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1. INTRODUÇÃO

1.5. ENSINO DE HISTOLOGIA

1.5.2 Realidade e dificuldade

Mesmo com toda importância que o conteúdo de Histologia tem, esse assunto é trabalhado com pouca ênfase e significação no Ensino Fundamental e Médio. Na EJA, que não tem Currículo Básico Comum (CBC), é ainda mais frequente a exclusão desse conteúdo nos planos de ensino de Biologia, dificultando posteriormente a aprendizagem de disciplinas como Embriologia, Anatomia e Fisiologia (KRASILCHIK, 2000, 2012; ESPÍRITO SANTO, 2009).

Também há problemas a respeito da Histologia em alguns livros didáticos e na prática de alguns educadores. É corriqueiro ver nos livros e nas aulas de

Biologia informações detalhadas sobre células e, de certa forma, um resumo sobre os tecidos que compõem os organismos animais, demonstrando que o mais importante a estudar são as células e que tecidos são somente uma disposição celular (MOLINA, 1988; SILVA, 2009; GUIMARÃES, 2011; MIRANDA; LEITE, 2014).

Devido a primordial importância da Histologia, o professor precisa ensiná-la bem, interagindo com o aluno, tornando-o parte do processo de aprendizagem, estimulando a pesquisar, questionar, comparar e, assim, construir seu conhecimento (SALLES, 2007; KRASILCHIK, 2012).

Por se tratar de um conteúdo com uma vasta terminologia técnica, o educando se força a decorar. Além disso, ele não consegue muitas vezes relacionar a organização microscópica tridimensional dos tecidos com as imagens contidas nos livros didáticos. Muitos professores relatam que, quando lecionam este conteúdo, os educandos sentem dificuldade em identificar e diferenciar os tecidos histológicos e, como consequência não consegue obter o aprendizado esperado e acabam aprendendo o mínimo para avançar nos conteúdos subsequentes (BARROS; JÚNIOR; BITENCOURT, 2010).

As causas para tantas dificuldades estão na falta de laboratório de ciências adequado, microscópios, lâminas histológicas, material impresso de qualidade e atualizado (MACEDO et al., 2014).

No decorrer da educação básica, o estudante se depara com conteúdos de fácil e difícil compreensão, sendo essencial desenvolver maneiras de aprender os conteúdos dando significados a eles para que esses possam modificar suas vidas. Muitos professores colocam a Histologia entre esses conteúdos difíceis e acabam pulando essa etapa tão importante na compreensão da estrutura do corpo ou simplesmente citam os principais tecidos, sem estudá-los minuciosamente (MACEDO et al., 2014; SANTOS; NEVES, 2014).

Não trabalhar a Histologia ou fazê-la de forma precária, poderá acarretar sérios problemas na compreensão dos demais conteúdos relacionados à anatomia e fisiologia humana. Compreender as microscópicas estruturas celulares não é apenas ter uma noção estrutural do organismo, é também interligar a nutrição

às necessidades fisiológicas do corpo e entender melhor o equilíbrio do metabolismo humano, buscando formas de manter a saúde e o bem estar do organismo e assim evitando agravos na saúde (KRASILCHIK, 2012; SANTOS; NEVES, 2014).

Uma das formas de despertar a atenção do aluno, segundo Bock (2008) é partir do seu senso comum, ao qual é um tipo de conhecimento intuitivo acumulado pela vivência em sociedade e pelas experiências de erros e acertos. Para esse autor, o senso comum mistura e recicla outros saberes muito mais especializados, produzindo assim uma visão de mundo para o indivíduo.

A partir do senso comum dos alunos, cria-se uma forma de inovar a aula e trazê-los para dentro do processo de aprendizagem. De acordo com as ideias de Falcão (1996), o verdadeiro aprendizado é aquele que provoca modificação relativamente duradoura no comportamento do aluno e que pode ser obtida a partir de treino, observação e experiência. Aprender o assunto é quando o aluno modifica sua forma de pensar e seu senso comum, demonstrando o que aprendeu em suas atitudes. Repetir incansavelmente e decorar não provocam conhecimentos duráveis, tampouco mudanças comportamentais.

Para isso, é preciso que o professor instigue o aluno a expressar suas ideias e dúvidas, através de discussões, questionários, debates para conhecer o senso comum deles e, a partir daí, desenvolver aulas que despertem a curiosidade e a vontade de instruir-se (KRASILCHIK, 2007, 2012; SANTOS; NEVES, 2014). O ensino de Ciências/Biologia requer a adoção de certas metodologias que favoreçam o aprendizado dos alunos (BARROS; JÚNIOR; BITENCOURT, 2010).

O jogo é um dos vários instrumentos de dinamizar as aulas de Histologia estimulando os educandos a saírem de suas carteiras para, através da brincadeira, compreendem melhor os conteúdos trabalhados, unindo conhecimentos científicos ao cotidiano e culturas desses estudantes (BORUCHOVITCH, 1990; ALMEIDA, 1998; MIRANDA, 2001; BARROS; JÚNIOR; BITENCOURT, 2011; MACEDO et al., 2014).

De acordo com Kishimoto (1996) a noção de jogo não remete a uma linguagem científica, mas sim ao cotidiano, respeitando esse cotidiano e a linguagem social, a cultura dessa sociedade pressupondo interpretações e projeções sociais. Desse modo, o aluno consegue aprender os conceitos de forma prazerosa (MIRANDA, 2001).

A repetição característica dos jogos auxilia na fixação dos conteúdos, a memorização acontece de forma natural, sem esforço ou traumas causados por decorebas forçadas em véspera de prova. Essa metodologia de ensino que respeita a fisiologia cerebral é defendida pelas neurociências, que não trazem uma receita nova de ensino-aprendizagem, mas, elucidam como o cérebro funciona, e, diante dessa, fisiologia, evidencia técnicas de ensino já conhecidas, como o Lúdico. Essas técnicas poderão auxiliar na compreensão dos conteúdos ensinados promovendo um aprendizado durável e significativo (PEREIRA, 2002; GUERRA, 2010; CONSENZA; GUERRA, 2011).

[...] o foco da proposta foi criar um instrumento educativo que abordasse o assunto de maneira lúdica. O jogo Cara a Cara de Histologia Animal, possibilita trabalhar imagens de microscópio e modelos de células juntamente com suas características, assim o aluno começa a interagir com os conceitos de uma forma menos densa. A criação do jogo é uma tentativa de mudar a dinâmica da forma de ensinar determinados assuntos que possuem como característica a grande bagagem conceitual, quebra-se o paradigma de que aquele assunto é difícil, promovendo o interesse dos discentes, trazendo a tona o prazer de aprender (PEREIRA et al., 2014, p.1).

Buscar formas de dinamizar e contextualizar o ensino de Histologia usando metodologia de ensino mesclada (BORDENAVE, 1999; SANTOS; NEVES, 2014) com técnicas andragógicas, abordagem cognitivista e abordagem sociocultural, através da Educação Lúdica, das Neurociências e das Tecnologias, pode proporcionar o alcance de melhorias no ensino e aprendizado, aperfeiçoando a compreensão dos conteúdos estudados nessa importante e intricada área da Biologia, além de contribuir para a formação crítica e reflexiva ao quais nossos educandos devem ter ao final da Educação Básica.

Acreditando no sucesso dessa proposta, esse trabalho demonstrará os benefícios de utilizar fisiologia, patologia, senso comum do aluno e ludicidade para ensinar Histologia a alunos da EJA no Ensino Médio.