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CUSTO TOTAL = CUSTO UNITÁRIO X CONSUMO DO INSUMO
5. Recursos humanos, processos de trabalho, produtividade e competitividade
Obs: Além das fontes especificadas localmente, o material desta seção foi extraído de: Lima (1995); Santos et al (1996); Scardoelli et al (1995); Oliveira (1995); Construbusiness (2014).
5.1 Configuração
5.1.1 Construção no Brasil a) Panorama geral
A construção civil apresenta uma série de características / peculiaridades, muitas destas responsáveis pelo estigma de setor atrasado tecnologicamente. Entre elas, podem-se citar: 1. Emprego de métodos de gestão ultrapassados;
2. Predominância de mão de obra sem qualificação profissional, com baixo grau de instrução formal;
3. Falta de organização do trabalho;
4. Baixa produtividade e preços elevados em relação à produção em países desenvolvidos. 5. Predomínio de condições de trabalho adversas: excessivo esforço físico, falta de higiene,
precárias condições de saúde para os trabalhadores, ausência de segurança, utilização intensiva de horas-extra;
6. Grande disponibilidade de mão de obra - possibilidade de pagar baixos salários, de recorrer sistematicamente à extensão da jornada de trabalho;
7. Resistência às inovações tecnológicas;
8. Falta de comunicação entre as fases do processo (concepção, projeto, produção de materiais e componentes, produção no canteiro e uso);
9. Uso de materiais, componentes, sistemas construtivos e serviços inadequados;
10.Ocorrência significativa de desperdícios ao longo da produção, tanto de materiais quanto de tempo;
11.Dificuldades de padronização do produto;
12.Alta incidência de problemas de qualidade do produto final;
13.Dispersão espacial dos empreendimentos, o que dificulta a produção em escala, e inviabiliza a utilização intensiva, em longo prazo, de máquinas e equipamentos;
14.Longo período de rotação do capital, implicando imobilização de recursos, por períodos relativamente grandes;
15.Instabilidade do mercado da construção habitacional;
16.Defasagem constante entre as necessidades de moradia da população e a oferta feita pelo setor formal. A parcela da população que consegue ingressar no mercado tende a minimizar suas exigências quanto à qualidade da habitação.
b) Mão de obra
Intenso uso de mão de obra e baixa mecanização; Extensa subcontratação de mão de obra;
Nível educacional dos trabalhadores em canteiro de obra é geralmente baixo; Alta rotatividade;
Altos índices de acidentes no trabalho; Perigo de doenças ocupacionais;
Baixa produtividade (1/3 da produtividade americana para o subsetor edificações).
c) Produtividade
c.1) Mão de obra
Estados Unidos: produtividade média no sub-setor edificações era 85 m2 para cada 1.000 horas trabalhadas - no Brasil era de 27 m2 para cada 1.000 horas trabalhadas (dados 1998);
Nossa produtividade poderia alcançar os níveis americanos através da melhoria de métodos de planejamento e aplicação de materiais e componentes racionalizados. c.2) Indústria
Produtividade da indústria é medida em termos de participação da indústria no PIB Estudo (2002) mostrou que a produtividade geral aumentou no Brasil nos anos 90 -
empresas tiveram que aumentar a produtividade devido ao aumento da competição
d) Clientes e financiamento
Governo: maior cliente para investimentos em infraestrutura no país + maior investidor na construção das habitações para população de baixa renda;
Falta de capital: fator que limita o crescimento do setor; Sub-setor edificações: clientes privados e públicos; PPP (Parcerias público-privadas). 60 80.5 52.4 70.6 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 1996 2002 Ano Total construção Construção pesada P er ce nt ua l
Figura 20: Percentual de trabalho executado para clientes públicos (Fonte: IBGE 2002 adaptado por Mutti, 2004).
e) Distribuição
Em 2002 o mercado formal da construção contratou 1.032.656 novos empregados; São Paulo: 257.673 destas contratações.
0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000 N or te N or de st e S ud es te S ul C en tr o -o es te C id ad e de S ão P au lo Região brasileira N úm er o de a dm is sõ es
Figura 21: contratações do mercado formal da construção em 2002 (Fonte: IBGE 2002 adaptado por Mutti, 2004).
5.2 Iniciativas de mudança: investindo em melhorias 5.2.1 Iniciativas na última década
Na última década, a indústria da construção no Brasil vem experimentando uma série de iniciativas que visam modernizar e melhorar o desempenho do setor. Estas enfocam qualidade, produtividade e competitividade. Exemplos destas iniciativas são o Qualihab – lançado em 1996, e o PBQPh, lançado em 1998 (com posteriores modificações). A ênfase na certificação com as normas ISO 9000 cresceu, sendo que muitas empresas foram certificadas nestes últimos dez anos. Universidades têm trabalhado em parceria com empresas e entidades, desenvolvendo programas de qualidade, treinamento de mão de obra, e controle do desperdício.
O Ministério da Ciência e Tecnologia publicou, em 1994, o ECIB (Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira (Coutinho and Ferraz 1994)), o qual analisou o setor de materiais de construção, e analisou os fatores sistêmicos que influenciam a competitividade.
A Amcham (Câmara Americana de Comércio de São Paulo) criou, em 1999 o Comitê do Construbusiness, o qual é composto por representantes multidisciplinares da cadeia produtiva da construção. O objetivo do comitê é criar diretrizes para a maximização dos benefícios sociais e econômicos para o país. O comitê se reúne periodicamente. No seminário anual de novembro de 2003 a agenda incluía aspectos como: tecnologia: qualidade e competitividade na cadeia produtiva da construção (Coutinho 2003).
O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior criou o fórum da competitividade, o qual visa conduzir ações que melhorem a competitividade do setor produtivo brasileiro no mercado mundial (MDIC 2002a). Há um Fórum específico para a indústria da construção (dos 8 fóruns de discussão). O Foco deste Fórum atualmente é nas relações internacionais (Mercosul e ALCA), bem como em estimular mais empresas a exportarem serviços de engenharia e construção.
Todas estas iniciativas vêm contribuindo para a melhoria do setor da construção.
Representantes de entidades ligadas à construção dizem que o mais importante não é o estágio em que a construção se encontra hoje, no que diz respeito a tecnologia e qualidade, mas as melhorias que foram atingidas na última década.
5.2.2 Áreas de investimento na construção – processo global Iniciativas governamentais;
União da cadeia produtiva na busca de melhorias; Gestão do processo de projetos;
Gestão do processo de planejamento: utilização de técnicas e softwares para o plenajemento da execução;
Controle do processo desde o projeto até a pós-ocupação; Gestão de canteiro;
Serviços ao cliente; Etc.
5.2.3 Áreas de investimentos em gerência de canteiros