• Nenhum resultado encontrado

DOS INDICADORES DAS VARIÁVEIS

CATEGORIA EXEMPLO

1.2.3 Qualidade de Vida no Trabalho no Brasil

Investigando ações e programas de gestão de recursos humanos, constata- se que muitas empresas brasileiras estão buscando novos paradigmas, segundo os quais o potencial humano passa a ser fator real de competência, e os cuidados com relação à humanização ocorrem no posto de trabalho, na qualificação e em situações extensivas à vida pessoal e familiar.

No entanto, a realização desses programas e ações de Qualidade de Vida no Trabalho ainda é pouco explícita como prática associada à competitividade. A maioria tem origem nas atividades de Segurança e Saúde no Trabalho. Estes não se associam à melhoria do clima organizacional e aos programas de qualidade total. Podem-se encontrar iniciativas em empresas de diversos portes e culturas; sem muita dificuldade, descobrem-se planos que "não vingam" pela falta de posicionamento estratégico deles. Existe receptividade dos empregados para programas de Qualidade de Vida. A dificuldade é a demanda estratégica e o status financeiro em relação a outros programas. Programas de Qualidade de Vida

no Trabalho surgem mais como gastos do que como investimento.

Não obstante façam parte de qualquer tarefa ou ação gerencial, os problemas de saúde, freqüentemente, representam apenas um ponto secundário, especialmente quando fundamentados em valores culturais questionáveis sobre o que é "sadio" no trabalho. Por exemplo: trabalhar sempre, sem parar, representa força, dedicação e eficiência. O desgaste decorrente deste esforço é considerado como perda necessária para obter-se bons resultados de produtividade.

Do ponto de vista socioeconômico, a gestão da qualidade de vida tem grandes encargos. No Brasil, existem contrastes sociais que acentuam o grau de responsabilidade social das empresas e que requerem revisão das políticas e práticas de qualidade de vida ligadas desde alimentação até programas extensivos a filhos e cônjuges. Associadas às grandes diferenças sociais, existem características específicas, como o nível salarial do operário que concorre seriamente para os problemas socioeconômicos de condições de trabalho. Segundo o Anuário do IBGE (1993), há “deterioração da qualidade de vida”, pois no Brasil 52% dos trabalhadores ganham até dois salários mínimos. Portanto, remuneração é um problema importante de Qualidade de Vida no Trabalho. Com relação a esse indicador, há duas tendências de gestão de recursos humanos: uma que acredita que Qualidade de Vida no Trabalho - QVT pode ser tudo, menos alterar padrões salariais. Existem dificuldades estruturais e distâncias sociais reproduzidas nos desenhos de cargos e remuneração. Outra vertente visa rever os padrões de remuneração, associando-os a resultados de produtividade da empresa.

De Marchi (1995) afirma que algumas empresas estão transferindo a responsabilidade pela performance de seu pessoal para o departamento médico da empresa. Com o enfoque preventivo, estão implantando centros de condicionamento físico. A criação desses centros e de outras atividades de apoio biopsicossocial demonstra que esses momentos dentro da empresa melhoram o clima organizacional: "as pessoas ficam relaxadas e produzem melhor". Os investimentos em promoção da saúde têm demonstrado ótimos retornos

econômicos. Por exemplo, os sedentários causam às empresas 36% mais despesas médicas e, quando têm, precisam ser internados, seu período de recuperação é 54% mais longo do que os esportistas. Esses dados apontam para a possibilidade de se obterem lucros reais ao investir em qualidade de vida no trabalho.

Para situar as demandas de Qualidade de Vida nas empresas brasileiras, foram selecionadas ações, programas e projetos que identificados entre os anos de 1992-1996. Esses dados, apresentados no Quadro 1.6, demonstram enfoques diversificados, mas com ênfase em promoção da saúde.

Quadro 1.6 Ações e programas de Qualidade de Vida no Trabalho nas empresas brasileiras.

Empresas Atividades Foco Fonte

Banco de Boston Ações de QVT promovidas pela associação de funcionários com apoio de RH: estilo de vida, mini check-up, relaxamento, teatro, passeio ciclístico

Lazer, realização no trabalho, saúde e segurança

Messohn, M.M. , Silva, M.P., jun. 1994. Banco do Brasil, Banerj, Multibrás, Goodyear, Mercedes Benz, Programas de assistência e conscientização contra a AIDS.

Atendimento clínico e educação para saúde

Revista Isto é. Patrão eu tenho AIDS, (1994:104-105).

Ciba-Geigy Química

Atividades diversas em prevenção de acidentes em parceria com o departamento médico

Saúde e segurança Corrêa, G. De M. , Silveira, A. L. F., jun.1994.

Cindumel - Cia Ind. de Metais

Laminados

Limpeza da empresa, visando à integração dos funcionários

Higiene e integração no Programa de Qualidade Total

Nomura, P. M., Zacharauskas, I., jun. 1994.

Copesul Parte do Programa de Qualidade e Produtividade e ações no ambiente particular e familiar

Qualidade de Vida no Trabalho e na Vida de forma ampla

Jornal de Recursos Humanos, 1992, p. 6.

Copesp Levantamento e diagnóstico

através de questionário específico

Satisfação dos funcionários Pires, P.P.P., jun. 1994. Credicard Pesquisa sobre clima

organizacional, que envolveu condições de trabalho

Satisfação dos funcionários Costa, A.C. , Figueiredo, B., jun. 1994.

(continuação)

Dow-Química Saúde & Qualidade de Vida: alimentação, antifumo, ginástica, patrocínio educacional,

Saúde, treinamento e desenvolvimento de pessoal, ética

Relatório específico da empresa, fev., 1996.

Du Pont Comitê de Segurança Segurança e Proteção Ambiental

To, R. K. , Nishiwaki, M.K., Jun. 1994. Informe Du Pont, 26.05.94,

Fast-Food Estudo sobre a percepção de Qualidade de Vida, do ponto de vista dos funcionários e gerentes

Problemas de QVT no ambiente de Qualidade Total em Serviços

Moraes, M., 1994.

Fundação Cesp Treinamento de especialistas Conceitos e planos de ação em Qualidade de Vida no Trabalho - QVT

Atividade de Campo,1994.

IBM Projeto IBM & Gente (ver quadro específico, nos anexos) , Política de Porta Aberta

Atividades assistenciais, saúde e segurança, organização de RH, satisfação com a empresa

Texto Interno: IBM & Gente, 1995, Fernandes, 1988:7.

Impressoras Rima Campanha de saúde e qualidade de vida

Stress e qualidade de vida Atividade de campo, 1993 Ishikawajima Qualidade de vida dentro e fora

do ambiente de trabalho

Promoção da saúde Revista Exame. É melhor prevenir do que remediar, 1992:44-45.

Kodak - São José Dos Campos

Programa para gestantes Kanban - saúde

Atendimento materno- infantil

Revista Exame. É melhor prevenir do que remediar, 1992:44-45.

Metal leve, Pernambucanas, Freudemberg, ICI, Copagaz

Atendimento psicológico Assistência psicológica Revista Exame, Operários à beira de uma ataque de nervos, 1991:72-75.

METRÔ - São Paulo

Pesquisa e Sipat -Levantamento e Apresentação de Dados

Indicadores QVT através da satisfação individual

Atividade de Campo, 1995

Empresas Atividades Foco Fonte

OESP Integração empresa-família, clima

organizacional, pesquisa junto a clientes.

Qualidade Total (QGP) Franco, F. , Segouras, H., jun. 1994.

Philips Programa piloto de saúde física e mental

Promoção da saúde Revista Exame: É melhor prevenir do que remediar, 1992:73.

Philips-Walita Promoção da saúde, ergonomia, segurança, assistência social.(ver quadros anexos).

Segurança, higiene e medicina, serviço social e manutenção social

Texto Interno - fev./1996

Refinações de Milho Brasil

Prevenção à AIDS e programas de saúde eventuais

Medicina do trabalho Nagasawa, J. M., jun. 1994. Riocell Ações diversas não totalmente

delineadas visando à simbiose entre empresa e empregados

Produtividade, redução de acidentes e do

absenteísmo

Jornal de Recursos Humanos, 1992.

Schering-Plough Campanha de qualidade de vida Saúde Jornal Gazeta Mercantil, 31/5/95. Schulumberger Semana de qualidade e saúde Preservação do meio

ambiente

Atividade de Campo, 1993. Shell Programa VIVA, assistência a

aidéticos, diagnóstico clínico sistemático, pós-trabalho

Saúde e integração social Material institucional de 1993.

StihlTIHL Moto Serras Ltda.

Diagnóstico de satisfação em QVT, baseado nos critérios de Walton

Satisfação pessoal Jornal de Recursos Humanos, 1992.

Telebrás Treinamento conceitual e comportamental

Stress e qualidade de vida no trabalho

Atividade de campo. Tenenge Estrutura e gestão de Saúde e

Segurança voltados para QVT

Saúde e Segurança Relatório específico da empresa. Translor Remuneração, alimentação, boa

tarde Translor, Rádio Translor

Relacionamento e integração

Coelho, R.M.H. ,Chun, Y.Y., jun. 1994.

Unilever Entrevistas pessoais sobre efeitos da reestruturação nas

expectativas e comportamento das pessoas

Efeitos da reestruturação na qualidade de vida das pessoas na empresa

O levantamento acima foi realizado nos últimos três anos de forma exploratória, há centenas de outras empresas desenvolvendo programas de qualidade de vida associadas a saúde e segurança, que é o mais freqüente, mas também existem projetos de mudança de hábitos, que atuam com revisão da alimentação, hábitos de sedentarismo e relacionamento entre pares e chefias.