3. Trabalho Experimental
3.3. Resultados
3.3.6. Qualidade de Vida do Paciente Diabético
O cuidador foi questionado se sentia que o comportamento do animal era afetado de alguma forma pela doença, numa tentativa de quantificar alterações visíveis. Na Tabela 27 são apresentados os resultados das 63 respostas obtidas, uma vez que dois cuidadores de cães assinalaram a opção “Não Sabe”.
Tabela 27 - Percepção do cuidador sobre se o comportamento do seu animal é afetado devido à Diabetes mellitus. Comportamento afetado pela doença Espécie Total Canina Felina Nunca 21 5 26 Ocasionalmente 6 6 12 Muitas vezes 5 6 11 Sempre 9 5 14 Total 41 22 63
Pelos dados recolhidos observa-se que 41% (26/63) dos cuidadores considera que a DM “Nunca” afeta o comportamento do seu animal de companhia. No caso dos cães 51,2% (21/41) “Nunca” tem alterações de comportamento, mas, no caso dos gatos, observa-se uma proporção semelhante de casos em todas as categorias. A proporção de animais cujos cuidadores considera que a DM afeta “Sempre” o comportamento é semelhante em ambas as espécies (cerca de 22% nos cães e 22,7% nos gatos), o que poderá ser corroborado pela ausência de evidência de associação entre esta variável e as espécies amostradas (teste exato de Fisher, p = 0,108).
3.3.6.2. Impacto da doença na componente afetiva do animal
À semelhança do comportamento, também a componente afetiva do animal foi abordada, tendo sido perguntado se o cuidador pensava que, desde o início do tratamento, o seu animal andava mais cansado, prostrado ou de qualquer outra forma negativamente afetado (i.e., “triste”) devido à doença. Nesta questão um cuidador assinalou a opção “Não Sabe”, pelo que o total de respostas registadas é de 64 (Tabela 28).
Tabela 28 – Percepção do cuidador sobre o impacto da doença na componente afetiva do seu animal.
Componente afetiva negativamente afetada Espécie Total Canina Felina Nunca 22 9 31 Ocasionalmente 12 7 19 Muitas vezes 5 2 7 Sempre 4 3 7 Total 43 21 64
Cerca de 48% (31/64) dos cuidadores considera que o seu animal “Nunca” anda mais “triste” e 29,7% (19/64) indica que apenas “Ocasionalmente” observou “tristeza”. Ao contrário do que foi observado na questão anterior, registou-se uma maior proporção de gatos cujos cuidadores consideram que estes andam “Sempre” “tristes” devido à doença: 9,3% (4/43) nos cães vs 14,3% (3/21) nos gatos. Também nesta questão não foi evidenciada associação entre a variável em estudo e as espécies amostradas (teste exato de Fisher, p = 0,908).
Ao ser estudada a associação entre esta variável e a anterior (“Comportamento afetado pela doença”), foram encontradas evidências de associação em ambas as espécies (no cão RS(41)= 0,648; p < 0,001 e, no gato, RS(21)= 0,495; p = 0,023).
3.3.6.3. Avaliação geral da Qualidade de Vida
Foi pedido ao cuidador para pontuar numa escala qual a percepção que tinha da QdV do seu animal. Tal como sugerido por Hill e Hill (2009), as opções de resposta apresentadas aos cuidadores eram em igual número no que diz respeito à sua conotação positiva ou negativa, existindo 3 opções de cada (“Muito má”, “Má”, “Tão má quanto possível”, “Tão boa quanto possível”, “Boa” e “Muito Boa”) e uma neutra (“Nem boa nem má”), podendo ainda ser assinalada a opção “Não Sabe”, que não foi registada em nenhum caso (Tabela 29).
Tabela 29 - Qualidade de vida do animal diabético na perspetiva do cuidador. Qualidade de Vida do Paciente Diabético Espécie Total Canina Felina Muito Má 1 0 1
Tão má quanto possível 1 0 1
Nem boa nem má 1 0 1
Tão boa quanto possível 17 11 28
Boa 10 9 19
Muito Boa 13 2 15
Total 43 22 65
A grande maioria dos cuidadores (95%; n = 62) classificou a QdV dos seus animais em categorias positivas, tendo 43,1% (n=28) considerado como “Tão boa quanto possível”, sendo ainda de registar o facto da totalidade das respostas dos cuidadores de gatos ter sido nas referidas categorias. Não foi encontrada evidência de associação entre esta variável nas espécies amostradas (teste exato de Fisher, p = 0,233).
Foi estudada a hipótese da QdV do animal diabético, na perspetiva do cuidador, estar relacionada com a necessidade deste último dar-lhe “mimos” adicionais. Pela aplicação da Correlação de Spearman foi encontrada associação destas variáveis apenas no caso dos cães (RS(43) = -0,430; p = 0,004).
Foi também estudada a associação desta variável com as anteriores relativas à QdV (“Comportamento afetado pela doença” e “Impacto negativo na componente afetiva do animal”), tendo sido encontradas evidências de associação apenas no caso dos cães (QdV do Paciente diabético e comportamento afetado pela doença: RS(41)= -0,500; p = 0,001; QdV
do Paciente diabético e Impacto negativo na componente afetiva: RS(43)= -0,449; p = 0,003).
Nos gatos, tendo sido observadas as mesmas tendências de resultados, não foi encontrada evidência de associação entre estas variáveis (QdV do Paciente diabético e comportamento
afetado pela doença: RS(22)= -0,381; p = 0,080; QdV do Paciente diabético e Impacto
negativo na componente afetiva: RS(21)= -0,181; p = 0,433).
3.3.6.4. Qualidade de Vida sem Diabetes mellitus
Adicionalmente foi pedido ao cuidador que supusesse que o seu animal não era diabético e que comparasse a QdV do seu animal de companhia nesse caso hipotético com a situação presente. À semelhança da questão anterior, foram apresentadas categorias de resposta positivas e negativas em igual número (“Muito pior”, “Bastante pior”, “Um pouco pior”, “Um pouco melhor”, “Bastante melhor” e “ Muito melhor”) e uma neutra (“Igual”). Os resultados na Tabela 30 compreendem apenas 62 respostas devido a 3 casos omissos.
Tabela 30 - Qualidade de Vida do Animal caso não tivesse Diabetes mellitus.
Qualidade de Vida sem Diabetes mellitus
Espécie Total Canina Felina Um pouco pior 0 1 1 Igual 12 3 15 Um pouco melhor 12 5 17 Bastante melhor 5 6 11 Muito melhor 12 6 18 Total 41 21 62
Observa-se que 29% (18/62) dos cuidadores acredita que sem DM a QdV dos seus animais seria “Muito melhor” e 17,7% (11/62) afirma que seria “Bastante melhor”. Uma fracção apreciável de respondentes (27,4%; 17/62) considera que seria apenas “Um pouco melhor” e 24,2% (15/62) consideraram que seria “Igual”. Pela aplicação do teste exato de Fisher não foi encontrada evidência de associação entre esta variável e as espécies amostradas (p = 0,253).
Ao ser estudada a associação desta variável com as restantes relativas à QdV do paciente diabético, foi evidenciada associação apenas no cão com a variável “Comportamento afetado pela doença” (RS(40)= 0,375; p = 0,017). Por outro lado, foi também encontrada
associação nesta espécie entre as variáveis QdV com e sem DM (RS(41)= -0,447; p = 0,003).
Nos gatos, foi registada a mesma tendência de resposta, contudo não foram observadas estas associações entre a QdV sem DM e as variáveis “Comportamento afetado pela doença” e “QdV do paciente diabético” (no primeiro caso, RS(21)= 0,360; p = 0,109 e, no