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3 ORIENTAÇÕES OPERACIONAIS

3.3 Capacidade de reação

3.3.6 Reações dependentes dos níveis de impacto

Os Estados-Membros são os principais responsáveis por assegurar uma reação adequada à situação nas fronteiras externas. Devem certificar-se de que as atividades de vigilância das fronteiras realizadas nos troços das fronteiras externas são adequadas aos níveis de impacto atribuídos. Se se verificarem alterações rápidas e/ou inesperadas da situação, devem assegurar uma reação adequada.

3.3.6.1 Funções dos centros de coordenação

Os Estados-Membros podem, consoante a repartição interna das competências, estruturar as suas atividades de vigilância de fronteiras nacionais do seguinte modo:

O centro de coordenação local (CCL) responsável por um troço de fronteira terrestre ou marítima desempenha as seguintes tarefas:

 fornecer orientações a nível local;

 elaborar um planeamento minucioso e execução das operações;

 recolher e tratar as informações necessárias para executar as operações;

 organizar a vigilância regular com base na análise dos riscos;

 garantir a manutenção no troço de fronteira de pessoal e recursos em número suficiente, preparados para atividades de seguimento, identificação e interceção;

 escolher as medidas a adotar em tempo quase real para executar a operação;

 solicitar apoio ao centro de coordenação regional/nacional;

 garantir que a patrulha ou o CCL transmite informações sobre todos os incidentes no troço da fronteira externa ao CNC em tempo quase real;

 garantir que as informações sobre incidentes de busca e salvamento no troço da fronteira externa são comunicadas pela patrulha diretamente e com caráter prioritário ao centro de coordenação de busca e salvamento marítimo (MRCC) e aos serviços de emergência;

 se tiver sido atribuído um nível de impacto médio ou elevado a um troço de fronteira, apresentar ao CNC e ao CCR um relatório semanal relativo às medidas adotadas. Melhor prática:

Criação de linhas de comunicação diretas e protegidas entre o CCL e as patrulhas que operam no troço de fronteira.

O CCL deve dispor de recursos em número suficiente para assegurar a vigilância regular com base nas análises dos riscos. Importa identificar recursos e pessoal suplementares que possam ser disponibilizados se o nível de impacto de um troço de fronteira subir para médio ou elevado.

O centro de coordenação regional (CCR) ou outro centro funcional de coordenação abrange um tipo de troço de fronteira (por exemplo, terrestre ou marítimo), vários troços de fronteira numa zona geográfica ou uma tarefa específica em todos os troços de fronteira (por exemplo, controlo aduaneiro, busca e salvamento). Desempenha as seguintes tarefas:

 fornecer orientação a nível regional/funcional;

 controlar o planeamento e a execução das operações;

 recolher e tratar as informações necessárias para planear as operações;

 garantir que são adotadas medidas de vigilância adequadas em cada troço de fronteira e notificar o CNC das medidas adotadas e dos respetivos resultados;

 redistribuir recursos e pessoal (por exemplo, entre troços de fronteira);

 solicitar o apoio do CNC;

 garantir que a patrulha ou o CCL transmitem, em tempo oportuno, informações sobre todos os incidentes no troço de fronteira externa ao centro de comando e controlo (se existir) da autoridade nacional competente e ao Centro de Coordenação Internacional, se for caso disso, criando um mecanismo de comunicações adequado;

 resumir e analisar para o CNC as informações recebidas dos CCL;

se tiver sido atribuído um nível médio de impacto a um troço de fronteira, garantir que o CCL competente recebe recursos e pessoal adicionais adequados no prazo de duas semanas.

Melhor prática: Criação de fluxos de trabalho para redistribuir rapidamente recursos e pessoal entre os diferentes troços de fronteira, incluindo o fluxo de trabalho necessário se o CCR ou o centro de coordenação funcional tiver de pedir assistência ao CNC.

O centro nacional de coordenação (CNC), responsável por todos os troços de fronteira, desempenha as seguintes tarefas:

 fornecer orientações a nível nacional;

 definir as modalidades de trabalho e de ligação com as autoridades nacionais competentes, quando apropriado;

 apoiar o planeamento geral das operações nacionais e controlar a sua execução eficiente;

 tratar as informações e as análises de riscos necessárias para apoiar o planeamento das operações;

 coordenar o apoio prestado a nível nacional (por exemplo, pelas diferentes autoridades nacionais);

 garantir que são reencaminhadas para a Agência as informações sobre todos os incidentes ocorridos nas fronteiras externas no prazo máximo de quatro horas após terem sido recebidas do CCL;

se tiver sido atribuído um nível de impacto elevado a um troço de fronteira, assegurar que o CCL relevante recebe recursos e pessoal adicionais apropriados no prazo de três semanas;

 solicitar apoio à Agência; a Agência deve responder (favorável ou desfavoravelmente) aos pedidos de apoio do CNC no prazo de cinco dias úteis, identificando os prazos e a escala do potencial apoio;

 informar periodicamente a Agência sobre as medidas adotadas (de preferência diariamente) e apresentar mensalmente à mesma um relatório de síntese sobre as medidas adotadas.51 A Agência utilizará esses relatórios na sua avaliação periódica dos troços de fronteiras.

Melhor prática:

Criação de linhas de comunicação diretas e protegidas entre o CNC e os CCR/centros de coordenação funcionais/CCL e outras autoridades nacionais competentes.

Definir regras para o fluxo de trabalho, o intercâmbio de informações classificadas e não classificadas e a cooperação diária entre o CNC e os CCR/CCL.

O CNC dispõe de uma visão geral dos recursos e do pessoal destacados em cada troço de fronteira e de uma visão geral dos recursos e do pessoal adicionais disponíveis a nível nacional, os quais poderão ser destacados para troços de fronteiras com um nível de impacto elevado.

Quando tiverem sido atribuídos diferentes níveis de impacto a troços de fronteiras externas, o(s) Estado(s)-Membro(s) envolvido(s) pode(m) determinar zonas potencialmente críticas no troço da fronteira e afetar a esta zona recursos adicionais para a vigilância das fronteiras.

51

Se adequado, o CNC poderá combinar estes relatórios com os relatórios do Centro de Coordenação Internacional.

3.3.6.2 Nível de impacto baixo

Para os troços de fronteiras com um nível de impacto baixo, o Estado-Membro deve manter um número suficiente de recursos na zona de fronteira. A nível regional e local, os recursos de reserva devem ser identificados e utilizados mediante pedido.

3.3.6.3 Nível de impacto médio

Se tiver sido atribuído um nível de impacto médio a um troço de fronteira externa, o Estado-Membro deve, além das atividades acima descritas, reforçar o nível de vigilância através de medidas adicionais. No âmbito das suas atividades, os Estados-Membros devem utilizar a análise dos riscos e os instrumentos de vigilância ao seu dispor. O CNC deve ser notificado da adoção de qualquer dessas medidas de vigilância, podendo conceder apoio, mediante pedido ou por iniciativa própria, a fim de reforçar os recursos nesse troço de fronteira.

Melhor prática: A nível estratégico, o CNC providencia um acompanhamento da situação, uma análise de risco e contributos sobre a gestão dos recursos e do pessoal, incluindo o planeamento das reservas.

A nível operacional e tático, o CCR e o CCL executam as medidas adicionais de vigilância e realizam atividades de controlo intensificado das fronteiras, sobretudo nas zonas identificadas como críticas no troço de fronteira.

3.3.6.4 Nível de impacto elevado

Se for atribuído um nível de impacto elevado a um troço de fronteira externa, o Estado-Membro deve assegurar a adoção de medidas de vigilância mais estritas a nível nacional.

Melhor prática: O CNC:

 designa um agente responsável por acompanhar e gerir a situação no respetivo troço de fronteira externa;

 recebe reforços para gerir a necessidade crescente de intercâmbio de informações, análise de risco e cooperação a nível nacional e com os países vizinhos;

 lança, se necessário, o grupo de missão de emergência composto por todas as autoridades envolvidas;

 gere a participação de outras autoridades nacionais;

 avalia a situação e, se necessário, solicita apoio à Agência.

 A nível local/regional:

 destaca recursos adicionais sob a coordenação da autoridade nacional coordenadora;

 mantém o CNC informado das medidas adotadas e do respetivo impacto.

A Agência dispõe de procedimentos distintos para prestar o apoio supra referido. Se justificado, pode recusar pedidos concretos de apoio.