• Nenhum resultado encontrado

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.9. INDUÇÃO HORMONAL DA PUBERDADE

2.9.1. Protocolos à Base de Acetato de Melengestrol

Mihm et al. (1994) estudaram os efeitos de uma prolongada exposição à

progestágenos, sobre a porcentagem de prenhez à inseminação artificial em novilhas,

administrando implantes com norgestomet às mesmas no Dia 16 do ciclo estral e

mantendo estes implantes por 12 dias, comparando, finalmente, o desempenho destas

novilhas com o de um grupo de novilhas controle. As taxas de prenhez obtidas após a

inseminação foram de 23,3% para as novilhas tratadas com norgestomet contra 76,9%

das controle, confirmando que o aumento na duração do período de dominância

folicular provoca uma redução na porcentagem de prenhez.

Os tratamentos para induzir a puberdade em novilhas proporcionam aumento na

eficiência reprodutiva destas pela ocorrência do primeiro estro, subfértil, antes do início

da estação reprodutiva (RASBY et al., 1998). Entretanto, Burfening (1979) considera

que a puberdade é uma característica herdável, logo a indução da puberdade em

novilhas de reposição, por várias gerações, poderia resultar em situações em que o

alcance da puberdade poderia ser difícil sem um tratamento hormonal, sendo este um

fato que não poderia ser totalmente descartado. Entretanto, segundo Patterson et al.

(1990), existe uma necessidade de explorar tratamentos para induzir a puberdade em

raças de maturação tardia, mas que apresentem suficiente idade e peso corporal ao início

do tratamento, como forma de permitir o sucesso na aplicação.

O investimento em tempo e recursos financeiros em uma novilha, desde o

desmame até o acasalamento, requer que esforços sejam realizados em seu manejo

como forma de facilitar o alcance da puberdade, e maximizar a probabilidade de

prenhez. Neste cenário, um método de indução da puberdade, poderia servir como

valioso instrumento para aumentar o desempenho reprodutivo de novilhas

(PATTERSON et al., 1999).

2.9.1.Protocolos à Base de Acetato de Melengestrol

A suplementação de novilhas com acetato de melengestrol (MGA) por 14 dias, e

a aplicação de uma dose de prostaglandina 17 dias após sua suspensão, foi testada por

Patterson & Corah (1992), encontrando uma elevada porcentagem das novilhas tratadas

apresentado concentração de progesterona circulante superior em relação às controle.

Apesar disto, e de que todas as novilhas apresentavam elevada concentração de

progesterona plasmática no momento da aplicação da prostaglandina, nem todas

apresentaram estro. Este fato, segundo os autores, poderia ser atribuído a uma luteólise

incompleta após a prostaglandina, ovulação sem manifestação de estro ou ainda, falhas

na detecção de estros.

A administração via alimentar do progestágeno MGA, é recomendada para a

sincronização de estros em novilhas próximas à entrada na puberdade ou já púberes. Um

pressuposto para a utilização deste tratamento é que o estabelecimento de padrões

fásicos de LH, requereria uma pré-exposição à progesterona ou, neste caso, a um

progestágeno. Atualmente, o protocolo de utilização mais recomendado para o MGA,

prevê o fornecimento de 0,5 mg do progestágeno por animal, diariamente durante 7

dias, preferencialmente misturado a uma ração farelada. No sétimo dia, após a

suspensão do MGA, administra-se uma dose de prostaglandina, visando a lise de corpos

lúteos eventualmente presentes em animais que já estavam ciclando quando do início do

tratamento. Quatro dias após a aplicação da prostaglandina, administra-se 100 mcg de

GnRH, com o objetivo de induzir a ovulação ou a luteinização folicular. Uma nova

aplicação de prostaglandina é realizada 7 dias após o GnRH e, finalmente, a

inseminação artificial é realizada com controle de estros por 48 a 96 horas após a última

injeção de prostaglandina. Entretanto, existe dificuldade no estabelecimento de um

consumo regular do MGA por todos os animais do grupo, além de sua utilização

implicar na necessidade de uma estrutura e manejo diferenciados, principalmente para a

situação de sistemas de criação extensivos. Outro fator a ser considerado, é a baixa taxa

de concepção quando a inseminação artificial é realizada ao primeiro estro após o

tratamento com MGA (PATTERSON et al., 1990; PATTERSON & CORAH, 1992;

GREGORY, 2002; MORAES, 2002).

Trabalhando com novilhas de um ano de idade e peso corporal médio de 285 kg,

tratadas com MGA, Imwalle et al. (1998) obtiveram 100% de ovulação nas novilhas

que consumiam o progestágeno, contra 44% de ovulação nas novilhas controle. Nos

Dias 0 e 7, a concentração de LH na circulação não foi diferente entre tratadas e

controle, sendo que no Dia 9, a concentração de LH foi superior para as novilhas que

receberam o tratamento com MGA. Quanto à freqüência na liberação de pulsos de LH,

esta foi maior para as novilhas controle no Dia 0, sem diferenças no Dia 7 e, maior para

as tratadas, no Dia 9, apresentando estas um aumento linear significativo. O diâmetro do

maior folículo não apresentou diferenças entre os grupos ao início do tratamento e ao

Dia 3, mas foi maior no Dia 6 para as novilhas que receberam o MGA, sendo

novamente semelhante entre os grupos ao Dia 8. Segundo os autores, a eficácia do

progestágeno em iniciar a ciclicidade nas novilhas, estaria dependente da idade

fisiológica dos animais tratados, que neste caso, eram mantidos sob um elevado plano

nutricional e apresentavam excelente escore de condição corporal. Os progestágenos

poderiam, desta forma, facilitar a entrada na puberdade, mas não iniciar este evento

crítico levando à primeira ovulação.

Neibergs & Reeves (1988) utilizando novilhas cíclicas e pré-púberes, com

361-369 kg de peso vivo, observaram um maior número de novilhas apresentando boa

resposta à sincronização entre as cíclicas. Nas novilhas pré-púberes foram detectados

91% de estros entre as tratadas com MGA e prostaglandina (MGA/PGF) contra 67%

nas tratadas somente com prostaglandina (PGF) e controle, durante os 34 dias do

período de inseminação artificial. Nenhuma novilha que recebeu o tratamento

MGA/PGF foi detectada em cio durante o período de consumo do MGA. Não houve

diferenças entre as taxas de prenhez ao primeiro serviço para os tratamentos MGA/PGF

e PGF, assim como para novilhas cíclicas e pré-púberes, e nem diferenças quanto ao

retorno ao estro após a inseminação artificial entre os grupos. Foi observada uma maior

porcentagem de estros para as novilhas de 18 meses, em relação às novilhas de 14

meses de idade, mas sem diferenças quanto à repetição de serviços. Não foram

observadas vantagens da sincronização de estros com MGA e prostaglandina, sobre

aquela que utilizou somente a prostaglandina.

Patterson et al. (1990) estudaram novilhas cruzas Angus x Hereford e Brahman

x Hereford, com 55 ou 65% do peso adulto do rebanho de origem, observando estros

por 160 dias e coletando amostras de sangue para dosagem de progesterona, nos Dias 0

e 10 do início do tratamento. Assim, novilhas que não exibiram estros e apresentaram

concentração de progesterona circulante inferior a 1ng/ml foram tratadas com MGA e

salina ou MGA e GnRH. As novilhas tiveram acesso a 0,5 mg de MGA por dia,

misturado à ração, durante 7 dias. Posteriormente, foram aplicadas aos animais 500 mcg

de GnRH ou 5 ml de solução salina, 48 horas após a última ingestão do MGA.

Seguiram-se observações diárias de estros por 45 dias após o protocolo, sendo as

novilhas, durante este período, expostas a rufiões e submetidas à inseminação artificial

12 horas após a detecção de estro. Não foram observadas diferenças quanto à

porcentagem de novilhas em estro até o Dia 7 do experimento, mas uma maior

porcentagem das novilhas que receberam MGA/salina exibiu estro até o Dia 14. A

porcentagem de novilhas que apresentaram uma elevada concentração de progesterona

plasmática ao Dia 7 e Dia 14, foi maior entre as tratadas com MGA/GnRH, não

havendo, entretanto, diferenças quanto às taxas de concepção ao primeiro serviço entre

salina e GnRH (24 x 18%). Uma relativamente alta porcentagem de novilhas apresentou

ciclos estrais curtos, com menos de 17 dias de duração, após o primeiro estro (37 x

53%, para salina e GnRH, respectivamente) e, subseqüentemente, novos ciclos curtos

(44 x 50% destas para salina e GnRH, respectivamente). A porcentagem de prenhez

obtida foi semelhante entre os grupos, após os 45 dias do período de estudos (63 x 53%,

para salina e GnRH, respectivamente).

Ainda Patterson et al. (1990), concluíram que o MGA iniciou a ciclicidade em

novilhas pré-púberes, entretanto, destacam que, a liberação induzida de LH nas novilhas

tratadas com MGA e GnRH pode ter causado a luteinização prematura de folículos,

resultando desta forma, em função luteal inadequada. Um maior número de novilhas

tratadas com salina exibiu estros comportamentais, em relação às novilhas tratadas com

GnRH, tendo este último, entretanto, induzido com sucesso a ovulação na maior parte

dos animais.

Utilizando novilhas Angus e Simmental, com 13 meses de idade e pesando entre

302 e 350 kg, Wood-Follis et al. (2004) desenvolveram um experimento onde os

animais recebiam 0,5 mg de MGA junto à 1,8 kg de suplemento, diariamente, durante

14 dias e administravam uma injeção de prostaglandina (PGF) 19 dias após a suspensão

do MGA, ou GnRH aos 12 dias e prostaglandina aos 19 dias (GnRH/PGF), sendo todas

as novilhas submetidas à inseminação artificial com observação de estros. Não

encontraram diferenças entre tratamentos, quanto à resposta em porcentagem de

manifestação de estros, tendo, entretanto, as novilhas pré-púberes, exibido estro mais

tardiamente em relação às púberes, dentro do tratamento com GnRH/PGF. Entre os

grupos, a ocorrência de estro foi maior para as novilhas pré-púberes tratadas com

GnRH/PGF (92 x 56% das PGF), mas sem diferenças quanto à taxa de prenhez à

inseminação artificial (75 e 72%, para GnRH/PGF e PGF, respectivamente) e após

período de repasse por monta natural (97 e 94%, para GnRH/PGF e PGF,

respectivamente). Não foi observada associação entre a concentração de progesterona

plasmática presente e o intervalo para a ocorrência do estro. Também não foi observada

diferença entre os tratamentos, para a porcentagem de novilhas que apresentaram

elevada concentração de progesterona plasmática aos Dias 12 e 19 após suspensão do

MGA, sugerindo que o GnRH não influencia o número de novilhas com alta

concentração de progesterona circulante, 7 dias após a aplicação.