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De 14 a 16 de Maio de 2018

A presente reflexão diz respeito à décima primeira semana da Unidade Curricular (UC) Prática Pedagógica em Educação de Infância – Jardim de Infância, do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º CEB.

Tem como principais referentes a reflexão sobre as propostas educativas no âmbito do dia da família, a importância de perspetivar o processo educativo de uma forma integrada e a importância de rever as fases do projeto.

Na presente semana continuamos a dar continuidade ao nosso projeto dos dinossauros. Por se comemorar no dia 15, o dia da família, e de forma a promover os laços entre família, crianças e comunidade educativa, a família foi convidada a realizar uma atividade no jardim de infância, intitulada “Workshop lanche saudável”. No primeiro dia da semana e como forma de promover o tema da família foi contada a história “O livro da família” de Todd Parr, às crianças. Optei por contar a história recorrendo a um vídeo interativo, de forma a diversificar o modo como as histórias são contadas. No final desta, e também pelo facto de o livro apelar que todas as famílias são diferentes, questionei as crianças de como eram as suas famílias, de modo a promover a interação com estas e de refletirmos acerca do tema. A Educadora cooperante solicitou que a história fosse novamente contada, pois queria abordar um tópico. Voltei a contar a história e a educadora cooperante promoveu a reflexão com as crianças no sentido de pensarem se as famílias podiam ter só dois pais ou duas mães. Foi bastante interessante, pois surgiu o tema de como as crianças nascem e as ideias que cada criança tinha acerca de famílias só com pais, ou só de mães. Neste dia, e tal como tínhamos combinado na semana anterior, assistimos ainda a excertos de filmes, onde eram mostradas erupções vulcânicas, tornando-se o entusiasmo para a realização da experiência ainda mais evidente.

No dia da família preparamos algumas coisas, nomeadamente as águas aromatizadas para o “Workshop lanche saudável” a acontecer à tarde, no sentido a integrá-los no que iria acontecer. No horário da componente de apoio à família iniciamos o nosso “Workshop” que se estendeu durante toda a tarde, para que o número de famílias abrangidas fosse o maior possível. A adesão das famílias foi praticamente total, era uma atividade para a família, por isso os pais que não puderam estar presentes,

25 fizeram-se representar pelos tios, avós, madrinhas, etc. Julgo que foi importante termos dinamizado esta ação como forma de aproximar as famílias ao jardim, e para além de ser uma experiência familiar, tentamos ter subjacente a promoção de hábitos de vida saudável. “O planeamento de estratégias diversificadas permitirá que todos participem.

Se há pais/famílias que poderão, eventualmente, vir ao jardim de infância contarem uma história, falarem da sua profissão, acompanharem visitas ou passeios, etc. para os que não podem vir à sala serão encontradas outras formas de obter o seu contributo para o que se está a realizar, garantindo que todas as crianças vejam representados os contributo dos seus pais/famílias.” (Silva, I. L. et al, 2016, p.28)

No último dia, para grande surpresa minha, um dos pais ofereceu um dinossauro que tinha construído com o seu educando para que as crianças o pudessem terminar, e assim fazer parte da nossa exposição. Dada a dimensão do dinossauro, o entusiasmo foi grande. Assim, da parte da manhã iniciamos a composição do dinossauro, as crianças escolheram como este iria ficar, houve negociação e cedências, pois nem sempre estavam de acordo com os pormenores a dar ao dinossauro. No entanto, num aspeto foram unanimes, este dinossauro iria chamar-se Arelhossauro, numa clara alusão ao Jardim, e iria ser um dinossauro com pormenores definidos por eles, o que lhes permitiria recorrer muito mais à criatividade e imaginação. “A criatividade parece

emergir de múltiplas experiências, juntamente com o desenvolvimento estimulado de recursos pessoais, incluindo o senso de liberdade para aventurar-se além do conhecido.” (Malaguzzi, p. 87). Neste dia, da parte da tarde, realizamos a nossa

experiência da erupção vulcânica, podendo ser possível estabelecer paralelismo com o filme e promover aprendizagens no âmbito da geologia e da química. O entusiasmo para o que ia acontecer era evidente, estando sempre as crianças a perguntar o que ia acontecer, tecendo algumas hipóteses, no fundo, articulando conhecimento e tentando construir uma resposta.

Durante esta semana, não foi possível concretizar tudo o que tinha planeado, mas estava consciente disso quando planifiquei a semana, no entanto preferi planificar assim de modo a ficar mais segura, pois saberia o que fazer a seguir se o tempo me permitisse. No entanto, tenho cada vez mais consciência que a planificação é importante, mas também é importante estarmos atentos e escutarmos as crianças, de forma a podermos integrar as oportunidades de interesse e motivações que revelam, como aconteceu no caso da experiência dos vulcões, em que até me poderia fazer sentido, mas que eu não estaria a pensar realizá-la, no entanto, quando surgiu a

26 oportunidade revelada por uma das crianças e que se estendeu ao grupo, não podia deixar passar esta oportunidade, que me fazia todo o sentido explorar e se integrava plenamente no nosso projeto. Tal como referido nas orientações curriculares (2016, p. 22) “perspetivar o processo educativo de forma integrada, tendo em conta que a

criança constrói o seu desenvolvimento e aprendizagem, de forma articulada, em integração com os outros e com o meio.”

Nesta semana em reflexão com o professor supervisor surgiram ainda algumas questões acerca do projeto e sobre a importância de expor a rede de ideias de que fala Lilian Kartz. No trabalho por projeto o educador pode auxiliar as crianças a criar uma “rede” de ideias acerca do conhecimento que já possuem ou do que desejam saber. Katz & Chard (1997) definem uma rede como “o levantamento de ideias e conceitos-chave

que um tópico engloba, e de alguns subtemas principais com ele relacionados.” (p.

181). E também sobre a necessidade de definir todas as fases pelo qual o projeto se está a desenvolver, de forma a ser efetivamente um projeto. Isso dar-me-á uma linha condutora para que possa desenvolver o projeto sem me perder.

Bibliografia:

Edwards, C.; Gandini, L. & Forman, G. (1999). As Cem linguagens da Criança – A

abordagem de Reggio Emilia na Educação da Primeira Infância. Porto Alegre: Artmed

Katz, L. & Chard, S. (1997). A Abordagem de Projeto na Educação de Infância. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Silva, I. L., Marques, L., Mata, L. & Rosa, M. (2016). Orientações curriculares para a

educação pré-escolar. Lisboa: Ministério da Educação/Direção-Geral da Educação

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