAR NO ENATUAR DE PROFESSORES E TUTORES
(páginas 42-46)