Mesmo que seja declarado pela Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência que, o termo, deficiência “é um conceito em evolução e que a deficiência resulta da interação entre pessoas com incapacidades e barreiras comportamentais e ambientais que impedem a sua participação plena e efetiva na sociedade em condições de igualdade com as outras pessoas;134” ainda há muito a fazer como se pode verificar nas seguintes definições.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, deficiência é o substantivo atribuído a toda a perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica. Refere-se à biologia do ser humano.135
“Deficiência é o termo usado para definir a ausência ou disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatómica. Diz respeito à atividade exercida pela
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EDGERTON, R. B. The Cloak of competence: Stigma in the lives of the mentalyy retarded, Berkeley, CA University of California Press, 1967, p. 218. Citado por KAUFFMAN, James M. e LOPES, João A. Pode a Educação Especial
Deixar de ser especial?, Braga, Psiquilibros edições, 2007, p. 14.
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http://deficiencia.no.comunidades.net/index.php?pagina=1364432068
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Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, instituto nacional para a reabilitação, I.P, Lisboa, 2010, p. 9
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biologia da pessoa humana. Esse conceito foi definido pela organização mundial de saúde. A expressão, pessoa com deficiência, pode ser aplicada referindo-se a qualquer pessoa que vivencie uma deficiência continuamente. Contudo, há que se observar que, em contextos legais, ela é utilizada de uma forma mais restrita e refere- se a pessoas que estão sob o amparo de uma determinada legislação”136.
No dicionário Houaiss temos a definição para a palavra deficiência como “insuficiência ou ausência de funcionamento de um órgão; insuficiência de uma função psíquica ou intelectual; perda de quantidade ou qualidade; falta, carência; perda de valor; falha, fraqueza”137. No dicionário, em braille, do centro de Prof. Albuquerque e Castro, temos as seguintes definições para a palavra deficiência: “falta, lacuna, imperfeição; insuficiência, insuficiente, imperfeito”138.
Seja qual for o caminho, percorrido, para entendermos ou percebermos os significados do vocábulo deficiência, vamos encontrar o mesmo estilo de definição. Depreende-se destas definições sobre a deficiência que existe uma visão negativa da pessoa portadora da diferença, contradizendo os valores vigorantes na sociedade, e principalmente, proclamados no ano de 1981 por parte da assembleia-geral da ONU139.
Como se verificou no campo da pessoa, as qualidades humanas, seriam, a auto-suficiência e a eficiência a todos as “categorias” do “animal” humano. Aqueles que são vistos com uma ou várias “lacunas”, da normalidade “animal” humana, são “olhados” como tendo as suas funções impossibilitadas. A pessoa que tenha uma limitação física é, socialmente, “confundida” como classe desfavorecida, e por esse motivo, na maior parte das vezes, excluída das suas competências sociais. O ser deficiente, é por assim dizer, um ser incapaz de realizar o que a sociedade “configurou” para a pessoa.
“As pessoas anseiam cobrir-se com uma capa de competência protetora. Para se sentirem melhor, tentam encontrar tais capas. Porém, as capas com que pensam proteger-se são de tal forma esfarrapadas e transparentes, que expõem de forma ainda mais evidente a incompetência de quem as usa. De certo modo as pessoas com deficiência são como o rei do conto que julgava que usava as vestes mais elegantes do reino, mas de facto ia nu”140
. 136 http://pt.wikipedia.org/wiki/Defici%C3%AAncia 137 Dicionário Houaiss. 138 http://eltonvca.blogspot.pt/
139 Nota Pastoral da Conferencia Episcopal Portuguesa, As pessoas com deficiência – Cidadãos em pleno direito,
Lisboa, 1/ 2003, pp. 3
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EDGERTON, R. B. The Cloak of competence, Berkeley, CA University of California Press, 1967, p. 218. Citado por KAUFFMAN, James M. e LOPES, João A. Pode a Educação Especial Deixar de ser especial?, Braga, Psiquilibros edições, 2007, p. 14.
Relatório Final da Prática de Ensino Supervisionada - UL 1 “A Pessoa Humana” 48 O declínio das qualidades humanas, de andar, ver, ouvir, pensar, etc, conduz a um entendimento de imperfeição ao nível do desempenho, a uma angústia ou resistência. Percebe-se que a sociedade como “coletividade”, tendo a sua estrutura alicerçada no que é unanimemente aceite. As pessoas estão, portanto, conformes e dispostas a defender e a inculcar as normas pelas quais foram regidas e que se regem. Qualquer anormalidade ou doença é tida, pelo social, como sinal de alarme e de decadência141. As pessoas, são por assim dizer, levadas, numa sociedade estagnada nos valores e crenças, a criar estigmas pelos que são diferentes ou aqueles que são deficientes.
É necessário frisar que a falha, ou falta, de coerência na definição da pessoa com deficiência, não se situa no indivíduo com uma “maleita”, mas sim no relacionamento que tem com os “demais normais”. O que caracteriza a pessoa com deficiência, além da sua falta, sensorial, motora e mental, é a grande dificuldade que tem de conviver e inserir na sociedade. Esta “decapitação” de convivência social e comunitária definirá quem é ou não deficiente.
“O infortúnio de ter uma deficiência não implica que as vidas fiquem arruinadas ou que uma pessoa com deficiência não possa vivenciar momentos de concretização pessoal e de alegria com aqueles que o rodeiam. Contudo, uma deficiência não é algo desejável, mas sim uma realidade a evitar sempre que possível. À negação da deficiência enquanto grave adversidade, segue-se normalmente a paralisia da ação, uma entrega, uma entrega à passividade e a garantia de que os outros sofrerão adversidades que poderiam ter sido evitadas”142.
A deficiência é um assunto que trespassa toda e cada sociedade, dada a sua transversalidade social, cultural e política.