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6. PERFIL DO PROFESSOR DE EMRC: UMA PROPOSTA

6.3. Que Experiências?

Os resultados esperados pelas hipóteses colocadas eram relativos apenas à presença de marcas de cada uma das características. Não ponderei, numa primeira fase, o maior ou menor destaque dados a cada uma das variáveis. Contudo, os resultados observados colocaram esta situação sobre análise.

Em primeiro lugar, a distribuição da frequência da presença das variáveis destaca as Com- petências enquanto Crente, nomeadamente no que respeita ao trabalho consciente da própria interioridade. Tal parece considerá-las como a sustentação de toda a ação pedagógica.

Na realidade, durante a PES, o facto de me dedicar, de modo consciente e prévio, ao desenvolvimento destas capacidades tornou-se o aspeto que me permitiu assumir uma atitude tolerante, paciente e respeitadora em todas as situações. Foi esse o fundamento que me possi- bilitou manter a serenidade e agir com caridade, mesmo em momentos de pouca responsabili- dade ou de fraco autodomínio comportamental por parte dos alunos. Sou da opinião de que o testemunho dado na assunção humilde dos próprios limites e no manter da calma, através de uma respiração tranquila e pensada, marcou a construção de um clima sereno.

Este caracterizou-se por uma presença clara de sinais de Amor, que, por sua vez, foram essenciais para a construção de uma relação afetiva com os alunos. Consequentemente, contri- buiu para a vontade dos discentes aprofundarem os conhecimentos que lhes eram apresentados.

Do mesmo modo, penso que o testemunho de fé manifestado de uma forma livre e pes- soal, sem exigir qualquer tomada de posição, foi um fator positivo. Tenho essa perspetiva por- que tal atitude permitiu desafiar os próprios alunos a refletir sobre os assuntos tratados e a pon- derá-los como relevantes.

Com uma importância surgida da maior presença em duas das secções analisadas, apare- cem as Competências Científicas, que relaciono com o recurso a uma metodologia construti- vista de edificação e organização do conhecimento. Este equilíbrio talvez deriva da relevância

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destas atitudes para o desenvolvimento equilibrado e bem-sucedido de todo o processo de en- sino-aprendizagem.

Como ponto de partida, na PES, tomei em conta as características psicológicas e sociais desta faixa etária, pois, inicialmente, não conhecia os alunos com quem me deparei. Todavia, o pouco conhecimento inicial não invalidou o pedido de opinião e a partilha de experiências por parte dos próprios discentes, requisitados com frequência.

Após a visita de estudo realizada na interrupção letiva do Carnaval, durante a qual convivi proximamente com grande parte dos educandos, durante dois dias de viagem por Fátima, Porto e Braga, pude aproveitar os conhecimentos retirados dessa familiaridade. Como resultado, ape- lei de modo mais cuidado aos principais interesses e vivências daquele grupo específico.

A experiência na PES possibilitou também a prática da planificação em torno de cinco momentos de estruturação construtivista da aula – a motivação, a exploração, a explanação, a elaboração e a avaliação. Estes revelaram-se essenciais para o envolvimento dos alunos no pro- cesso de ensino-aprendizagem, para a construção em grupo do conhecimento e para a fluência do próprio tempo letivo.

Finalmente, surgiram as Competências Humanas, referentes ao olhar atento e escuta ativa. Refletindo seriamente sobre a baixa frequência em comparação com as restantes categorias e tendo presente toda a teoria estudada e apresentada na revisão da literatura, incluindo a noção de que a humanização é um pressuposto de todo o Evangelho, coloco aqui duas hipóteses para essa situação.

Por um lado, talvez essa ocorrência esteja relacionada com o facto de o processo de hu- manização ser decorrente de todas as experiências educativas e relacionais, realizadas dentro e fora do contexto de sala de aula. Por outro, considero que não é possível pôr em prática qualquer uma das outras competências apontadas, se o professor não tiver inerente à sua ação um olhar atento e uma escuta ativa em relação àqueles com quem se encontra.

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De facto, durante a PES, a alegria e compreensão, consequentes do contacto visual, da proximidade física e dos elogios sinceros, foram essenciais para que os alunos se sentissem valiosos e valorizados para a discussão dos assuntos. Igualmente, o recorrer às suas interven- ções e opiniões como ponto de partida e/ou como síntese formal do tratado durante a aula, possibilitou que eles sentissem que a sua presença e participação eram, realmente, imprescin- díveis para toda a aprendizagem.

Dentro das Competências enquanto Crente, o maior destaque nos textos evangélicos ana- lisados é dado à vivência pessoal da interioridade, com uma importância especial para a cele- bração e transfiguração da vida quotidiana.

Do meu ponto de vista, isto implica celebrar com os próprios alunos os marcos da vida, como, por exemplo, os seus aniversários, as suas conquistas e as suas experiências. Esse teste- munho é feito a partir de uma presença alegre e de uma referência crente clara, por parte do professor, mas que, simultaneamente, apela à liberdade das crianças e jovens. O docente pode, para isso, assinalar formalmente os momentos vividos, quer através da realização de gestos que denotem carinho e importância, quer pela entrega de simples postais e/ou pelo destaque dado às suas realizações em exposições dentro e fora da sala de aula.

No que respeita às Competências Científicas, o destaque dado à construção do conheci- mento a partir da experiência dos próprios alunos leva-me a sublinhar a necessidade de desco- brir nos conteúdos específicos a sua importância concreta para cada grupo. Trata-se de um pro- cesso que parte da descoberta de relevância intelectual e emocional dos temas para os alunos.

Também de grande importância é a promoção de uma motivação inicial para os temas em discussão, a partir desse mesmo interesse. Só com tal suporte é que os educandos se sentirão mobilizados para explorar, discutir e aprofundar os tópicos a estudar. É essencial, por essa ra- zão, que o docente de EMRC dedique parte do seu tempo a conviver e conversar com os seus alunos, não apenas dentro da sala de aula, mas também em momentos mais informais, como o

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recreio. Esses diálogos permitir-lhe-ão conhecer melhor aqueles por quem é responsável e os seus interesses e, simultaneamente, desenvolver com eles uma relação de maior proximidade.

A análise aos textos evangélicos permite-me sublinhar, dentro das Competências Huma- nas, a importância de escutar ativamente o que cada um tem para dizer. Esta atenção deve ter lugar quer dentro, quer fora da sala de aula, questionando e conduzindo cada aluno para as suas próprias conclusões, sem lhe impingir ideias pré-concebidas e generalistas.

As suas opiniões e experiências são de extrema importância para que o docente de EMRC consiga encontrar a relevância e relação entre os temas tratados e as suas vivências. Só com essa descoberta será possível envolver os alunos na construção do próprio conhecimento, ao mesmo tempo que é feito um contributo para a consciência e afirmação da própria dignidade, assim como do valor dos outros.