Com a revisão de literatura apresentada no capítulo anterior, formei a opinião de que é urgente a reflexão em torno de um referencial de exigências para o professor de EMRC. Esta construção deve comprometer-se não apenas com as dimensões crente e relacional, mas tam- bém com o que o docente desta disciplina tem de específico enquanto profissional da educação.
A concentração nos aspetos social, profissional e crente é o ponto de partida para envolver conscientemente cada docente de EMRC na sua vivência profissional e pessoal, assim como as instituições de formação inicial e os projetos de formação promovidos a nível diocesano e na- cional.
Por um lado, a dedicação séria a este assunto abarca, obrigatoriamente, a consciência de que este profissional deve ser, de facto, especialista em educação. Por outro, apenas a envol- vência das principais áreas do conhecimento relacionadas com o agir deste profissional – a antropologia cristã, a pedagogia e a espiritualidade – tornarão possível um verdadeiro e susten- tado acompanhamento aos professores de EMRC.
Tudo isto é essencial para que estes educadores componham a bagagem social, profissio- nal e pessoal indispensável à sua vocação. Nesse sentido, recordo que a presença desta disci- plina só é justificável enquanto os tempos a ela dedicados forem contributos efetivos e susten- tados para o desenvolvimento integral e humanizador dos alunos concretos de cada contexto escolar.
2.1. Uma Reflexão que Parte da Ação de Jesus
É assim que destaco a urgência de envolver criteriosamente os responsáveis por esta ques- tão: a CEP, o SNEC, os Secretariados Diocesanos, as Equipas Formadoras do Mestrado em Ciências Religiosas – Ensino de EMRC e os próprios docentes desta disciplina. Apenas com o contributo de todos os agentes poderemos efetivamente justificar a presença do professor de
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EMRC na Escola, de um modo direto enquanto participante ativo e pleno na humanização da sociedade e, indiretamente, como mensageiro do logos revelado. É uma ação decorrente não apenas do facto de ser batizado, mas, de modo específico, da postura enquanto educador cons- ciente e reflexivo, assumindo a sua singularidade como profissional da educação batizado.
O ponto de partida para todo este trabalho teve como fundamento o Evangelho. Neste caso, envolvi os textos bíblicos referentes ao chamamento de Pedro e dos primeiros discípulos (Lc 5,1-11), ao encontro com Zaqueu (Lc 19,1-10), ao diálogo com a mulher samaritana (Jo 4,1-42) e à conversa com os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). A partir da ação do próprio Jesus, descoberta nestes trechos e fonte de inspiração para a postura do educador, quis encontrar aspetos essenciais que ajudem no aprofundamento da proposta de perfil do professor de EMRC. Foi também meu objetivo, com a reflexão realizada, aumentar as minhas competências, observando e avaliando a minha própria prática enquanto docente de EMRC – de modo espe- cial, aquela desenvolvida no âmbito da PES. Assim, espero tomar consciência de quais os as- petos ao que deverei dedicar mais tempo e esforço para me tornar uma professora mais compe- tente.
Pretendo, igualmente, capacitar-me no sentido de sustentar as minhas decisões pedagógi- cas, relacionais e de vivência espiritual na própria ação de Jesus, cuja missão de revelação da dignidade do próprio ser humano é continuada diariamente no contexto escolar pelos docentes de EMRC.
2.2. Uma Pergunta e Três Hipóteses
Tendo em conta tudo o que foi apresentado anteriormente, a pergunta inicial para este relatório é:
Quais as competências que o professor de EMRC deverá possuir para, desse modo, ser um bom educador à luz da ação de Jesus?
Com esta questão, quis compreender a relação entre a variável independente – a ação de Jesus (testemunhada nos Seus encontros com Pedro e os primeiros discípulos, com Zaqueu,
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com a mulher samaritana e com os discípulos de Emaús) – e a variável dependente – as com- petências que o professor de EMRC deverá possuir (no campo relacional, didático e cristão).
Como tal, proponho as seguintes hipóteses, submetidas a uma verificação das variáveis, com recurso a procedimentos de análise específicos:
H1: Se Jesus se empenhou em construir uma relação de proximidade com quem Se encontrava, valorizando e construindo o conhecimento a partir das suas ideias e experi- ências, então posso considerar, em princípio, que é aconselhável que o professor de EMRC olhe cada um dos seus alunos com Amor e os escute ativamente, relacionando os tópicos para estudo, tanto quanto possível, com as suas ideias, objeções, questionamentos e expe- riências passadas e presentes.
H2: Se Jesus ensinou processualmente aqueles com quem dialogava, relacionando o conhecimento com os seus valores e proporcionando oportunidades para que eles viven- ciem a dimensão social da aprendizagem, então posso inferir, em princípio, que é aconse- lhável que o professor de EMRC explore os temas a partir de uma metodologia constru- tivista, que nasce da relação com os valores dos próprios alunos e com o bem-estar da humanidade.
H3: Se Jesus teve como prioridade prévia ao diálogo a vivência concreta daquilo que ensinava, então posso concluir, em princípio, que é aconselhável que o professor de EMRC trabalhe a sua própria interioridade antes de a provocar nos seus alunos.
Considerando tudo o que já foi apontado, pretendo ser capaz, através da análise de con- teúdo dos supracitados textos bíblicos, de descobrir: a) a relação que o professor de EMRC deverá estabelecer com os seus alunos; b) as marcas relevantes na ação de Jesus que poderão indiciar algumas características passíveis de serem apontadas dentro de um modelo pedagógico específico; c) a fonte para uma palavra e ação com autoridade.
A partir desta descoberta, espero, por um lado, destacar a necessidade de os professores de EMRC possuírem competências nestes campos para, efetivamente, responderem à sua
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vocação profissional. Por outro, almejo ressalvar a imprescindibilidade de as instituições de formação inicial e contínua serem capazes de propor modos concretos de desenvolver as refe- ridas aptidões.
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