• Nenhum resultado encontrado

O desenvolvimento e a transferência de tecnologia são somente uma das diversas modalidades de interação entre a universidade e a empresa. Essa modalidade constitui-se num processo que requer capacidades, habilidades e experiência que normalmente não se encontram em ambientes acadêmicos tradicionais. Por outro lado, não se tem ainda um consenso sobre o melhor tipo de organização para se transferir tecnologia da universidade para o setor produtivo. Assim, segundo ROTHWELL (1982: 249-297), tem surgido um grande número de experimentos organizacionais com o objetivo de transferir tecnologia da universidade para o setor produtivo:

- Sistemas nacionais para a exploração de tecnologia universitária. Em vários países se tem estabelecido organizações para facilitar o patenteamento e a comercialização de pesquisas universitárias, assim como daquelas provenientes de centros governamentais de Pesquisa & Desenvolvimento (P & D);

- Programas universitários de integração com a empresa. Estes programas buscam promover a consultoria de acadêmicos universitários a empresas participantes no programa;

- Oficinas universitárias de transferência de tecnologia. Em vários países, (Grã Bretanha, França, Suécia, Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, México, entre outros), se têm estabelecido oficinas especializadas na transferência de tecnologia. Estas, providenciam uma carteira de serviço de gestão e monitoria juntamente com as atividades e interesses, tanto da universidade como da empresa;

- Empresas universitárias comercializadoras de tecnologia. Várias universidades têm decidido criar uma instância externa que facilite a exploração comercial dos resultados da pesquisa. Por exemplo, em Israel a universidade Hebrew criou a companhia Yissum Research Development com fins de comercializar a tecnologia universitária;

- Os Núcleos Independentes de Gestão Tecnológica ou “Corredores” de Tecnologia. Estas modalidades têm começado a proliferar, pois os negócios de transferir tecnologia das universidades ou de centros de pesquisa ao setor produtivo parecem atrativos;

- Os centros de inovação. Partindo-se do pressuposto que a inovação está inseparavelmente ligada ao espírito empresarial, a Nacional Science Foundation criou os Centros de Inovação como um veículo, dentro das universidades, para estimular a inovação tecnológica e aumentar as tendências empresariais de seus participantes. Tais centros interessam tanto ao pesquisador quanto ao empresário, pois incentivam o governo a investir em Pesquisa & Desenvolvimento e aceleram a comercialização de pesquisas universitárias, assim como estudam o processo de inovação e ajuda a criação de empresas mediantes a prestação de serviços de consultoria na gestão e mercadotecnia. De 10 centros fundados entre 1973 a 1981, cinco sobrevivem independentemente e têm conseguido cobrir praticamente todos os objetivos originais. O êxito desse tipo de centro tem influído para criação de similares em outros países como a Irlanda e o Canadá;

- Os Consórcios de Pesquisa e Desenvolvimento e os Centros Cooperativos de Pesquisa. São uma das formas de associação formal a longo prazo entre a universidade e a que têm sido explorada nos países industrializados, é a constituição de consórcios de Pesquisa & Desenvolvimento. Em países avançados estes consórcios têm demonstrado alta eficiência para apoiar

cátedras especiais nas universidades, e para financiar conjuntamente a formação de infra-estrutura de pesquisa; para promover pesquisas básicas de vanguarda. Intercâmbios de pesquisas e recursos especiais, e para criar instâncias de serviços técnicos de alta especialização para todas as empresas; - As incubadoras de Empresas. Os centros incubadores são entidades que tratam

de proporcionar um ambiente para as quais pequenas empresas, ou aquelas em sua fase de criação, obtenham facilidades que as permitam superar a difíceis etapas embrionárias de um novo negócio. Entre os serviços que presta uma incubadora, se encontram os de apoio secretarial, acessos a equipe de oficina, serviços contábeis, assessoria legal, apoio bibliotecário, acesso aos estudantes de pós-graduação e pesquisadores;

- Os parques tecnológicos. Eles se constituem em conglomerados industriais próximos às universidades, com o objetivo de as empresas aproveitarem a proximidade com a capacidade científica e tecnológica dos pesquisadores e os laboratórios bem equipados;

- Os centros de pesquisa de excelência. Em conjunto com parques tecnológicos, as universidades têm estabelecido centros de pesquisas especializados, com o objetivo de explorar questões associadas às empresas, considerando que a maioria dos custos diretos será paga pela empresa.

O êxito das formas de organização citadas ocorre em função de diferentes fatores, tais como: disponibilidade de pesquisadores, apoio de autoridades, congruência e compatibilidade de objetivos, mecanismos facilitadores da interação, recursos econômicos, empresas interessadas e gestão adequada. Contudo, o vínculo da universidade com a empresa constitui-se numa atividade que requer capacidades, habilidades e experiência de negociações que normalmente não se encontram em ambientes acadêmicos tradicionais. Por outro lado, não se tem ainda um consenso sobre o melhor tipo de organização para se transferir tecnologia da universidade para o setor produtivo.

Nos países capitalistas centrais, o sistema produtivo, através dos mecanismos de mercado ou de planos de governo, influencia decisivamente as linhas da pesquisa aplicada e do desenvolvimento de tecnologia. Conforme relatam os documentos da OCDE, Organisation de Cooperation et de Developpement Economiques (1984), as exigências do setor produtivo, em sua dinâmica reprodutiva, acabam por afetar a pesquisa básica devido às influências exercidas na pesquisa aplicada. Nesse sentido, as mais diversas áreas de conhecimento são afetadas. Desse modo, ainda de forma filtrada, o setor de pesquisa básica também responde às demandas do setor produtivo determinadas pela concorrência inter-capitalista.

No período anterior à Segunda Guerra, prevaleciam alguns pontos fundamentais na correlação universidade - empresa que indicavam a dependência desta última em relação à iniciativa pública. Em primeiro lugar, é destacável que toda a pesquisa tecnológica aplicada depende da pesquisa básica. No entanto, esta é um investimento de alto risco ou cujos benefícios não são sempre reabsorvidos pelas técnicas e pela produção industrial. A pesquisa tecnológica industrial visa ao útil e ao prático, o que contrasta com a pesquisa “pura” acadêmica, pelo fato desta, por definição, ter como alvo a verdade ou o compromisso com o avanço do patrimônio coletivo do conhecimento. Daí o caráter fechado, secreto e exclusivista da pesquisa industrial e o caráter aberto, público da pesquisa básica acadêmica. Contudo, a primeira tem quase sempre dependido desta última, enquanto base para aplicações específicas. A pesquisa científica industrial visa, sobretudo, produzir patentes e garantir monopólio legal da produção de objetos técnicos correlatos. A produção acadêmica gera artigos científicos.12 O financiamento da pesquisa básica não conta efetivamente com a filantropia da iniciativa privada. Nesse sentido, lembra NOBLE (1980), a universidade fez o que nenhuma outra agência de pesquisa, incluindo ou não a indústria, pode fazer. O processo de pesquisa acadêmica pode reproduzir a si mesmo, diz. A pesquisa industrial seria man-consuming, ao passo que a pesquisa universitária seria man-producing.13 Nos Estados Unidos, a cooperação da

12 Enquanto o artigo insere a pesquisa efetuada no contexto histórico de outros trabalhos. a ciência

industrial ‘destroi seu próprio passado criando o seu capital”. Ver G. BOWKER, l’essor de la recherche

industrielle in Éléments d’histoire des sciences, Paris, Bordas Cultures, 1989. p. 483

13Acrescenta NOBLE que “thus, the universities, potential suppliers of applied research, fundamental

research, and research manpower, were the key to science-based industrial development. NOBLE, D. F., America by Design, Science, Tecnology, and the Rise of Corporate Capitalism, Oxford University Press, p

universidade com a indústria teria tido efeitos benéficos para ambas as partes. Isso atrelou a universidade ao interesse do capital, mergulhando-a no mercado como um agente econômico cujo ativo é o conhecimento.14 NOBLE conclui que embora os engenheiros, os acadêmicos mais envolvidos com o incremento do processo produtivo, pudessem ter a convicção que estavam servindo à comunidade como um todo, na verdade eles “serviriam somente para a classe dominante na sociedade” (1980: 324). Assim, a própria noção de pesquisa básica desinteressada tornou-se suspeita. Apesar do seu carácter eminentemente público, ela não deixou de sofrer os efeitos das forças do mercado.

128. “The research activities of trade associations, semiprivate institutes, independent contractors,

governemment bureaus, and private foundations provide an essential service and subsidy to the expanding science-based industries. They were not, however, equipped to meet all of the scientific requirements of modern industriy. Only the nations’s colleges and universites, with their unequaled reserch facilities and trained personnel, were prepared for this. Given the proper organization and spirit of cooperation, the universities could provide an unlimited amount of applied research for industry. More important, as the tradicional site of fundamental science research, they could support the basic investigations upon whith industrial research was grounded, investigations which only a handful of the largest corporations could afford to underwrite.”

14the the research-related cooperation between technical educators and their professional colleagues in

the industries contributed greatly to the expansion of university facilities transformation of the universites into a ‘functional unit’ of a larger ‘industrial system’. Indeed, the development of this new industrial