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1. O compromisso pró-ecológico

1.2. Psicologia Ambiental: da emergência do conceito CPE

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O presente estudo se situa no âmbito da psicologia ambiental, uma subdisciplina da psicologia, que se insere – como disciplina – no campo de investigação das relações pessoa- ambiente (Sommer, 2000). Por um lado, ela está associada com as ciências sociais – em particular a psicologia social, com a qual compartilha alguns referenciais teóricos, 10

metodológicos e epistemológicos – e, por outro, com o conjunto de disciplinas que estuda o ambiente, seja natural ou construído (Valera, 1996). Dessa forma, ela se caracteriza por uma multiplicidade de enfoques teóricos e metodológicos, bem como âmbitos de aplicação, que dificultam uma visão integrada e unitária, permitindo a existência de uma variedade considerável de definições de psicologia ambiental.

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Adotando a síntese proposta por Valera (1996), é possível descrevê-la como dedicada ao estudo e compreensão dos processos psicossociais derivados das relações, interações e transações entre pessoas, grupos sociais ou comunidades e seus entornos sociofísicos. As investigações acerca das temáticas que envolvem tais dinâmicas entre pessoa e ambiente, em última instância, visam à promoção de uma relação harmônica entre ambos, que contribua 20

para o bem-estar humano e a sustentabilidade ambiental (Wiesenfeld, 2005). Apesar do foco dedicado ao estudo da interação humana com os ambientes, foi somente a partir da segunda metade da década de 80 que o debate ecológico conquistou maior espaço na psicologia ambiental (Pol, 2007).

O desenvolvimento da psicologia ambiental responde a diversos interesses que progressivamente amadureceram em seu contexto de surgimento. Esteve vinculado, por exemplo, ao processo de reconstrução das cidades europeias no período pós-guerra e à reestruturação de setores produtivos devido aos efeitos de novas tecnologias. Recebeu também fortes influências das necessidades de outras disciplinas, como arquitetura, geografia 5

e ciências ecológicas (Pol, 2001). Durante sua fase inicial, que se estende do final da década de 1950 ao final da década de 1980, as pesquisas se voltavam notadamente para o ambiente construído, enfatizando aspectos ligados à arquitetura e, em menor extensão, às dinâmicas urbanas, enquanto questões ecológicas eram abordadas apenas marginalmente. Esse período foi denominado por Pol (2007) de Era da Psicologia Arquitetural.

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O debate ecológico, porém, ganha espaço na psicologia ambiental quando, a partir da divulgação de documentos como o Relatório Brundtland, em 1987, e a realização da Rio-92, tornou-se evidente que as questões ambientais são inseparáveis das dinâmicas individuais, comunitárias e sociais; ganhando espaço uma visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados (e reproduzido por nações em desenvolvimento), que 15

ressalta os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem que seja considerada a capacidade de suporte dos ecossistemas (Pol, 2007).

Além das iniciativas internacionais e programas voltados para o meio ambiente, a partir da metade do século XX, as ciências biológicas deram início a uma revolução ecológica que afetou todas as demais ciências ambientais, por meio da adoção da noção de ecossistema 20

como unidade de análise (Bonnes & Bonaiuto, 2002). Assim, é estabelecida uma perspectiva sistêmica, dinamicamente integrada, de conceber as interações de quaisquer seres vivos, do mais elementar ao mais complexo, com o ambiente físico, biótico e abiótico. Bonnes e Bonaiuto (2002) apontam duas abordagens que se desenvolveram a partir da revolução ecológica: a ecologia parcial, que identifica a ação humana sobre o meio genericamente, como 25

“fator humano” ou “impacto humano” e a considera exclusivamente como processo natural; e a ecologia integral, que considera a ação humana como central em cada “sistema de uso humano”, uma vez que os recursos naturais de todo ecossistema são bem comum, recurso coletivo de todos os seres vivos que o constituem e, portanto, a utilização de cada indivíduo impacta as possibilidades de utilização das demais formas de vida. De acordo com a ecologia 5

integral, a dimensão humana necessariamente precisa ser considerada, em seus aspectos psicológico, social, cultural, econômico e histórico.

Dessa forma, durante os anos de 1990, se compreendeu como nunca antes que a gestão ambiental é, sobretudo, a gestão de pessoas e comportamentos sociais, o que originou uma vasta gama de novos desafios teóricos, pragmáticos e profissionais para a psicologia 10

ambiental, que se encaminhava, então, para um novo estágio: a Psicologia Ambiental para a Sustentabilidade (Pol, 2007). A partir disso, estudos sobre preocupação ambiental ganharam maior visibilidade e se tornaram mais frequentes, sendo abordados de diferentes perspectivas, direcionadas a comportamentos específicos, valores e atitudes, ou a dimensões estruturais que possam facilitar comportamentos, individuais ou coletivos, orientados para a manutenção dos 15

recursos naturais. Assim, coexiste o interesse pelos aspectos físico-biológicos, bem como arquiteturais e tecnológicos das relações pessoa-ambiente, sendo considerada a complexidade da relação socioespacial, marcada por uma dimensão perceptiva (que, no contexto de mudanças ambientais de larga escala, dificilmente é alcançada) e uma dimensão temporal (de mudanças que necessitam um longo intervalo temporal para acontecer) (Diniz, 2015).

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Gifford (2014) realizou uma revisão dos principais temas e tendências da área, entre os trabalhos publicados de 1995 a 2013, que expõe um panorama no qual temas de apelo social e pró-ecológico têm sido enfatizados. Alguns dos temas tradicionais permanecem em evidência, como a investigação de processos psicológicos básicos e o interesse pelo ambiente construído, porém novas tendências foram responsáveis pelo crescimento recente da psicologia 25

ambiental: comportamento pró-ambiental, mudanças climáticas, interações com a natureza e apego ao lugar. O autor atribui o interesse por estudos voltados para a sustentabilidade a uma tomada gradual de consciência, por parte da sociedade, da importância do ambiente natural (incluindo sua fragilidade e vulnerabilidade às ações humanas e sua potencialidade de melhorar a vida das pessoas).

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O interesse pela temática pró-ecológica na psicologia ambiental adquiriu tal proporção, que Giuliani e Scopelliti (2009) sugeriram que o conceito de sustentabilidade poderia assumir o papel de unificar os diversos estudos acerca de diferentes comportamentos em diferentes ambientes. Uma vez que esse conceito envolve o uso previdente e a manutenção de recursos ambientais, sociais e pessoais, implica, assim, a ideia de bem-estar psicológico e, 10

portanto, remete-se diretamente ao objetivo inicial da área: entender o papel dos ambientes para o bem-estar.

Segundo Pol (2007), em seu atual estágio a psicologia ambiental reconhece as pessoas como seres sociais em seus ambientes, adotando o objetivo de mudar comportamentos, tanto individuais, como da própria sociedade, em favor do meio ambiente. Dessa forma, busca 15

aperfeiçoar as condições sociofísicas, potencializando o comportamento pró-ecológico e o bem-estar social e, portanto, contribuindo para o avanço em direção à sustentabilidade. Inserem-se nessa perspectiva os estudos sobre compromisso pró-ecológico, tema de interesse para a presente investigação, a ser abordado em detalhes.

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