(TOTAL E A QUENTE)
José
Barreto Fontes*A
utilizaçãodo
vinhotono
processo fermentativo, apesarde
prática antiga(Hermann —
Laveduras y Alcoholes—
Editorial Reverté
—
Barcelona-1961), foisempre
feita por diluiçãoem
água. Prática portanto,que
se pretendiacomo medida
antipoluidora muito deixa a desejar.O
vinhoto, caracterizadocomo
violen-to poluidor, deve basicamente estaquali-dade
ao grandevolume como
é produzido.É por isto, condição imprecindivel, a
redu-ção
drástica deste volume, para qualquermedida que
seproponha
evitar a agressãodo
vinhohoto ao meio-ambiente.A
utilização parcial (de parte) e “in natura”do
vinhoto no processo fermentati-vo, por condicionar saldo apreciável e ocioso a esta técnica exigiráinapelavel-mente
para omesmo,
outro tratamento paralelo,sob pena
de se terque
aceitaruma
carga poluidoraque embora
reduzida será ainda muito grande.Sendo
a quantidade de vinhoto, con-dicionada ade
álcool (na proporção de trezevolumes de
vinhoto parauma-
deálcool), o
problema mais
se agravaquando
* Professor Titular^Centro
de
Tecnologia e Ciências Exatas)dá
Universidade Fe-deral de Sergipe.se
pensa em
grande produção de álcool, pois a utilização parcial de vinhoto, na melhor das hipóteses ofereceuma
propor-ção de 7,3 litros de vinhoto paracada
de álcoolque
se produza.Redução pouco animadora
para as atuais preocupações.A
reciclagemdo
vinhoto, objetode nosso
trabalho de pesquisa, consistecomo
explicita a palavra, na utilização e reutilizações deste rejeito, retornando-oem
sua totalidade a etapa operacionalque
lhe dáorigem. Procedimento este,
que
por reduzir drasticamente ovolume do
vinhoto, anula sua principal característica
como
fator de poluição.Mantido pelo reciclamento, o
volume
inicial
do
vinhoto,em
várias destilações, este corresponderá auma
fraçãodo
totalque
seria produzido no processo conven-cional, relativa aonúmero
de reciclagensfeitas.
Seja exemplo,
uma
destilaria (queopere
com
melou
xarope) de 100.000 litros de álcool por dia, na qual se recicle nove vezes o vinhoto da primeira destilação(1 .300.000 litros). Isto significa
que em
dez destilações ovolume
final de vinhoto con-tinuarásendo
osmesmos
1 .300.000 litros,diversamente
do que
ocorreno
processo convencionalem que
nas dez destilações resultariam 13.000.000 de litrosdo
rejeito.O
processo de reciclagemassume
maior importância
quando
consideradoem
relação à proporção álcool /vinhoto,
nor-malmente
1/13, fica reduzidaem
nove reciclagens a 1/1,3 (1,3 de vinhoto para cada de álcool produzido). Estes aspectos do processo,que
eliminam as implicaçõesdo
vinhoto na concretizaçãodo
Proálcool, justificam qualquer esforço dirigidoem
efetivá-lo, principalmente
quando
se sabe da igualdade de importânciaque economi-camente
assume, pelas oportunidadesque
oferece na recuperação doscomponentes
do vinhoto, alem de sua facil e racional utilização.Justificados desta forma, os objetivos paraa pesquisa,
buscamos
nas caracterís-ticasdo
vinhoto os elementosque
defi-nissem as possibilidades e os
meios que
viabilizassem o processo.Sendo
para tanto considerados:a) a quantidade de
água
contida no vinhoto (93%)b)
Serem
oscomponentes
dissolvi-dos
esuspensos
no vinhoto, à ex-cessãodo
potássio e das impure-zas (matéria orgânica coloidal, bagacilho, argila, etc), essencias ao processo fermentativo;c) o efeito inibidor
que
os ácidosor-gânicos voláteis e o gás
sulfidri-co
exercem
na fermentação;d) a proviniência dos
componentes do
vinhoto através da matéria-pri-ma;e) as possibilidades e vantagens no aproveitamento da temperatura
do
vinhoto;
f) o crescendo quantitativo dos
com-ponentes através as sucessivasre-ciclagens.
Consubstanciados nossos trabalhos
iniciais na
adequação
destes elementos aos objetivos da pesquisacomo
idealiza-mos
(rentilizações datotalidadedo
vinhoto e àtemperaturacomo
saídoda destilação), concluímos:a) não haver interferência
do
potássioacumulado
através das reciclagens efetuadas, no processo fermentati-vob)
serem
as impurezas (matéria orgâ-nica etc.), o maior obstáculoao
processoem que
seproponha
usar o vinhoto “in natura”.c) contribuir substancialmente a tem-peratura
do
vinhoto,quando
ade-quadamente
conduzida, na elimi-nação de gases, esterilizaçãodo
mosto, inversãode
sacarose, etc.Ante estas conclusões, fizemos
como
ponto básico de
nossos
trabalhos ope-racionais, a eliminação da matéria orgâ-nica coloidal, bagacilho, argila, etc, conti-da no mosto, face teremnossos
trabalhosiniciais de pesquisa, revelado ser este
ma-terial pela sua natureza coloidal e pela sua relativa quantidade,
causa
deadensa-mento
e viscosidadedo
vinhoto e conse-quentes dificuldades ao processofermen-tativos por:
a) impedir a dinâmica
da
levedurab) ocluir a levedura, isolando-a
do meio
nutritivoc) arrastar a levedura para o
fundo
dadoma,
recobri-la e anularsuas
atividades (vegetativas e
fermenta-tiva).
A
matéria orgânica étambém
fator de prejuízo noequipamento
industrial por causar incrustações e entupimentos.Aindao
aumento
relativo (porcentagem)da água
no vinhoto, decorrente da eliminação das impurezas,em
muito contribui para eficiênciado
processo por permitirnão
só a utilização totaldo
vinhotocomo
por proporcionar maiornúmero
de recicla-gens.De magna
importância portanto, aeli-minação
da impurezado
mosto, foinossa
primeira e maior preocupação.
Os mejos
de separação sólido/ líqui-do, (filtração, centrifugação, etc.), con-quanto os inidicados,mas
exigentesde
outros tratamentos operacionais,
compro-32
N? 1 (PAG. 32)
metiam
a simplicidadedo
processo. For-çoso, foi engendrarum equipamento que não
só atendesse o requesito básicodo
processo,englobasse
outras funções.Após
várias versões construídas, testadas e modificadas,chegamos
aum modelo
(Preciclador Ray),
que
pelofuncionamen-to, detalhes,
equipamentos
auxiliares, e principalmente porum
artifícioque
esta-belece equilíbrio hidráulico, permite não só a separação das impurezascomo
pro-porciona:a) o arejamento
do mosto
b) a eliminação
dos
ácidos orgânicos volatéis e gás sulfidricoc) o
preaquecimento do
vinhod) a esterelização
do mosto
e) a inversão de sacarose
f) a
melhor
mistura da matéria-prima.O
equipamento,pode com
simplicidà-de seradaptado
a qualquer destilaria con-vencional.Por
não nos
facultar os recursos delaboratóricf, o desenvolvimento da pesqui-sa,
efetuamos nossos
trabalhos iniciaisem pequeno modelo
debancada onde
aquilatando a eficáciado
preciclador,fi-zemos
três sériesde
quinze reciclagens, oque nos
incentivou experimentar o proces-soem
escala piloto.Usando
para tantoum
alambique
de aguardente, gentilmente ce-didos pelos irmãos Idalicio eJosé
Prado Barreto,no
qualapós
ligeiras adaptações (fluxograma anexo),efetuamos
oitoreci-clagens
que
nos serviram paracomprovara
excelênciado
preciclador,que
inclusive muito*rviu
para contornar as condições adverssS ao processo, evidenciadasem
caramelização e carbonização de
compo-nentesdo
vinho (açúcares e levedura), vistocomo operamos
a fogo nu esem
recuperação de leveduras.
Face os bons
resultados obtidos, em-boracomprometidos
pelas precárias con-diçõesde
trabalho, resolvemosmelhor-mente
adaptar o alambique, paraoperando
com aquecimento
indireto e recuperaçãode
leveduras, garantir maiornúmero
dereciclagens,
conquanto achemos que
dezseja ideal por oferecer muitas vantagens,
como: (numa
destilaria de 100.000 litrosoperando com
melaço)1)
Produção de
matéria orgânicaDe cada
dez reciclagens serão separa-das,concomitantemente
setenta tonela-das de matéria orgânica, fazendo, se con-veniente, coleta diáriassem
ser necessário evaporar 13 milhõesde
litros de vinhoto,como
acontece nos conhecidos processos de concentração. Para os apologistasda
obtenção demetano
a partirdo
vinhoto estavantagem
é grande.2)
Redução do volume do
vinhotoJá demonstrado, o processo, propor-ciona redução violenta no
volume
devi-nhoto,
podendo
ir até 1/15do volume
obtido no processo convencional.3) Vaior
em
fertilizantesAcumulado
nas sucessivas recicla-gens, e concentrado no reduzidovolume, o valordo
vinhoço de última reciclagem che-ga a centenas de milhares de cruzeiros.Por exemplo:
em
potássio, o despejo de cada destilaçãocontém
Cr$... 81.000,00, nos 1.300.000 litros.Em
dez reciclagens nomesmo volume
conterá Cr$ 810.000,00.4) Poluição pelo vinhoto
A
drástica redução devolume
eo valor queassume
omesmo
serão estímulos maisque
suficientes aos industriaisdo
álcool, para o aproveitamento
do
vinhoto recicladocomo propomos
adiante.Em
vez de gastar para poluir,como
sevem
fazen-do, ou gastar para não poluircomo
deveser, o industrial ganhará por não poluir.
5) Vinhoto
de
última reciclagemComprovada
a superioridadeda
adu-baçãocom
o vinhotoem
relação à feitacom
fertilizantes químicos, esta e outras razões de igual importância,apontam
o canavialcomo
o verdadeiro destino para o vinhoto. Procedimento diferente, significa exaustãodo
solo, altos custoscom
recu-peração imperfeita e previsão de a
médio
prazocomprometê-lo em
sua produtivida-de.Por estes motivos e por
que
o vinhoto de última reciclagem (nonosso
processo) oferece excelente oportunidade para de maneira simples e eficientes ser aprovei-tado, éque
sugerimoscomo
compíemen-tação aos nossos trabalhos, seu
tratamen-to
como
a seguir.1) recolher
em
tanque de50x50x1
'metas
(escavado no solo), periodicamente, duranteuma
série de reciclagens, amaté-ria orgânica separada no pré-ciclador e misturá-la
com bagaço
de cana.2) submeter a mistura ao processo de humificação, à guisa
do que
se fazem
composteiras. Este material se constituirá inclusive
em
excelente inóculo para3) atuar no vinhoto de ultima
recicla-gem, também
conduzido ao tanque embe-bidoem
bagaço.4)
As
cinzasda
fornalha e se neces-sário caldevem
ser distribuídos namistu-ra total.
5)
O
produto,maSsa húmica
riquís-sima em
fertilizantes,de
fãcil transporte(podendo
ser feito nos retornos ociososdos
canavieiros) ofereçe ainda aopção de
poder ser estocada parauso
oportuno e distribuição racionai.Já humificada a matéria orgânica, afasta os inconvinientes
da
proliferáção exagerado de fungosno
solo, garantesua
perfeitadistribuição e evita as prejudiciais alterações fisiológicas
da
planta,salifica-ção
do
solo e lixiviaçãodo
vinhoto.A
Universidade Federalde
Sergipe es-tá desenvolvendo pesquisasno
sentidode
avaliar os efeitos
do uso do
vinhoto “in natura” eapós
humificado.34 N? (PAG. 34)