De 04 a 06 de dezembro de 2017
A presente reflexão diz respeito à décima segunda semana da Unidade Curricular (UC) Prática Pedagógica em Educação de Infância - Creche, do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º CEB.
No primeiro dia da semana, tal como planificado promovemos a experiência de pintar a árvore de natal. A educadora não se encontrava presente, no entanto esta correu como previsto. O entusiasmo das crianças foi notório. A experiência consistia em pintar uma árvore de grandes dimensões com um rolo. Optou-se por desenhar a árvore num cartão e só depois de as crianças a pintarem é que recortarmos a árvore, para que as crianças pudessem pintar livremente, mesmo que por fora dos contornos, com o objetivo de trabalhar a coordenação motora. De forma a conseguirmos gerir a experiência e para nos assegurarmos que todos participavam nesta, a concretização foi realizada em grupos de duas crianças, enquanto as outras brincavam livremente pelos cantinhos da sala. Nesta experiência, de modo a poder caraterizar e avaliar uma das crianças, resolvi filmar a prestação desta, para assim poder observar ao pormenor a dinâmica. Foi interessante verificar que algumas das crianças faziam o movimento de pintar com o pincel, apesar de terem um rolo na mão. Havia dois rolos, um liso e um que tinha saliências, o que permitiu verificar que as crianças que tinham o rolo liso conseguiam utilizar este com maior destreza, comparativamente com as outras crianças que utilizaram o rolo com saliências. A experiência possibilitou ainda verificar que algumas das crianças manifestaram interesse em mexer na tinta com as mãos, em oposição a outras que de forma alguma queriam sujar-se com a tinta, evidenciando características próprias de cada criança, que tem que ser levadas em consideração e que o educador tem que respeitar. Segundo Post e Hohmann (2003) “Os educadores
procuram respeitar e não alterar as preferências que as crianças manifestam por certos companheiros, comidas ou actividades.” (p.74). Pude ainda constatar que houve uma
criança que não mostrou interesse em participar efetivamente na concretização da experiência, limitando-se a observar os colegas a participar, tendo optado-se por respeitar a criança e os seus interesses. Naquele momento, julgo que para aquela criança, a aprendizagem foi feita por observação. A criança em questão, tem características próprias que devem ser respeitadas, o tempo que passamos com as
13 crianças permite-nos conhecer o seu temperamento e as suas preferências, e naquele momento tentar motivar a criança para a tarefa de forma persistente não seria de forma alguma respeitar a criança. Por esse facto, optamos por não insistir na participação através da execução da proposta. Embora esta criança mostrasse interesse, o seu interesse naquele momento limitou-se à observação, sendo isso naquele momento suficiente para ela, tendo sido dada à criança a oportunidade de escolha, respeitando a sua opção, reforçando sentimentos de segurança. É importante ainda referir que a educadora não se encontrava em sala, e a criança podia ainda não se sentir suficientemente segura para a experiência comigo. Tal como Dias (2014) defende, educar para o desenvolvimento nos primeiros anos de vida, entre outras coisas, implica respeitar a criança enquanto ser individual com caraterísticas próprias. Dalli e Kibble (2010, citado por Dias, 2014)” sustentam a ideia de que o educador “numa lógica de
educação para o desenvolvimento é ser como uma árvore. Primeiro estabelecem-se as raízes, conhecendo cada criança e cada família…Depois, estabelece-se a base segura para a criança (o tronco da árvore!), tornando-se a pessoa com quem a criança se sente segura. À medida que a criança se vai desenvolvendo e sentido (mais) segura, surgem os galhos da árvore que ajudam a criança a atingir e a construir relações com as outras pessoas que a rodeiam” (p.169).
No segundo dia tal como planificado, e de forma a dar continuidade à experiência do dia anterior, foi proposto às crianças que construíssem o tronco da árvore de natal. Para a construção do tronco, solicitou-se às crianças que estes rasgassem papel crepe castanho, num desafio à coordenação motora e à motricidade fina. Não saberia se a experiência iria correr como previsto, ou seja, se as crianças conseguiriam rasgar o papel, pelo facto de o papel crepe ser um papel com alguma elasticidade, o que poderia ser um obstáculo à experiência, no entanto o meu receio não se confirmou, conseguindo as crianças rasgar o papel em pequenos pedaços. De seguida o papel seria amachucado e colado no tronco, experiência que correu como previsto e na qual as crianças participaram com entusiamo, aguardando pela sua vez para participarem. Durante a experiência foi possível dar conta da evolução de algumas crianças. Com recurso à observação, verifiquei que em experiências anteriores, essas crianças colavam os materiais sempre no mesmo sítio, no entanto agora já podemos dar conta que procuram os espaços vazios para colarem os pedaços de papel, com o intuito de preencherem todos os espaços vazios. Através da observação e do registo de ocorrências podemos dar conta da evolução da criança, fazendo uma avaliação das aprendizagens já adquiridas
14 pelas mesmas. Só através destas evidências é que é possível realizar uma avaliação consciente das crianças, daí a observação e a escuta ativa serem métodos tão importantes no desempenho da atividade educativa. Parente (2012) defende que “Efetuar observações e registar o que se vê e o que se ouve propicia a recolha de
evidências. Ao escrever o que se observa e o que se ouve o observador cria um registo sobre o qual pode reflectir mais tarde, comparar com outros registos realizados ao longo do tempo e, ainda, partilhar e contrastar com outros adultos e com a família da criança.” (p. 7). Da parte da tarde, coloquei a copa da árvore de natal na parede da sala,
a reação foi de entusiasmo, as crianças olhavam e apontavam, referindo frases, tais com: “Ó maéne, é ávore!”. Dado o interesse manifestado pela árvore já exposta, resolvi antecipar e iniciar a experiência que tinha planificado para o dia seguinte. O interesse não podia ser maior, até porque o material (massa alimentar) utilizado era algo novo, que podiam mexer, sentir, morder, apelando às diversas capacidades sensitivas das crianças. Além disso as massas, para além de diferentes formas, tinham diferentes cores, o que potenciava o interesse. Nesta experiência foi também possível evidenciar as escolhas realizadas pelas crianças, dado que podiam optar por diferentes formas (estrela ou bola), assim como o material com que queriam trabalhar. Pude ainda constatar que o tempo de concentração no desempenho da proposta manifestado pela maioria das crianças aumentou, comparativamente com o início da minha atividade pedagógica, o que remete para as conquistas realizadas nestas crianças no que concerne ao nível do desenvolvimento cognitivo, atenção e concentração.
No último dia da semana foi possível continuar com a experiência iniciada no dia anterior, construção dos motivos de natal, para a decoração da árvore. A crianças revelaram-se interessadas na experiência, e mesmo aquelas que já tinham participado no dia anterior, manifestavam interesse em realizar a experiência novamente. Dado não ser possível as crianças que já tinham experienciado voltarem a participar na experiencia nesta altura, decidi, mostrar-lhes o que tinham realizado no dia anterior, para que pudessem mexer e assim explorar o que já tinham concretizado. Foi ainda dada a oportunidade a estas crianças de explorarem a massa alimentícia novamente. De forma a conhecer o material, todas as crianças, umas mais que outras, experienciaram a massa ao nível da boca, no sentido de conhecer e se apropriarem das caraterísticas do material em questão. Neste dia, decidi trazer um material novo para a sala, sacos sensoriais. Enquanto algumas das crianças estavam a participar na experiência de colar as massas no motivo de natal, outras exploravam os sacos sensoriais. Da experiência dos sacos
15 sensoriais, verifiquei que algumas crianças mexiam e identificavam os objetos que continham dentro. Recordo-me do menino M.L ter referido imediatamente “Ó, bola!”. Os sacos permitiram às crianças explorarem-nos, mexendo, amachucando e separando os diferentes elementos que continham, num apelo às capacidades sensoriais e manipulativas. A mesma criança manifestou agrado quando colocou o saco em cima da sua cabeça, conhecendo o objeto não apenas através das mãos, mas com outras partes do corpo. Pelo interesse manifestado pela experiência, julgo que seria pertinente promover outra experiência com sacos sensoriais, mas de maiores dimensões, para que estes possam ser colocados no chão e explorados com as diferentes partes do corpo.
Bibliografia:
Dias, I (2014). De bebé a criança: características e interações. Revista Eletrônica Pesquiseduca, Santos, 6 (11), p. 158-172.
Post, J. & Hohmann, M. (2003). Educação de Bebés em Infantários – Cuidados e
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