À primeira vista, as teias de cor- das e velas assustam e causam a impressão de que a operação do veleiro é das mais complicadas.
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C u r i o s i d a d e s
Porém, o Cisne Branco é moder- no, prático, rápido e econômico. A propulsão auxiliar, a partir do mo- tor a diesel, é usada somente du- rante as manobras de entrada e saída dos portos.
A viagem inaugural do Cisne Branco se realizou às margens do Rio Tejo, em Portugal, na cerimônia oficial de largada da Regata Inter- nacional Comemorativa aos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. A travessia foi realizada no dia 9 de março de 2000. Foi exatamen- te no dia 9 de março, em 1500, e justamente naquele local que Pedro Álvares Cabral partiu com sua es- quadra para aportar na Terra Bra- silis, em 22 de abril do mesmo ano. O nome de batismo da embarca- ção é símbolo de boa sorte. De acor- do com a ciência heráldica, respon- sável pelo estudo da arte dos bra- sões, a palavra cisne significa feliz travessia e bom presságio.
O atual Cisne Branco é o ter- ceiro navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome. O primeiro foi um veleiro de 79 pés de compri- mento, construído em madeira, com dois mastros. Tripulado por 18 pessoas, realizou apenas uma via- gem de instrução com guardas- marinha, em 1980. O segundo foi outro veleiro de 83 pés de com- primento, com mastro e casco construídos em alumínio. Este na- vio realizou viagens de instrução entre 1981 e 1986, quando pas- sou à Escola Naval para servir como veleiro de instrução até 1988.
M I S S Ã O
O Cisne Branco tem a tarefa de representar a Marinha do Brasil em grandes eventos náuticos, tanto na- cionais quanto internacionais, cul- tuar e promover as tradições e a cultura marítimas brasileiras, fo- mentar a mentalidade marítima na
sociedade e, ainda, contribuir para a formação do pessoal da Marinha. “Podemos considerar o Cisne Bran- co como uma embaixada flutuante. Somos importantes representantes da nossa bandeira, da nossa capa- cidade tecnológica e cultural. A be- leza e a curiosidade que o navio desperta nas pessoas nos ajudam a disseminar o conceito de quanto o mar é importante para a nação. Além disso, o navio serve também como plataforma de treinamento, complementando a formação ma- rinheira das Escolas Naval, de For- mação de Oficiais da Marinha Mer- cante, de Aprendizes Marinheiros e do Colégio Naval”, explica Bernar- do José Pierantoni Gambôa, capi- tão-de-mar-e-guerra e comandante do Cisne Branco.
O Projeto Fomento de Mentali- dade Náutica, desenvolvido pela Marinha, vem sendo aplicado com sucesso no Cisne Branco. “Esse tra-
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balho é voltado para os universitá- rios e os alunos do ensino médio de várias regiões do país. A idéia é ofe- recer aos jovens uma pequena ini- ciação do quanto o mar é funda- mental para o Brasil, nos aspectos comerciais, econômicos, turísticos e científicos e de defesa”, define o comandante.
Para o capitão-de-mar-e-guer- ra, a parceria firmada entre a Pe- trobras e a Marinha do Brasil tam- bém reforça a excelência e a mis- são que as duas organizações têm em comum. “Esta associação com- plementa nossas iniciativas e ações voltadas para o uso do mar: a Pe- trobras, no campo da exploração de petróleo e gás, e a Marinha na de- fesa dos interesses marítimos do Brasil. O espírito de brasilidade é a força dessa união”, diz.
R O T I N A
As viagens fazem parte do dia- a-dia do Cisne Branco. “Passamos dois terços do ano fora do nosso posto-sede, que fica na Ilha do Mo- canguê, no Rio de Janeiro”, conta o comandante Gambôa. Além de navegar por toda a costa brasileira, o veleiro já aportou também nos Estados Unidos e na Europa. A últi- ma viagem do Cisne Branco durou dois meses e incluiu Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Recife e Fernan- do de Noronha.
Nos momentos de lazer, a tri- pulação do Cisne Branco tem vá- rias opções de entretenimento, como a leitura: uma minibibliote- ca abriga cerca de 100 livros. Entre as publicações, um exem- plar de Os Lusíadas, de Luís de Camões. Projeção de filmes em DVD, prática de esportes e apre- sentações de música instrumental feita pelos próprios marinheiros são outras opções de divertimento no Cisne Branco.
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Dimensões
Comprimento Total: 76 metros / 249 pés
Boca (largura): 10,50 metros / 34,5 pés
Calado: 4,80 metros / 15,7 pés
Altura do Mastro Grande: 46,40 metros / 152,2 pés
Deslocamento: 1.038 toneladas
Propulsão
Armação: Galera (com três mastros)
Área Vélica (máxima): 2.195 m²
Velas Redondas: 15
Velas Latinas: 10
Velas Auxiliares: 6
Vela de Mau Tempo: Uma
Velocidade Máxima a Vela: 17,5 nós (milhas/hora)
Propulsão Auxiliar: Um motor diesel 1.001 hp a 1.800 rpm
Velocidade Máxima a Motor: 11 nós (milhas/hora) Pessoal Comandante: capitão-de-mar-e-guerra Oficialidade: 9 Guarnição: 41 Tripulantes em Treinamento: 31 CISNE BRANCO
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do crescimento
Estou certo de que 2004 será um ano positivo. Motivos não fal- tam. Vamos relacionar a seguir ao menos dez razões para se esperar uma economia mais pulsante no próximo ano. Os argumentos não devem ser tomados como uma in- falível fórmula matemática, mas como um saudável exercício de es- perança. Ou, parafraseando a mais célebre obra do escritor uruguaio Horacio Quiroga, como o “Decálo- go do Perfeito Otimista”.
I. De fato, 2003 foi um ano difí- cil para o governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava iniciando seu mandato. Certamente, o gover- no terá maior experiência para con- duzir a retomada do crescimento.
II. A queda dos juros será de- terminante para a revitalização da economia. Esta decisão rompe com a asfixia de liquidez imposta às empresas nos últimos anos.
III. O empresariado nacional está se conscientizando da impor- tância de investir em seu próprio negócio. Nos últimos anos, poucos empresários se arriscaram.
IV. Há grande potencial de cres- cimento em vários setores da indús- tria. O país é dotado de um parque siderúrgico altamente moderno. O
mesmo ocorre na metalurgia de não-ferrosos. Temos uma vocação genética para a mineração. Como não destacar também a competiti- vidade da indústria brasileira de celulose? O produto obtido através do eucalipto é imbatível. O pinhei- ro demora 20 anos para crescer; o eucalipto, cerca de sete anos.
V. O Brasil concentra 20% de toda a água do planeta. Trata-se de um presente da natureza que o país praticamente rejeita: apenas 30% de nossos recursos hídricos são aproveitados; só 7% da área plan- tada são irrigados — a média mun- dial é de 40%. Imaginem as múlti- plas oportunidades que nossas re- servas hídricas proporcionam: a pis- cicultura, o incremento da agricul- tura, a geração de energia.
VI. O governo tem demonstra- do uma forte preocupação em esti- mular os investimentos em infra- estrutura. O país necessita de ro- dovias, ferrovias, saneamento, li- nhas de transmissão para crescer.
VII. O agrobusiness é um dos orgulhos do Brasil. O país tem solo, água e sol. Conheci Petrolina, em Pernambuco, há 50 anos. Era um deserto. Hoje, exporta frutas. É um exemplo da riqueza da nação. Pre-
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cisamos incentivar também a indus- trialização de produtos agrícolas para agregar valor e gerar empregos.
VIII. Em recente reunião com o ministro Antônio Palocci e alguns empresários, quando o dólar ainda estava a R$ 2,85, manifestei uma opinião muito clara: se as cotações chegarem a R$ 3 de uma maneira ponderada, sem sobressaltos no mercado, teremos grande possibi- lidade de exportar ainda mais.
IX. Precisamos criar empregos. Estou certo de que o governo se empenhará ainda mais para levar adiante o compromisso de reduzir o desemprego, um dos mais gra- ves problemas do país.
X. A reforma tributária dará novo impulso à economia, desde que, lo- gicamente, não resulte em aumento na carga tributária. Os impostos re- presentam 36% do PIB. É necessário desonerar o setor produtivo. Ao mes- mo tempo, precisamos desatar a bu- rocracia que inibe a criação de em- presas. Um estudo do Banco Mundial revela que, no Brasil, há 15 tipos de exigências para se constituir uma empresa. O processo ainda demora, em média, 152 dias. No Canadá, são apenas três procedimentos e a auto- rização sai em três dias.
Nada de meias palavras ou eufemismos de ocasião. Vamos direto ao assunto: crescimento. Esta é a prioridade do Brasil. Em 1984, representávamos 1,34% do PIB mundial. Hoje, respondemos apenas por 0,9%. Ou seja: o Brasil precisa trabalhar para crescer.
Antônio Ermírio de Moraes, presidente do Conselho de Administração do Grupo Votorantim