Cap í tulo 4
Foto 51 Propriedade Rural herdada
Na Figura 18 é representada, sob a forma de um croqui, a disposição das grandes parcelas de terras e suas respectivas famílias, originando, a partir do processo de fragmentação da terra, pequenas propriedades rurais no Bairro Rural da Roseira. A foto 51 revela que a cerca é um símbolo da dimensão atual da divisão das terras entre os herdeiros.
Foto: Elias Oliveira Noronha; Data: 11 de abril de 2007.
Como mostra a figura 18, o Bairro Rural da Roseira foi formado a partir
de seis principais grandes propriedades rurais. Logo, com base nas informações adquiridas junto às famílias rurais estudadas, houve sucessivas repartições da terra entre os herdeiros
como revela a figura 19 que, nesse caso especificamente, corresponde ao grupo familiar
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Foto: Elias Oliveira Noronha; Data: 20 de abril de 2007.
Figura 19: Fragmentação da terra herdada no Bairro Rural da Roseira
Pela figura 19, observa-se que a propriedade da Família Fontebasso foi
dividida inicialmente entre três outras propriedades e, estas, por sua vez, fracionadas de acordo com o número de filhos. O fracionamento de uma das propriedades resultou no principal loteamento destinado à moradia popular no Bairro Rural da Roseira em fins dos
anos 1990: o Loteamento Fazendinha. Entende-se, portanto, que o processo de herança
da terra e, conseqüente fracionamento das propriedades, resultou na conformação e predomínio de pequenas unidades rurais cuja parcela destinada às atividades agropecuárias
também têm apresentado redução gradativa. A tabela 21 apresenta os dados sobre o
tamanho das propriedades rurais visitadas na pesquisa de campo.
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Tabela 21: Tamanho das propriedades familiares (hectares)
Bairro Toca Bairro Roseira
Tamanho das propriedades n. de propriedades % n. de propriedades. % Menos de 2 - - 6 19,4 2,1 – 5 5 25,0 6 19,4 5,1 – 10 4 20,0 11 35,5 10,1 – 20 8 40,0 5 16,1 20,1 – 30 1 5,0 2 6,4 Mais de 30 2 10,0 1 3,2 Total 20 100,0 31 100,0
Fonte: Trabalho de Campo (Abril/Maio – 2007); Organizador: Elias Oliveira Noronha
A partir da tabela 21 é possível perceber uma diferença entre os dois
recortes territoriais, conquanto a presença de pequenas propriedades rurais seja um elemento significativo tanto no Bairro Rural da Toca quanto no Bairro Rural da Roseira. A partir da pesquisa de campo pode-se compreender que o processo de fragmentação da terra entre os herdeiros e, conseqüentes destinos da terra rural, como foi o caso da venda indiscriminada dos lotes, ocorreram de forma mais intensa no Bairro Rural da Roseira, o que ratifica o predomínio de propriedades com área inferior a 10 hectares.
Como revela a tabela 21, no Bairro Rural da Roseira 19,4% (6) do total
de propriedades pesquisadas possuem área inferior a dois hectares, o que de fato não comparece no Bairro Rural da Toca em que, embora haja o predomínio de pequenas propriedades rurais, percebe-se a presença de propriedades maiores, uma vez que o principal percentual corresponda às propriedades com área superior a 10 hectares.
A fragmentação da terra ocorreu de maneira incisiva nos anos 1990 com a redução das áreas de plantio da uva a partir de um ciclo que os produtores denominam de ‘declínio da videira’. Segundo um dos produtores, o arrefecimento das áreas plantadas com a uva de mesa fez com que muitos produtores adiantassem, do ponto de vista jurídico, o processo de herança da terra. Aos produtores que optaram pela permanência na atividade agropecuária destaca-se a diversificação produtiva, o que revela, num primeiro momento, uma estratégia de reprodução social e econômica frente à crise da uva e, num segundo momento, a abertura de novos mercados e redes de comercialização.
Reconhece-se que esse exercício em compreender o processo de formação das propriedades rurais pesquisadas e o perfil da família rural situada nos Bairros
170 Rurais da Roseira e d a T o c a é d e fundamental importância à identificação dos fatores condutores da pluriatividade, como é o caso do fracionamento contínuo das propriedades rurais. Entretanto, antes de caracterizar o tipo de família entrevistada é interessante ater-se
em outros dois aspectos: a) o grau de instrução dos produtores rurais entrevistados49; e, b)
o recebimento de recursos previdenciários.
Em relação ao grau de instrução foi constatado o predomínio tanto no Bairro Rural da Toca quanto no Bairro Rural da Roseira de produtores rurais com apenas o antigo ensino primário, o que atualmente corresponderia ao ensino fundamental incompleto. Enquanto no Bairro Rural da Toca 80,0% (16) dos homens possuem o ensino primário, no Bairro Rural da Roseira, por sua vez, o percentual é mais expressivo, ou seja, 93,1% (25) do total.
Ainda no Bairro Rural da Toca, 15,0% (3) dos chefes de família possuem o ensino médio e somente 5,0% (1) disseram não ter freqüentado nenhum ano escolar. Em relação às mulheres, tal situação é a mesma apresentada pelo cônjuge. No Bairro Rural da Toca: 63,2% (12) do total de esposas concluíram apenas o ensino primário; 1 5,8% (3) possuem o ensino médio, e, 21,0% (4) das mulheres disseram ser analfabetas.
No que se refere ao Bairro Rural da Roseira, constatou-se a presença de dois produtores que possuem ensino superior, o que corresponde a 7,4% do total de chefes de famílias entrevistados. Em relação às mulheres foi verificado que todas freqüentaram apenas o ensino primário. Segundo uma produtora rural, a ausência de ‘produtores analfabetos’ n o Bairro Rural da Roseira deve-se, sobretudo, à preocupação da própria família em relação à educação primária dos filhos.
De acordo com um produtor rural, a presença de uma escola no Bairro Rural da Roseira sempre foi uma preocupação política dos próprios moradores do bairro. Ainda nos anos 1950, quando não existia o prédio escolar atual servindo ao ensino fundamental, as crianças se reuniam numa casa dentro da propriedade da Família Mingoti (Foto 52).
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Os dados sobre o grau de instrução levaram em consideração os chefes de família e esposa, incluindo, portanto, viúvos e viúvas.
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Foto 52: Antigo prédio escolar na