Eliane Cristina de Freitas Rocha
Caminhos da aprendizagem via Internet
Um estudo dos percursos realizados por estudantes adolescentes
de Contagem no ciberespaço
Eliane Cristina de Freitas Rocha
Caminhos da aprendizagem via Internet
Um estudo dos percursos realizados por estudantes adolescentes de Contagem no ciberespaço
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Comunicação Social
Área de Concentração: Comunicação e Sociabilidade Contemporânea
Orientadora: Profa. Maria Beatriz Almeida Sathler Bretas
Belo Horizonte
2003
Para meu pai (in memorian)
AGRADECIMENTOS
Agradeço a DEUS por ter podido realizar este trabalho mesmo tendo passado por intempéries na minha vida pessoal ao longo destes dois anos.
À CAPES, pelo apoio financeiro, sem o qual este trabalho não teria sido exeqüível.
Agradeço à Bia, minha professora orientadora, pela orientação, apoio e amizade Agradeço ao César, pelo incentivo ao ingresso no mestrado e pelo apoio nos momentos mais difíceis que atravessei ao longo deste processo.
Agradeço à Sister, fiel irmã, amiga de todas as horas, capaz de ser o maior muro de lamentações de todos os momentos vividos.
Agradeço ao apoio da minha família, em especial da minha mãe e das minhas tias.
Agradeço aos colegas de mestrado pelas nossas conversas estimulantes e pelo apoio, em especial à Marta, pelo apoio psicológico, pedagógico e pela sua companhia ao longo de todo este processo; à Kênia, pelo apoio junto à prefeitura de Contagem durante a coleta de dados; ao Osmar, pelo companheirismo e ao Alexandre e Ângela pela companhia nos momentos de desespero.
Agradeço a todos aqueles que me ajudaram direta ou indiretamente na realização deste trabalho, vocês sabem quem vocês são!
Agradeço à compreensão dos meus amigos pela paciência diante das minhas constantes ausências necessárias à conclusão deste trabalho.
Agradeço aos professores Cidinha e Theldo, pelas conversas estimulantes e sugestivas sobre os rumos deste trabalho, e à Cida pela importante contribuição na etapa de qualificação do mesmo. Agradeço à Cristina, pelas idéias compartilhadas na FAE.
Agradeço às escolas que cederam o espaço para realização da pesquisa. Em especial a Míran Jau, Eliane M. F. Silveira, Idelma Oliveira de A Feliciano, Keyla Glícia de F.M. Mascarenhas, Patrícia Helena S. Patrício, Rodrigo Sávio Souza, Gleice I.
dos Santos, Juraci Gomes e Elisa Perdigão, que me acolheram nas escolas pesquisadas.
Agradeço ao Vander Aguiar pela disponibilidade e pelas valiosas informações e produtivas conversas na Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico de Contagem.
Agradeço aos jovens participantes da pesquisa pelas conversas e pela disponibilidade apresentada, pois sem eles este trabalho não se realizaria, e em especial à jovem Lilith.
Agradeço aos professores do Mestrado em Comunicação, que auxiliaram no desenvolvimento conceitual deste trabalho e no processo de amadurecimento necessário durante o curso – Rousiley Maia, Vera França, Júlio Pinto, Regina Mota, Mike, Maria do Carmo.
Agradeço aos funcionários da Pós-Graduação da Fafich, em especial ao Alessandro e à Andreza.
Agradeço à Aline, pois sem a sua ajuda dificilmente teria conseguido tratar todos os dados necessários ao desenvolvimento deste trabalho.
Ah! E, por fim, agradeço ao CAM, ao Stevie Wonder, ao James Brown, Ritchie, Cazuza, Red Hot Chilli Peppers, Os Mutantes, Elis Regina, Aretha Franklin, Curtis Mayfield, George Clinton e outras paixões em carne, osso, bits, bytes e luzes... que embalaram os momentos de (des) concentração necessários ao desenvolvimento deste trabalho!
“As coisas que me vêm ao espírito se apresentam não por sua raiz, mas por um ponto qualquer situado em seu meio”. (Kafka)
O presente trabalho foi realizado
com o apoio da CAPES, entidade do
Governo Brasileiro voltada para
formação de recursos humanos.
SUMÁRIO
LISTAS RESUMO
1- CAMINHOS DA INVESTIGAÇÃO ... 13
1.1- As transformações do mundo contemporâneo ... 13
1.2- Objeto de estudo... 19
1.3- Metodologia ... 21
1.4 – Cenário da pesquisa ... 26
1.5- Perfil dos estudantes pesquisados ... 33
1.5.1- Perfil sócio-econômico dos estudantes pesquisados ... 34
1.5.2- Gênero dos estudantes pesquisados ... 34
1.5.3- Ambiente escolar ... 35
1.6- Realização da pesquisa ... 36
1.7- Roteiro do trabalho ... 37
2- JOVENS NA SOCIEDADE MEDIATIZADA ... 38
2.1 – Jovens adolescentes ... ... 38
2.2 – ... e a sociedade mediatizada ... 41
2.2.1- A penetrabilidade da mídia na vida do jovem ... 44
2.2.1.1- A mídia e o entretenimento ... 44
2.2.1.2 – A mídia como espaço de informação ... 55
2.3 - ... e a tecnologia informática ... 57
3- APRENDIZAGEM E SEUS ESPAÇOS ... 61
3.1 – Sobre a aprendizagem, a educação e o ensino ... 61
3.1.1- A institucionalização do ensino... 63
3.2- Espaços de aprendizagem ... 65
3.3 – Aprendizagem mediática ... 67
3.4 - (Auto) Aprendizagem informal através dos meios de comunicação ...69
3.5 – Relações entre os espaços de aprendizagem ... 71
3.6 – O ciberespaço como ambiente de aprendizagem ... 76
3.6.1- Caracterização da Internet ... 77
3.6.1.2 – Possibilidades de comunicação ... 81
3.6.1.3 – Programabilidade e desenvolvimento da Internet 84 3.6.1.3.1- Características da nova mídia ... 85
3.6.1.3.3- Possibilidades programáveis da Internet 88 3.6.2 – Interatividade e ciberespaço ... 91
3.6.2.1 – Interatividade ... 95
3.6.2.1.1 - Interatividade como operação de interfaces e seleções de percursos limitados (interação) – Nível 1 ... 96
3.6.2.2 -Interatividade como seleção avançada de conteúdos e caminhamentos hipertextuais – Nível 2 ... 104
3.6.2.3- Interatividade como imersão em espaços virtuais e agentes 108 3.6.2.4- Interatividade como participação e intervenção ... 110
3.6.2.5- Interacionalidade e cultura digital ... 115
3.7 – Adolescentes contagenses no ciberespaço ... 123
3.7.1 - Recursos utilizados pelos adolescentes na rede ... 124
3.7.2 - Uso especializado: criação de sites e participação em listas de discussão ... 134
4- PERCURSOS QUE LEVAM À APRENDIZAGEM? ... 139
4.1 – Aprendizagem operacional dos recursos técnicos... 139
4.1.1 – Habilidades operatórias ... 139
4.1.2- Construção de websites ... 142
4.1.2.1 - Caracterização técnica das páginas construídas pelos jovens ... 143
4.1.3- A lógica da velocidade ... 148
4.1.3.1 – Impaciência ... 153
4.1.4- Saturação ... 155
4.1.4.1- Estratégias seletivas ... 157
4.1.5 – Problemas operatórios ... 161
4.2 – Propósitos de uso da rede, interacionalidade e participação ... 162
4.2.1- Laços de amizade? ... 165
4.2.2- Por que ocupar o ciberespaço? ... 166
4.2.3- Dependência ... 171
4.3- Autoformação? ... 172
4.3.1- Natureza dos websites visitados pelos jovens da segunda etapa da pesquisa ... 174
4.3.2 - A relação do jovem com o ciberespaço informativo ...181
4.4 - Relações entre os espaços de aprendizagem ... 185
4.5 – Considerações metodológicas ... 188
4.5.1 – Considerações gerais sobre a lista de discussão ... 188
4.5.2 - Considerações sobre o uso das ferramentas eletrônicas de comunicação síncrona e assíncrona ... 194
4.5.3 – Postura da pesquisadora ... 199
5- CONCLUSÕES ... 201
5.1 – Aprendizagem operacional dos recursos técnicos... 202
5.2 – Assimilação de conteúdos ... 206
5.3 – Exploração de recursos ... 207
5.4 – A conclusão da conclusão ... 208
ABSTRACT ... 211
BIBLIOGRAFIA ... 212
ANEXOS ... 221
LISTAS
Tabelas
1: Estudantes pesquisados por escola ... 32
2: O que o adolescente costuma fazer nas horas vagas ... 45
3: Emissoras prediletas de TV do jovem ... 47
4: Programação da TV assistida pelo jovem adolescente ... 50
5: Notícias de interesse dos jovens ... 51
6: Preferência dos adolescentes por revistas ... 53
7: Como o jovem se mantém informado ... 56
8: Acesso à Internet ... 59
9: Formas de acesso à Internet ... 60
10: Atividades realizadas no computador ... 60
11: Atividades realizadas via Internet pelos adolescentes pesquisados ... 125
12: Websites mais visitados pelos adolescentes, por temáticas ... 127
13: Marcas discursivas mais comuns entre os adolescentes pesquisados ... 149
Quadros 1: Espaços de aprendizagem - José Luiz Braga ... 66
2: Classificação dos meios de comunicação de Braga e Calazans (2001:20) ... 84
3: Recursos apresentados pela Internet ... 94
4: Recursos apresentados pelos portais Globo e UOL ... 130
5: Participantes da segunda etapa da pesquisa ... 138
6: Abreviações mais comuns nas trocas de e-mails e conversas no ICQ adotadas pelos adolescentes no contato com a pesquisadora ... 149
7: Hábitos dos adolescentes da segunda etapa da pesquisa ... 164
Figuras 1: Etapas da pesquisa e seus propósitos ... 25
2: Mapa de Contagem com a distribuição da amostra ... 31
3: A interface e a interação do usuário com um sistema computacional ... 97
4: Tela principal do Portal UOL ... 131
5: Weblog de Dani ... 145
6: Website de Aoshi ... 146
7: Website de Poliana ... 147
8: Página representativa do site www.silverchair.nu, acessado em 29-01-2003 ... 174
9: Possibilidades interativas em um website ... 175
10: Página representativa do portal www.dirce.com.br ... 177
11: Página representativa do website www.raulrockclub.com.br ... 180 12: As relações do adolescente com a rede ...
209
Gráficos
1: Tempo gasto por dia vendo televisão ... 46
2: Posse de computador entre as escolas pesquisadas ... 58
3: Uso especializado da Internet - participação em lista de discussão ...134
Anexos 1- Questionário da primeira etapa da pesquisa ... 221
2- Roteiro da lista de discussão ... 224
3- Roteiro de entrevista via ICQ e e-mail ... 226
4- Anexos do Banco de Dados ... 227
DER ... 227 Telas de entrada de dados ... 228 5- Primeira mensagem enviada aos estudantes (convite da lista) ... 231
RESUMO
Este estudo buscou investigar o uso dos recursos oferecidos pela Internet pelos estudantes adolescentes da cidade de Contagem-MG, a fim de se compreender se tais relações resultam em aprendizagem.
Em um primeiro momento foi realizada uma pesquisa quantitativa para identificar a importância dos meios de comunicação e da Internet na vida dos adolescentes estudantes pesquisados em quatro escolas do referido município (duas públicas e duas particulares).
Os resultados da pesquisa quantitativa mostraram que os jovens estudantes fazem uso da televisão com propósitos de entretenimento – essencialmente – e informativos. Já os computadores são utilizados, primordialmente, como uma ferramenta para construção de atividades escolares e comunicação entre amigos, também atendendo a propósitos lúdicos e de entretenimento. Também foi demonstrado que o uso da Internet estava associado a atividades de pesquisa escolar e comunicação síncrona e assíncrona, o que sinaliza a importância da conectividade entre pessoas propiciada pela rede.
Foi realizada, em um segundo momento, uma pesquisa qualitativa para investigar especificamente como os jovens usuários mais assíduos da rede usavam os recursos da Internet. Nesta etapa, verificou-se que a Internet é um importante instrumento de contato (conectividade), além de ser importante fonte de acesso a informações, utilizada primordialmente com objetivos de lazer e entretenimento, bem como execução de atividades escolares, ou ainda associadas aos hobbies dos adolescentes.
As relações possíveis de aprendizagem derivadas do contato com a rede são a aprendizagem mediática – aprendizagem do uso dos recursos da rede, com a construção de habilidades seletivas nas incursões no ciberespaço – e a assimilação de conteúdos disponíveis na rede.
A aprendizagem dos recursos da rede caracterizou-se como essencialmente tácita, prática e limitada, pois nem todos os adolescentes dominam todas as ferramentas informáticas, adquirindo este domínio somente quando este se faz necessário.
Já a assimilação de conteúdos disponíveis na rede acontece quando os jovens têm habilidades autoformativas e interesse nos assuntos pesquisados, não se podendo generalizar que somente o acesso a informações resulta em aprendizagem. Verificou-se a importância do background informativo dos indivíduos, o qual pode ser adquirido na vivência em espaços institucionalizados de ensino.
O principal ganho dos adolescentes na Internet parece estar associado à conectividade propiciada pela rede com seus pares, que pode acontecer via instrumentos de comunicação síncrona e assíncrona, bem como em alguns websites, especialmente aqueles do tipo weblog. A conectividade pode ser importante para a formação dos jovens, já que nesta fase as relações interpessoais têm importância fundamental na consolidação da identidade.
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1 – CAMINHOS DA INVESTIGAÇÃO
“O grande problema da vida é fazer inferências”
(J. Stuart Mill)
1.1- As transformações do mundo contemporâneo
O período contemporâneo é marcado por transformações e mudanças sociais profundas, as quais caracterizariam o surgimento de uma nova era na história da humanidade, uma era pós-industrial, cuja denominação, contornos e nuances ainda se encontram em discussão, dada a dinamicidade deste processo transformador.
A sociedade contemporânea é denominada “sociedade da informação”,
“sociedade do conhecimento”, “sociedade tecnológica”, ou, ainda, “sociedade mediatizada”. Tais alcunhas fazem referências às transformações tecnológicas originadas principalmente a partir do avanço da microinformática, e à presença ostensiva e quase onipresente dos meios de comunicação na sociedade.
Para Castells (1999), o tempo contemporâneo caracteriza-se pela superação da era industrial e o surgimento da era da informação, através de uma revolução da tecnologia da informação que se iniciou no Vale do Silício a partir dos avanços da microeletrônica da década de 70 do século XX e do avanço do setor terciário da economia.
As transformações da sociedade contemporânea, com o fim do industrialismo e surgimento da sociedade da informação, estariam trazendo para o mercado de trabalho um maior peso de produtos de informação1, estes com características menos palpáveis e mais intangíveis, baseados na produção intelectual e não na força física produtiva. Neste contexto, é necessária maior qualificação e maior grau de especialização do trabalho, o que pode ser traduzido em maior escolaridade da mão-de-obra, se é que o termo “mão-de-obra” ainda constitui uma metáfora adequada neste contexto.
1 Diversos autores problematizam a importância do intercâmbio de informações e conhecimentos como a base de uma nova era da informação, entre eles é importante destacar LECOADIC (1996).
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A sociedade da informação é uma sociedade em rede, nela a distância entre os indivíduos diminui, pois a conectividade permitida pelas tecnologias da informação encurta as barreiras entre as pessoas e os mais diversos atores sociais. Tudo está conectado a tudo em uma velocidade quase instantânea, em fluxos2 .
O uso das redes telemáticas está no centro deste processo de transformação, promovendo a ruptura das barreiras da distância; propiciando novos padrões de relação social e modificando os padrões cognitivos humanos.
Pode-se dizer que a sociedade da informação - ou a sociedade da era da informação - é tecnológica, pelo uso intensivo da tecnologia (especialmente das redes telemáticas e das máquinas computadorizadas) e sua onipresença nos processos sociais, mas esta sociedade é, ainda, uma sociedade mediatizada.
Para José Luiz Braga e Regina Calazans (2001), os meios de comunicação são o espaço privilegiado para as interações sociais na contemporaneidade. É importante notar que, para estes autores, não existe um determinismo tecnológico nas transformações sociais. A sociedade não sofre os impactos das transformações tecnológicas simplesmente, mas altera o seu ritmo e padrões de funcionamento conforme suas demandas e suas próprias necessidades. Em outras palavras, existe uma circularidade entre meios de comunicação e tecnologias e a sociedade e suas demandas3.
As mudanças sociais trazidas pelo contexto da era da informação tendem a alterar as formas de interação social, e os meios de comunicação – jornais, revistas, rádio, televisão, redes telemáticas – ocupando papel central nesta sociedade, são decisivos na condução dos padrões de relacionamento dos atores sociais.
Para José Luiz Braga e Regina Calazans (2001), nesta sociedade mediatizada diversificam-se as possibilidades de interação social, modificam-se os processos sociais e crescem o volume e a disponibilidade de informações.
2 Logicamente que esta conexão depende de uma infra-estrutura de comunicações e transportes bem organizada e estabelecida e não pode ser generalizada de maneira simplista, mas existe em potência à medida que os atores sociais vão se integrando à complexa rede telemática e esta vai se consolidando e expandindo. Para SANTOS (1994), a fluidez é condição de competitividade no período contemporâneo, o que faz com que os transportes e as comunicações se desenvolvam, as barreiras sejam rompidas (p.34).
Por outro lado, verifica-se, nos termos empregados em relações comerciais “business-to-business”,
“business-to-consumer”, uma progressiva tentativa de integração entre empresas via tecnologia e entre empresas e consumidores também via tecnologia telemática, o que comprova a tendência integração entre os atores sociais (pelo menos nas relações comerciais e produtivas) através da tecnologia.
3 A idéia de circularidade entre processos comunicativos e sociedade alinha-se com o pensamento complexo de Edgar Morin e é desenvolvida por outros autores além de Braga, como Marco Silva (2000).
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O conjunto dos meios de comunicação com a sua variedade de produtos e processos vêm atender as demandas de interação e conversação da sociedade. O contato dos indivíduos com informações advindas de todos os meios de comunicação – condição da sociedade da informação – não se reduz simplesmente à dimensão instrumental e transmissiva do ato comunicativo. Os meios de comunicação informam e formam a sociedade, e as pessoas, em contato com a mídia e seus produtos, agenciam significados, interpretam e modificam suas relações sociais. Dizer que o fluxo elevado de materiais simbólicos ditos informativos é elevado e que este fluxo em si determina o surgimento de uma era da informação é reducionista.
Para José Luiz Braga e Regina Calazans (2001), a interação dos grupos sociais sobre os produtos mediáticos e através deles caracteriza uma interacionalidade mediática social ampla, na qual os materiais simbólicos que circulam na sociedade através dos meios de comunicação provocam deslocamentos de sentido entre e nos sujeitos sociais (intra e intersubjetivos).
A interacionalidade mediática ampla4 possível com os fluxos informacionais crescentes passa a ser a diferença qualitativa da sociedade na era da informação. É de maneira mediatizada que a sociedade realiza a maior parte de seus diálogos e suas experiências.
Independentemente da alcunha – seja sociedade da informação, sociedade do conhecimento, sociedade mediatizada – a sociedade contemporânea permeada pelos meios de comunicação e pelas tecnologias da informação agencia o tempo e o espaço de forma distinta, o que gera transformações profundas na organização social. Os meios de comunicação, seus produtos e processos tornam grande parte das interações sociais mediadas tecnologicamente.
“O campo dos media instaura uma nova dimensão pública, manifestada na rede imaginária/simbólica que altera o estar no mundo do homem contemporâneo, imprimindo-lhe novas maneiras de estar com o outro. Nesse cenário, a construção social da realidade é visivelmente alterada, na medida em que acrescenta à experiência presencial, face a face, dos indivíduos novas modalidades de experiências tele-vividas,
4 Os termos interacionalidade mediática social ampla, interacionalidade mediatizada ampla e interacionalidade mediática ampla serão utilizados como sinônimos neste trabalho, já que Braga (2000,2001) utiliza estes termos também de maneira quase indistinta.
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onde o mundo é apresentado como linguagem. Nessa nova situação, as percepções sobre espaço e tempo são alteradas, provocando novas concepções sobre as distâncias e evocando as idéias da sincronicidade”. (BRETAS, 2000: 62)
Não é de maneira uniforme, porém, que todos os indivíduos agenciam o uso dos instrumentos de comunicação nesta sociedade mediatizada. Cada ator social pode fazer uso do computador, do telefone celular, da televisão e do jornal de maneira distinta de outro de acordo com suas próprias necessidades e premido por exigências mais ou menos mercadológicas, mais ou menos laborais, dinâmica ou lentamente.
As transformações sociais na “era da informação mediatizada” podem ser observadas através de variados pontos de vista. Acredita-se que os jovens de hoje, na raiz destes processos de mudança, tendem a incorporar a tecnologia no ordinário de suas relações sem terem as amarras de outras configurações sociais arraigadas em seu temperamento.
Os jovens, e em especial, os adolescentes, ao passarem por processos de ruptura com seus pais e com as autoridades5, através de um processo de construção de identidade, normalmente são os mais propícios a provocar alterações na ordem social de geração a geração.
Hoje, um jovem adolescente de classe média pode contar com diversas ferramentas tecnológicas em seus lares, o que não era tão comum há vinte anos, devido ao custo de acesso e a fatores específicos associados à realidade brasileira6.
Conforme destaca Bretas (2000), a habilidade dos jovens com as novas tecnologias é marcante, sendo que é possível observar, nas realidades brasileira e
5 Para Barone e Barone (1998), a ruptura para com os padrões estabelecidos é vista como parte de um processo de amadurecimento do indivíduo na fase de adolescência, mas cada um a vive de maneira individualizada, sendo que ela pode não existir em alguns casos patológicos. O desligamento de um indivíduo dos seus pais é vista na psicanálise como um processo doloroso, mas que permite o progresso da civilização e a ruptura entre uma nova e uma velha geração.
6 A Internet só alcançou o território nacional a partir de 1995 e vêm expandindo seu alcance de maneira exponencial nos últimos anos.
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americana, adolescentes que trabalham no setor de informática devido à facilidade em lidar com as novas tecnologias, as quais estariam “falando” a língua da sua geração7.
O uso do computador pelos adolescentes – pessoas ainda em fase de experimentação e consolidação de identidade, marcados pelo egocentrismo8 – pode ajudar a cristalizar uma visão de mundo “digital”, interferindo para sempre na maneira com que constituirão no futuro os laços sociais, o aprendizado, as relações com o outro.
Jovens em idade escolar - especialmente adolescentes - já se encontram familiarizados com os espaços midiáticos e têm desenvolvido habilidades nos novos espaços tecnológicos como a Internet9. A livre incursão nestes espaços provoca alterações nas relações intra e intersubjetivas dos adolescentes.
Nesta fase,
“os interesses mudam, bem como o pensamento, a capacidade de raciocínio lógico, começando a se desenvolver a abstração, a capacidade de compreender a relatividade probabilística, que atinge seu auge no colegial” (MACEDO, 1996:177).
Assim sendo, a relação de jovens no período colegial (estudantes de segundo grau) com os meios de comunicação e, em especial, a Internet, torna-se problemática para o entendimento da sociedade mediatizada e, talvez, para uma previsão de seu desenvolvimento futuro. Estes jovens já têm interesses diversificados e capacidade de abstração necessária para explorar o ambiente tecnológico e realizar operações mais elaboradas que uma criança e mais livres de amarras do que adultos.
7 Para BRETAS (2000, p.122), os adolescentes são considerados um tipo especial de autores/atores na rede, destacando-se por suas habilidades com computadores desenvolvidas desde tenra idade entre a maioria, o que lhes confere um grande envolvimento com a máquina e um grau de expertise que pode ser aproveitado pelo mercado de trabalho carente de profissionais qualificados na área. Um exemplo de adolescente expert na rede que se interessa por computadores é Hugo Cisneiros. O menino sergipano de 16 anos publicou um manual de Linux em português amplamente divulgado na rede que pode ser encontrado no endereço http://www.netdados.com.br/tlm/tlm3.4/.
8 “Nesta fase, embora já possa levar em conta as perspectivas ou pontos de vista dos outros, está presente no pensamento do adolescente um elevado egocentrismo. Tal egocentrismo pode levar a uma maior introspeção e a uma propensão dos jovens a se sentirem o centro das atenções dos outros. Muitos acreditam que seus pensamentos são absolutamente originais.” (BOSSA, 1996: 227) Esta idéia é, também, desenvolvida na teoria de estágios maturacionais de Piaget (ALVAREZ & DEL RIO, 1996)
9 A relação de familiaridade dos estudantes adolescentes com a Internet não pode ser generalizada para todos os setores da sociedade brasileira, já que o acesso à tecnologia não é amplo e irrestrito a todas as classes sociais.
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Mas as relações destes jovens com os meios de comunicação, especialmente a Internet, na sociedade mediatiazada, não ocorre de maneira homogênea em todas as classes sociais e obedece a interesses diversificados. Os adolescentes estão em contato com uma variada gama de informações através dos meios de comunicação, mas como eles usam e agenciam estas informações? Com que fim?
Os meios de comunicação para os adolescentes podem ser uma rica fonte de informação, podem ser um espaço de entretenimento e podem até contribuir para a formação deles, como um espaço de aprendizagem distinto da educação formal (educação institucionalizada), apresentando peculiaridades, potencialidades e limitações.
Os adolescentes podem utilizar os meios de comunicação para buscarem informações pertinentes ao período peculiar de suas vidas, informarem-se sobre sexo, drogas e rock’n roll; podem contar com os meios de comunicação no desenvolvimento de alguma competência10.
Em especial, a Internet pode ser considerada como peculiar entre as mídias na sociedade contemporânea, por ter como suporte a tecnologia informática e se apresentar como um meio de grande alcance entre os jovens presentes em uma rotina de aprendizagem formal11.
Embora não se possa reduzir a presença da mídia no mundo atual à utilização da Internet, pode-se dizer que a rede apresenta peculiaridades em relação aos outros meios de comunicação e inscreve sua especificidade e sua diferença no oferecimento de interfaces operativas, de hipertextos, caracterizando-se como uma tecnologia da inteligência que se tem espalhado entre os indivíduos desta sociedade da informação e, especialmente, entre os jovens12.
10 Para BARONE e BARONE (1998), as três tarefas principais da adolescência se relacionam ao “tríplice aspecto da assunção da sexualidade, da busca da autonomia e do desenvolvimento de competências”
(p.195).
11 Em uma pesquisa de audiência da Internet no Brasil realizada em 1999, pelo Cadê/Ibope, constatou-se que a maioria dos usuários da rede são jovens (usuários de 15 a 29 anos representam 68% do público, sendo que deste percentual, 36,2% é de jovens até 20 anos de idade) e estudantes (a maioria dos usuários da rede estuda (69% dos usuários estudam, sendo que 46% já completaram o segundo grau ou estão cursando nível superior). Maiores informações podem ser acessadas no endereço eletrônico www.ibope.com.br/digital
12 A mesma pesquisa da nota anterior revelou que muitos usuários de Internet (29%) reduziram o uso da televisão para se dedicarem à navegação na rede. Maiores informações podem ser acessadas no endereço eletrônico www.ibope.com.br/digital
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Neste quadro, torna-se problemático entender quais as relações destes jovens adolescentes com os meios de comunicação, e em especial com a Internet. Estas relações podem originar algum tipo de aprendizado para eles?
Há promessas de constituição de um espaço de aprendizagem dado pela abundância das informações disponibilizadas pelos meios de comunicação na sociedade e pelo aumento de possibilidades de conectividades entre os indivíduos nesta sociedade da informação.
É tema recorrente na literatura que, diante da avalanche informacional dos tempos atuais, é preciso aprender a aprender, saber filtrar informações, saber gerenciá- las, interpretá-las. Estas habilidades de gerenciamento passam, necessariamente, por uma lógica de uso dos meios de comunicação.
Torna-se problemática a questão de como os estudantes adolescentes – participando, portanto, de um espaço de aprendizagem formal - podem aprender no espaço mediático e de que maneira a relação entre os espaços de aprendizagem pode ser conflituosa ou complementar.
1.2- Objeto de estudo
Observar a maneira COMO os estudantes usam a Internet fora dos espaços institucionalizados de ensino pode revelar se desta relação com a rede resulta alguma forma de aprendizado, seja ela conflitante ou não com o ambiente intitucionalizado de ensino em que eles se encontram.
Não se trata de comparar explicitamente os métodos da educação formal e a educação informal livre através da rede, mas de entender como jovens adolescentes, já participantes de uma rotina de aprendizagem formal, se relacionam com o espaço mediático peculiar da Internet e, com ele, aprendem alguma coisa – algum assunto de interesse, uso de alguma ferramenta do computador.
As possibilidades informativas e formativas oferecidas pela Internet, com a apresentação de verdadeiras bibliotecas virtuais, podem ajudar a escola brasileira a equipar-se e preparar os seus alunos a lidar com as ferramentas telemáticas em suas vidas e no mercado de trabalho, cada vez mais penetrado por tais tecnologias.
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Torna-se um desafio, especialmente para as escolas públicas, a incorporação das tecnologias no contexto escolar, como fonte de informação, como uma grande biblioteca digital, mas também, como habilidade a ser adquirida pelo jovem como condição de entrada no mercado de trabalho.
Mas o simples desenvolvimento de um laboratório de informática com acesso à Internet para ser utilizada por estudantes nas escolas públicas e particulares talvez não represente grandes avanços na formação destes adolescentes, pois seria necessário saber quais usos eles estão dispostos a fazer neste meio, avaliar a relação deles com as ferramentas tecnológicas.
Esta pesquisa está inserida nesta linha de investigação, procurando mapear as relações dos adolescentes com a Internet de maneira específica e com os meios de comunicação de maneira genérica para procurar identificar se na relação com a Internet e seus recursos existe aprendizagem.
Para tanto, foram estudados adolescentes de 15 a 19 anos regularmente matriculados em quatro escolas de segundo grau do município de Contagem (duas da rede pública e duas da rede privada), região metropolitana da Grande Belo Horizonte, para o mapeamento dos usos dos meios de comunicação e da Internet entre eles.
Assim, a pesquisa procurou caracterizar o uso livre da Internet entre adolescentes do segundo grau da cidade de Contagem de forma a mapear as possibilidades de aprendizagem via Internet por eles realizados fora do ambiente escolar.
Para tanto, a pesquisadora procurou fazer um levantamento do perfil dos jovens pesquisados, como eles utilizam os meios de comunicação e a Internet em suas vidas e procurou identificar estratégias de operação dos recursos oferecidos pela Internet, quais os objetivos destas operações e como estas operações se realizavam, seja com propósitos de entretenimento ou autoformação.
As relações das operações dos adolescentes com a rede e o ambiente escolar foram detectadas de maneira subsidiária e constam deste trabalho, mas não constituem o objetivo principal deste estudo.
21
1.3 - Metodologia
A abordagem do objeto de estudo assim delimitado – os usos da Internet por estudantes adolescentes da cidade de Contagem e as relações de aprendizagem derivadas destes usos - pressupõe métodos de investigação condizentes com a complexidade do fenômeno abordado.
Os processos de aprendizagem via Internet estão inseridos em um contexto de transformações sociais profundas, e, portanto, não é através do isolamento das práticas de uso do computador que se pode chegar a uma apreensão mais detalhada do objeto de estudo.
O uso do computador e da Internet pelos jovens pesquisados não acontece de maneira isolada das outras formas de comunicação social e das opções de lazer e convivência entre o segmento analisado. Sobre o papel dos meios de comunicação na sociedade, Braga e Calazans (2001) pontuam:
“A sociedade gera, desenvolve e usa um conjunto de meios diversificados para uma multiplicidade de necessidades e propostas variadas. Os meios então compõem, em articulação, uma processualidade complexa e de mútua complementação.
[...] É o conjunto, em sua parcial diversidade e parcial redundância interna, que tem conseguido atender à variedade (crescente) de interações que a sociedade se dedica” (BRAGA
& CALAZANS, 2001: 19-20)
Assim, é o conjunto dos meios que atende às necessidades de interações a que a sociedade se dedica e os jovens agenciam os usos dos meios de comunicação na medida em que eles se adequarem às suas necessidades e atenderem às suas diversas interações.
Tendo em vista que a atividade de utilização da Internet não acontece de maneira isolada de outras práticas de uso dos meios de comunicação e que faz parte de um processo maior de interacionalidade mediatizada ampla, a pesquisa contempla uma investigação inicial específica sobre o papel dos meios de comunicação, incluindo a Internet na vida dos estudantes.
Tal investigação foi realizada a partir da aplicação de questionários entre os estudantes de escolas públicas e particulares do município de Contagem, compondo a primeira etapa da pesquisa, cujo objetivo principal foi fazer um mapeamento inicial do
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uso dos meios de comunicação e da Internet entre os estudantes; caracterizando os adolescentes da sociedade contemporânea brasileira contagense, seus hábitos e opções de lazer, e obtendo a visão que eles têm da escola. (Ver questionário aplicado no anexo 1)
A coleta de dados via questionário não só pareceu adequada na primeira etapa da pesquisa por permitir um mapeamento inicial dos estudantes de maneira mais objetiva, já que a análise em profundidade se daria a posteriori, como também se mostrou eficiente por permitir a procura dos membros para a análise qualitativa posterior, o que seria mais difícil se fosse feito apenas por interpelação verbal dos alunos nas escolas. O questionário, entretanto, não possibilitou a compreensão das estratégias de uso da rede.
Para aprofundar o conhecimento das relações de uso da rede e o aprendizado, uma análise qualitativa tornou-se pertinente para a apreensão do objeto, pois
Descobrir como audiências interpretam as mensagens da mídia não é tarefa facilmente realizada através de aplicação de questionários (survey research). Os questionários são bons para prover um quadro de crenças da audiência, atitudes e comportamento – o quê da audiência – mas é menos indicado para nos dizer o porquê ou como de tais relacionamentos. Para examinar a dinâmica de quais conhecimentos experimentais e quadros de interpretação da audiência são trazidos no uso do conteúdo midiático, qual papel o uso da mídia tem na vida cotidiana das audiências, ou como as audiências usam a mídia em suas vidas diárias, é necessário voltar-se mais aos métodos qualitativos, os quais nos permitem observar, em locais mais adequados que aqueles da pesquisa por questionários (survey research) ou experiência de laboratório, como as audiências se relacionam com a mídia (tanto com o seu conteúdo e com a sua tecnologia)13. (HANSEN, COTTLE, NEGRINE, NEWBOLD:
257, s.d.)
13 Tradução livre da pesquisadora a partir do original: “Discovering how audiences make sense of media messages is not easily done through survey research. Survey research is good at providing a snapshot of audience beliefs, attitudes and behaviour – the what of audience – media relationships – but is much less suited for telling us the why or how of such relationships. For examining the dynamics of what experimental knowledge and frames of interpretation audiences bring to bear in their use of media content, what role media use has in everyday life of audiences, or how audiences use the media as resource in their everyday lives, it is necessary to turn to more qualitative methods, which allow us to observe in a more ‘natural’ setting than that of the survey or the laboratory experiment how audiences relate to media (both as technologies and as content).” (HANSEN, COTTLE, NEGRINE, NEWBOLD:
257)
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A citação acima apresenta uma justificativa clara da metodologia utilizada:
em primeiro lugar era preciso ter uma idéia geral das relações dos estudantes com a mídia, os computadores e a Internet, o que tornou a aplicação de questionários uma opção válida e interessante. Em segundo lugar, era preciso entender melhor COMO as pessoas utilizavam a Internet de maneira mais aprofundada, o que privilegiou o uso de método qualitativo de pesquisa adotado – o uso de discussões em grupo via Internet, o
“locus” natural no qual a “audiência” se encontraria.
Através dos questionários aplicados na primeira etapa da pesquisa, foi possível identificar usuários freqüentes da Internet que seriam selecionados para a etapa de análise qualitativa da pesquisa. Delineado o perfil dos estudantes a partir do questionário aplicado, procurou-se fazer uma análise qualitativa em profundidade com os usuários mais assíduos da Internet para abordar questões específicas de uso da Internet entre eles.
Os estudantes mais assíduos da rede, pesquisados na segunda etapa da pesquisa, foram escolhidos entre todos os pesquisados da primeira etapa através dos seguintes critérios:
- Alta freqüência de uso da rede - Posse de computador em casa
- Indicação de websites construídos pelo estudante (opcional)
- Indicação de uso especializado da Internet: participação em lista de discussão e/ou utilização de jogos de RPG e/ou apresentação de interesse em algum assunto específico através da rede.
Os estudantes internautas assim identificados foram convidados a participar de um grupo de discussão14 na Internet para abordagem de questões concernentes às práticas cotidianas de uso da rede e às estratégias de pesquisa por informações na rede.
A justificativa para a escolha do grupo de discussão em vez da realização de grupos focais de estudo fora da rede se deveu, principalmente, à suposição de que o engajamento dos internautas na lista seria facilitado pelo locus da discussão ser o
14 Um grupo de discussão na Internet é uma forma de comunicação assíncrona entre grupos de pessoas na rede: internautas interessados em discutir um assunto de interesse comum associam-se em grupos e trocam mensagens entre si via correio eletrônico ou serviço de news. (Detalhes no capítulo 3)
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ciberespaço, o que traria as marcas da presença neste ambiente para os resultados da pesquisa.
A opção em adotar o grupo de discussão em vez da entrevista individual na rede com os estudantes seria justificada por dois motivos:
as discussões em grupo tendem a elevar o nível das questões colocadas sobre determinado assunto e a formar consensos de forma mais analítica e elaborada do que em uma entrevista individual
as dinâmicas da interação entre os elementos componentes do grupo de discussão na Internet interessam à análise de como os internautas adolescentes fazem uso da rede, como interagem entre si e como conversam
O roteiro de discussões do grupo encontra-se no anexo 2 e abordou questões relativas às estratégias de uso da rede e seus recursos.
No entanto, a realização da lista de discussão na rede entre adolescentes selecionados não foi suficiente para a coleta de dados da pesquisa e outras abordagens fizeram-se necessárias ao longo do trabalho de campo.
Desta forma, a segunda etapa da pesquisa foi realizada, também, a partir da análise dos websites criados pelos estudantes selecionados para participar da segunda etapa da pesquisa e análise dos websites por eles acessados; além da realização de entrevistas individuais síncronas via ICQ e contatos por e-mail com alguns estudantes.
As análises das páginas criadas pelos adolescentes foram realizadas para se entenderem os motivos da ocupação do ciberespaço, de forma a identificar as temáticas abordadas por adolescentes que pareciam ter adquirido conhecimento técnico suficiente para a criação de sites. Assim, foram analisados os assuntos abordados nas páginas; as características técnicas de construção do website, tais como utilização de bancos de dados e recursos de programação e os canais de comunicação presentes nestas páginas.
As análises dos websites visitados pelos adolescentes na Internet buscaram contemplar as temáticas motivadoras dos percursos no ciberespaço e as características técnicas específicas dos websites visitados, para que se pudessem identificar os recursos da rede que os adolescentes normalmente utilizam em suas incursões pelo ciberespaço.
As análises das páginas não só forneceram importante manancial para o entendimento de questões ligadas ao uso da Internet, especialmente para a identificação
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das temáticas recorrentes acessadas pelos adolescentes, como também cumpriram um papel de recomposição de percursos realizados pelos adolescentes.
As entrevistas realizadas individualmente tiveram um caráter essencialmente semi-estruturado, sendo realizadas em uma única seção ou em múltiplas seções, e através de mecanismos de comunicação síncrona e assíncrona existentes na Internet. A pesquisadora procurou contemplar de maneira aproximativa as questões colocadas no roteiro de entrevista do anexo 3.
Um esquema gráfico das etapas da pesquisa e seus propósitos encontra-se na FIG. 1.
Indivíduo tecnológico/
mediatizado Diversidade de meios de
comunicação e de processos de mediatização
- Caracterização de uso da TV, rádio, jornal e revistas - Presença da m ídia e do computador na vida - Necessidade de inform ação/formação e da escola
- Temáticas de interesse - Rel ação com a leitura - Caracterização do lazer -Relação com o computador e a Internet
Primeira etapa
Filtro: seleção de adol escentes
assíduos da rede
Segunda etapa
Internautas
Questionário aplicado junto aos estudantes
Grupo de discussão (lista de discussão) na
Internet
Caracterização dos usos dos recursos da Internet de maneira específica.
- Finalidades de uso da rede - Fam iliaridade com as ferramentas da Internet
- Estratégias de util ização da rede - Visão da rede com o espaço de busca de
informações e aprendizado - Temáticas de interesse
Caracterização das relações dos adolescentes na
rede Caracterização do perfil dos
adolescentes estudantes de Contagem (Sede e Eldorado) e suas relações m ais amplas com a mídia e
a Internet
Caminhos para a aprendizagem na Internet
Cruzam ento dos resul tados (Estratégias de uso da
rede o cotidiano, estratégias de busca de
inform ações na rede) Análise de
websites contruídos e visitados pelos
estudantes pesquisados
Entrevistas via ICQ e e-mail
FIGURA 1 - Etapas da pesquisa e seus propósitos
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1.4 – Cenário da pesquisa
O estudo das relações de jovens adolescentes estudantes com a Internet não pode ser realizado fora de um cenário que reflita as condições dinâmicas da sociedade brasileira que se está inserindo nas tendências mundiais de transformação das sociedades modernas em sociedades da informação.
Porém, “a sociedade informacional não se completou inteiramente em nenhum país” (SANTOS, 1994:121), a realidade do desenvolvimento desta sociedade altamente conectada por redes de comunicação e com participação muito grande de produtos não materiais ou de informação na produção de riquezas da sociedade não se concretizou totalmente no mundo. Porém, é possível dizer que a interdependência da ciência e da técnica em todos os setores da vida social é uma realidade que se estende, ainda que em diferentes proporções, a todo Terceiro Mundo.
SANTOS (1994) vê o Brasil, neste contexto informacional, como um país que absorve com relativa facilidade e rapidez a lógica de organização de um novo meio técnico-científico-informacional e comprova esta habilidade através da observação da expansão tecnológica no campo (a alta tecnologia do plantio de soja no Centro-Oeste brasileiro), do crescimento das cidades de porte médio e do aumento da quantidade de trabalho intelectual no Brasil e amplificação da terceirização econômica.
Especialmente as regiões Sul e Sudeste, avançando para o Centro-Oeste, apresentam a maior incorporação da lógica da sociedade informacional, apresentando maior avanço nas comunicações e nos transportes e, conseqüentemente, maior fluidez das relações urbanas.
Localizada na região Sudeste e, portanto, pertencente à região mais dinâmica do Brasil, a cidade de Contagem parece abrigar características associadas à sociedade informacional e à dinâmica própria de crescimento das cidades brasileiras.
Contagem, município integrante da região metropolitana de Belo Horizonte, era uma cidade essencialmente rural até a década de 40, no século XX. Com o surto de industrialização brasileira dos anos 50, no século XX, Contagem recebeu diversas
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indústrias15 e passou a conviver com os problemas da industrialização – depredação do meio ambiente e dificuldades no tráfego – além de passar por uma destruição do seu patrimônio histórico16.
A transformação de cidade rural a cidade urbana fez crescer a população de apenas 3.462 habitantes em 1940 para 449.558 habitantes em 1991 e 538.017 habitantes em 2000. A paisagem de fazendas – áreas verdes com jabuticabeiras - passou a ser destruída e a ceder espaço às indústrias e ao concreto17. Progressivamente, Contagem começou a herdar os problemas do crescimento urbano tipicamente brasileiros: favelas, tráfico de drogas, marginalidade, tráfego dificultado nas regiões industriais. Podem, ainda, ser observados na cidade contrastes típicos de outras cidades brasileiras: um shopping convivendo com o comércio ambulante; a opulência lado a lado com a pobreza; a dinamicidade do capital e o ritmo lento das camadas sociais menos favorecidas18.
Além de enfrentar os problemas típicos da realidade brasileira, Contagem também acompanha a tendência de ampliação das atividades do setor terciário da economia. Em 1992, Contagem contava com 2.271 estabelecimentos no setor de serviços e em 2000, este número passou a ser de 5.638. A mão-de-obra empregada na
15 Naquela época, Contagem recebeu uma indústria de cimento (Itaú) e diversas outras do setor metalúrgico em seu Parque Industrial do Bairro Cidade Industrial. Na década de 70, a cidade instalou outros parques industriais de autopeças (Cinco e Riacho) e na década de 90 implantou um parque industrial na região do Cincão. Em 2002, a cidade teve projetada a implantação de um parque moveleiro na região do Ressaca.
16 Contagem teve diversos casarões e igrejas destruídas na época de seu surto e industrialização. É marcante a destruição da Igreja Nossa Senhora do Rosário em 1973, no centro da cidade, entre outras construções. Se é distintiva a organização do espaço em função da modernização, Contagem pode ser um exemplo de como uma cidade pode dar as costas ao arcaico e abarcar a novidade, mesmo que esta absorção não seja imediata. Somente em 1998, a prefeitura da cidade promoveu o tombamento de casarões e instituiu espaços culturais no centro da cidade.
17 A bandeira de Contagem reflete claramente a evolução da cidade: apresentando uma jabuticabeira ao lado de chaminés de uma importante indústria de cimento e três brasões indicativos das origens coloniais da cidade, para representar a região onde existia um fisco da Coroa Portuguesa; sete estrelas mostrando a tradição religiosa à Nossa Senhora das Dores e o azul refletindo o passado colonial. A bandeira, como a cidade, carrega as contradições do arcaico e do moderno e é bem representativa de uma realidade brasileira.
18 Para SANTOS (1994), é possível observar nas metrópoles e grandes cidades o aparecimento de zonas urbanas opacas, formadas pelo ritmo diferenciado da camada menos favorecida da população que não condiz com o tempo hegemônico do capital dominante, este mais frenético e que não permite apreciar a paisagem.
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indústria em 1995 era de 42% do total, e em 2000 esta porcentagem caiu para 31,84%, e apresentando o setor de serviços empregando 38,77% da mão-de-obra.
Contagem, ainda, apresenta posição de destaque em Minas pela opulência de seu colégio eleitoral (segundo maior do estado), pelo tamanho de sua população (ocupa o segundo lugar tanto em população quanto em densidade demográfica no Estado de Minas Gerais) e pelo seu desenvolvimento econômico. Estando próxima de Belo Horizonte (os centros das duas cidaddes distam 21 km através de acessos em vias de trânsito rápido), recebe, também, as influências urbanas e culturais da capital mineira.
Contagem apresenta traços de seu passado na região da Sede, onde existem alguns casarões tombados e algumas propriedades e tradições ainda preservadas, em especial a da Comunidade Negra dos Arturos19. Esta é a região mais pacata da cidade, mas que, pela melhoria nas vias de acesso da década de 90, tem sofrido mudanças no trânsito e aumento de ocorrências policiais, especialmente de roubos de carros.
Em contraste com o centro da cidade (região da Sede), Contagem desenvolveu diversos pólos industriais e uma importante região comercial, a região do Eldorado. Paralelamente a estas realidades, a cidade ainda conta com cinturões de pobreza na região do Perobas, Várzea das Flores e Nova Contagem, principalmente, algumas delas protagonizando problemas típicos de outras cidades brasileiras, como o tráfico de drogas.
O Big Shopping, localizado no Centro Comercial do Eldorado, é a principal opção de lazer da cidade. Nele estão localizadas as boas salas de cinema, exibindo, preferencialmente, filmes do estilo hollywoodiano, a preços mais baixos do que os cinemas de Belo Horizonte. A praça de alimentação conta com opções típicas de mundo globalizado – McDonalds – concorrendo com as opções populares da Pastelaria Fujiyama. É neste cenário de contrastes ali reproduzido, que podem ser encontradas pessoas de todas as classes sociais e idades. Os jovens também estão lá, nas filas dos
19 “Os Arturos constituem um agrupamento familiar de negros que habitam uma propriedade particular em terras do município de Contagem, no Bairro Jardim Vera Cruz. Caracterizam-se basicamente pela manutenção da cultura negra, recebida dos ancestrais e conservada na experiência do sagrado: são as festas religiosas que fazem do grupo um universo à parte, quando os Arturos se transmutam em filhos do Rosário. A origem da comunidade é o negro Arthur Camilo Silvério e sua esposa, Carmelina Maria Silva – elos da primeira família. É através de Arthur (pai) que se formam os Arturos (descendentes) e a marca do nome atesta a força da ancestrallidade: filhos, netos e bisnetos de Arthur são hoje ARTUROS, família mantida e alimentada pela raiz inicial”. (ARTUROS, 2002)
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cinemas, matando o tempo nas máquinas de jogos, ou simplesmente flertando, enquanto não estão na escola ou assistindo à televisão. Eles aparecem integrando o cenário urbano de Contagem e seus contrastes sociais.
Considerando-se Contagem um cenário propício para o desenvolvimento das relações entre jovens e os meios de comunicação, e considerando, ainda, a problemática da pesquisa esboçada anteriormente – as relações de uso da Internet que resultam em aprendizagem – torna-se pertinente o estabelecimento de um recorte empírico para tratamento da problemática proposta.
Conforme dito anteriormente, Contagem é uma cidade de contrastes, assim como a maioria das cidades brasileiras. A maioria de seus jovens adolescentes, parcela de interesse desta pesquisa, estuda em escolas públicas da rede estadual.
O ensino em Contagem, tanto fundamental quanto médio, é feito, essencialmente, por unidades públicas de ensino. Das 101.250 matrículas no ensino fundamental20, somente 7.043 foram feitas na rede particular de ensino; das 28.293 matrículas no ensino médio, somente 3.141 são da rede particular.
De acordo com dados fornecidos pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, em maio de 2002, Contagem conta com quarenta e sete escolas de ensino médio (30 estaduais, 7 municipais, 10 particulares); 133 escolas de ensino fundamental (60 da rede municipal; 36 da rede estadual; 37 da rede particular).
É importante ressaltar que a população de etária entre 15 e 19 anos da cidade era de 53.979 pessoas em 2000 (27.060 do sexo feminino e 25.232 do sexo masculino), bem menor do que o número de matrículas registradas, número que indica que 52,41% da população entre 15 e 19 anos não está matriculada no ensino médio da cidade. Pode ser que esta parcela da população esteja matriculada em outras cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, estejam no primeiro grau (ensino fundamental) ou que tenham interrompido os estudos. É importante considerar, também, que Contagem ainda atende jovens de outros municípios em sua rede de ensino, o que pode indicar uma porcentagem ainda maior de estudantes fora do ensino médio nesta faixa etária.
20 Dados do IBGE a partir do censo de 2000 encontrados no site www.ibge.gov.br, acessado em junho de 2002.
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Os adolescentes estudantes foram contatados em escolas localizadas no município de Contagem nas regiões da Sede, Eldorado e Parque Industrial do Riacho.
Tais regiões apresentam contrastes entre si, mas concentram a maior renda da população e apresentam maior probabilidade de apresentar adolescentes usuários da Internet assíduos, já que é sabido que a maioria dos usuários da rede é de classe média21.
Nesta pesquisa, não serão mencionados os nomes das escolas participantes, devido às restrições apresentadas por algumas delas. Assim, serão referenciadas as escolas pelas siglas EPA1 (Escola Particular 1), EPA2 (Escola Particular 2), EPB1 (Escola Pública 1), EPB2 (Escola Pública 2).
Na EPB1, a pesquisa foi realizada no turno da noite, pois não existe funcionamento do ensino médio pela manhã ou à tarde. Nas demais escolas, o turno pesquisado foi o da manhã.
Na figura a seguir, pode-se observar a localização espacial da amostra apresentada de acordo com as Unidades de Planejamento do Município22 (UP). Cada unidade de planejamento agrega bairros próprios e apresenta características distintas. A maioria dos estudantes pesquisados localiza-se nos bairros próximos às escolas pesquisadas.
Foram colocadas referências da cidade no mapa, como a localização dos parques industriais, os principais pontos comerciais, com a indicação dos shoppings da cidade para que seja possível uma identificação das características já descritas da cidade no mapa. (FIG. 2).
21 Maiores detalhes, acessar a pesquisa do Ibope sobre usuários da Internet brasileira no endereço citado na nota anterior.
22 Unidades de Planejamento (UP) do muncípio de Contagem são definidas pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal e são estabelecidas através de critérios territoriais e socioeconômicos. Na FIG 2, elas estão destacadas tal qual são estabelecidas pela Secretaria.
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FIGURA 2 - Mapa de Contagem com a distribuição da amostra
FONTE: Secretaria de Planejamento do Município de Contagem, com símbolos adaptados pela pesquisadora NOTA: Área do município: 192 km2
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A amostra de estudantes foi assim composta entre as escolas pesquisadas:
TABELA 1: Estudantes pesquisados por escola – Agosto de 2002
Escolas Primeiro ano Segundo ano Terceiro ano Total
EPB1 Pesquisados 69 54 103 226
Total de alunos matriculados (estimativa) 420 546 294 1260
% pesquisada na escola 16,43% 9,89% 35,03% 17,94%
EPB2 Pesquisados 34 34 31 99
Total de alunos matriculados 562 464 450 1476
% pesquisada 6% 7% 7% 7%
EPA1 Pesquisados 37 50 47 134
Total de alunos matriculados 175 147 141 463
% pesquisada 21,14% 34,01% 33,33% 28,94%
EPA2 Pesquisados 38 30 19 87
Total de alunos matriculados 39 30 19 88
% pesquisada 100% 100% 100% 99%
Pesquisados 103 88 134 325
Total de alunos matriculados 982 1010 744 2736
Totais das escolas
públicas % pesquisada 10,49% 8,71% 18,01% 11,88%
Pesquisados 75 80 66 221
Total de alunos matriculados 213 177 160 551
Totais das escolas
particulares % pesquisada 35,21% 45,20% 41,25% 40,11%
Total geral Pesquisados 178 168 200 546
Total – população 1195 1187 904 3287
% pesquisada 14,90% 14,15% 22,12% 16,61%
Pública /Total pesquisado 57,87% 52,38% 67,00% 59,52%
Particular/Total pesquisado 42,13% 47,62% 33,00% 40,48%
Metade do público pesquisado tem 15 e 16 anos (mediana=16), sendo a idade média da amostra 16,5 e 16 a idade que mais se repete na amostra (moda=16).
É importante enfatizar que a maior parte dos estudantes pesquisados pertence à rede pública e, notadamente, à EPB1 (41,4%) da amostra. Além disso, os estudantes de segundo ano do segundo grau são a minoria na amostra: 30,8% cursavam o segundo ano, enquanto 32,6% cursavam o primeiro ano e 36,65 o terceiro ano.
Conforme pode ser observado na TAB.1, a amostra escolhida para a pesquisa não é proporcional aos parâmetros da população de Contagem (90%
matriculadas em ensino público e 10% em escolas particulares), bem como foi realizada de acordo com a conveniência das escolas participantes. Nas particulares, foi possível pesquisar maior número de alunos (especialmente porque o número de estudantes era menor), porém os alunos não foram escolhidos ao acaso nem nestas nem nas outras escolas, sendo selecionadas aquelas turmas que estivessem em atividades que dispusessem de algum tempo livre suficiente para a aplicação do questionário da primeira etapa da pesquisa.