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Reclusão Sem Risco – Prevenção do VIH e SIDA

Filomena Frazão de Aguiar, Alexandra Duque, Carla Oliveira, Duarte Barros, Joana Martins,

Helena Teixeira, Helena Vilaça, & Laura Aguiar

Fundação Portuguesa “A Comunidade Contra a Sida”

Resumo A Fundação Portuguesa “A Comunidade Contra a Sida” desenvolve o Programa de Sexualidade e Prevenção do VIH/SIDA em estabelecimentos prisionais, onde há uma população vulnerável que necessita de uma real integração na comunidade. Os principais objetivos deste Programa são o desenvolvimento de competências pessoais e sociais; o aumento dos conhecimentos relativos à sexualidade e à saúde sexual com enfoque principal no VIH/SIDA; a diminuição de comportamentos de risco e vulnerabilidade à infeção pelo VIH/SIDA nesta população; a prevenção da transmissão de IST’s e a sensibilização para a utilização de métodos contracetivos, nomeadamente o preservativo. O Programa foi implementado no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo Especial, Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo Masculino e Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa, consistindo em sessões semanais de 60 minutos, dinamizadas no interior das instituições num horário combinado entre a FPCCSIDA, as instituições e os/as reclusos/as. Nessas Sessões são realizadas dinâmicas ativas e participativas, simulações, debates, trabalhos de grupo, brainstorming e teatro debate – Teatro Universitário de Intervenção (TUI). Os/as reclusos/as são maioritariamente de nacionalidade portuguesa, com penas de duração média. Os resultados alcançados com esta intervenção são sobretudo a melhoria da autoestima e assertividade; o aumento da coesão grupal; o aumento dos conhecimentos acerca das vias de transmissão do VIH/SIDA e desmistificação de falsas crenças associadas à infeção e o aumento da perceção de risco, para interagirem no seu contexto social após cumprimento de pena. Relativamente à dinamização do Projeto Nacional de Educação Pelos Pares, por parte da Fundação Portuguesa “A Comunidade Contra a Sida”, em meio institucional, tem vindo a observar-se que este tem tido uma continuidade nestas instituições – Estabelecimentos Prisionais Femininos e Masculinos, na medida em que existem grupos de dinamização em todos os anos desde que há registo, ou seja, desde 2008. Palavras Chave: Reclusos; Prevenção; VIH/SIDA.

INTRODUÇÃO

A Fundação Portuguesa “A Comunidade Contra a Sida” e o Centro de Aconselhamento e Orientação de Jovens (CAOJ), delegação do Porto, desenvolve desde 2008 o Programa de Sexualidade e Prevenção do VIH/SIDA em estabelecimentos prisionais, onde há uma população vulnerável que necessita de acompanhamento e de uma real integração na comunidade.

O contexto prisional trata-se de um ambiente específico e singular onde existe uma elevada concentração de pessoas num mesmo local e a conviver vinte e quatro sob vinte e quatro horas, sete dias por semana, durante vários anos. Do mesmo modo, trata-se de um contexto sujeito a um conjunto de regras rígidas e inflexíveis, onde convivem diferentes valores e costumes, religiões, crenças e normas, etnias, entre outros, colmatando numa grande heterogeneidade da população prisional. Assim sendo, é um local propício quer à existência de conflitos quer à existência de comportamentos de risco.

 

De acordo com Cunha (2008), os Estabelecimentos Prisionais encontram-se cada vez mais “abertos”, ou seja, para que os reclusos tenham um menor isolamento face à sociedade. Esta maior abertura tem levantado algumas- questões no que diz respeito ao caráter punitivo da prisão. Os Estabelecimentos Prisionais procuram recriar aspetos essenciais da vida em sociedade (tais como a afetividade, vida sexual, educação, entre outras), para que os/as reclusos/as tenham acesso às mesmas oportunidades que os/as cidadãos/ãs livres, mantendo sempre um vínculo que posteriormente permitirá uma melhor reintegração na sociedade após cumprimento de pena (Marques, 2010).

 

Neste contexto específico, os/as reclusos/as são maioritariamente de nacionalidade portuguesa, com penas de duração média.

Os principais objetivos deste Programa são o desenvolvimento de competências pessoais e sociais; o aumento dos conhecimentos relativos à sexualidade e à saúde sexual com enfoque principal no VIH/SIDA; a diminuição de comportamentos de risco e vulnerabilidade à infeção pelo VIH/SIDA nesta população; a prevenção da transmissão de IST’s e a sensibilização para a utilização de métodos contracetivos, nomeadamente o preservativo. Assim, FPCCSIDA juntamente com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais

pretendem desenvolver políticas de prevenção, tanto a nível criminal como de comportamentos de risco, permitindo uma melhor reinserção social (Decreto-Lei nº 215/2012, artigo 2º).

 

METODOLOGIA

O Programa implementado no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo Especial, Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo Masculino e Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa, consistiu em sessões semanais de 60 minutos, dinamizadas no interior das instituições num horário combinado entre a FPCCSIDA, as instituições e os/as reclusos/as. Nessas Sessões foram realizadas dinâmicas ativas e participativas, simulações, debates, trabalhos de grupo, brainstorming e teatro debate – Teatro Universitário de Intervenção (TUI). No caso dos Estabelecimentos Prisionais de Santa Cruz do Bispo, as sessões tiveram principal enfoque na autoestima, autoconfiança, coesão de grupo, sexualidade, comportamentos de risco, VIH/SIDA e estilos de vida saudáveis, sempre seguidos de reflexão final individual e de grupo. Em algumas das sessões, voluntários universitários da área da medicina responderam a dúvidas, esclareceram mitos e clarificaram conceitos. Foram ainda escritos testemunhos, reflexões de várias temáticas relacionadas com a sexualidade e criados folhetos de sensibilização para a Prevenção do VIH/SIDA e do uso do preservativo, como único método contracetivo eficaz na prevenção de Infeções Sexualmente Transmissíveis, para serem distribuídos em escolas, centros educativos, lares de acolhimento e ao público em geral. Já no Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa, as sessões focaram-se essencialmente na preparação e dinamização, pelos próprios reclusos, de sketches acerca do VIH/SIDA, Violência no Namoro, Consumos (toxicodependência) e Solidão na 3.ª Idade, para posteriormente serem apresentados à comunidade prisional. Estes sketches seguem a metodologia do Teatro do Oprimido (seguindo a metodologia de Augusto Boal), segundo o qual é apresentada uma cena onde existe um (ou mais) opressor (es) e um (ou mais) oprimido (s) e um problema não resolvido. Aqui, uma pessoa do público é convidada a substituir o oprimido e procurar uma solução para o problema, sempre sem recorrer à violência. Este projeto é desenvolvido durante sete meses, no final dos quais é realizada a sessão pública de apresentação.

RESULTADOS

Os resultados alcançados com esta intervenção são sobretudo a melhoria da autoestima, confiança e assertividade; o aumento da coesão grupal; o aumento dos conhecimentos acerca das vias de transmissão do VIH/SIDA e outras Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST) e desmistificação de falsas crenças associadas à infeção e o aumento da perceção de risco. Assim, estarão mais aptos para interagirem no seu contexto social antes do cumprimento de pena, já que alguns/algumas reclusos/as têm visitas íntimas no Estabelecimento Prisional onde estão inseridos e após o cumprimento da pena, quando regressam à sociedade e ao quotidiano. Após a dinamização das diversas sessões, e de forma a compreender se estas teriam surtido algum tipo de mudança na perceção e comportamento, foram realizadas entrevistas, entre as quais se obtiveram os resultados que a seguir se apresentam. No que diz respeito à melhoria da autoestima, confiança e coesão grupal, os/as reclusos/as referem que “Estas sessões permitem-me exteriorizar sentimentos e combater a vergonha de enfrentar pessoas”, “Reaprendi a ter esperança…, a vida pode ser muitas coisas, pode ser aquilo que tu fizeres dela, depende mais da nossa força interior”, “aprendemos a respeitar a opinião de cada qual.”. Neste sentido, é possível verificar que as pessoas dos Estabelecimentos Prisionais, quer feminino quer masculinos, que participaram nestas sessões desenvolveram maiores capacidades de comunicação, de confiança em si próprios/as, assim como de confiança e respeito pelo outro. Por conseguinte, os/as reclusos/as desenvolveram competências essenciais que lhes poderão permitir uma mais facilitada inserção na vida social e profissional, após o seu período de reclusão.

No que se refere, por exemplo, ao conhecimento acerca das formas de transmissão do VIH/SIDA, foi-nos referido que “Não se vai falar só em prostitutas e homossexuais… Porque há prostitutas que até têm mais cuidado, às tantas, do que um homem casado que sai à rua e que não quer usar carapuço e a prostituta até diz “usa carapuça porque eu acho que deves usar carapuça”. Eu penso assim! Desculpando falar assim em questão de carapuça, mas acho que as prostitutas até hoje em dia, têm mais cuidado do que os próprios homens casados que saem de casa e eles próprios dizem que não querem fazer com preservativo, não é?”, ficando claramente demonstrado que existe uma perceção e análise do conceito de “risco” e de “grupo de risco”, notando-se também o realçar da importância para a prevenção, mesmo possuindo um/a companheiro/a fixo, conduzindo à vivência de uma sexualidade saudável, positiva e informada. Da mesma forma, o modo como as pessoas infetadas pelo VIH/SIDA são consideradas também se foi alterando, tal como é referido por um/a recluso/a, “Antigamente a gente ouvia falar da SIDA ou do VIH e ficava de pé atrás. Agora não, falo à vontade e não tenho problema de falar, nem de estar ao pé das pessoas que tenham.”.

Por outro lado, temos o TUI – Teatro Universitário de Intervenção, para o qual também foram realizadas entrevistas aos reclusos que pertenceram ao grupo, para compreender de que modo este tipo de intervenção lhes

era/é significativo. Aqui, podemos ver que a realização deste tipo de dinâmicas - a construção, encenação e apresentação ao público dos sketches traz-lhes sentimentos positivos, fazendo mesmo com que se esqueçam que se encontram em reclusão, “Gosto muito quando fazemos teatro das situações para resolver. Divertimo-nos e ao mesmo tempo aprendemos. É muito bom…”, “Enquanto estamos aqui não pensamos na dor, no sofrimento”, “Quando estou no teatro sinto-me livre, esqueço que estou preso”. Da mesma forma, falam-nos também da facilidade com que, através do teatro, as pessoas que estão a assistir à encenação das várias peças – reclusos, neste caso, facilmente participam e interagem nas mesmas, “O teatro fórum é feito em jeito de o público poder interagir e, notou-se perfeitamente que para muitos tornou-se mais fácil interagir assim do que se fosse uma palestra.”, “tanto que se viu a forma como o público interagiu, devido à escolha dos temas apresentados”. Continuamente, referem também que este tipo de apresentação capta de forma mais fácil a atenção da plateia, assim como ajuda na compreensão dos temas apresentados e a procura de uma solução para o problema, sem recorrer à violência, “No teatro as pessoas estão a ver com mais atenção, e as pessoas até se riram, envolveram- se mais e até houve pessoas que queriam vir para o teatro”, “É mais vantajoso nós representarmos e mostrarmos aquilo que está mal, para fazermos aquilo que está certo, do que ouvirmos alguém a falar para a gente e não entendermos nada”, “É uma forma de envolver toda a gente que está a ver o teatro, e resolver o problema sem violência”.

Por outro lado, temos ainda o ambiente informal em que as sessões são dinamizadas e os sketches são preparados e ensaiados, que culminam em momentos de grande aprendizagem, “Demonstrou-se como se pode, em modo sério, mas também de brincadeira apresentar temas que são muito importantes para nós”, “Reunir o pessoal todas as semanas, fazer jogos, rirmos, falarmos, foi importante para perceber o teatro do oprimido e os temas da SIDA”. No mesmo sentido, a opção pelo teatro em detrimento de sessões com dinâmicas acerca dos vários temas, resultou também numa maior aprendizagem, levando “a compreender melhor o que se passa na vida real”. Em síntese, para além de tudo aquilo que já foi referido, o que os reclusos nos referem é que “o teatro ajudou-me a pensar antes de agir para não deitar tudo a perder”, funcionando como uma ferramenta singular na prevenção de comportamentos de risco, de diminuição de atitudes, ações e comportamentos preconceituosos e discriminatórios e também de promoção da reinserção social.

Por fim, temos ainda a importância do trabalho voluntário reconhecida pelos/as reclusos/as. Acerca do mesmo, dizem-nos que “Depois que tive esta experiência gostava de ser voluntário para ser útil à sociedade” e, fazendo também referência ao teatro, “Se calhar um dia lá fora, poder continuar a fazer teatro”. Assim, fica aqui demonstrada a importância que este tipo de Projetos possui nos Estabelecimentos Prisionais e para os/as reclusos/as.

CONCLUSÕES

A parceria criada por estas duas instituições, através do projeto desenvolvido nos Estabelecimentos Prisionais tem por objetivo suscitar a dignificação e humanização das condições de vidas nestas instituições, permitindo a reinserção social através do projeto nacional de educação pelos pares e iniciativas de caráter cultural como o TUI e interação com a comunidade (Decreto-Lei nº215/2012 Artigo 3ºG).

Tendo em consideração os testemunhos recolhidos no final de cada ano de intervenção do Projeto da FPCCSIDA e a crescente procura de Reclusos/as a quererem integrar Grupos para intervenção, pode aferir-se que os resultados obtidos vão de encontro aos objetivos primordiais do Projeto. O Apoio Social, quer formal e quer informal, é de elevada importância em contexto prisional nas suas múltiplas facetas de integração social, conexão social e ajuda, no sentido de se contribuir para uma boa estruturação psicológica do individuo na sociedade.

Assim, torna-se imperativo preparar os reclusos/as, quer para o tempo de cumprimento da pena, quer para a posterior integração na sociedade e respetivo quotidiano. Tal como foi referido anteriormente, a aquisição e desenvolvimento de novas competências e pessoais e sociais são fundamentais para uma mais fácil (re)inserção na sociedade (Aguiar et al, 2012). A intervenção da FPCCSIDA neste contexto procura conduzir exatamente a este fim, ou seja, para além das preocupações de bem-estar pessoal e de grupo, da prevenção de comportamentos de risco, procura muni-los/as de capacidades fundamentais para o seu dia-a-dia (a nível pessoal e profissional). A forma como se veem, como se relacionam consigo e com os outros e a postura face a comportamentos de risco, bem como a adoção de hábitos de vida saudáveis estão na origem de muitos conflitos dentro e fora dos Estabelecimentos Prisionais. Cabe a cada um em particular alterar e/ou corrigir formas de estar, no sentido de uma real integração no grupo onde estão inseridos.

Após terem o primeiro ano de intervenção, são eles próprios a dar o exemplo e a recomendar o Projeto a outros/as reclusos/as, o que se traduz numa efetiva interiorização de conceitos e posturas face aos vários temas abordados e desenvolvidos. É de facto uma mais-valia para quem recebe o Projeto e o desenvolve com o apoio de voluntários da FPCCSIDA. A utilização do teatro como uma ferramenta de intervenção tem tido, cada vez mais, uma aceitação e impacto maior, quer por parte dos reclusos, quer por parte dos Estabelecimentos

Prisionais, levando a que este se tenha expandido desde o Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa até ao Estabelecimento Prisional do Porto. Do mesmo modo, a utilização deste tipo de metodologia junto dos reclusos nos Estabelecimentos Prisionais tem suscitado uma curiosidade crescente tanto por parte dos/as jovens voluntários/as universitários/as, como também por parte da imprensa.

A procura por parte de novos Estabelecimentos Prisionais é uma realidade que ainda reforça mais a importância deste tipo de intervenção nestes grupos de risco, confirmado pelo facto de a FPCCSIDA estar presente em todos os Estabelecimentos Prisionais Porto e arredores - Matosinhos e Paços de Ferreira (cf. Plano de Atividades da FPCCSIDA 2015)

AGRADECIMENTOS

Dr. Paulo de Carvalho e Dra. Rosa Coelho do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo Especial; Dr. Hernâni Vieira, Dra Otília Barbosa, do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo Masculino; e Dra. Fernanda Barbosa, Dra. Ana Gomes, Dra. Elvira Leite e Dra. Bárbara Barbosa, do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa.

Reclusos e Reclusas que integraram os grupos nos Estabelecimentos Prisionais intervencionados.

Voluntários/as que prepararam e dinamizaram as sessões nos Estabelecimentos Prisionais intervencionados. Equipa do CAOJ - Porto

 

CONTATO PARA CORRESPONDÊNCIA

Filomena Frazão de Aguiar, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Portuguesa “A Comunidade Contra a SIDA”

Morada – Edifício Central da Graça. Praça António Sardinha, n.º 9, 1.º, 1170-028 - Lisboa E-mail – [email protected]

Contacto – 912112878 Número Verde – 800 21 31 40

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Aguiar, F., Oliveira, R., Aguiar, L., Ferreira, J., Moinhos, T., & Vilaça, T. (2012). Drug users in custody: learning the lessons”. Acess Conference. Milão, Itália.

Cunha, M. (2008). Aquém e além da Prisão. Cruzamentos e Perspectivas. Lisboa: 90 Graus. Decreto-Lei nº215/2012 de 28 de Setembro. Consultado em:

http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCQQFjABahUKEwi0pejY1YPJAhVMbj4K HX4TAu4&url=http%3A%2F%2Fwww.cnpcjr.pt%2Fpreview_documentos.asp%3Fr%3D5277%26m%3DPDF&

usg=AFQjCNFHrcg9Wal7pK1N3hb-6x-LTQVzrQ&sig2=75yB6tdOYiIN283lo7nuNQ

Marques, A. (2010). Esquemas Mal-Adaptativos Precoces, ansiedade, depressão e psicopatologia em reclusas. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Universidade do Porto.

Plano de Atividades da FPCCSIDA (2015). Consultado em

http://www.fpccsida.org.pt/images/stories/PAA_FPCCSIDA_2015_VF_2.pdf

Violence in the Context of Prostitution: Psychological Impact