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Qualidade

No documento 2017RafaelaBohrz (páginas 67-71)

3.5 Dificuldades encontradas nos cursos a distância

3.5.3 Qualidade

Apesar de a Educação a Distância estar presente no cenário educacional brasileiro desde 1904, a modalidade ainda gera muita insegurança e resistência, tanto por parte dos alunos, quanto dos professores, uma vez que é considerada uma forma de ensino de baixa qualidade. O princípio disso está associado aos diferentes elementos que podem afetar negativamente a percepção que o aluno tem da EaD e da instituição que está vinculado, entre eles: a oferta massiva e a consequente baixa qualidade de cursos ofertados por instituições de ensino superior, sem reconhecimento específico para a EaD; a prática receosa da docência online; a falta de competência para a tutoria; a impertinência no desenho e conteúdo do curso; etc.

A qualidade, conceito que elucida o grau de excelência e de distinção de uma determinada universidade (BOWDEN; MARTON, 2003), também deve ser observada, em sua totalidade, em cursos de graduação, uma vez que a mesma garante o comprometimento com a aprendizagem adequada dos discentes. Entretanto, o aparecimento de cursos sem referências técnica e acadêmica transformam a perspectiva formativa do ensino em uma alternativa de mera informação, sem o devido acompanhamento do aluno.

Para examinar a qualidade dos cursos em nível superior são realizadas, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira em conjunto com o Ministério da Educação, avaliações em que seus critérios levam em consideração os componentes referentes à concepção educacional de ensino - aprendizagem, aos sistemas de comunicação, ao material didático, à avaliação, à equipe multidisciplinar, à infraestrutura de apoio, à gestão acadêmico-administrativa e à sustentabilidade financeira. Os procedimentos de análise disseminam dados que são calculados através dos índices CPC (Conceito Preliminar do Curso), baseados na avaliação de documentos, e CC (Conceito de Curso), definido após avaliação in loco do curso por uma comissão do MEC.

Frente a isso e às informações obtidas na página do Ministério da Educação, verificou- se o indicador de qualidade CC (Conceito do Curso), visto que são satisfatórios os cursos superiores com valores acima de 3. Os dados levantados, em Dezembro de 2016, apontam que dentre os 1971 cursos de graduação a distância em atividade e registrados no e-MEC, sistema que permite a abertura e o acompanhamento dos processos de regulamentação, somente 80 são considerados de “excelência (5)”, nota máxima; 395 cursos com classificação "muito bom (4)"; 156 categorizados como "suficiente (3)"; sendo que outros 02 cursos, com nota abaixo de 3, não alcançam o desempenho considerado suficiente segundo os parâmetros do MEC.

O ranking acima possibilita a visualização dos cursos melhores conceituados, assim como a identificação de cursos reprovados, que não possuem o comprometimento com a aprendizagem adequada dos discentes e que podem sofrer sanções e medidas para sanar os problemas encontrados pelo Ministério.

Outro fator que interfere na qualidade da Educação a Distância é a preparação dos docentes e sua prática receosa da docência online, uma vez que, muitas vezes, não ocorre a formação específica para este modelo de ensino, sucedendo-se, assim, a transposição da modalidade presencial, tradicional, para a modalidade a distância, o reaproveitamento integral de materiais didáticos sem modificações em sua estrutura e linguagem, como também, a oportunização de ferramentas com baixa interatividade, desmerecendo, desta maneira, a interlocução entre os docentes e os discentes.

Neste sentido, Moran (2014) aborda a dificuldade de adaptação dos docentes à modalidade EaD: “muitos pensam que basta reproduzir as técnicas praticadas no presencial e já estão prontos. Demoram para adquirir a competência de gerenciar fóruns, atividades digitais, de serem pró-ativos com alunos silenciosos”.

Além destes apontamentos, o excesso de conteúdos repassados aos alunos, a falta de exemplos ilustrativos e contextualizados à realidade do estudante, o uso de vocabulário complexo, característico do ensino presencial, entre outros problemas, aumentam ainda mais a distância entre teoria e prática. Nesta mesma linha de pensamento, Juliatto (2005) reforça as deficiências da docência online ao destacar: a má remuneração dos professores; a falta de incentivos para o aperfeiçoamento da carreira docente; as escassas bibliotecas para professores e alunos; os laboratórios didáticos e de pesquisas mal equipados; e, por fim, a ausência de estímulos para novas experimentações pedagógicas. Resulta disso, a falta de arquitetura pedagógica em relação à metodologia, aos conteúdos e às Tecnologias da Informação e Comunicação.

Outra variável que interfere em relação à qualidade da EaD é a tutoria, visto que nesta modalidade de ensino este papel se caracteriza como um dos principais fatores que determinam a formação em um ambiente virtual de aprendizagem. Para Wotckoski e Spressola (2012, p.249)

O tutor é de fundamental importância na educação a distância. De sua atuação depende em grande parte o sucesso de um curso oferecido nessa modalidade. Na verdade, em um curso a distância, é com o tutor que o aluno terá mais contato, tanto por meio das ferramentas de interação disponíveis no ambiente virtual do curso quanto nos encontros presenciais a serem realizados nos polos de atendimento e frequência presencial.

Embora se almeje a prática exitosa e competente deste personagem da EaD no processo de ensino - aprendizagem, vislumbra-se, na maioria das vezes, a falta de competência para este exercício, o que se justifica devido às dificuldades de diálogo com os alunos e colegas de tutoria, à morosidade no feedback dos exercícios enviados pelos discentes, à baixa participação e interação do tutor nas ferramentas ambiente virtual de aprendizagem, entre outros elementos.

Outrossim, Moran (2014, p.2) reitera sobre a categoria, abordando que os tutores: “costumam atender um número grande de estudantes, com o pretexto de que têm pouco trabalho. Muitos não possuem uma formação específica em EaD e recebem uma remuneração insuficiente”.

Por fim, a forma de apresentação do desenho e conteúdo do curso também pode influenciar na peculiaridade da educação online. Embora Romiszowski (2011) corrobore com a temática, apontando o design instrucional como uma perspectiva aos princípios de comunicação, aprendizagem e ensino; o autor compreende o mesmo como uma importante dimensão relacionada à aprendizagem significativa do aluno.

Neste viés, Moran (2014, p.2) afirma que

Muitos cursos são previsíveis, com informação simplificada, conteúdo raso e poucas atividades estimulantes em ambientes virtuais pobres, banais. Focam mais o conteúdo do que metodologias ativas como desafios, jogos, projetos. Alguns materiais são inferiores aos que são exigidos em cursos presenciais.

Ademais, muitos dos cursos a distância, por meio dos professores conteúdistas e equipe multidisciplinar, produzem um material limitado, que fica rodando o máximo de tempo possível, promovendo, do mesmo modo, mais lucro às instituições. Justamente por isso, são elaborados materiais e espaços de aprendizagem pouco planejados, de difícil manuseio, com baixa qualidade e poucos recursos de comunicação, os quais não somam na aprendizagem dos alunos. Observa-se, portanto, que cursos com projetos pedagógicos deficientes comprometem a credibilidade da EaD e reforçam o preconceito já existente.

Diante dos indicadores de qualidade aqui apresentados, notam-se, em suma, sua importância para o êxito de um programa de estudo online e para o cumprimento dos objetivos de equidade, relevância e qualidade nos cursos a distância.

4 METODOLOGIA

Esta seção objetiva tratar os princípios fundamentais desta pesquisa científica, delimitando os métodos, processos e instrumentos aplicáveis à investigação, bem como seus enfoques relativos à análise qualitativa e ao processo de construção do conhecimento.

No documento 2017RafaelaBohrz (páginas 67-71)