• Nenhum resultado encontrado

Modelo Computacional para a Representa¸ c˜ ao de Sinais

3.4 N´ıvel Conceitual

3.4.4 Propriedades CompletudeCompletude

Defini¸c˜ao 1. Dado um dicion´ario dos sinaisS ={s1, s2, ..., sn}de uma l´ıngua de sinaisL e um modelo computacional M que possui um conjunto de elementosE ={e1, e2, ..., en}

para representar sinais de L, M ´e completo somente se consegue representar qualquer sinal deS atrav´es do conjunto E.

De acordo com Yi (2006) [116], a modelagem computacional do corpo humano e a simula¸c˜ao de seus movimentos consistem em descrever a rela¸c˜ao entre as juntas das m˜aos, os bra¸cos e o tronco, al´em de todas as express˜oes n˜ao-manuais.

Conjectura-se que o CORE-SL seja completo devido ao alto n´ıvel de detalhamento dos cinco parˆametros principais do MBP, por agregar as marca¸c˜oes gestuais-visuais e incluir as restri¸c˜oes (e.g. simetria, simultaneidade, dominˆancia, etc) descritas nos principais modelos fonol´ogicos estudados.

Como o CORE-SL foi composto pelas caracter´ısticas mais abrangentes destes modelos fon´eticos no que tange as possibilidades de movimento e das configura¸c˜oes, especificando valores para as juntas dos dedos, o pulso, o antebra¸co, o ombro, a cabe¸ca, o tronco e as express˜oes faciais, existe uma alta probabilidade do CORE-SL ser completo.

Durante a modelagem, buscou-se especificar para cada sub-estrutura um n´ıvel m´aximo de granularidade, por exemplo, detalhando as configura¸c˜oes poss´ıveis para as juntas dos dedos. Esta granularidade indica uma baixa probabilidade de inclus˜ao de novas sub-estruturas e, consequentemente, de novas regras no formalismo.

Adicionalmente, o CORE-SL faz a inclus˜ao de alguns dos parˆametros e das sub-estruturas espec´ıficas das modelagens computacionais para a marca¸c˜ao de gestos ou para a descri¸c˜ao de sinais, tais como o CSLML [115], o HamNoSys [64] e o SIGML [57]. Es-ses modelos consistem de estruturas gen´ericas para a representa¸c˜ao de movimentos e de express˜oes faciais do ser humano.

Destaca-se que a completude de um modelo computacional de representa¸c˜ao ´e limitada pelas possibilidades anatˆomicas da biomecˆanica do movimento humano [63]. Por exemplo, considere por absurdo um sinal em que a cabe¸ca rotacione 360 graus.

Caso haja a necessidade de incluir um novo valor para a descri¸c˜ao de um determinado sinal, basta incluir este valor no conjunto de s´ımbolos terminais do formalismo, mantendo a propriedade de completude ao modelo proposto.

Por exemplo, considere que o CORE-SL n˜ao disponha de um valor para descrever o

“piscar dos olhos”. Este caso n˜ao invalida a completude, pois este valor pode ser inclu´ıdo no alfabeto do formalismo na regra espec´ıfica de descri¸c˜ao das marca¸c˜oes n˜ao-manuais dos olhos.

A hip´otese da completude pode ser verificada por meio de uma prova por exaust˜ao, na qual checam-se todos os sinais de uma LS para tentar encontrar um exemplo para provar que o CORE-SL n˜ao ´e completo. Uma vez que o vocabul´ario de uma l´ıngua ´e dinˆamico e n˜ao-finito, este cen´ario de teste demanda tempo e um alto custo, sendo invi´avel para esta tese.

Extensibilidade

Defini¸c˜ao 2. Considere um modelo computacional M para a representa¸c˜ao dos sinais de uma l´ıngua de sinais L por meio do n´ıvel fon´etico. A extensibilidade consiste na capacidade de M em incluir novos n´ıveis gramaticais de L.

O CORE-SL foi projetado com base em componentes, ou seja, cada n´ıvel gramatical de uma LS pode ser especificado por meio de um m´odulo que pode utilizar ou estender os outros n´ıveis gramaticais j´a modelados.

Al´em da inclus˜ao de novos componentes, o CORE-SL tamb´em possibilita que um novo m´odulo reutilize um n´ıvel anterior na sua especifica¸c˜ao. Para exemplifica¸c˜ao, podemos citar o n´ıvel morfol´ogico que possui diversos elementos formados pela combina¸c˜ao de sub-unidades do n´ıvel fon´etico.

Como instˆancia temos que as ENM (componente fon´etico) podem caracterizar um morfema complexo para marcas adjetivas, adverbiais, pronominal, interjei¸c˜oes, de tempo verbal e de grau em adjetivos [42].

Felipe (2013) [42] apresenta como exemplo um morfema adverbial do tipo intensifica-dor: para o sinal TRABALHAR da Libras (Figura 3.18), o uso de uma ENM espec´ıfica (e.g. o franzir das sobrancelhas ou as bochechas infladas e com arregalar dos olhos) articulada simultaneamente a um adjetivo, um substantivo ou um verbo marca um inten-sificador.

Figura 3.18: Sinais: A) Trabalhar, B) Muito Trabalhar e C) Continuamente Trabalhar Fonte: Modificado pelo autor (2015) [42]

Outro exemplo para demonstrar que a combina¸c˜ao de sub-unidades fon´eticas pode ser estendida para a representa¸c˜ao de elementos de outros n´ıveis gramaticais ´e o caso da deriva¸c˜ao de sinais por composi¸c˜ao. Neste caso, um sinal de uma LS pode ser representado pela composi¸c˜ao de sinais existentes no vocabul´ario. Este ´e o caso do sinal IGREJA, que

´e composto pelos sinais CASA e CRUZ articulados em sequˆencia (Figura 3.19).

Figura 3.19: Sinal IGREJA composto pelos sinais CASA e CRUZ Fonte: Felipe (2002) [45]

Portanto, espera-se que o CORE-SL seja estendido aos outros n´ıveis gramaticais das LS, para especificar os n´ıveis morfol´ogico, sint´atico, semˆantico-discursivo e o pragm´atico.

A t´ıtulo de exemplo, uma abstra¸c˜ao conceitual desta organiza¸c˜ao de componentes ´e mos-trada na Figura 3.20.

Embora a extensibilidade esteja relacionada com os n´ıveis gramaticais, entende-se que pode haver uma aplica¸c˜ao desta propriedade em outras ´areas, tal como a Computa¸c˜ao (e.g. um n´ıvel espec´ıfico para vis˜ao computacional).

Figura 3.20: Exemplo do CORE-SL para os N´ıveis Fon´etico, Morfol´ogico e Sint´atico Fonte: O autor (2015)

3.4.5 Considera¸ c˜ oes

Destaca-se que diversos conceitos e restri¸c˜oes da Lingu´ıstica foram inclu´ıdas no modelo conceitual, tais como a classifica¸c˜ao de sinais com uma ou duas m˜aos [66], a sequenciali-dade [80], as restri¸c˜oes de simetria e de dominˆancia e a simultaneidade das sub-unidades em cada segmento que comp˜oe um sinal.

Embora o CORE-SL descreva somente o componente fon´etico, a propriedade de ex-tensibilidade possibilita que especialistas das LS descrevam outros n´ıveis gramaticais.

A pr´oxima etapa do framework consiste da descri¸c˜ao do n´ıvel formal, que tem o papel de formalizar as regras para a representa¸c˜ao dos sinais com base no modelo conceitual.

Neste n´ıvel s˜ao definidas as regras para os conceitos de simultaneidade e de sequenciali-dade, que n˜ao s˜ao totalmente claras no modelo conceitual.