“Três dicas para ter sucesso no mercado de ações:
1) Proteja seu capital;
2) Proteja seu capital;
3) Leia as duas anteriores”.
Warren Buffet.
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A vantagem de se investir de forma independente é que você tem liberdade para executar suas operações de acordo com sua análise, não estando subordinado a nenhum supervisor ou gerente. No entanto, esta liberdade pode se tornar um problema se o investidor não souber admi-nistrar suas operações. O gerenciamento de risco é uma espécie de “super ego”, evitando que o investidor vá além dos limites toleráveis.
Analisando as diversas alternativas de investimentos disponíveis ve-mos que existe uma relação entre o retorno esperado e o risco. Assim, quanto maior o retorno, maior o risco. Não há como evitar. Se almejar-mos maiores rendimentos, terealmejar-mos que arriscar mais. O investimento em caderneta de poupança, por exemplo, apresenta risco “nulo”, porém seu retorno é baixo. Investimento em títulos públicos oferece rendimento um pouco melhor que o da poupança, com risco próximo de zero. O in-vestimento que oferece maior risco e maior retorno é o negócio próprio.
Formas de gerenciar risco
O investimento em ações oferece retorno bem maior que o da cader-neta de poupança ou da renda fixa, porém o risco também é maior. Nes-te capítulo veremos as formas de gerenciar o risco no sentido de obNes-ter maior retorno investindo em ações.
1) Mantenha bons registros de suas operações. O registro das operações permite que o investidor aprenda e aprimore seu método. Ter bons registros significa ter disciplina. O investidor deve anotar a data do início e do fim da operação, o motivo pelo qual comprou ou vendeu a ação, onde colocou o stop de perda, o prejuízo máximo tolerado, objetivo a ser alcançado, curva de patrimônio, aportes e resgates feitos, e resulta-dos de suas análises gráfica e fundamentalista.
2) Seja fiel à sua estratégia. Ser fiel à estratégia não significa insistir em algo que não está dando certo. Se sua estratégia mostra-se ineficaz, volte ao livro, veja onde está errando e corrija sua estratégia. Uma vez cor-rigida, seja fiel à ela. Quando se está aprendendo algo, costuma-se cometer erros. São estes erros que farão você buscar mais conhecimento para apri-morar seu método. Não há método 100% eficaz no mercado financeiro.
3) Assimile suas operações. Operações mal sucedidas costumam gerar ansiedade, insegurança, medo e baixa auto-estima. Estes são ingre-dientes para novas operações mal sucedidas, gerando um círculo vicioso
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de perdas. Da mesma forma, operações bem sucedidas geram orgulho, excesso de segurança e sensação de invencibilidade. Você deve assimilar todos estes sentimentos. Ao final de cada operação, bem ou mal sucedi-da, você deve assimilar o resultado, absorver o aprendizado e começar do zero a operação seguinte. Não é aconselhável ficar remoendo um mal resultado ou ficar se vangloriando de um bom resultado.
4) Não opere por diversão, opere por dinheiro. Embora o in-vestimento em ações seja emocionante e libere muita adrenalina, não operamos por diversão, mas sim por dinheiro. Alguns investidores ficam viciados e perdem dinheiro de forma compulsiva. Não seja um deles. Te-nha em mente que o investimento em ações é uma forma de remunerar o capital. Divirta-se com a família e com os amigos, não com o mercado.
5) Regra dos 2%. Segundo esta regra, o investidor deve limitar sua perda máxima em cada operação a 2% do capital destinado a investir em ações. Isto não inclui poupança, previdência, imóvel e outros investi-mentos. Por exemplo, suponha que você tenha destinado R$30 mil para o investimento em ações. Você deseja comprar ações da empresa ABC, cotadas a R$20. Seu objetivo de lucro é de R$24 e seu objetivo de per-da (em caso de queper-da) é de R$19 (ou seja, um real por ação). Quantas ações da empresa ABC você deve comprar? Bom, 2% de trinta mil reais é R$600. Como você aceita perder um real por ação, você só poderá comprar 600 ações da empresa ABC. Na prática, você deverá comprar um número menor, já que terá que pagar corretagem e taxas administrati-vas. Você dever estar se perguntando como determinar a perda máxima. A resposta está na ordem de stop. Ao comprar a ação a R$20, imediatamente você coloca o stop de venda em R$19. Assim, se o mercado sofrer uma re-viravolta, sua perda máxima será de um real por ação.
Fica fácil perceber que, quanto maior a perda aceitável, menos ações você terá que comprar para manter-se fiel à esta regra. Se você aceitar perder R$2 por ação (comprar a R$20 e vender a R$18), sua compra será de 300 ações.
Se você aceitar perder R$0,50 por ação (comprar a R$20 e vender a R$19,5), você poderá comprar 1200 ações.
6) Regra dos 6%. De acordo com esta regra o investidor deve limitar sua perda máxima mensal a 6% do capital destinado a investir em ações.
Se o valor da perda for maior que 6%, o investidor deve zerar todas as posições e ficar fora do mercado até o término do mês. Neste período, você pode ficar acompanhando o mercado e deve avaliar o seu método para corrigir os erros. Por exemplo, suponha que seu capital destinado a
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investir em ações no começo do mês seja de R$30 mil. No meio do mês, após sucessivas operações mal sucedidas, você acumula perda de 7%
(R$2.100). Você deve zerar todas as posições e não operar mais durante o mês. No mês seguinte, seu capital será de R$27.900 (R$30 mil menos R$2.100) e todo o cálculo deve ser feito em cima este valor. Fica claro que o investidor deve fazer balanço mensal do capital investido em ações para que possa ajustar o cálculo.
Agora vamos unir a regra dos 2% com a regra dos 6%. Já sabemos que a perda máxima por operação não deve ultrapassar 2% do capital e que a perda máxima mensal não deve ultrapassar 6% do capital. Concluímos que, em um mês, você só poderá ter, no máximo, três operações em aber-to, com risco máximo de 2% por operação.
Agora vamos analisar uma outra situação. Suponha que no começo do mês você está com três posições em aberto, com risco de 2% em cada uma delas. Vamos chamá-las de operações A, B e C. Após uma semana, a ope-ração A registrou alta das ações. Você subiu o stop de venda para o valor em que comprou as ações. Com isso, caso o preço das ações da operação A apresentem queda, você ficará no zero a zero. Assim, seu risco máximo de perda, após uma semana, será de 4%, já que apenas as operações B e C apresentam risco de 2% cada. Neste caso, você poderá abrir uma quarta posição com risco de 2%, voltando aos 6% de perda máxima mensal. Se, após mais uma semana, as ações da operação B apresentarem alta e o stop subir para o preço de compra, zerando o risco da operação, você poderá abrir uma quinta posição, trazendo o risco de volta aos 6%.
Da mesma forma, se as ações da operação A apresentarem queda e forem vendi-das com prejuízo de 2%, você ficará com as operações B e C em aberto e não poderá abrir mais nenhuma posição até que os riscos das operações B e C sejam zerados.
Se você aceitar perda máxima de 1% por operação, poderá ter até seis posições em aberto (totalizando 6%). Se aceitar perda de 3% por operação, poderá ter até duas posições em aberto (totalizando 6%).
7) Opere pequeno. Ser um grande investidor não significa operar grandes volumes de ações ou mesmo de opções. Você precisa operar bem e de forma consistente para que seus ganhos sejam consistentes. Nada o impede de ganhar uma bolada em dois ou três dias, mas isto é a exceção e não a regra. Você deve e pode obter ganhos acima da média de mercado de forma consistente. Pequenas perdas são mais facilmente toleráveis e assimiláveis do que as grandes perdas. Por isso, opere pequeno.
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8) Redistribua sua carteira de investimentos. Você não deve ter todo o seu dinheiro investido em ações. Por isso, sua carteira de investimentos deve ser redistribuída periodicamente. Isto pode ser feito a cada seis meses ou a cada ano. Para isso, você pode usar a regra dos 80. Esta regra determina a porcentagem do seu patrimônio que deve ser alocada para investimentos de risco, tais como as ações, e a porcentagem que deve ser alocada para investimentos livre de risco, tais como renda fixa e títulos públicos. É bem simples. A porcentagem do patrimônio que deve ser investida em renda va-riável é igual a 80 menos a sua idade. Assim, se o seu patrimônio é de R$100 mil e sua idade é 40 anos, segundo a regra dos 80, 40% deste valor (80-40), isto é R$40 mil deve ser investido em renda variável e o restante, R$60 mil deve ser investido em renda fixa.
Suponha que, ao final de um ano, seu investimento em ações rendeu 20%, ou seja, R$8 mil, totalizando R$48 mil e o investimento em renda fixa rendeu 10%, ou seja, R$6 mil, totalizando R$66 mil. Ao final de um ano, seu patrimônio será de R$114 mil. Usando a regra dos 80, veremos que 39% do patrimônio deverá ser investido em ações (R$44.460) e o restante (R$69.540) deverá ser investido em renda fixa. Portanto, o investidor terá que retirar R$3.540 do investimento em ações e trans-ferir para renda fixa. Da mesma forma, suponha que o investimento em ações teve prejuízo de 20% (R$32 mil) e o investimento em renda fixa teve ganho de 10% (R$66 mil). Ao final do ano, o patrimônio será e R$98 mil. Com a regra dos 80, 39% (R$38.220) deverão ser investidos em ação e o restante (R$59.780) deverão ser investidos em renda fixa.
Portanto, o investidor deverá transferir R$6.220 da renda fixa para o investimento em ações.
A regra dos 80 permitirá que você arrisque mais enquanto está mais jovem, com maior tempo para recuperar possíveis perdas. Com o avanço da idade, você correrá menos risco porque terá menos tempo para recu-perar possíveis perdas. Ela também permite que você proteja parte do lu-cro obtido com ações em um período de ganho e cubra parte do prejuízo com ações em um período de perda.
9) Utilize parte do lucro para comprar mais ações. Se você pre-tende montar uma carteira de ações e remunerar esta carteira, use parte do lucro que tiver para comprar mais ações e, assim, engordar continua-mente a carteira. Quanto mais ações você tiver, maior será seu rendimen-to. Apenas certifique-se de que as ações sejam de empresa sólida.