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PARTE I – Rede teórica

Nó 1 - Rede

1.2 Redes sociais na internet

Na internet, as redes sociais podem ser constituídas a partir de agregações de indivíduos no ciberespaço. O estudo das redes sociais na internet está associado à evolução das formas de comunicação mediada por computador (CMC). Ellison e boyd (2013) classificam as formas de CMC quanto a dois critérios: síncrona versus assíncrona e um-um versus um-muitos. Assim, se nos primórdios da internet predominavam formas assíncronas de comunicação um para um (como no caso do e-mail), aos poucos foram surgindo formas de comunicação síncrona (mensageiro instantâneo) e no formato muitos-muitos (fóruns e comunidades virtuais).

Para as autoras,

Embora comunidades online existam desde os primeiros dias da internet (...) elas não eram o foco central da maioria dos usuários de internet. Antes da Web 2.0, as pessoas passavam a maior parte de seu tempo online navegando por sites ou usando e-mail, mensageiros instantâneos, e jogos casuais; participar ativamente de comunidades online era considerado nerd (Ellison & boyd, 2013, p. 161, tradução nossa)25

Foi só mais adiante, com o surgimento dos sites de rede social, que participar ativamente de uma comunidade virtual passou a ser uma atividade corriqueira na vida dos usuários de internet.

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25 Tradução de: “Although online communities have been in existence since the earliest days of the internet – and sevices like AOL made online communities accessible to more mainstream internet users – they have not been the central focus of most internet users. Prior to Web 2.0, people spent the bulk of their time online browsing websites and engaging with email, instant messaging, and casual gaming; actively participating in online communities was still considered geeky.” (p. 161)

Atualmente, o estudo das redes sociais na internet normalmente está associado aos sites de rede social26. Ao lado de conteúdo gerado por usuário (user-generated content, UGC), sites de compras coletivas e jogos sociais, os sites de rede social aparecem como um tipo específico de mídia social (Van Dijck, 2013; Ellison & boyd, 2013). Embora alguns sites mesclem duas ou mais formas de mídia social (por exemplo, embora o foco do YouTube seja o conteúdo gerado por consumidor, ele possui recursos de sites de rede social; embora o Facebook seja primariamente um site de rede social, ele permite que o usuário gere e distribua conteúdos), sites de rede social correspondem a um tipo específico de site voltado para a criação e manutenção de redes sociais. Nesse sentido, Recuero (2014, p. 4) ressalta que o site não é a rede: “Trata-se de um suporte, que é apropriado de diferentes formas pelos grupos sociais e cujos efeitos são construídos pelo complexo universo de negociação de normas e formas de interação”.

Em 2007, boyd e Ellison (2007) definiram sites de rede social como espaços da web que permitem aos indivíduos criar um perfil, interagir através desse perfil, adicionar amigos, e exibir a lista de conexões entre os amigos. Entretanto, nos últimos anos, alguns itens deixaram de ser fator de diferenciação (como lista de amigos, que aparece em outros tipos de mídias sociais), ao passo que outros elementos diferenciadores emergiram (como newsfeed27, APIs28, social graph29, e outros). Assim, em 2013, as autoras atualizaram a definição para:

Um site de rede social é uma plataforma de comunicação em rede na qual os participantes 1) possuem perfis de identificação única que consistem em conteúdos produzidos pelo usuário, conteúdos fornecidos por outros usuários, e/ou dados fornecidos pelo sistema; 2) podem articular publicamente conexões que podem ser vistas e cruzadas por outros; e 3) podem consumir, produzir e/ou interagir com fluxos de conteúdo gerado por usuários fornecidos por suas conexões no site (Ellison & boyd, 2013, p. 158, tradução nossa)30.

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Neste trabalho, o termo “site” da expressão “site de rede social” é usado de forma abrangente para se referir tanto a páginas da web quanto a aplicativos mobile ou outras formas de acesso à internet possíveis de serem utilizadas para a criação e manutenção de redes sociais. Nesse sentido, o Twitter poderia ser considerado um site de rede social mesmo quando acessado a partir de um aplicativo em dispositivos móveis.

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Em tradução literal, feed de notícias. O termo é utilizado para se referir à timeline do Facebook, onde aparecem as atividades feitas pelos contatos do Facebook.

28 API (Application Programming Interface) é um conjunto de padrões estabelecidos por um software para a utilização de seus recursos em aplicativos desenvolvidos por terceiros. Ao disponibilizar acesso a sua API, o Twitter permite que outros desenvolvedores criem ferramentas a partir do conteúdo do site.

29 Em tradução literal, grafo social. O termo foi utilizado pelo Facebook para se referir à possibilidade de usar as relações entre os usuários do Facebook (social graph) para o desenvolvimento de aplicativos de terceiros. 30 Tradução de: “A social network site is a networked communication platform in which participants 1) have uniquely identifiable profiles that consist of user-supplied content, content provided by other users, and/or system-level data; 2) can publicly articulate connections that can be viewed and traversed by others; and 3) can consume, produce, and/or interact with streams of user-generated content provided by their connections on the site” (p. 158)

Essa nova definição marca uma mutação na forma de interagir com os sites de rede social. Se nos primórdios dessa forma de comunicação, o foco estava nos perfis dos usuários, atualmente esse foco recai sobre os fluxos de conteúdo. Mais do que visitar o perfil alheio, os usuários querem ver as atualizações mais recentes de seus contatos. Os próprios perfis mudaram para incluir, também, atualizações.

Nesse sentido, o Twitter (http://twitter.com) pode ser considerado um site de rede social na medida em que há perfis de identificação única reunindo as postagens de um determinado usuário, é possível seguir e ser seguido por outros usuários (e ver quem segue quem), e há a possibilidade de criação de conteúdo (postar novos tweets, como são chamadas as atualizações nas ferramentas) e interação com o conteúdo produzido por outros usuários em um fluxo de conteúdos comum (a timeline). As interações típicas permitidas pelo site incluem as atividades de menção, retweet e favoritos. Assim, pode-se fazer uma nova postagem mencionando outros usuários (menção), que serão notificados de tal menção. Também é possível reproduzir as mensagens compartilhadas por outros usuários pressionando o botão de retweet. Ainda, pode-se avaliar as mensagens ao pressionar o botão que permite marcar como favorito um determinado tweet.

De centrados nos perfis, os sites de rede social passaram a ser centrados na mídia (Ellison & boyd, 2013), o que faz com que sites de rede social sejam principalmente “uma plataforma de comunicação, além de destacar a importância do compartilhamento de conteúdo, geralmente consumido através de um stream” (Ellison & boyd, 2013, p. 159, tradução nossa)31.

Para as autoras, há uma diferença fundamental entre sites de rede social e formas tradicionais de mídia (rádio, TV): o que o usuário experiencia e o conteúdo a que é exposto varia para cada usuário, conforme a rede construída e os conteúdos compartilhados. “Isso é bem diferente de mídias anteriores como a televisão, na qual o programa não muda dependendo de quem pode vê-lo” (Ellison & boyd, 2013, p. 165, tradução nossa)32.

Como a rede de cada indivíduo é diferente, faz sentido compartilhar e reproduzir conteúdos, o que torna os sites de rede social ambientes propícios para se observar a circulação de informações.

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31 Tradução de: “this new definition positions social network sites first and foremost as a communication platform, while also highlighting the importance of sharing content, typically consumed through a stream” (p. 159)

32 Tradução de: “This is quite unlike previous media like television, where the program does not change depending on who can see it.” (p. 165)

Além do estudo de redes sociais, a metáfora de rede também pode ser usada para compreender o jornalismo contemporâneo.