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3.7.1 - Recursos utilizados pelos adolescentes na rede

No documento Caminhos da aprendizagem via Internet (páginas 123-139)

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Passada esta introdução sobre a Internet e as potencialidades interativas que configuram sujeitos operativos distintos de um público receptor massivo, passa-se agora a uma análise mais detalhada de como os adolescentes pesquisados utilizam a tecnologia informática, como se apropriam do ciberespaço, levando em consideração as características já mencionadas da adolescência que irão influir na apropriação do ciberespaço e utilização das ferramentas informáticas.

3.7 - Adolescentes contagenses no ciberespaço

A análise da ocupação ou das passagens dos adolescentes pesquisados no ciberespaço para desvendar possíveis relações de aprendizagem será abordada aqui segundo os critérios de interatividade já discutidos e através da avaliação do uso dos recursos da Internet pelos adolescentes.

O uso dos recursos da rede, os percursos adotados no ciberespaço, depende das habilidades dos adolescentes com a ferramenta informática e, sobretudo, das vivências específicas desta fase da vida.

3.7.1 - Recursos utilizados pelos adolescentes na rede

Conforme destacado no capítulo anterior, nem todos os adolescentes que responderam ao questionário acessam a Internet, sendo 63,3% deles os usuários da rede mundial de computadores, entre experientes e menos experientes. A Internet não pode ser considerada, ainda, uma referência comum entre os adolescentes pesquisados que estejam reordenando suas vidas de maneira definitiva.

Entre os adolescentes que acessam a rede, as atividades de comunicação interpessoal e busca de informações são as mais citadas como as exercidas por eles. O que revelaria, a princípio, diferenças significativas de uso da Internet em relação aos outros meios de comunicação, especialmente pela presença da comunicação interpessoal

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(e-mails e chats) e exploração de percursos, possibilidades diferenciais apresentadas pela rede em relação aos meios de massa como a televisão e o jornal.

O ciberespaço parece apresentar-se para os adolescentes como local da comunicação interpessoal, busca por informação diferida e difusa em sites (locais de passagem), podendo estar ligada à visita constante de alguns sites (verificação de atualização de sites preferidos, alguns locais de permanência ou visita constante) ou à exploração de novos sites (pesquisas de escola e de assuntos de interesse pessoal).

A utilização dos recursos da Internet ou as visitas/ocupação do ciberespaço pelos adolescentes pesquisados parece ter relação direta com o cotidiano destes jovens no espaço concreto. É interessante notar, na TAB.11 que as pesquisas de escola são citadas como atividades freqüentes realizadas pelos estudantes na rede.

Esta observação é importante, pois afirma a prerrogativa descrita na caracterização do ciberespaço como um local que guarda relações de contigüidade com o espaço concreto e, mais ainda, que os personas, ou sujeitos que passeiam pelo ciberespaço, carregam suas necessidades “reais” e concretas pela rede.

Se o público pesquisado está inserido em um contexto escolar e utiliza o ciberespaço para fazer pesquisas de escola, isso significa, ainda, que a Internet é uma ferramenta de trabalho para eles e não escapa das vivências próprias dos adolescentes. Além disso, o papel extraclasse que a rede oferece aos estudantes adolescentes pesquisados pode indicar que a Internet não concorre com a escola, mas pode ser um apoio às atividades escolares concretas.

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TABELA 11: Atividades realizadas via Internet pelos adolescentes pesquisados

Casos/ porcentagens Escolas públicas Escolas privadas Total Casos 96 167 263

% total casos/escola 36,5 63,5 -

% casos na escola 67,6 82,7 - Faço pesquisas de escola

% do total 27,9 48,5 76,5 Casos 88 160 248 % total casos/escola 35,5 64,5 - % casos na escola 62,0 79,2 - Verifico e-mails % do total 25,6 46,5 72,1 Casos 74 119 193 % total casos/escola 38,3 61,7 - % casos na escola 52,1 58,9 - Faço pesquisas de assuntos de

meu interesse pessoal % do total 21,5 34,6 56,1 Casos 74 98 172 % total casos/escola 43,0 57,0 - % casos na escola 52,1 48,5 - Converso em chats % do total 21,5 28,5 50,0 Casos 60 100 160 % total casos/escola 37,5 62,5 - % casos na escola 42,3 49,5 - Leio notícias % do total 17,4 29,1 46,5 Casos 44 72 116 % total casos/escola 37,9 62,1 - % casos na escola 31,0 35,6 - Faço downloads de programas % do total 12,8 20,9 33,7 Casos 44 57 101 % total casos/escola 43,6 56,4 - % casos na escola 31,0 28,2 - Verifico atualizações de sites

preferidos % do total 12,8 16,6 29,4 Casos 23 16 39 % total casos/escola 59,0 41,0 - % casos na escola 16,2 7,9 - Jogo RPG % do total 6,7 4,7 11,3 Casos 13 26 39 % total casos/escola 33,3 66,7 - % casos na escola 9,2 12,9 - Faço atividades de trabalho

% do total 3,8 7,6 11,3 Casos 11 12 23 % total casos/escola 47,8 52,2 - % casos na escola 7,7 5,9 - Outros % do total 3,2 3,5 6,7 Casos 1 10 11 % total casos/escola 9,1 90,9 - % casos na escola ,7 5,0 - Participo de fóruns, news e

listas de discussão % do total ,3 2,9 3,2 Casos 2 7 9 % total casos/escola 22,2 77,8 - % casos na escola 1,4 3,5 - Faço compras em lojas

virtuais

% do total ,6 2,0 2,6 Total 142 202 344 Total/Porcentagem 41,3 58,7 100,0

Nota: Totais baseados nos 344 casos assinalados; 202 questionários não preenchidos; questão de múltipla escolha

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Parece que as atividades de contato interpessoal, tão importantes nesta fase da vida do jovem, abrem-se às novas possibilidades oferecidas pelos programas de comunicação síncrona e assíncrona disponíveis na Internet que se configuram como possibilidades muito distintas das oferecidas pela comunicação de massa.

O ciberespaço parece se apresentar para o jovem como um local de encontros, bate-papos, um local para fazer pesquisas (biblioteca), prioritariamente. Por outro lado, o ciberespaço aparece como um local de vivência própria da cosmogonia computacional apenas secundariamente (procura de jogos e downloads).

Neste caso, a interatividade de terceiro nível, como imersão em ambientes virtuais, parece ainda não ser uma realidade muito próxima dos adolescentes pesquisados, conforme já destacado anteriormente. A busca por jogos e downloads na rede também não se mostrou intensa quando os adolescentes citaram os Websites preferidos, sendo que somente 7,5% dos questionários válidos apontaram Websites voltados exclusivamente para estes assuntos.

Parece existir adesão a veículos de grande audiência tanto na televisão quanto na Internet, já que os pesquisados apontaram os portais de maior audiência da Internet brasileira como favoritos. Porém, existe uma diferença significativa na maioria que elegeu os portais como favoritos e a maioria que elegeu a Rede Globo de Televisão como favorita (ver capítulo 2): 94,4% dos adolescentes apontaram a Globo como favorita, enquanto os portais são eleitos como preferidos por 62,3% dos usuários que acessam a rede.

Além disso, também é possível verificar uma pulverização de preferências por sites, já que foram citadas 282 referências a sites na rede83 , número que dificultou muito a classificação organizada dos sites pela pesquisadora e exibida na TAB.12.

A tendência à diversidade de referências também está manifesta nas escolhas por programação de televisão, com referências apontadas a 301 programas ou grupos de programas diferentes na televisão, sendo a maior parte destes programas exibidos pela TV aberta; e, também, por escolhas de revistas a ler, com 125 referências diferentes.

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Nem todas as referências a sites citadas pelos adolescentes na pesquisa (questão 41 do questionário de pesquisa no anexo 1) eram precisas, ou seja, indicavam endereços completos dos sites. Sendo que 50 referências estavam incorretas ou se apresentaram muito imprecisas para serem classificadas.

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TABELA 12: Websites mais visitados pelos adolescentes, por temáticas

Casos/ porcentagens Escolas públicas Escolas privadas Total Casos 68 107 175 % total casos/escola 38,9 61,1 - % casos na escola 62,4 62,2 - Portais % do total 24,2 38,1 62,3 Casos 39 93 132 % total casos/escola 29,5 70,5 - % casos na escola 35,8 54,1 - Busca % do total 13,9 33,1 47,0 Casos 30 63 93 % total casos/escola 32,3 67,7 - % casos na escola 27,5 36,6 - Música % do total 10,7 22,4 33,1 Casos 35 35 70 % total casos/escola 50,0 50,0 - % casos na escola 32,1 20,3 - Miscelânea/Humor/ Relacionamentos % do total 12,5 12,5 24,9 Casos 24 22 46 % total casos/escola 52,2 47,8 - % casos na escola 22,0 12,8 - Sites de revistas, jornais e esportes % do total 8,5 7,8 16,4 Casos 14 25 39 % total casos/escola 35,9 64,1 - % casos na escola 12,8 14,5 - Serviços e empresas % do total 5,0 8,9 13,9 Casos 10 28 38 % total casos/escola 26,3 73,7 - % casos na escola 9,2 16,3 - Comunicação síncrona e assíncrona % do total 3,6 10,0 13,5 Casos 21 11 32 % total casos/escola 65,6 34,4 - % casos na escola 19,3 6,4 - Sexo/Eróticos % do total 7,5 3,9 11,4 Casos 7 24 31 % total casos/escola 22,6 77,4 - % casos na escola 6,4 14,0 - Conteúdos especializados % do total 2,5 8,5 11,0 Casos 9 19 28 % total casos/escola 32,1 67,9 - % casos na escola 8,3 11,0 - Não acessados/Sem classificação % do total 3,2 6,8 10,0 Casos 11 10 21 % total casos/escola 52,4 47,6 - % casos na escola 10,1 5,8 - Jogos e downloads % do total 3,9 3,6 7,5 Casos 7 13 20 % total casos/escola 35,0 65,0 - % casos na escola 6,4 7,6 - Vários (resposta genérica) % do total 2,5 4,6 7,1 Total 109 172 281 Total –Porcentagem 38,8 61,2 100

Nota: 281 casos válidos; 265 sem resposta; questão aberta de múltipla resposta

O número de referências a web sites diferenciados é menor do que o número dos diferentes programas de TV citados, porém, é um número bastante significativo, já

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que somente 345 pessoas acessam a Internet e, destas, somente 281 citaram 282 sites favoritos. Assim, pode-se dizer que as preferências na rede tendem a ser mais diversificadas e pulverizadas do que na TV.

A análise desta situação pode sinalizar a demanda de diversidade do público adolescente de maiores opções de escolha de programação dos canais de TV, ou uma tendência à adoção da multiplicidade de escolha (interatividade nível 2) e seletividade da audiência. Tal demanda pode estar associada às conseqüências da interacionalidade provocadas pela Internet.

As disponibilidades de mais escolhas ao jovem através da Internet podem provocar relações diferenciadas dos jovens em outros espaços, que podem estar expressas na pulverização das preferências, alterando as demandas no ambiente midiático.

A pressão por maior multiplicidade de escolha requer do adolescente, no entanto, habilidades de seleção de informação (interatividades de nível 1 e 2). É necessário que os adolescentes tenham critério ao navegar na rede em busca de informações ou estabeleçam alguns hábitos de uso da rede que permitam o ordenamento em um espaço saturado de escolhas e informações.

A permanência em portais pode ser uma estratégia de navegação ou habilidade seletiva destes jovens, mas mesmo os portais já apresentam estruturas de navegação complexas e saturadas de links, requerendo habilidades de interpretação do jovem (interatividades nível 1 e 2).

Parece que as habilidades de seleção da informação na rede estão mais desenvolvidas nos jovens das escolas particulares, que utilizam mais os serviços de busca do que os jovens da escola pública e apresentaram maior interesse por conteúdos especializados na rede (ver TAB.12).

Merece destaque, também, a procura por revistas da grande imprensa na rede e por sites com miscelâneas, neles incluídas fofocas sobre novidades da grande imprensa. O portal Globo é o campeão da audiência entre os jovens pesquisados (com 69 citações). Parece que a Internet se configura como mais um veículo na busca de informações da grande mídia à semelhança do que acontece com a leitura de revistas sobre novelas e artistas bem como parece mais uma alternativa à procura de informações próprias para jovens, muito freqüente no item miscelânea.

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É importante destacar, também, o assunto música entre as preferências de websites citados por adolescentes na Internet. Websites de bandas musicais, ídolos, cifras e tablaturas estão em perfeita consonância com a vivência intensa do jovem com a música, já destacada nas preferências dos pesquisados no capítulo 2 (TAB.5).

É difícil fazer uma categorização de preferências dos adolescentes na rede, já que a tendência à pulverização dos resultados é grande. No entanto, pode-se dizer que os portais merecem destaque entre os Web sites visitados pelos jovens adolescentes pesquisados, entre eles encontram-se entre os mais citados o portal da Globo (69 referências), seguido do portal BOL (66 referências) e do portal UOL (62 referências), IG (37 referências) e Terra (30 referências).

Todos os portais citados oferecem serviços de acesso à Internet, seguindo a caracterização de portal colocada no item 3.6.1.3. Uma possível preferência pelos portais pode se dar pelo simples fato de ele se configurar como a primeira página de acesso do internauta à rede, já que se trata de um serviço de acesso. Rastreando os e-mails citados pelos adolescentes, 89 citaram endereços de e-mail do BOL, que oferecem e-mails gratuitos a internautas, 45 citaram e-mails do IG. Endereços do domínio Globo e UOL somaram 20 apenas (11 para o domínio Globo e 9 para o domínio UOL).

As preferências de visita ao site BOL e IG podem estar associadas ao acesso de serviço de e-mail ou de acesso gratuito à Internet. Porém, parece que a preferência pelos portais Globo e UOL estão ligadas ao conteúdo oferecido por estes sites. O primeiro oferecendo o acesso às notícias do canal de TV e uma série de serviços como e-mail gratuito, e o segundo oferecendo acesso a salas de bate-papo, de notícias e canais diversificados para todos os tipos de público.

Mas, tanto a preferência pelos portais Globo e UOL aponta a necessidade do desenvolvimento de uma habilidade do adolescente em lidar com as interatividades de nível 1 e 2, dadas as possibilidades de acesso a múltiplas informações e a uma saturação do espaço de busca e informações. As possibilidades de leitura e diversidade de opções nos portais são distintas das apresentadas nos meios de massa tradicionais. Abaixo, uma figura da página principal do UOL, acessada em 5 de março de 2003. Vê-se, na figura, um grande menu de opções em vermelho à esquerda contendo opções diversificadas para todos os tipos de público; de outro lado, verificam-se múltiplas escolhas de notícias e links para acesso, bate-papo. Enfim, multiplicidade de links para escolhas de

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informações, sendo as mais atualizadas (notícias) em destaque. Na figura, ainda se encontra representada uma janela contendo o programa de comunicação síncrona ICQ.

O portal UOL, com um demonstrativo de tela apresentado na FIG.7, é um megaportal brasileiro de acesso à Internet, apresenta conteúdos diversificados (auto-denomina-se como o maior conteúdo da América Latina na Internet) e que oferece diversos recursos/serviços, como e-mails, salas de chat, newsgroups, além de contar com notícias online e de estar associado a diversas corporações brasileiras de comunicação. Apresenta, ainda links para shoppings virtuais. No QUADRO 5 encontram-se destacados os recursos apresentados pelos portais Globo e UOL84.

QUADRO 4 - Recursos apresentados pelos portais Globo e UOL

Recurso Globo Uol

Possibilidades de comunicação e interatividades

Possibilidades de comunicação entre internautas (interatividade níveis 2 e 4, em alguns casos)

Canais de chat Canais de chat e newsgroups

Existência de fóruns de debate Sim Sim

Seletividade avançada do usuário (multiplicidade de links) Sim Sim

Enquetes Sim Sim

Envio de notícias por e-mail feito por visitantes do site Sim Sim

Bloggers e páginas pessoais Para assinantes Para assinantes

Possibilidade de intervenção do internauta na construção do site Não Não Multimídia; convergência midiática

Existência de rádio online Sim Sim

Animações em flash Sim Sim

Rádios, revistas e jornais online Sim Sim

Acesso a base de dados – biblioteca virtual

Arquivos diversificados Sim Sim

Navegabilidade

Menus Sim Sim

Mecanismo de busca dentro do site Sim (zoom) Sim

Estrutura de destaque a notícias (News) Sim Sim

Acesso

E-mail Sim (gratuito) Sim (pago)

Serviço de conexão à Internet Sim (pago) Sim (pago)

84

Parece que todos os portais citados seguem um mesmo padrão de construção. Os portais da Globo e do UOL podem ser representativos para a análise da preferência dos estudantes.

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FIGURA 4: Tela representativa da exibição do site www.uol.com.br em um browser Netscape

Nota: A tela é demonstrativa, já que somente os itens colocados onde está a primeira palavra (assinalados por um quadrado cinza claro) Scroll são exibidos na tela inteiramente, sendo necessário fazer duas operações de scroll da tela, conforme indicado na figura para visualizar todas as opções oferecidas pelo portal UOL.

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O portal Globo contém jornalismo online, apresentando notícias instantâneas e editorias de notícias. Apresenta, ainda, serviços de acesso à Internet e a recursos da rede, como e-mail, chats, fóruns. O portal apresenta, ainda, diversas seções sobre a programação da Globo canal aberto e da Globo News. Especificamente sobre a programação aberta, o site apresenta descrições detalhadas, links para interação no caso das telenovelas e, também, do programa Big Brother Brasil, apresentando opções de votação e popularidade dos participantes.

Além disso, é preciso dizer que estes grandes portais são associados a grandes nomes da imprensa brasileira, e interatividade de quarto nível nestes sites não parece se verificar, pois parece que o jovem internauta não pode interferir participativamente nas publicações destes sites, apesar de ser convidado a opinar através de enquetes ou escolhas limitadas da programação da TV, por exemplo (interatividade nível 2).

É difícil saber exatamente o que os adolescentes utilizam entre as opções oferecidas pelos portais, quais estratégias de percurso naquele ambiente são por eles efetivadas, já que são tão variadas. Apesar disso, a própria utilização dos portais pode ser um bom treinamento para o uso da rede em si, já que eles possuem uma estrutura muito complexa em quantidade de informações e apresentam padrões bem definidos de organização da informação (a navegabilidade entre os portais parece ser bem semelhante, assim como a disposição dos links e os destaques oferecidos às informações).

Saber navegar em um portal pode sedimentar algumas desenvolturas na rede, como as habilidades de seleção de informações, por exemplo. O internauta adolescente pesquisado pode aprender um pouco mais a lógica operatória de navegação em um universo saturado de informações ao utilizar um portal.

Além disso, a lógica instantânea de produção de notícias dos jornais online e as possibilidades de comunicação interusuários assíncronas e síncronas oferecidas pelos portais pode contribuir para a formação de um sujeito mais aberto à conectividade propiciada pelas redes informáticas, mesmo sendo ela momentânea ou vazia.

Além do mais, a discussão sobre o que se pode aprender com o uso dos portais traz à tona a discussão das possibilidades formativas oferecidas pelo jornalismo, já que os portais privilegiam a publicação de notícias em primeiro plano. Neste caso,

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pode-se dizer que o aproveitamento do manancial de informações com propósitos de assimilação de informações úteis pelos adolescentes depende do interesse do adolescente, das suas necessidades e de suas habilidades em filtrar as informações. Mesmo as leituras de jornais diários impressos, para serem educativas, exigem um mínimo de competência e interesse por parte de quem lê para que resulte em alguma informação significativa para o indivíduo.

A concentração de muitos serviços da rede oferecida pelos portais pode deixar os internautas adolescentes mais familiarizados com os recursos da rede, pois estes estão, geralmente, em sites com maior volume de informações, notícias e links, de mais difícil navegação. Curiosamente, as "descobertas" ao acaso também podem ocorrer na navegação por estes sites.

O acesso à base informativa de dados (bibliotecas digitais) ainda se configura como importante potencial educativo destes web sites, se se considera, como Braga (QUADRO 1) que as bibliotecas e materiais informativos são espaços de aprendizagem social. Porém, mais uma vez seria necessário saber com precisão se os estudantes utilizam estes espaços em suas pesquisas escolares, em suas pesquisas de assuntos pessoais, conforme foi por eles assinalado nas TAB.10 e 11).

Dos recursos apresentados pela rede destacados no QUADRO 3, os adolescentes usam primordialmente os recursos apresentados pela WWW como portais e páginas; além de mecanismos de comunicação assíncrona e síncrona. A comunicação em grupos parece não atrair muito os adolescentes pesquisados, com pouca ou nenhuma participação destes jovens em listas, fóruns ou grupos de discussão. O uso de jogos virtuais não figura entre os preferidos dos jovens pesquisados, sendo que o jogo de RPG foi lembrado entre eles. Os aplicativos especializados em troca de arquivos, especialmente música, não são muito destacados entre os jovens pesquisados, mas isso pode estar associado à falta de opção explícita do questionário, em que existe a opção de download de programas, a qual pode não estar associada à música (Ver questionário no anexo 1).

Parece que a apropriação do ciberespaço acontece mais nos locais de passagem e de encontros, nos playgrounds, e nas visitas a bibliotecas (busca de informações) do que nos locais de permanência da rede (comunidades virtuais). Em outras palavras: o ciberespaço é local de bate-papos, passatempo, procura por

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informações que interessam à fase da adolescência – a saída do isolamento e conquista do mundo, conectividade - e do estudante adolescente – busca de material informativo.

Esta tendência confirma o que já foi apresentado no capítulo 2, sobre as atividades realizadas no computador pelos adolescentes serem prioritariamente atividades escolares e de comunicação.

São poucos os jovens que criaram os seus sites e os disponibilizaram na rede, bem como são poucos os que participam mais ativamente na rede por busca de informações mais especializadas, conforme pode ser observado na pesquisa (ver TAB. 11 e 12).

3.7.2 - Uso especializado: criação de sites e participação em listas de discussão

É muito pequeno ainda o número de jovens que apresentam usos mais especializados da rede, que têm uma intimidade maior com as ferramentas computadorizadas entre os estudantes pesquisados, o que parece indicar uma baixa dependência deste jovem em relação à tecnologia informática, podendo ser relativizada a importância ou frisson destes jovens pela tecnologia.

A participação dos jovens em listas de discussão foi assim distribuída: GRÁFICO 3: Uso especializado da Internet – participação em lista de discussão

192,00 / 35,2% 333,00 / 61,0% 21,00 / 3,8% Não assinalado Não Sim

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Foram identificados 31 estudantes que pareciam utilizar a rede com muita freqüência entre os 546 pesquisados, 11 na EPB1, 10 na EPA1, 9 na EPA2 e 1 na EPB2.

No documento Caminhos da aprendizagem via Internet (páginas 123-139)