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Um projeto de design elaborado através de crowdfunding é tido como “(..) um amplo processo criati-vo que atua na construção de mensagens (...)”17, imprescindível e acelerador de projetos de design na me-dida em responde a avanços sociais e tecnológicos e abrange vários meios de comunicação, com o objeti-vo de garantir que a mensagem alcança o público-alobjeti-vo. O designer tem de pensar estrategicamente, tanto em termos de design como de marketing, a fim de estabelecer credibilidade através da comunicação. Os diversos canais de comunicação utilizados no projeto de design na plataforma de crowdfunding traduzem ideias e informações através de várias linguagens, e fazem uso de vários suportes e media que visam in-formar e atrair, inspirar, criar desejos e motivar as pessoas a responder às mensagens, para visar a obten-ção de melhores resultados no processo do financiamento colaborativo. O design tido num projeto de crowdfunding centra-se na planificação do projeto em si, entendida como campanha, tendo como foco o ato criativo a fim de conciliar ideias que recoloquem e reformulem os problemas propostos no projeto, para entãdepois passar para a resolução do problema enunciado. É um processo que envolve o pensamento empresarial estratégico, fazendo uso de pesquisa de mercado, criatividade e resolução de problemas. A oferta de produtos e empreendimentos no mercado resultantes de um projeto de crowdfunding é vasta e variada, e parece que quase todos os produtos e empreendedores conseguem vingar através deste meio de financiamento coletivo. A percepção do observador de um produto ou serviço à venda no mercado fruto de um projeto de crowdfunding, é que tanto a implementação de uma ideia na plataforma de financiamen-to coletivo como traduzi-la num projefinanciamen-to de sucesso, parece ser acessível e fácil de se materializar. Na ver-dade, pôr uma ideia em prática na plataforma é um processo acessível a todos, mas a obtenção de resulta-dos positivos nem sempre acontece e é um processo complexo. O crowdfunding bem sucedido não acontece por acaso. Num primeiro relance, olha-se para os resultados positivos e não no processo em si, ou seja, nas implicações de um projeto de crowdfunding, o que está por detrás e como foi conseguido.

É pretendido com a análise do processo de reward-based crowdfunding do Smog Free Project dar a conhecer este procedimento projetual a fim de oferecer a possibilidade de o designer conseguir por si mesmo desenvolver a campanha do seu próprio produto ou empreendimento. São diversos os elementos que o designer deve ter em conta e analisar antes de começar a planificação do projeto numa plataforma de reward-based crowdfunding. Além de o designer ter de possuir uma ideia muito clara dos custos en-volvidos, de saber como manter o projeto ativo, top of mind18, e de como fazer crescer na consciência pú-blica durante o tempo da campanha ativa, um ou mais dos sete fundamentos apresentados deve constar no procedimento projetual do crowdfunding, (STEINBERG, 2012: 32):

17  Disponível  em:  <https://pt.wikipedia.org/wiki/Design_de_comunicação>.  Consultado  a  17  de  Abril  de  2016.  

18  Top  of  mind  é  um  termo  em  inglês  utilizado  na  área  de  marketing  empresarial  como  uma  maneira  de  qualificar  as  marcas  que   são   mais   populares   na   mente   (mind  em   inglês)   dos   consumidores.   Segundo   AllWords.com,   a   definição   é:   “a   percentagem   de   entrevistados  que,  sem  indução,  nomeiam  uma  marca  ou  produto  específico  primeiramente,  ao  serem  perguntados  sobre  as   propagandas  que  se  recordam  de  certa  categoria  de  produtos  pelos  30  dias  passados”.    

Disponível  em:  <https://pt.wikipedia.org/wiki/Top_of_Mind>.  Consultado  a  2  Outubro  de  2016.  

− Deter uma ideia sólida e uma visão vendável para o produto ou serviço;

− Fazer um cuidadoso pré-planeamento e preparação;

− Possuir uma apresentação forte, idealmente associada a altos valores de produção;

− Estipular uma estrutura de recompensa que atraia a audiência do projeto;

− Ter um envolvimento contínuo com os backers;

− Abranger meios sociais eficazes, marketing e estratégias de relações públicas;

− Certificar a presença de uma marca pré-existente popular ou personalidade que está ligada ao projeto, ou uma audiência existente para a propriedade.

 

1.7.1.  O  DESIGNER,  O  STUDIO  E  O  PROJETO  DE  CROWDFUNDING  

«Why  design?  

Because  life  is  liquid.  We  can  make  things  to  improve  life,  to  adapt,  and  to  change.  That’s,  in  a   way,  the  essence  of  design  for  me.  It’s  not  about  chairs,  lamps,  or  tables,  but  it’s  to  improve  life.  A   world  needs  new  ideas  to  become  future-­‐proof;  that’s  a  creative  process,  and  that’s  a  design  pro-­‐

cess.  

Give  me  an  example  where  you’re  preparing  for  the  future?  

I  spent  time  in  Beijing  in  China.  You  see,  on  one  hand,  there’s  a  desire  for  progress  and  for  innova-­‐

tion,  but  the  other,  that  has  side  effects  that  you  and  I  never  imagined,  pollution  and  smoke  being   some  of  them.  Then,  we  can  do  one  of  two  things.    

We  can  wait,  be  a  consumer,  and  say,  “The  government  or  the  industry  should  fix  this…”,  or  we   can  be  a  maker:  make  inventions  and  make  proposals.  That’s  one  thing  I’m  working  on  now  with   the  Smog  Free  Tower.»  (Entrevista  de  Plackis-­‐Cheng  a  Daan  Roosegaarde  19)  

A preocupação do entrepreneur holandês Daan Roosegaarde20 na criação dos seus trabalhos e especi-almente do Smog Free Project, fundamenta-se na criação de um futuro melhor. Roosegaarde é considera-do um pioneiro que trabalha na interseção considera-do design e da mudança social:

«Daan  é  um  futurista,  artista  e  inovador.  O  seu  laboratório  de  design  social,  Studio  Roosegaarde,   trabalha  na  intersecção  de  pessoas,  tecnologia  e  espaço  para  construir  um  futuro  melhor.  (...)»21   (IMPACT  DESIGN  HUB:  2016)  

Roosegaarde age em diversos campos e torna-se difícil definir apenas um título para Daan Roosega-arde segundo os trabalhos que desenvolve, particularmente o Smog Free Project. É considerado como

«(...) The global impact maker, designer, and innovator (...)» (PLACKIS-CHENG: 2016), «an environ-mental artist» (BECKER: 2016), «(...) creative thinker and social designer (...)» (DEVOS: 2016), «(...) creative change maker (...) by Forbes e Good 100» (CREATIVE HOLLAND: 2016), «(...) most influen-tial Dutch green leader (...)» (SUSTAINABLE TROUW 100: 2015: 2016), «(...) social entrepreneur (...)»

(THE LONDON DESIGN FESTIVAL: 2016), «(...) Young Global Leader (...)» (AIKMAN: 2015). Na

19  In  Innovator  Daan  Roosegaarde  on  Being  Future  Proof,  3  Outubro  de  2016.    

Disponível  em:  <http://www.impactmania.com/2831/innovator-­‐daan-­‐roosegaarde-­‐future-­‐proof/>.  Consultado  a  20  Abril  de  2016.  

20  Daan  Roosegaarde,  nasceu  em  1979  em  Nieuwkoop  na  Holanda.  Estudou  no  Institute  for  the  Arts  em  Arnhem  (1997-­‐1999),  na   Academy   of   Fine   Arts   em   Enschede   (2001-­‐2003),   e   no  Berlage   Institute   em   Roterdão   (2003-­‐2005).   Disponível   em:  

<https://www.studioroosegaarde.net/uploads/files/2013/07/18/178/CV%20Daan%20Roosegaarde%  202013.pdf>.  Consultado  a   2  Abril  de  2016.  

21  «Daan  is  a  futurist,  artist  and  innovator.  His  social  design  lab,  Studio  Roosegaarde,  works  at  the  intersection  of  people,  tech-­‐

nology  and  space  to  build  a  better  future.»  In  Impact  Design  Hub,  20  Dezembro  de  2016.    

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realidade, o seu mais recente projeto, o Smog Free Project é o resultado de um trabalho que se enquadra em vários sectores, deste modo justifica-se não haver consensualidade em denominar o seu criador Daan Roosegaarde apenas como designer social. Assim, o Smog Free Project é um trabalho que se insere no campo da inovação, da arte, do design social, do design sustentável, nos conceitos de energia verde, clean- -tech e indústria pro-bicycle, temáticas que serão abordadas neste capítulo.

Em 2015, Roosegaarde apresentou a Smog Free Tower em Milão no Meet the Media Guru22. De acordo com o designer, é uma torre que funciona como um “aspirador electrónico” de smog, composto por bobinas de cobre instaladas numa grande área para criar um campo eletrostático que puxa do ar as partícu-las de poluição. «As partícupartícu-las de smog dentro do perímetro das bobinas são atraídas para o chão, criando uma limpeza de ar fresco 165-190 feet [50,29–57,91m] de diâmetro. Estas partículas de poluição são de-pois recolhidas e preparadas. (...) Uma solução inovadora que poderá ser instrumental nas questões de po-luição atmosférica da cidade. O “aspirador de popo-luição atmosférica” de Roosegaarde purifica o ar que en-volve o sistema, oferecendo às pessoas um ar novo, limpo para respirar. (...)»23

Figura  7:  Fonte:  <https://www.kickstarter.com/projects/1777606920/the-­‐smog-­‐free-­‐tower/community>  

O Smog Free Project, o trabalho mais recente desenvolvido pelo designer Daan Roosegaarde, é um projeto de reward-based crowdfunding na plataforma Kickstarter24 (WANG, Janeiro: 2016). Deste projeto surge a construção da Smog Free Tower, uma torre para limpar os parques urbanos e cidades de poluição.

22  Daan  Roosegaarde  apresentou  o  seu  projeto  Smog  Free  Tower  numa  palestra  a  16  Abril  de  2015,  em  Milão  no  evento  Meet   the  Media  Guru  no  Museo  Nazionale  della  Scienza  e  della  Tecnologia.  

Disponível  em:  <http://www.meetthemediaguru.org/lecture/lecture-­‐roosegaarde/>.  Consultado  a  1  de  Agosto  de  2016.    

23  ZIMMER,  Lori,  Smog-­‐sucking  electric  vacuum  cleaner  could  combat  Beijing  air  pollution  as  soon  as  2016,  15/04/2015.    

Disponível  em:  <http://inhabitat.com/electric-­‐vacuum-­‐cleaner-­‐could-­‐suck-­‐up-­‐beijing-­‐smog/>.  Consultado  21  de  Maio  de  2016.  

24  Disponível  em:  <https://www.kickstarter.com/projects/1777606920/the-­‐smog-­‐free-­‐tower>.  Consultado  a  21  de  Maio  de  2016.  

Figura  8:  Imagem  apresentada  no  Crowdfunding  Day  Europe  2016,  Amesterdão,  25  de  Maio  2016.  

Fonte:  <www.crowdfundingday.nl/crowdfunding-­‐day-­‐europe-­‐2016/?lang=en>  

Wang (Agosto: 2016) considera a Smog Free Tower de Daan Roosegaarde como a «maior máquina de limpeza de smog do mundo». A torre de sete metros de altura utiliza uma tecnologia de iões patenteada e, como Wang reporta (Janeiro: 2016), «funciona com energia verde e limpa 30 mil metros cúbicos de ar por hora de smog ultrafino para criar bolhas sem poluição em espaços públicos. No lançamento de 4 de Setembro [de 2015], Roosegaarde disse: “Eu acredito que devemos fazer mais, não menos. Estamos feli-zes [a equipa Studio Roosegaarde] em lançar a Smog Free Tower para mostrar um futuro limpo”.»

Figura  9:  As  partículas  de  smog  capturadas  pela  Smog  Free  Tower.    

Créditos  “Studio  Roosegaarde”  in  <www.studioroosegaarde.net>  

 

O Smog Free Project foi desenvolvido em Roterdão na Vierhavensstraat 52, no Studio Roosegaarde fundado em 2007, a que o artista chama de Dream Factory, «dream lab of the 21st century» (MAIRS:

2016). Aqui trabalha com uma equipa de designers e engenheiros em projetos que refletem «(...) o seu fas-cínio pela natureza e pela tecnologia, como que uma “criação de paisagens do futuro” (...).». Referindo-se à Smog Free Tower, Wang (Agosto: 2016) diz: «Acredita-se que a poluição do ar mata mais de 400.000 pessoas anualmente em todo o mundo e é de longe a principal causa ambiental da morte. As cidades que esperam combater o ar sujo passaram a projetos inovadores de sucção de smog na esperança de garantir um futuro mais verde e mais limpo. Felizmente, brilhantes cientistas e designers estão a trabalhar em po-tenciais soluções para as nossas desgraças da poluição do ar e muitos daqueles projetos estão a limpar o ar

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enquanto nós escrevemos.» Segundo Wang (FORBES: 2016), o Smog Free Project atualmente serve de inspiração a outros designers, que também estão a trabalhar nesta tecnologia na instalação da mesma em bicicletas, para que as pessoas possam ter ar limpo portátil.

Figura  10:  Fonte  <https://www.kickstarter.com/projects/1777606920/the-­‐smog-­‐free-­‐tower/community>  

Roosegaarde e a sua equipa descobriram como fazer joias a partir dos poluentes do ar, condensando a poeira coletada através da torre sob alta pressão, formando minúsculas pedras pretas, que são posterior-mente seladas em cubos de resina e podem ser aplicados em anéis e botões de punho. De acordo com Ro-osegaarde, «são necessários 1.000 metros cúbicos de ar para fazer cada pedra, e que estão a ser vendidos por 250 euros cada. O pó recolhido da torre é suficiente para fazer 300 anéis, se funcionar por cerca de dez horas por dia» (WANG: FORBES: 2016). Estas joias são ofertadas como recompensa aos seus backers do projeto de crowdfunding na Kickstarter.

Roosegaarde  concebeu  o  Smog  Free  Ring  e  os  Smog  Free  Cufflinks  feitos  de  partículas  de  smog   comprimidas   pela  Smog   Free   Tower.   Assim,   ao   partilhar   a   joalharia  Smog   Free,   está   a   doar   1000m3  de  ar  limpo  para  a  cidade.  (ROET:  2015)  

   

Figura  11:  Smog  Free  Ring.  Créditos  “Studio  Roosegaarde”  in  <www.studioroosegaarde.net>  

 

Figura  12:  Smog  Free  Cube.  Créditos  “Studio  Roosegaarde”  in  <www.studioroosegaarde.net>  

As partículas de carbono capturadas são então compactadas em joias de alta qualidade e vendidas pa-ra ajudar a gepa-rar fundos papa-ra o projeto.»

«(...)  Cada  anel  vem  com  um  diamante  falso  feito  de  fuligem  ou  uma  pedra  com  um  cubo  de  fuli-­‐

gem  no  centro,  e  Roosegaarde  espera  que  o  projeto  vai  ajudar  a  trazer  a  consciência  para  a  ques-­‐

tão  da  poluição  do  ar.  Nós  tendemos  a  esquecer  que  quando  estamos  a  respirar  smog  estamos  a   respirar  pedaços  reais  de  poluição  para  os  nossos  pulmões.  Roosegaarde  diz  que  quando  ele  suga   a  poluição  do  ar,  é  estranho  sentir  um  saco  cheio  de  pó  preto  que  estava  flutuando  recentemen-­‐

te  no  céu.  Assim,  para  chamar  a  atenção  para  a  questão,  ele  queria  criar  uma  obra  de  arte  tangí-­‐

vel  feita  a  partir  dessa  poluição  que  poderia  criar  consciência.  (...)  O  Smog  Free  Project,  junta-­‐

mente  com  os  anéis  e  os  botões  de  punho  de  smog,  são  uma  pequena  maneira  de  continuar  essa   luta.  »25  (LOFGREN:  2015)  

Como Carol Becker (2016; SMITHSON: 1996: 154) diz, na década de 1970, Smithson, Walter De Maria, Michael Heizer e outros trabalharam para criar uma «new purity of form». Estes artistas sentiam a arte “neutralizada” e procuravam fugir do que Smithson chamava de “confinamento cultural” das galerias e museus. Procuraram algo maior, mais dramático e mais imediato mas os seus trabalhos nunca foram re-almente arte pública. As obras de Land art como a Roden Crater de James Turrell (1974 – em curso), não é simplesmente uma obra de arte colocada na paisagem, é da paisagem. Smithson, por exemplo, não que-ria cque-riar embelezamento e procurou “reciclar” terras que tinham sido abandonadas ou alteradas negativa-mente e transformou-as em arte. (2016; SMITHSON: 1996: 165). Em Setembro de 2016, a Smog Free Tower foi para a China para numa turnê, começando com Pequim.26 Operando fora do sistema de galeria que esses artistas desafiaram, Roosegaarde adotou muitos dos seus objetivos e metodologias – como o uso de materiais industriais, a ênfase no processo, a colaboração com empresas de construção e indústrias de grande escala e a alusão direta a natureza. Mas Roosegaarde transcendeu a advertência de Smithson de que «a utilidade e a arte não se misturam» (SMITHSON: 1996: 49) e demonstrou que a boa arte, como o

25  LOFGREN,   Kristine,  This   ring   is   made   of   smog   harvested   from   Beijing’s   polluted   skies.   16   Abril   de   2015.   Disponível   em:  

<http://inhabitat.com/artist-­‐daan-­‐roosegaarde-­‐creates-­‐jewelry-­‐out-­‐of-­‐beijing-­‐smog/>.  Consultado  a  1  de  Agosto  de  2016.  

26  MORLIN-­‐YRON,   Sophie,   World's   largest   air   purifier   takes   on   China's   smog.   1   Julho   de   2016.   Disponível   em:  

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bom design, pode ser extraordinariamente bela, ao mesmo tempo em que aborda problemas do mundo real. «Estou à procura de um equilíbrio entre poesia e pragmatismo (...) que eu acho que deveria ser o pa-pel do designer/artista»27, diz Roosegaarde.

Numa época em que lamentamos o impacto dos seres humanos no mundo natural, as intervenções de Roosegaarde literalmente iluminam tanto a paisagem rural como a urbana. Muitos destas intervenções exemplificam o design sustentável, procurando não apenas reduzir a quantidade de energia utilizada, mas também gerar a sua própria energia. Roosegaarde imagina como os jellyfishse podem iluminar – e assim

«fazendo mais, em vez de menos».27

Figura  13  e  14:  Smog  Free  Tower  em  Roterdão.  Créditos  “Studio  Roosegaarde”  in  <www.studioroosegaarde.net>    

27  MEHTA,  Diane,  Designer  Daan  Roosegaarde  on  Highways,  Jellyfish,  and  Clients  Who  Say  “Yes,  But”.  16  Maio  de  2013.    

Disponível   em:   <https://www.forbes.com/sites/dianemehta/2013/05/16/designer-­‐daan-­‐roosengaarde-­‐on-­‐highways-­‐jellyfish-­‐

and-­‐clients-­‐who-­‐say-­‐yes-­‐but/#51c9da27f129>.  Consultado  a  5  de  Agosto  de  2016.  

2.  ESTUDO  DE  CASO:  

SMOG  FREE  PROJECT  E  REWARD-­‐BASED  CROWDFUNDING  

Para a recolha de informações necessárias e fundamentais sobre a planificação de um projeto de re-ward-based crowdfunding, foi escolhido o Smog Free Project do designer holandês Daan Roosegaarde, tido nesta dissertação como estudo de caso por compreender as premissas contidas nos parâmetros da dis-sertação. Para tal, foram abordadas as seguintes entidades:

− O designer Daan Roosegaarde, mentor do Smog Free Project e proprietário do Studio Roosegaarde onde o projeto de crowdfunding foi levado a cabo. No entanto, o designer não se encontrou disponí-vel para ser entrevistado no decorrer desta dissertação;

− Msc Hanne Lemson-Niessen, por ser a Office Manager/Personal Assistant do Studio Roosegaarde, detentora de grande parte da informação relativa ao Smog Free Project, que, apesar de se encontrar a trabalhar apenas a partir de Abril de 2016 no Studio, numa fase já posterior ao projeto Smog Free Project, pode responder aos vários questionários e partilhar a informação que disponibilizava;

− O PhD Msc Roel Gijsbers, do departamento de Projects & Engineering da ENS (Environmental Nano Solutions) Technology, por fazer parte da equipa de peritagem da empresa parceira do Smog Free Project, desde o início.

Ambos os entrevistados foram contactados via email, tendo sido inicialmente apresentado o assunto do projeto de dissertação para compreender se tinham interesse sobre o assunto, e entender a possibilidade de responderem a uma cadeia de questionários. Tendo a resposta sido afirmativa de ambas as entidades, decorreram vários questionários para aferir o envolvimento das partes no Smog Free Project a fim de en-tender os parâmetros contidos neste projeto de crowdfunding.

Tendo as entrevistas sido realizadas em inglês, é apresentada nesta dissertação uma tradução livre das mesmas. Sempre que possível e fizer sentido, são introduzidos neste capítulo excertos das entrevistas co-mo análise justificativa, sendo as mesmas apresentadas na íntegra em anexo.

Com o material recolhido nas entrevistas realizadas a Hanne Lemson-Niessen, foi possível aferir o envolvimento do designer Roosegaarde no projeto e qual o seu statement, assim como a horizontalidade transdisciplinar necessária para a concretização do Smog Free Project, e o propósito e processo da realiza-ção do projeto de crowdfunding. Já nas entrevistas feitas a Roel Gijsbers, ficou aferido o papel da ENS Technology na Smog Free Tower, a intervenção, os especialistas e o funcionamento da horizontalidade transdisciplinar para a concretização do projeto.

Da parte do Studio Roosegaarde, Hanne contribuiu para a compreensão das seguintes ideias:

− A fim de se enquadrar o projeto de crowdfunding do Smog Free Project no âmbito da emergência de projetos colaborativos auto-iniciados na web, foi questionado como surgiu o projeto de design, qual a visão e o statement de Roosegaarde enquanto designer e a sua posição na sociedade, quais as

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ções, necessidades e objetivos do designer com o projeto, os conceitos-chave e os objetivos tangíveis do Smog Free Project;

− Foi questionado também sobre os elementos compositivos do projeto de crowdfunding Smog Free Project, mais especificamente sobre a planificação do reward-based crowdfunding: os objetivos, pas-sos, metodologias e decisões que foram tomadas antes, durante e depois da sua realização, assim co-mo a esquematização do projeto de crowdfunding, que permitiu apresentar uma planificação de um projeto de design no capítulo das notas conclusivas.

A Roel Gijsbers foi questionado sobre o que a ENS Technology produz, a cooperação entre a ENS e o Studio, e o envolvimento da ENS no projeto Smog Free Project. Com a entrevista a Roel Gijsbers foi possível entender:

− Como se deu a aproximação entre o Studio e a ENS;

− A cooperação entre a ENS e o Studio, e como foi efetivada esta cooperação;

− A contribuição do trabalho de equipa no Smog Free Project;

− O papel da ENS na concretização da Smog Free Tower;

− Que resultados eram pretendidos inicialmente e que foram alcançados no projeto;

− Que tecnologias foram utilizadas na concretização da torre.

Figura  15:  Smog  Free  Tower  em  Roterdão.  Créditos  “Studio  Roosegaarde”  in  <www.studioroosegaarde.net>  

       

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