As análises e discussões referentes a esta abordagem tiveram por objetivos: desvelar o perfil dos servidores que não realizam os exames médicos periódicos, por meio de características sociodemográficas específicas e amplas, como por exemplo: sexo e faixa etária respectivamente; além de diligenciar para o direcionamento das ações de vigilância aos locais de trabalho menos alcançados.
Os resultados mostraram que, até 31 de janeiro de 2019, havia 1.403 servidores (25,62% do corpo efetivo total) com o histórico de pelo menos uma convocação, mas sem conclusão de EMP. Destes, 158 (11,26%) apresentavam alguma especificidade no vínculo (cedidos, afastados, etc.) que os impossibilitavam de regularizar sua situação e, por este motivo, tais servidores não foram categorizados nesta seção.
Assim, dos 1.245 servidores (88,73%) que se encontravam aptos à procurarem o serviço, não houve diferença significativa referente à variável sexo, com discreta diferença do sexo masculino 640 (51,4%) em relação ao sexo feminino 605 (48,6%).
Quanto a variável idade, observou-se que, isoladamente, a realização do EMP é mais negligenciada entre os servidores (as) a partir dos 30 anos de idade, seguindo uma tendência crescente nas faixas etárias subsequentes, cujo pico é atingido aos 50 anos, conforme demonstrado no Gráfico 1.
Gráfico 1 – Categorização dos servidores (as) que não realizam EMP, segundo a faixa etária. Natal/RN, 2020.
Fonte: Dados da pesquisa (2020).
Todavia, ao realizar o cruzamento entre as variáveis sexo e idade, observa-se que este comportamento varia entre homens e mulheres.
O sexo masculino apresenta uma elevação constante, com um aumento expressivo, a partir dos 40 anos de idade. Já o sexo feminino, mantém-se constante na larga faixa etária dos 30 aos 50 anos apresentando, porém, uma queda a partir de então, como mostra o Gráfico 2.
Gráfico 2 – Distribuição dos servidores (as) que não realizam EMP, segundo as variáveis sexo e faixa etária. Natal/RN, 2020.
Fonte: Dados da pesquisa (2020).
A partir da organização e compilação dos dados obtidos através da variável “cargo”, constatou-se a existência de quantitativo proporcional e considerável de servidores, nas três modalidades de carreiras institucionais que compõem a UFRN.
Embora numericamente haja uma discrepância significativa entre as carreiras institucionais, em proporção, os dados revelam uma aproximação estatística entre os docentes do magistério superior e os docentes do ensino básico, técnico e tecnológico, seguidos pelos servidores técnicos administrativos, em quantitativo pouco abaixo. Conforme representação do Gráfico 3.
Gráfico 3 – Distribuição dos servidores de acordo com a realização dos EMP, por carreira institucional. Natal/RN, 2020.
Fonte: Dados da pesquisa (2020).
O cruzamento entre as variáveis carreira e sexo, permitiu discriminar com mais especificidade os grupos alvo da investigação. Como mostra o Gráfico 4, a seguir.
Gráfico 4 – Distribuição dos servidores de acordo com a realização dos EMP, por carreira e sexo. Natal/RN, 2020.
Fonte: Dados da pesquisa (2020).
Através de tais variáveis, verificou-se que, proporcionalmente, os homens docentes do magistério superior (14,6%) e as mulheres docentes do ensino básico técnico e tecnológico (14,23%), demandam maior foco das ações de vigilância.
A estes dados, pode-se ainda acrescentar a variável idade, por meio desta tríade, desvela-se com mais proximidade qual é o perfil dos sujeitos aos quais as investigações buscavam. Conforme detalhados na Tabela 3.
Tabela 3 – Distribuição dos servidores que não realizam o EMP, segundo faixa etária e variáveis sociodemográficas. Natal/RN, 2020.
Variáveis Idade 20-29 30-39 40-49 50-59 60+ Total Sexo n % n % n % n % n % n % Feminino 34 2,7 151 12,1 136 10,9 157 12,6 127 10,2 605 48,6 Masculino 39 3,1 126 10,1 119 9,5 176 14,1 180 14,4 640 51,4 Carreira Técnico Administrativo 67 5,4 130 10,4 97 7,8 178 14,3 151 12,1 623 50 Docente Magistério Superior 4 0,3 131 10,5 148 11,9 141 11,3 147 11,8 571 45,9 Docente Básico, Técnico,Tecnológic o 2 0,16 16 1,3 10 0,8 14 1,12 9 0,7 51 4,1
Fonte: Elaboração própria baseada em Pilger, Menon, Mathias (2011).
Ao explorar estas carreiras, utilizando-se a variável cargo, é possível identificar, especialmente dentre os técnicos administrativos, quem são esses profissionais. Os dados revelam que há um equilíbrio quase que paritário entre os docentes de modo geral (49,8%) e os técnicos administrativos (50,2%) que não realizam o EMP.
Todavia, dentre os técnicos administrativos, destaca-se a expressiva presença dos profissionais da saúde (30,56%); sendo entre estes médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem que mais negligenciam o acompanhamento dos EMP.
Ainda referente a variável cargo, conforme a Tabela 4, revelaram-se duas categorias administrativas de quantitativo preocupante e bastante relevante, os enfermeiros (97,1%) e os técnicos em enfermagem se destacam entre as mulheres, e os vigilantes (100%) e médicos (58,5%) entre os homens, que não realizam o acompanhamento de saúde por meio do EMP, considerando que estes profissionais estão pulverizados por todos os setores da Universidade. Destaca-se ainda o fato que os vigilantes são homens em sua totalidade.
Tabela 4 – Distribuição dos servidores (as) que não realizam EMP, em relação ao total de servidores por cargo. Natal/RN, 2020.
Variáveis Efetivo
Total
Não realiza EMP / sexo
Feminino Masculino Total
Nº Cargo N n % n % n %
1 PROFESSOR DO MAGISTERIO
SUPERIOR 2146 244 42,9 325 57,1 569 26,5
2 ADMINISTRAÇÃOASSISTENTE EM 757 68 53,9 58 46,1 126 16,6
3 MÉDICO 196 37 41,5 52 58,5 89 45,4
4 PROFESSOR DO ENSINO BÁSICO,TÉCNICO, TECNOLÓGICO 211 33 63,5 19 36,5 51 24,2
5 AUXILIAR DE ENFERMAGEM 217 39 84,7 7 15,3 46 21,2 6 ENFERMEIRO 117 33 97,1 1 2,9 34 29 7 AUXILIAR EM ADMINISTRAÇÃO 143 19 57,5 14 42,5 33 23 8 TÉCNICO DE LABORATÓRIO 180 14 45,2 17 54,8 31 17,2 9 VIGILANTE 125 - - 31 100 31 24,8 10 TÉCNICO EM ENFERMAGEM 86 20 90,9 2 9,1 22 25,6 Total: 1.032 82,9* Fonte: Elaboração própria baseada em Pilger, Menon, Mathias (2011).
* da população total da etapa quantitativa, ou seja, N = 1.245 servidores.
A variável “lotação” ratifica a variável “cargo”, na qual os profissionais da saúde estão entre as dez primeiras colocações, considerando que a esta variável compreendem as maiores unidades hospitalares da UFRN, respectivamente: Hospital Universitário Onofre Lopes (N=158, 12,7%) e Maternidade Escola Januário Cicco (N=75, 6%), como os locais de maior quantitativo de servidores que não realizam o EMP. Conforme exibido na Tabela 5.
Tabela 5 – Servidores que não realizam EMP, distribuídos por sexo e principais lotações identificadas. Natal/RN, 2020.
Variáveis
Não realiza EMP / sexo Efetivo
Total Feminino Masculino Total
Nº Lotação N n % n % n %
1 HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRELOPES 489 92 58,2 66 41,8 158 32,3
2 MATERNIDADE ESCOLA JANUÁRIOCICCO 234 65 86,7 10 13,3 75 32,0
3 ESCOLA AGRÍCOLA DE JUNDIAÍ 189 14 46,7 16 53,3 30 15,9 4 DIVISÃO DE SEGURANÇA PATRIMONIAL 108 - - 27 100 27 25 5 DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA 110 14 60,9 9 39,1 23 20,9
6 SUPERINTENDÊNCIA DE COMUNICAÇÃO
UNIVERSITÁRIA 90 5 11,7 18 78,3 23 25,5
7 ESCOLA DE MÚSICA 81 12 57,1 9 46,9 21 25,9
8 FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DOTRAIRI 120 15 71,4 6 28,6 21 17,5
9 INSTITUTO DE QUÍMICA 75 6 28,6 15 71,4 21 28
10 DEPARTAMENTO DE LETRAS 55 14 73,7 5 26,3 19 34,5
Total: 418 33,6* Fonte: Elaboração própria baseada em Pilger, Menon, Mathias (2011).
* da população total da etapa quantitativa, ou seja, N = 1.245 servidores
Assim, destacam-se as servidoras lotadas na MEJC (86,7%), departamento de letras (73,7%) e FACISA (71,4%) e, entre os servidores, os lotados na divisão de segurança patrimonial (100,0%), superintendência de comunicação universitária (78,3%) e o instituto de química (71,4%) que não se encontram em acompanhamento da própria saúde por meio do EMP.
Outros locais chamam a atenção, pela expressividade de prevalência, pois além de estarem dentro do Campus, situam-se bem próximo à DAS.
Verificou-se que as lotações correspondentes aos servidores pesquisados, estão majoritariamente dentro do Campus Central (N=839; 67,3%).
Em contra partida, embora estes servidores numericamente superem os das unidades externas, é importante esclarecer que o Campus concentra 69,8% do total de servidores
efetivos da UFRN, o que possivelmente justifica este achado, considerando que, em proporção, são os servidores das unidades externas que comparecem menos, conforme mostra o Gráfico 5.
Gráfico 5 – Distribuição dos servidores de acordo com a realização dos EMP, por lotação. Natal/RN, 2020.
Fonte: Dados da pesquisa (2020).
Em relação a variável “quantidade de convocações” dos servidores, observou-se que deste a implantação do serviço na Universidade em 2011, as convocações vêm ocorrendo conforme previsto na legislação, visto que ao longo dos 7 calendários de EMP contemplados nesta pesquisa, os quantitativos correspondem aos resultados descritos na Tabela 6:
Tabela 6 – Quantidade de convocações dos servidores que não realizam EMP. Natal/RN,2020.
Quantidade de convocações 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Quantidade de Servidores 108 61 66 72 80 129 700 27 2
Total: 1.245 100% Fonte: Dados da pesquisa (2020).