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Projetos de ensino

No documento Memorial Bernardo (páginas 35-38)

Acredito que, ainda que de forma imperceptível, um pouco de inovação se faz em quase todas experiências pedagógicas. Seja com uma nova abordagem, um novo material, uma nova sequencia didática, etc. Mas como isso vem sem planejamentos e registros, elenco aqui aquelas iniciativas que foram articuladas em projetos. Participei de vários e coordenei alguns projetos de inovação pedagógica e de criação de cursos. Elenco primeiramente os que participei e considero relevantes. O primeiro deles foi o curso de capacitação para funcionários e bolsistas que atuavam nos espaços componentes da Rede de Museus UFMG, coordenado pela colega do Departamento de História, professora Betânia Figueiredo. O curso foi uma das primeiras iniciativas para a constituição da rede. O objetivo era agregar experiências e esforços de espaços museais que viviam isoladamente. Assim, o esforço de formação e qualificação, ao invés de ser pulverizado, seria integrado. O modelo do curso seguia algumas experiências já existentes na área da saúde. A estrutura era semi-presencial, com encontros presenciais em todos os espaços envolvidos, alternadamente. Dessa forma, realizou-se uma formação em serviço, evitando deslocamentos regulares. Esse modelo permitiu que os integrantes de um espaço conhecessem os outros espaços e seus integrantes, fato que até então inédito. O curso, que durava um semestre, foi re-ofertado mais duas vezes. Uma síntese da proposta foi apresentada no evento “O Museu e seus públicos”18, mas o plano, que não foi desdobrado, era servir para outras redes de museus ou ser incorporado e aprimorado pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus).

O segundo, que participei da equipe, foi o Projeto Veredas, curso normal de formação superior, ministrado na modalidade de educação à distância.19 Tenho o maior orgulho de ter participado como autor dos textos de Filosofia, de Antropologia e de um dos capítulos de metodologia. Todos supervisionados pela professora Umbelina Caiafa. Considero este como o melhor curso de pedagogia para

18 Figueiredo, B.; Oliveira, B, Nascimento, S. “Museus de ciência: uma experiência de formação de profissionais”. Encontro sobre pesquisa, educação , comunicação e divulgação científica em museus. Mast 2001. Rio de Janeiro.

19 O Projeto Veredas foi elaborado pela Secretaria da Educação de Minas Gerais para habilitação superior dos professores da rede publica com metodologias de educação a distância. O projeto envolveu um consórcio de cooperação interuniversitária composto por 18 instituições de ensino superior. O curso, que começou em janeiro de 2002, formou cerca de 14 mil professores do ensino fundamental em exercício nas redes públicas, estadual.

35 professores e alunos de que participei. Infelizmente, quando mais tarde foi transformado no curso de pedagogia da Universidade Aberta do Brasil – UFMG, ficou bastante empobrecido. A primeira grande lição do Veredas, que pode parecer óbvia mas é rara na universidade (pelo menos nos institutos em que trabalhei), foi uma integração real entre as disciplinas. Ao abordar um assunto, cada autor de texto ou tutor precisava saber o que o aluno (nesse caso, professores em exercício da rede pública estadual) conhecia e mobilizar o que os alunos já tinham estudado ou estavam abordando em outras disciplinas. Por exemplo, ao trabalhar com a atividade simbólica, cabia articulá-la com o que eles estavam estudando em linguagens, artes, matemática, etc. Além da elaboração dos textos e questões, participei de algumas aulas presenciais na UFMG e na UFV. Nesta última foram 2 turmas com 500 alunos cada!

Outras experiência singelas de que participei foram dois PAD (Programas de Aprimoramento Discente), a partir de editais propostos pela Pró-Reitoria de Graduação. Um no departamento de História, com o Scientia, e outro no Departamento de Ciências Aplicadas à Educação, com a proposta de fazer de alunos veteranos- bolsistas os articuladores entre as diferentes disciplinas ofertadas no primeiro semestre (Filosofia, História, Sociologia da Educação), com atividades comuns. Anteriormente, a pró-reitoria disponibilizava algumas poucas bolsas de monitoria. Quase sempre os monitores tornavam-se auxiliares dos professores, inteiramente subordinados a quem os selecionava, para realizarem atividades de secretaria, acompanhamento das aulas e atendimento aos alunos. O programa de aprimoramento discente permitiu corrigir essas distorções e possibilitar aos alunos orientações coletivas e participação mais horizontal.

Participei de várias comissões da câmara de graduação, algumas como convidado externo, outras como membro (suplente) do Conselho de Ensino e Pesquisa da UFMG. A mais recente foi a da formação complementar transversal, uma nova modalidade de percurso curricular que engloba um conjunto de conteúdos transversais de interesse geral, constituindo “minicurrículos” em diferentes áreas do conhecimento, que podem ser cursados por qualquer aluno de graduação, dando direito a um certificado quando da integralização de 360 horas-aula. Juntamente com os colegas Debora Dávila Reis (ICB), Elmo Salomão Alves (Instituto de Ciências Exatas) e Ernani Maletta (Escola de Belas Artes) integro a Comissão

36 Gestora da Formação Transversal na UFMG, sob a direção do pró-reitor Ricardo Takahashi. A comissão fez um levantamento inicial de possíveis temas e procurou induzir a criação de propostas para serem apreciadas e regulamentadas. Além da Formação Transversal em “Saberes Tradicionais”, iniciada em 2015, estão sendo iniciadas neste primeiro semestre de 2016 as Formações Transversais em “Relações Étnico Raciais” e em “Divulgação Científica”, da qual participo do grupo coordenador e na qual lecionarei a disciplina História da popularização da ciência no segundo semestre.

Aventurei-me nos dois últimos anos com a educação à distância. Sei que essa modalidade de ensino é polêmica e que há críticas e resistências na Faculdade de Educação. Dentre considerações extraídas de uma nossas listas de discussão por email estão: “formação em massa de professores para melhorar ou maquiar as estatísticas” “estratégia para baratear a educação, já que podem ser reproduzidos por muitos anos”, “serve apenas para melhorar o índice da relação professor/aluno, o custo/aluno”, “que não podem substituir a vivência presencial da vida universitária”

Concordo que a vivência na universidade é insubstituível, mas a boa experiência com EaD do Projeto Veredas me fez acreditar no seu potencial, sobretudo para cursos de curta duração ou para alunos com interesses específicos. Assim, dentro da programação do museu Espaço do Conhecimento UFMG, e impulsionado por um edital da FAPEMIG (CAPES/FAPEMIG-13/2012) voltado para pesquisa em educação Básica, coordenei a criação (junto a uma equipe de orientandos, bolsistas e professores do museu), três cursos de formação continuada no formato EaD: Educação e museus, “Introdução à Astronomia para professores”, e “Leitura do espaço geográfico como hipertexto: o bioma cerrado”. Por razões diversas, esses cursos tiveram baixíssima adesão e altíssima evasão. Ou seja, foram mal sucedidos.

No entanto, pensando nas dificuldades de formação de mediadores para a itinerância da exposição Sentidos do Nascer, que demanda 15 mediadores em cada localidade onde é exposta, desenvolvi recentemente, com o apoio do CAED-UFMG um curso de formação de mediadores, que está sendo muito bem sucedido.

Como membro de colegiados de curso (Pedagogia, Licenciatura e Pós- graduação), câmaras (departamental e da Prograd) e coordenador do setor de Filosofia da Educação, participei ativamente da criação e reformulação de alguns

37 cursos, várias disciplinas - sobretudo em função das reformas curriculares- e da criação de cursos de pós-graduação

No documento Memorial Bernardo (páginas 35-38)