4 AÇÕES REALIZADAS E SUAS ANÁLISES
4.5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS ENCONTROS DE FORMAÇÃO CONTINUADA
4.5.3 Encontro de formação 3 – Ensino de Geometria e Linguagem LOGO
4.5.3.4 Quarto Momento – Primeiros projetos com a Linguagem LOGO
Duração: 2h
Material: computadores com o software da Linguagem LOGO, tabela com os comandos básicos da Linguagem LOGO, máquina fotográfica, gravador e laptop.
• Aprender os comandos básicos da Linguagem LOGO; • Explorar livremente o software e seus principais comandos.
Para iniciar o trabalho com o software da Linguagem LOGO, primeiramente foi entregue uma tabela, Figura 23, com os comandos básicos para fazer com que a tartaruga se movimente na tela do computador, ou seja, no seu espaço geométrico.
Comandos
Como digitar
andar para frente parafrente nº pf nº
andar para trás paratrás nº pt nº
virar para a direita paradireita nº pd nº virar para a esquerda paraesquerda nº pe nº apagar a tela (apaga tudo) tartaruga tat
circunferência circunferência raio circunferência 50 sem lápis (anda sem desenhar) usenada un
use lápis (anda e desenha) uselápis ul
borracha useborracha ub
mudar a cor do lápis (linha) mudecl nº mudecl 5 (roxo) mudar a cor do espaço
(preenchimento) mudecp nº
mudecp 13 (rosa choque)
comando repita repita nº [ lista de comandos ]
repita 4 [ pf 100 pd 90 ]
Figura 23 – Tabela com os comandos básicos da Linguagem LOGO Fonte: Acervo da autora
Na sequência, a professora aplicadora apresentou a interface da tela do software da Linguagem LOGO e deixou o tempo livre para que os professores realizarem a exploração do software sem sua interferência.
Os professores, por meio do diálogo, do questionamento, do acerto e do erro, iniciaram os seus primeiros projetos. Alguns de forma tímida, outros buscando recursos mais avançados, porém, todos demonstrando interesse, atenção e até mesmo o sentimento de alegria em poder dar ordens para o computador.
Na Figura 24 verifica-se a concentração dos professores, a busca por mais explicações e a aceitação do “novo”.
Figura 24 – Professores em prática com a Linguagem LOGO Fonte: Acervo da autora
Foi possível verificar que dois professores apresentaram dificuldade para explorar o software e tentar fazer algo, dar comandos para a tartaruga, sem a orientação da professora aplicadora. Acredita-se que esta reação seja oriunda da formação inicial destes professores como Pavanello (1995) apresenta e também o receio pelo uso da tecnologia visto em Papert (2008).
Os demais professores não demonstraram dificuldades em realizar os comandos básicos e até queriam explorar situações mais avançadas. O interesse em atingir o objetivo proposto, o desafio em dar ordens para o computador, foi o ponto alto do trabalho neste encontro.
Na Figura 25, vê-se que o professor (P1) sentiu dificuldades para realizar a exploração do software, isso vem confirmar os registros anteriores do respectivo professor ao comentar sobre a sua dificuldade com o uso das tecnologias e também surge uma certa dificuldade em relacionar os conteúdos matemáticos com a prática.
Porém, mesmo com as dificuldades o professor (P1) quer continuar a aprender e a professora aplicadora precisa, segundo Freire (1996), respeitar os saberes desse professor e auxiliá-lo a superar suas dificuldades.
Figura 25 – Registro do Professor (P1) Fonte: Acervo da autora
Na escrita do professor (P2), registrada na Figura 26, verifica-se dificuldades em trabalhar com o software e até uma certa angústia. No decorrer da atividade identificou conteúdos matemáticos e atitudes que se deve ter ao iniciar um processo de criação, porém, ao final de sua escrita, ele relata a alegria em ver a atividade finalizada.
Situação diferenciada do professor (P1) que apresenta em sua escrita um certo desânimo, uma dificuldade, um obstáculo que talvez não seja possível ser superado.
Figura 26 – Registro do Professor (P2) Fonte: Acervo da autora
As relações humanas evidenciam-se neste tipo de trabalho, pois a necessidade da abertura para o diálogo, para o erro, para o pedir ajuda e também oferecer ajuda, às vezes não são fáceis de serem admitidas, e, como diz Papert (1993) pensar não é fácil.
Na Figura 27 pode-se ler a avaliação do professor (P4), na qual se evidencia que o trabalho por meio da Linguagem LOGO permite o desenvolvimento da criatividade, a busca por soluções por meio do raciocínio lógico matemático.
O professor (P4) elencou vários conteúdos que puderam ser explorados na atividade que eles criaram e exploraram para familiarizar-se com o software. Percebeu-se que mais uma vez surge a questão dos sentimentos em relação ao ato de aprender, de ser desafiado.
Figura 27 – Registro do Professor (P4) Fonte: Acervo da autora
Nas palavras do professor (P5), registradas na Figura 28, encontra-se evidenciada a questão dos sentimentos que foram despertados quando ele conseguiu atingir o objetivo, como foi relatado também pelo professor (P4).
O professor (P5) coloca uma questão importante em seu relato: “ganhamos tudo pronto e quando temos que pensar, não é fácil”. Esta questão
leva à reflexão sobre as metodologias usadas nas práticas educativas e como o conhecimento está sendo construído pelos alunos.
Figura 28 – Registro do Professor (P5) Fonte: Acervo da autora
Em cada relato dos professores verifica-se a questão da superação e do sentimento da alegria em atingir os objetivos da atividade. O professor (P6) em suas palavras, apontadas na Figura 29, menciona a questão do erro que, segundo Papert (1993), deve ser visto como tentativa na busca do acerto.
O erro, nesta perspectiva, não é visto como algo ruim, mas sim, como alterações de pensamento para conseguir chegar-se ao resultado esperado. O ir e vir para resolver uma situação-problema envolve muitas estruturas cognitivas e, claro, cria novas estruturas com conhecimentos mais elaborados, segundo o que Piaget (2001) propõe em seus estudos.
Figura 29 – Registro do Professor (P6) Fonte: Acervo da autora
O professor (P7) praticamente fez um resumo de todos os relatos apresentados até o presente momento, como se mostra na Figura 30. O professor (P7) reflete sobre a questão do pensar, raciocinar, como também, foram mencionadas pelos professores (P1), (P5) e (P6).
O ato de pensar, criar, errar, tentar e acertar são ações necessárias para a construção do conhecimento, de novas estruturas cognitivas. Segundo Valente (1999), é a forma como será utilizado o computador, os programas disponíveis que farão a diferença na aprendizagem ou não do aluno.
Na escrita do professor (P7) surge também a questão do planejamento de ações, da organização do pensamento para poder se chegar ao resultado almejado.
Figura 30 – Registro do Professor (P7) Fonte: Acervo da autora
As avaliações apresentadas sobre as atividades realizadas durante o terceiro encontro de formação continuada sinalizam que se está conseguindo atingir os objetivos da pesquisa e que já se notam algumas mudanças de postura perante a prática pedagógica dos professores e a superação de alguns obstáculos em relação ao uso das tecnologias e em relação à Matemática.
Na finalização do encontro de formação continuada, a professora aplicadora, dando continuidade ao processo de leitura e reflexão, solicitou que os professores cursistas realizassem a leitura do texto “Materiais virtuais para o Ensino de Geometria”, da autora Andréia Aparecida da Silva Brito, contido no PNAIC (BRASIL, 2014) e o texto “Educação matemática e tecnologias digitais: reflexões sobre prática e formação docente” do autor Marcus Maltempi (2008) e registrassem os apontamentos referentes à leitura.
4.5.4 Encontro de formação 4 – Linguagem LOGO: uma ferramenta