Capítulo I – Farmácia Comunitária
6.5 Reencaminhamento de Medicamentos Fora de Uso
informado, sendo-lhe devolvida a receita de modo a que seja feita a sua correção, oferecendo-se sempre o apoio possível de forma a resolver a situação. Finda esta etapa procede-se à interpretação do conteúdo da receita. Nesta fase é importante avaliar o tipo de destinatário da terapêutica, a sua sintomatologia, efeitos adversos, contraindicações, interações e precauções especiais. Pode ser útil contactar o prescritor ou os centros de informação sobre o medicamento se for necessária informação adicional. O importante é que a dispensa só ocorra quando todas as dúvidas de interpretação estiverem totalmente solucionadas.
O DL n.º 11/2012, de 8 de março instituiu, a obrigatoriedade da prescrição por Denominação Comum Internacional (DCI) [24]. Assim, durante a dispensa, o farmacêutico deve informar o utente do seu direito de opção na escolha do medicamento, respeitando sempre a prescrição médica. O utente pode, pois, escolher entre o medicamento de marca e o genérico, desde que pertença ao mesmo grupo homogéneo. O grupo homogéneo é “o
conjunto de medicamentos com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, dosagem e via de administração, com a mesma forma farmacêutica ou com formas farmacêuticas equivalentes, no qual se inclua pelo menos um medicamento genérico existente no mercado” [25]. As farmácias são obrigadas a ter em stock, no mínimo, 3
medicamentos de cada grupo homogéneo de entre os cinco medicamentos com preço mais baixo [26].
A prescrição por nome comercial é possível quando se trata de um medicamento de marca sem similar ou sem medicamento genérico similar comparticipado, devendo proceder- se à dispensa do medicamento que consta da receita. Cada receita pode conter apenas um medicamento prescrito por nome comercial do medicamento ou do titular de AIM. Se constarem outros medicamentos na receita, a dispensa deve ser efetuada como se se tratasse de uma prescrição por DCI. É também possível a prescrição por nome comercial quando existe uma justificação técnica do médico. As justificações técnicas possíveis são: a) Medicamentos com margem ou índice terapêutico estreito, perante a qual o farmacêutico apenas pode dispensar o medicamento que consta na receita; b) Reação adversa prévia, perante a qual o farmacêutico apenas pode dispensar o medicamento que consta na receita; c) Continuidade de tratamento superior a 28 dias, em que apesar desta justificação o utente pode optar por medicamentos equivalentes ao prescrito, desde que sejam de preço inferior. Quando existe uma justificação técnica do prescritor cada receita pode conter apenas um medicamento prescrito por nome comercial do medicamento ou do titular de AIM, não podendo constar outros medicamentos. Caso constem outros medicamentos na receita, esta não pode ser aceite [26].
Um caso particular da dispensa, que vale a pena mencionar, são as situações em que as receitas são dispensadas parcialmente por rotura de stock ou por solicitação do utente. Quando o utente não quer algum dos medicamentos da receita, o mesmo deve ser riscado na sua presença [26]. Na Farmácia Colonial, as receitas pendentes são arquivadas por ordem alfabética do último nome do utente, separadas, em caixa própria.
Um outro caso particular da dispensa relevante é quando a receita não específica a dimensão, neste caso deve optar-se pela dispensa da embalagem de menor dimensão disponível no mercado.
O processo da dispensa prossegue com a recolha dos medicamentos ou produtos de saúde prescritos e com a confirmação de que são os corretos. Posteriormente procede-se à leitura dos códigos de barras, regista-se informaticamente a venda e emitem-se as faturas ou o comprovante de crédito. A receita é carimbada, rubricada e datada e a fatura é carimbada e rubricada. Caso seja uma venda realizada a crédito (não paga no imediato) o registo é feito automaticamente pelo sistema informático. É importante referir que, posteriormente à dispensa, as receitas são sujeitas a nova verificação. Nesta verificação confirma-se, essencialmente, se o organismo onde a receita foi faturada está correto, se os medicamentos dispensados foram os certos (no caso de ter havido substituição do medicamento confirma-se se pertence ao grupo homogéneo), se a receita foi aviada dentro do prazo de validade, a assinatura do médico, do utente e do farmacêutico, bem como o carimbo da farmácia.
De referir que o ato da dispensa deve ser sempre acompanhado da transmissão de informação verbal e escrita. A informação escrita deve incluir posologia, indicações da toma (antes ou após as refeições ou ao deitar ou consoante o medicamento) assim como a duração do tratamento. Deve ser complementada com informação verbal, com vista a reforçar a adesão à terapêutica. O utente deve ser também informado sobre as condições especiais de armazenamento dos medicamentos dispensados, quando aplicável. Todas as dúvidas colocadas pelo utente devem ser solucionadas e, sempre que pertinente, este deve ser orientado sobre quais as medidas não farmacológicas a adotar. É também importante que, ao longo do atendimento, o diálogo seja conduzido no sentido de assegurar que houve compreensão da informação. Em algumas situações, a referência a cartazes informativos expostos na farmácia, bem como a distribuição de folhetos informativos, podem revelar-se ferramentas úteis.
Durante o meu estágio tive oportunidade de realizar a dispensa de MSRM diversas vezes. Provavelmente as dúvidas mais frequentes dos utentes prendiam-se com a eficácia dos medicamentos genéricos, nestas situações disponibilizei-me para prestar todos os esclarecimentos necessários, dentro do âmbito do meu conhecimento e competência.
As receitas médicas podem ser manuais (quando justificável) ou informatizadas, sendo que estas últimas oferecem maior segurança tanto ao nível da prescrição quanto da dispensa, agilizando os processos.
Para que a receita possa ser aceite é necessário verificar:
Número da receita e respetivo código de barras;
Identificação do prescritor, particularmente o nome, vinheta e especialidade;
Identificação do local de prescrição;