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1 A CONTEXTUALIZAÇÃO DA (IN)SUSTENTABILIDADE COMO UM DIREITO

3.5 Qualidade de vida: interface possível entre sustentabilidade e saúde

O homem, através de suas atividades, tem se mostrado um devastador implacável da natureza, destruindo e deteriorando seu habitat natural, sem se preocupar com as consequências nocivas de seus atos danosos, principalmente nas consequências imediatas sobre a sua saúde.

Em países onde ainda persistem grandes desigualdades sociais e regionais, como é o nosso caso, observa-se que o perfil de morbimortalidade apresenta características daquele encontrado nos países capitalistas avançados, com doenças e agravos à saúde como stress, cânceres, doenças cardiovasculares, isto é, as doenças degenerativas, além de lesões e mortes decorrentes de causas externas (acidentes de trabalho, acidentes de trânsito, homicídios, doenças correlacionadas à poluição, doenças vinculadas à precarização do trabalho, tais como lesão por esforços repetitivos, cânceres ocupacionais, contaminações químicas, perda auditiva induzida por ruído etc.). Ao mesmo tempo, contudo, persistem e, nas últimas décadas, reaparecem e recrudescem as doenças que tipificam a pobreza e a miséria, a falta de saneamento básico, a má nutrição, ou seja, doenças infecciosas e parasitárias próprias das péssimas condições de vida da maioria da população. (COUTINHO, 2009, p. 168 apud SILVA, 2015, p. 438).

Nesse sentido, a preocupação com o meio ambiente e com a saúde devem ser constantes, as leis postas em práticas, não adianta legislar e não dar efetividade em colocar em prática tais leis. Deve(ria) existir um contraponto, uma conscientização mínima para a exploração desenfreada pois, obviamente, ainda por questão de sobrevivência da própria espécie, é necessário explorar e utilizar de forma racional a natureza, pois a implicação de questões como a “[...] segurança e soberania alimentar, novos riscos tecnológicos, ocupacionais e ambientais e a migração e introdução de novos hábitos entre nações, aumentam a lista de situações preocupantes que podem afetar condições de saúde”. (VILLARDI, 2015, p. 59). A grande maioria dos problemas atuais está relacionada com a questão da falta de poder econômico e das desigualdades sociais,

(...) a ausência de liberdades substantivas relaciona-se diretamente com a pobreza econômica, que rouba das pessoas a liberdade de saciar a fome, de obter uma nutrição satisfatória ou remédios para doenças tratáveis, a oportunidade de vestir-se ou morar de modo apropriado, de ter acesso à água tratada ou saneamento básico (...). Existem problemas novos convivendo com antigos – a persistência da pobreza e de necessidades essenciais não satisfeitas, fomes coletivas (...) e ameaças cada vez mais graves ao nosso meio ambiente e à sustentabilidade de nossa vida econômica e social. (SILVA, 2006, p. 9 e 19 apud SARLET; FENSTERSEIFER, 2010, p. 248).

A prática (in)sustentável adotada pelo mercado, que é quem regula todos os meios de produção, a grande concentração de rendas e as desigualdades sociais, é que está adoecendo e matando as pessoas, dia após dia, não sendo compatível com um modelo de prevenção da saúde e de um desenvolvimento sustentável que é

[...] coerente com políticas de cobertura universal por meio de sistemas de saúde integrais, equitativos e de qualidade – que não devem ser reduzidos a seu componente de assistência médica aos indivíduos doentes. No ‘integral’ é onde precisamente se encontra a ‘dimensão ambiental’, parte do componente ‘saúde coletiva’ do sistema de saúde. Esta dimensão ambiental implica, entre outros componentes, na execução por instituições públicas e empresas privadas de um conjunto de ações sobre o meio ambiente que impactam diretamente a saúde humana: saneamento do meio, abastecimento de água potável, tratamento do esgoto, destinação adequada do lixo, controle e ações sobre os fatores de risco presentes nos processos produtivos urbanos e rurais (a exemplo da poluição do ar, solo e águas por resíduos industriais ou a questão dos agrotóxicos e fertilizantes), com seus efeitos sobre a saúde dos trabalhadores e da população em geral. (BUSS et al., 2012, p. 1486).

O que se verifica atualmente é que o modelo de governança se volta para as “forças produtivas com forte acúmulo de poder político dos empreendedores e promotores da política econômica associadas a uma precária política ambiental de sustentabilidade vinculada a uma política social redistributiva de cunho assistencial no campo da saúde e da assistência social” (VILLARDI, 2015, p. 24). Tal modelo pressiona pela “desregulação ambiental e social associada ao uso de tecnologias do agronegócio, para geração de energia e polos empresariais, de forte impacto negativo no ambiente e consequentemente na saúde” (VILLARDI, 2015, p. 24).

Conforme recente publicação da revista The Lancet (LANDRIGAN et al., 2017), a

Comissão Lancet sobre a poluição e saúde do renomado periódico traz uma importante análise

global dos impactos da poluição, em seus vários aspectos, dentre os quais ar, da água, do solo, onde se explora os custos econômicos e a injustiça social da poluição, e afirma que a poluição, que está na raiz de muitas doenças e distúrbios que afligem a humanidade, pode ser totalmente evitável. Desta forma, o relatório aponta que

Pollution is the largest environmental cause of disease and premature death in the world today. Diseases caused by pollution were responsible for an estimated 9 million premature deaths in 2015—16% of all deaths worldwide— three times more deaths than from AIDS, tuberculosis, and malaria combined and 15 times more than from all wars and other forms of violence. In the most severely affected countries, pollution-

related disease is responsible for more than one death in four. (LANDRIGAN et al., 2017, p. 1).16

Assim temos que é a causa 16% de todas as mortes em todo o mundo, sendo que as doenças causadas pela poluição foram responsáveis em 2015 por um número estimado de 9 milhões de mortes prematuras, o que correspondente ao patamar de 16% de todas as mortes em todo o mundo, o que corresponde mais mortes do que a AIDS, a tuberculose e a malária combinadas e quinze vezes mais do que todas as guerras e outras formas de violência. Aponta o estudo também que isso mata mais pessoas que o tabagismo, a fome e os desastres naturais. Em alguns países, é responsável por uma das mortes em quatro.

Pollution disproportionately kills the poor and the vulnerable. Nearly 92% of pollution-related deaths occur in low-income and middle-income countries and, in countries at every income level, disease caused by pollution is most prevalent among minorities and the marginalised. Children are at high risk of pollutionrelated disease and even extremely low-dose exposures to pollutants during windows of vulnerability in utero and in early infancy can result in disease, disability, and death in childhood and across their lifespan). (LANDRIGAN et al., 2017, p. 3).17

Assim verifica-se também que a poluição atinge e mata desproporcionalmente os pobres e os vulneráveis, pois segundo o estudo, praticamente 92% das mortes relacionadas à poluição ocorrem em países de baixa e média renda. Porém por ser um problema global, a poluição nos países de alta renda, faz suas vítimas nas comunidades pobres e marginalizadas. Outro sério problema apontado pelo estudo diz respeito as crianças que enfrentam exposições a substâncias químicas no útero e na primeira infância podem resultar em doença e incapacidade vitalícia, assim também como morte prematura, bem como a redução da aprendizagem e do potencial de ganho, ou seja não ter uma vida saudável.

pollution endaangers planetary health, destroys ecosystems, and is intimately linked to global climate change. Fuel combustion—fossil fuel combustion in high-income and middle-income countries and burning of biomass in low-income countries—

16 A poluição é a maior causa ambiental da doença e a morte prematura no mundo de hoje. As doenças causadas

pela poluição foram responsáveis por um número estimado de 9 milhões de mortes prematuras em 2015-16% de todas as mortes em todo o mundo - três vezes mais mortes que a AIDS, tuberculose e malária combinadas e 15 vezes mais que todas as guerras e outras formas de violência. Nos países mais gravemente afectados, a doença relacionada com a poluição é responsável por mais de uma morte em quatro (tradução livre) (LANDRIGAN et al., 2017, p. 1)

17 A poluição mata desproporcionalmente os pobres e os vulneráveis. Quase 92% das mortes relacionadas à

poluição ocorrem em países de baixa renda e de renda média e, em países em todos os níveis de renda, a doença causada pela poluição é mais prevalente entre as minorias e os marginalizados. As crianças estão em alto risco de doenças relacionadas com a poluição e até exposições extremamente baixas e poluentes durante as janelas de vulnerabilidade no útero e na primeira infância podem resultar em doenças, deficiência e morte na infância e ao longo de sua vida útil. (tradução livre) (LANDRIGAN et al., 2017, p. 1).

accounts for 85% of airborne particulate pollution and for almost all pollution by oxides of sulphur and nitrogen. (LANDRIGAN et al., 2017, p. 3).18

Desta forma que se constata que a poluição está intimamente ligada à mudança climática e à biodiversidade. Tem-se a combustão de combustíveis fósseis em países de maior renda e a queima de biomassa em países de baixa renda representam 85% da poluição por partículas no ar, sendo que os principais poluentes são as grandes empresas, usinas de energia a carvão, os produtores de produtos químicos, as operações de mineração e os veículos, ou seja, a grande maioria com um mercado global, grandes conglomerados econômicos e que não se coadunam com um modo de vida sustentável.

Aponta o estudo que “Collaborations between government and industry can catalyze innovation, create incent ives for cleaner production technologies and cleaner energy production, and encourage transition to more sustainable, circular economy” (LANDRIGAN et

al., 2017, p. 3)19. Assim, tem-se a premente necessidade de acelerar a mudança para fontes de

energia mais limpas reduzirá a poluição do ar e melhorará a saúde humana e do planeta.

Pollution is the largest environmental cause of disease and premature death in the world today. Pollution poses a massive challenge to planetary health and deserves the concentrated attention of national and international leaders, civil society, health professionals, and people around the world. Yet, despite its far-reaching effects on health, the economy and the environment, pollution— especially the rapidly growing threat of industrial, vehicular, and chemical pollution in low-income and middle- income countries—has been neglected in the international assistance and the global health agendas. Strategies for control of industrial, chemical, and automotive pollution in developing countries have been deeply underfunded. (LANDRIGAN, 2017, p. 40).20

Assim temos que a poluição, uma das causas da vida (in)sustentável, é um grande desafio para a saúde a nível mundial, sendo que merece a atenção do Estado e de toda a sociedade de uma maneira geral, que devem se conscientizar da importância de se ter uma vida

18 A poluição endurece a saúde planetária, destrói os ecossistemas e está intimamente ligada à mudança climática

global. Combustão de combustíveis - combustão de combustíveis fósseis em países de renda média e alta e queima de biomassa em países de baixa renda - representa 85% da poluição por partículas no ar e quase toda a poluição por óxidos de enxofre e nitrogênio (tradução livre) (LANDRIGAN et al., 2017, p. 1).

19 As colaborações entre governo e indústria podem catalisar a inovação, criar incêndios para tecnologias de

produção mais limpas e produção de energia mais limpa, e incentivar a transição para uma economia circular mais sustentável (tradução livre) (LANDRIGAN et al., 2017, p. 3).

20 A poluição é a maior causa ambiental da doença e a morte prematura no mundo de hoje. A poluição representa

um enorme desafio para a saúde planetária e merece a atenção concentrada dos líderes nacionais e internacionais, da sociedade civil, dos profissionais de saúde e das pessoas em todo o mundo. No entanto, apesar de seus efeitos de longo alcance sobre a saúde, a economia e o meio ambiente, a poluição - especialmente a crescente ameaça de poluição industrial, veicular e química em países de baixa renda e de renda média - foi negligenciada na assistência internacional e as agendas globais de saúde. As estratégias para o controle da poluição industrial, química e automotiva nos países em desenvolvimento foram profundamente insuficientemente financiadas. Tradução livre (LANDRIGAN et al., 2017, p. 40).

sustentável e não negligenciar estes importantes direitos fundamentais, pois seus efeitos de longo alcance sobre a saúde e o meio ambiente, podem comprometer a presente e as futuras gerações.

Diante disso, denota-se que a interface entre saúde, seja ela de forma individual ou coletiva, podendo ser saúde física ou mental, está diretamente imbricada ao meio ambiente de onde se vive. A responsabilidade é do Estado que está enfraquecido e corroído pela corrupção e também pela iniciativa privada, com suas atividades econômicas exploratórias e depredatórias, com seu dinheiro conseguido a qualquer custo e muitas vezes de forma escusa, que corrompe e a tudo compra.

Assim, necessita-se que a sociedade e o Estado se coadunem na idealização e efetivação de uma política pública “[...] ecológica, solidária e democrática tendo a saúde como valor que traz a discussão da sustentabilidade, da equidade, com a incorporação de uma política social que interaja condicionando o desenvolvimento econômico e social” (VILLARDI, 2015, p. 24- 25), para cumprir o mandamento que a Constituição Federal traz no seu preâmbulo, que é a instituição de um Estado Democrático, o qual tem por finalidade precípua assegurar os direitos de liberdade, segurança, bem-estar, desenvolvimento, igualdade e também justiça como valores

da sociedade brasileira, que deve ser fraterna21, pluralista e sem preconceitos, fundada na

harmonia social.

Entretanto, é possível ter qualidade de vida, com uma interface possível entre um mundo sustentável e com acesso à saúde. Basta garantir o acesso à saúde de forma justa, efetiva, socialmente viável, como condição básica e um meio ambiente sustentável e equilibrado. Para tanto, a sociedade e o Estado precisam se ressignificar, precisam de uma nova postura. Nos estudos de CENCI (2014), requer

[...] uma nova hermenêutica, inovadora, que repercuta para além do Direito, alcançando as políticas e práticas do Estado e para além, construam junto aos cidadãos saberes ambientais sustentáveis, como forma de um novo atuar social junto ao meio ambiente, de uma nova educação ambiental, ressignificada, com a desconstrução de conceitos edificados para novos paradigmas ambientais. (CENCI, 2014, p. 44). A forma de vida, assim como está posta com o modelo econômico vigente, não será capaz de cumprir o mandamento constitucional de preservar o meio ambiente para as gerações

21 A fraternidade no direito ambiental significa uma construção e reconstrução da sociedade, tendo como objetivo

o bem de todos, a preservação de meio ambiente ecologicamente equilibrado de forma que possa prover a sustentabilidade para toda a humanidade. A fraternidade tem como objetivo a humanidade, sendo, portanto, um direito que é de todos, não se limitando a fronteiras, tornando cada indivíduo coparticipe nesta busca por um bem comum, o que consequentemente acarreta na sensação de pertencimento a uma comunidade global (SILVA; BUSTAMENTE, 2017).

atuais e futuras. Por isso, há a necessidade de estar atento a relação entre a sustentabilidade e a saúde como forma de prevenção de doenças e de viver melhor.

A sociedade atuante, com papel definido é fundamental na redução dos riscos e na ação de redução das vulnerabilidades, estabelecendo-se assim a vigilância popular dos riscos como um processo de comunicação-interação da população, em que a gestão do território, do processo de produção e de consumo esteja pautada na agenda política das comunidades. Redefinindo, assim, a agenda política dos municípios e estados com a incorporação das questões sanitárias na perspectiva da sustentabilidade social e ambiental, e não a ação institucional determinando os processos sociais, tendo como estratégia o diálogo do desenvolvimento regional e intersetorial. (VILLARDI, 2015, p. 64).

Algumas alternativas são adotadas apoiando o planejamento dos Estados nacionais e que tendem a combater a pobreza-ambiente, como as ações da ONU, mencionando aqui a Iniciativa Pobreza-Meio Ambiente (Poverty-Environment Initiative), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Tal empreendimento,

[...] leva em conta os impactos das alterações climáticas sobre os mais pobres e mais vulneráveis do mundo e a necessidade de acelerar a integração do ambiente nos esforços de redução da pobreza. Apostam na contribuição vital que uma melhor gestão ambiental pode dar para melhorar as oportunidades de saúde, bem-estar e subsistência, especialmente dos mais pobres e por isso incentivam que a sustentabilidade ambiental favorável a essas camadas vulneráveis das populações seja colocada no âmago das políticas, dos sistemas e das instituições. Mais do que custo, veem como investimento na construção de um futuro mais estável, sustentável e equitativo. (PETERMANN; CRUZ, 2017, p. 30).

Nesse sentido, também se destaca a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na

ADIN 3.540-1/DF, que teve como relator o Eminente Ministro Celso de Mello, no dia 1o

setembro de 2005, e reconheceu o dever de solidariedade que se projeta a partir do direito fundamental ao ambiente, gerando uma obrigação de tutela ambiental por parte de toda a coletividade, ou seja, particulares e não apenas por parte do Estado.

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Trata-se de um típico direito de terceira geração de novíssima dimensão), que assiste a todo o gênero humano (RTJ 158/205-206). Incumbe, ao Estado e à própria coletividade, a especial obrigação de defender e preservar, em benefício das presentes e futuras gerações, esse direito de titularidade coletiva e de caráter transindividual (RTJ 164/158-161). O adimplemento do encargo, que é irrenunciável, representa a garantia de que não instaurarão, no seio da coletividade, os graves conflitos intergeracionais marcados pelo desrespeito ao dever de solidariedade, que a todos se impõe, na proteção desse bem essencial de uso comum das pessoas em geral. (BRASIL, 2005).

Denota-se que, com a respeitável decisão, o Estado não é o único responsável pela proteção ambiental, pois é uma responsabilidade de todos, porém a atuação estatal é imprescindível para a defesa e proteção do meio ambiente. Assim, também vem o entendimento do voto da Min. Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp. 1.120.117/AC, no qual aduz sobre a imprescritibilidade do dever de reparação do dano ambiental e sua relação com a vida e a saúde, “por se tratar de direito inerente à vida, fundamental e essencial à afirmação dos povos (...) antecedendo todos os demais direitos, pois sem ele não há vida, nem saúde, nem trabalho, nem lazer (...)” (BRASIL, 2009).

Para Oliveira et al. (2017), dependendo de como são feitas ou executadas, as políticas e programas de saúde podem promover ou violar os direitos humanos, incluindo o direito à saúde e também o direito a uma vida sustentável, pois

A omissão das políticas de Saúde Pública em relação às populações mais pobres caracteriza também uma violação dos direitos humanos, na medida em que todos deveriam ter igual acesso à saúde. As violações ou a falta de atenção aos direitos humanos podem ter sérias consequências para a saúde. A discriminação visível ou implícita na prestação de serviços de saúde viola os direitos humanos fundamentais. (OLIVEIRA et al., 2017, p. 21)

Portanto, dada a relevância de se ter um mundo sustentável e ter acesso à saúde, pois ambos são direitos fundamentais consagrados no ordenamento jurídico, o Estado é o principal implementador de políticas sociais e econômicas que visem o bem comum. Assim, o Poder Público e a iniciativa privada juntos devem procurar atingir os mesmos objetivos, de combater as desigualdades e de melhorar o bem-estar de toda sociedade. Para Gabriel Ferrer, a sustentabilidade é o paradigma da pós-modernidade, visto que

[...] Uma sociedade que dê um salto significativo no progresso civilizatório que deixe para trás ou ao menos minore as grandes chagas da humanidade que a todos nos devem envergonhar, como a fome, a miséria, a ignorância e a injustiça (...) A sustentabilidade é meta e caminho. Meta, porque se trata de conseguir uma sociedade capaz de perpetuar-se indefinidamente no tempo, e caminho, porque na busca desse objetivo toda decisão, seja pública ou privada, deveria tê-la presente como guia de ação, como princípio inspirador inexcusável. (FERRER, 2015 apud PETERMANN; CRUZ, 2017, p. 36).

Colaciona-se o entendimento de Sarlet e Fensterseifer (2010), no sentido de que a razão suprema da existência do Estado reside justamente no respeito, proteção e promoção da dignidade dos seus cidadãos, individual ou coletivamente considerados, objetivo este que deve ser consecutivamente concretizado e perseguido pelo Estado e pela própria sociedade. Destarte, o Estado tem o compromisso de tutelar e garantir nada menos do que uma vida digna e saudável

aos indivíduos e grupos sociais, o que passa pela tarefa de promover a realização dos direitos fundamentais, entre eles a saúde e a vida sustentável, afastando possíveis óbices à sua efetivação