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Proposta metodológica e desenvolvimento do curso

5 ASPECTOS DA IMPLANTAÇÃO DE AMBIENTES VIRTUAIS DE

5.1 O CURSO MOODLE PARA PROFESSORES: A EDUCAÇÃO ON-LINE NA

5.1.2 Proposta metodológica e desenvolvimento do curso

O planejamento e a elaboração dos conteúdos do Curso Moodle 200792 aconteceram em paralelo ao seu desenvolvimento. A equipe desejava implementar o curso ainda em 2007, um pouco na tentativa de cumprir uma das metas da CEAD; para isso, o curso teria que ser iniciado no máximo em outubro, para não coincidir com o período de férias docentes. Portanto, assim que foram definidos a estrutura geral do curso, as atividades, a avaliação, os conteúdos a serem abordados, e que se finalizou a elaboração dos dois primeiros módulos, foi iniciado o processo de divulgação e seleção dos participantes, enquanto parte da equipe dava continuidade à elaboração dos materiais. Vale ressaltar que, em função disso, houve uma sobrecarga de trabalho na equipe, o que, como veremos adiante, se refletiu no processo de acompanhamento dos participantes.

O curso foi organizado de forma que os conteúdos teóricos foram trabalhados em paralelo às discussões e práticas das funcionalidades do ambiente com o objetivo de se estudar as interfaces do Moodle simultaneamente à discussão teórica de temas relacionados à educação a distância e à educação on-line. Nesse sentido, a proposta do curso caminhou na direção da superação de uma visão instrumental das TIC (PRETTO, 1996, 2008), buscando a vivência de uma cultura tecnológica básica para o manejo das tecnologias ao lado da necessária articulação com uma reflexão teórica sobre educação e práticas pedagógicas.

A carga horária do curso foi de 60 horas, distribuídas ao longo de oito semanas e em seis módulos teóricos assim organizados: (1) Fundamentos de educação a distância e da educação on-line: principais conceitos; histórico da EAD; legislação; educação on-line e contexto atual da EAD; (2) A educação na cibercultura: cibercultura e suas características; o papel da comunicação; construção colaborativa; aprendizagem em rede; (3) A elaboração de materiais didáticos: fundamentos e concepções sobre a comunicação e os recursos tecnológicos e midiáticos; material impresso, audiovisuais e digitais; objetos de aprendizagem; (4) Tutoria on-line: os desafios de educar a distância; o tutor na EAD e na educação on-line; competências e habilidades do tutor; estratégias de mediação; (5) Avaliação na educação on-line: concepções, critérios e práticas de avaliação de aprendizagem; avaliação de aprendizagem on-line; o fórum, o portfólio e o diário como dispositivos de avaliação on-

92 O Curso Moodle 2007 está aberto ao acesso de visitantes e disponível em http://www.moodle.ufba.br/course/

line; e (6) Planejamento na EAD on-line: as dimensões do planejamento em EAD; a análise e o design; definição de estratégias pedagógicas; implementação e avaliação.

Os módulos foram organizados de forma sequencial e distribuídos por semanas, como pode ser visto na Figura 8. Essa organização refletia, é inegável, a concepção de linearidade que prevalecia na equipe, embora alguns dos componentes questionassem a condução do curso dessa forma. No entanto, o fato de não se ter todo o material elaborado e pela heterogeneidade da equipe e das concepções de educação de cada um dos membros, a estrutura linear na apresentação dos conteúdos prevaleceu. A equipe só se deu conta da intensidade dessa linearidade quando um dos mediadores do GEC alertou sobre essa questão em um dos fóruns. Entretanto, a linearidade não prevalecia na maneira como foram propostas as discussões e atividades, e na forma como foi elaborado o material básico do curso, gerando, inclusive, certo desconforto em alguns dos participantes desejosos de um “roteiro” mais claro para a sua atuação, como veremos mais adiante.

Para cada tema abordado no curso, foi elaborado um material básico, construído de forma hipertextual e utilizando o recurso “livro” do Moodle; nestes livros os links remetiam a artigos,

sites, blogs, vídeos etc., que concretizavam a concepção de não linearidade da cibercultura, possibilitando a construção (no processo) de caminhos individualizados percorridos por cada participante. A cada tema, além do material básico hipertextual e de um ou outro material multimídia (como vídeos ou áudios elaborados pela equipe) foi proposto um fórum para discussão teórica sobre o tema em questão. A opção pelo fórum como o principal espaço de discussão teórica foi baseada no entendimento de que essa interface é a que mais se adéqua a uma discussão horizontalizada, que favorece a liberdade de expressão, como vimos no Capítulo 3.

Simultaneamente à discussão teórica, eram trabalhadas funcionalidades do Moodle: os recursos eram apresentados, exemplificados e experimentados pelos participantes (veja exemplo da estrutura de cada tópico na Figura 9). Para a experimentação foram criados “espaços de teste” onde os participantes foram cadastrados com o perfil de tutor93.

Figura 9: Exemplo da estrutura dos tópicos no Curso Moodle 2007.

Além dos fóruns de discussão teórica, a estrutura do curso apresentava um fórum de notícias (Quadro de avisos – onde eram publicadas informações gerais sobre o curso), um fórum aberto (cujo objetivo era um espaço de interação livre onde poderiam ser propostos temas diversos de discussão pela equipe ou pelos participantes), e um fórum específico para dicas e dúvidas sobre o Moodle (onde a equipe constantemente postava dicas sobre as funcionalidades do ambiente, motivando os participantes à experimentação e onde os

participantes poderiam postar suas dúvidas). A Tabela 2 mostra a relação de fóruns propostos no curso e o respectivo número de mensagens postadas e tópicos criados:

Tabela 2: Fóruns e número de mensagens e tópicos no Curso Moodle 2007. Fórum Número de

mensagens tópicos criados Número de pelos participantes Número de tópicos criados pela equipe

Quadro de avisos 43 Não era permitido 13

Fórum aberto 204 40 8

Sobre o Moodle: dicas,

dúvidas e descobertas 113 16 18

O contexto da EAD 23 Não era permitido 1

Discutindo a educação na

cibercultura 21 Não era permitido (um para cada 4

grupo) Material digital na educação

presencial? 26 3 1 Fórum da 4ª semana 42 1 3 Discutindo docência e tutoria on-line 36 1 1 Discutindo sobre a avaliação na EAD 13 0 1 Discutindo sobre o planejamento em EAD 12 1 1

Fórum de avaliação final do curso

12 2 1

Total 545 64 52

A primeira atividade com os selecionados foi a realização do próprio cadastro no Moodle e inscrição no curso, de forma a estimular, desde o início, uma atuação ativa no processo formativo. Na primeira semana do curso foi proposto um tópico de apresentação no Fórum aberto, a fim de que os participantes se conhecessem uns aos outros, já experimentando a dinâmica do fórum. A cada semana, os participantes eram incentivados a ler o material disponibilizado sobre o tema da semana e eram postadas, pelos professores- tutores, provocações iniciais sobre o tema no respectivo fórum. Na quarta semana do curso foi oferecida uma oficina presencial em laboratório, com o objetivo de promover uma experimentação no ambiente, assistida por tutores e monitores, com a realização de atividades como organização dos boxes na página principal do curso, criação de fóruns, chats, glossários, configuração do curso, inclusão de tutores e estudantes, criação de escala de notas, formatações diversas de textos e imagens, entre outros.

Nos “espaços de teste”, criados para a experimentação dos recursos do ambiente pelos participantes, pudemos constatar que a participação foi bastante rica, tendo possibilitado o aprofundamento de alguns aspectos técnicos como a inserção de imagens, de vídeos, a possibilidade de formatação de textos, a construção de links, a configuração dos recursos do

Moodle, dentre outros. A atuação nos espaços de teste foi organizada em quatro grupos, cada um deles acompanhado por um professor-tutor que motivava a experimentação dos participantes através do esclarecimento de dúvidas e da provocação com dicas e solicitações de experimentação aos participantes. Embora a quantidade de participantes atuantes nesses “espaços de teste” não tenha sido mais que 50% dos participantes, aqueles que atuaram tiveram um significativo avanço no que diz respeito à apropriação das possibilidades do ambiente.

Com relação à avaliação do curso, sendo os participantes, na sua maioria, pesquisadores com experiência na docência superior, pretendia-se construir uma proposta de avaliação que apostasse na autonomia do docente-aprendiz. Assim, a avaliação do curso consistiu simplesmente na identificação da atuação mínima de cada um dos participantes nas leituras, discussões teóricas e experimentações no ambiente de testes, já que a preocupação era com o processo formativo dos participantes e o objetivo maior do curso foi exatamente o de disseminar o uso do ambiente e promover reflexões teóricas sobre a educação, os fundamentos da cibercultura, a docência on-line, as políticas públicas para a área, entre outros temas. Das interações via fórum, a grande maioria mostrava interesse nas discussões relativas às funcionalidades do ambiente Moodle, e apenas 20% participou das discussões teóricas. A grande maioria dos acessos foi como participante silencioso, sem atuação nos espaços de interação (Figura 10).

Figura 10: Gráfico de acesso dos participantes no Curso Moodle 2007.

A última semana do curso foi dedicada a uma avaliação do mesmo, quando foi solicitado o preenchimento de uma autoavaliação reflexiva sobre a participação e atuação no curso e o preenchimento de uma pesquisa de avaliação. A pesquisa de avaliação (Figura 11)

foi baseada em um questionário disponibilizado pelo próprio ambiente Moodle, desenvolvido para a avaliação de percursos de aprendizagem on-line baseados em teorias construtivistas94. A relação completa das questões presentes na pesquisa de avaliação pode ser encontrada no Anexo F; um sumário das respostas à pesquisa de avaliação, gerado pelo próprio ambiente Moodle, pode ser visto na Figura 12.

Figura 11: Pesquisa de Avaliação do Curso Moodle.

Figura 12: Sumário das respostas à pesquisa de avaliação do Curso Moodle 2007.

94 A pesquisa utilizada está disponível no ambiente Moodle, é denominada Constructivist On-Line Learning

Environment Survey (COLLES) e foi desenvolvida por Peter Taylor e Dorit Maor; mais informações sobre a COLLES estão disponíveis em: http://lsn.curtin.edu.au/tlf/tlf2000/taylor.html, acesso em 28 dez. 2009.

Em termos quantitativos, dos 100 selecionados, 23 nunca acessaram o ambiente ou pediram para cancelar sua inscrição. Dos 77 que efetivamente iniciaram o curso, 50 participantes se inscreveram na oficina, dos quais 36 apenas compareceram ao encontro; 15 participantes preencheram a autoavaliação e 17 preencheram a pesquisa. Ao final, a partir da observação dos critérios de participação no ambiente, nos fóruns e no espaço de experimentação, tivemos 33 participantes certificados, distribuídos em 19 docentes e 14 técnicos. No Gráfico 3 temos uma síntese desses números.

Gráfico 3: Síntese da participação no Curso Moodle 2007.

A distribuição por unidade dos 33 aprovados no curso pode ser vista no Gráfico 4:

Uma síntese por unidade, considerando selecionados, que fizeram acesso ao Moodle, e aprovados, pode ser vista no Gráfico 5.

Gráfico 5: Síntese do Curso Moodle 2007 por unidade.