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REFLEXÕES SOBRE O PAPEL DO ESTADO NO DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA

GRAMSCI E O FASCISMO

REFLEXÕES SOBRE O PAPEL DO ESTADO NO DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA

REFLECTIONS ABOUT THE ROLE OF GOVERNMENT IN THE CAPITALISM DEVELOPMENT

* Professor na Universidade Nove de Julho.Fez curso de Economia na PUC-SP, onde, ainda, realizou Mestrado em Administração. Cursou doutorado em História Econômica na Universidade de São Paulo. Foi professor na Universidade São Camilo e PUC-SP..

A atuação do Estado na economia é orientada por razões políticas.

A

o longo do século XX, como exemplos de situações que exigiram atuação extrema por parte dos governos de diversos países ao redor do mundo, podemos mencionar a Primeira Guerra Mundial, a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a grande depressão dos anos 1930, a Segunda Guerra Mundial e os choques do petróleo, e já no século XXI, a crise econômica mundial, iniciada em 2008.

Como exemplos dessa intervenção, temos o caso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que, desde 1929, já trabalhava com uma política econômica plane-jada; a França,cujo Estado encampou parcela considerável das indústrias economicamente estratégicas para o país. Nos Estados Unidos, e em grande parte da Europa, podemos citar programas como o New Deal e o Plano Marshall, cuja finali-dade era reverter os impactos nocivos da Grande Depressão

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e da Segunda Guerra sobre esses países, entre outros pro-gramas de intervenção.

Historicamente, sobretudo em momentos de crise, inde-pendentemente do regime político, é comum observarmos a participação do Estado, no sentido de criar as bases ne-cessárias para a superação da crise. Nesse sentido, a Teoria Keynesiana viria a contribuir significativamente para a com-preensão da importância da atuação do Estado, sobretudo em períodos de recessão.

Em meio ao avanço do processo de globalização que presenciamos nos dias de hoje, verificamos a intensificação em termos de volume e complexidade das relações comer-ciais por todo o mundo, bem como a internacionalização da produção e dos investimentos, por meio dos quais, nota-mos o desenvolvimento do processo de oligopolização da indústria mundial e o aumento da concentração de capital nas mãos das nações centrais, sedes dos grandes grupos multinacionais.

No entanto, a conquista de novos mercados (fornece-dores e consumi(fornece-dores) por parte dos grandes grupos oli-gopolistas e monopolistas conta com o auxílio dos governos de seus países de origem, que, de uma forma ou de outra, pressionam os governos das nações menos desenvolvidas a adotarem uma política econômica que favoreça os interesses de seus grandes grupos empresariais.

Também é de grande importância a participação do governo das nações periféricas, que adotam políticas que privilegiam o capital externo, visando atrair investimentos estrangeiros para seu país.

rela-cionado à reorientação da política econômica brasileira (e de outros governos latino-americanos) no início dos anos 1990. Principalmente após a incorporação das ideias apresentadas pelo Consenso de Washington, o liberalismo econômico, comandado pelas grandes corporações multinacionais, se-diadas nas nações centrais, tornou-se o modelo principal de política econômica, orientada por esses países, e imposta às nações menos desenvolvidas.

Com os avanços nas relações econômicas internacio-nais, ainda marcadas por conflitos de interesses comerciais e por políticas protecionistas adotadas por todo o planeta, novamente se discute até que ponto e em que casos a inter-ferência governamental deve ser colocada em prática.

A ausência do Estado na regulação das relações econômi-cas promoveria, de fato, o desenvolvimento econômico das nações envolvidas no comércio internacional, como defen-diam as nações mais desenvolvidas, cujos interesses foram tão bem representados no Consenso de Washington? Por que, então, nesses países nota-se a existência de políticas protecionistas?

Não obstante a criação da União Europeia, com a que-bra das barreiras que impediam a circulação de produtos, serviços, máquinas e equipamentos, matérias primas e até mesmo de mão-de-obra, a Europa convive com focos de instabilidade econômica, que induz trabalhadores a emigra-rem rumo a economias mais dinâmicas. Isto é, a proposta de um mercado unificado, mais forte e com melhores per-spectivas de crescimento, não foi cumprida.

Diante desse quadro, novamente se discute o papel do Estado na regulação das relações econômicas, através de suas políticas. Nesse sentido, este estudo busca contribuir

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para a sustentação do debate a respeito da participação do Estado nas relações econômicas de uma nação e sua im-portância para seu desenvolvimento econômico.

Contudo, ao longo deste estudo defenderemos o ponto de vista, segundo o qual, a atuação do Estado é orientada não por pressupostos econômicos, mas por razões políticas, revelando sua subserviência aos interesses do capital priva-do. Temos como objetivo, portanto, alimentar uma reflexão a respeito da atuação governamental e explicar as razões que determinam sua posição no processo de elaboração e implantação de suas políticas

Aspectos Econômicos da Globalização

A internacionalização da produção tem diversas finali-dades, e, da mesma forma, revela diferentes resultados, de-pendendo do grau de desenvolvimento das nações envolvi-das nas relações econômicas internacionais.

Sob o aspecto da produção, as multinacionais, oriundas de nações desenvolvidas, criam filiais de suas empresas em países mais pobres com o objetivo de beneficiarem-se da ampla oferta de mão-de-obra e do mercado consumidor potencial que esses países oferecem. Exportam tecnologia (já obsoleta em seus países de origem) para os países menos desenvolvidos, geram empregos, aquecem a economia, em troca do direito de instalarem suas fábricas nesses países . Dessa forma, elevam seu grau de competitividade no comér-cio internacomér-cional, bem como sua lucratividade.

A força de trabalho utilizada em seu próprio país recebe salários mais elevados, o que, em muitos casos, torna a operação em suas sedes deficitária. Entretanto, os lucros

obtidos a partir da exploração da mão-obra barata e de-mais fatores de produção com custo reduzido nos países periféricos, compensam esse custo elevado, gerando altos lucros, que são transferidos às suas matrizes em seus países de origem. Dessa forma, criam-se condições para a formação de capital, utilizando-se, para tanto, de recursos de produção encontrados nos mercados menos desenvolvidos, mas que, transferidos aos países centrais, financiam sua acumulação de capital.

Do lado do país subdesenvolvido, importador da tecno-logia, este passa a desenvolver sua indústria com maior ve-locidade, gerando maior número de empregos e aumentando a renda e o PIB per capita. Entretanto, sua indústria nacional não conseguirá competir doméstica ou internacionalmente com a indústria estrangeira, e, no máximo, constituirá in-dústria complementar à inin-dústria alienígena; quando muito, existirá num segmento de mercado que não desperte o in-teresse do capital estrangeiro.

Outro problema consiste no fato de que esse desenvolvi-mento aparente dificilmente ocorrerá num ritmo ou grau de eficiência que o retire da posição de submissão ao capital internacional, o qual atua como grande financiador (e explo-rador) de seu desenvolvimento econômico. Isso acontece, pois as indústrias criadas nas nações periféricas não con-tam com o mesmo volume de recursos com que concon-tam as multinacionais estrangeiras.

Embora o capital seja formado utilizando-se os recursos dos países periféricos, ele passa a ser apropriado e trans-ferido aos países desenvolvidos, sobretudo nos casos em que a demanda interna nos países periféricos não pode ser suprida com mercadorias produzidas nacionalmente, exig-indo, consequentemente, importações dessas mercadorias.

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Há, também, casos em que o nível de poupança interna dos países menos desenvolvidos não é suficiente para financiar os investimentos na produção, exigindo-se, assim, recursos externos, cujo fluxo em geral ocorre mediante empréstimos internacionais, remunerados a elevadas taxas de juros.

No que diz respeito aos trabalhadores, o único bem que a classe trabalhadora possui e que pode oferecer ao mercado é sua força de trabalho, que posta a serviço do capital privado, movimenta os meios de produção, gerando o produto de consumo.

Pagos os custos dos recursos socialmente necessários à sua produção, recolhidos os tributos e embutido o lucro do capitalista, estabelece-se o preço da mercadoria. A margem de lucro determinará a magnitude da renda do produtor, en-quanto que a renda do trabalhador é constituída basicamente por seu salário, este, fortemente pressionado justamente pela ampla oferta de mão-de-obra no mercado de trabalho e pela necessidade de redução nos custos de produção.

Mas até que ponto o capitalista pode aumentar sua mar-gem de lucro? Em sistemas econômicos onde predomine a ampla concorrência, as condições para que isso aconteça não são muito propícias, mas ao se tratar de mercados onde predominem o oligopólio ou o monopólio, a situação se modifica. Com relação ao lucro, obtido através do fun- cionamento do processo produtivo, no mercado competitivo, as organizações empresariais são obrigadas a incrementar seus investimentos em aprimoramento do produto (custos) e reduzir seus preços, obtendo, dessa forma, menores mar-gens de lucros.

Já em mercados onde a concorrência perdeu espaço para o oligopólio ou para o monopólio, as empresas estabelecem

acordos com o intuito de definir não apenas o montante dos investimentos que serão realizados em suas operações, mas também os preços de venda de seus produtos .

Dessa forma, pode-se dizer que o mercado onde há grande competição entre as empresas proporciona melhores condições aos consumidores, disponibilizando-lhes merca-dorias de melhor qualidade e melhores preços. Porém, his-toricamente, observa-se que o livre mercado está presente apenas em mercados que ainda não atingiram um elevado grau de desenvolvimento, enquanto que os oligopólios são justamente a representação do alto grau de desenvolvimento do sistema capitalista.

Com relação à distribuição da riqueza entre trabalhadores e capitalistas, temos que a maior parcela da riqueza cabe à classe capitalista, proprietária dos meios de produção, que incrementa sua lucratividade a partir da redução de seus custos de produção, sobretudo, dos salários pagos aos tra-balhadores.

Devido à excessiva oferta de mão-de-obra, os salários são compelidos para baixo, ampliando a lucratividade dos capitalistas e comprimindo o poder de compra, e, conse-quentemente, a qualidade de vida da classe trabalhadora.

Quanto ao seu processo evolutivo, segundo Karl Marx, o capitalismo, assim como os demais modos de produção, é fruto do desenvolvimento das forças produtivas, que tem origem no rompimento de um antigo modelo, mas que deverá evoluir ao seu ponto máximo (de capacidade de formação de capital e exploração da força de trabalho) e passará ao declínio, até que possamos observar a paulatina cristalização de um novo modelo, nesse momento, revolucionário.

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Vejamos, agora, como o desenvolvimento das forças produtivas pode influenciar as relações econômicas e sociais de uma nação.

Em uma economia em que predomine a ampla concor-rência, devem existir diversas indústrias produtoras de uma mesma mercadoria, que competem entre si, e que, por razão dessa concorrência e da necessidade de preservarem seus mercados consumidores, atacam seus concorrentes das mais variadas formas e intensidades.

Inevitavelmente, algumas dessas indústrias não con-seguem resistir a tais ataques e são apropriadas pelas mais fortes, reduzindo, aos poucos, a quantidade de empresas de um mesmo ramo no mercado. No longo prazo, apenas um número reduzido de indústrias tende a sobreviver, formando, assim, o oligopólio.

Depois de constituído o oligopólio (ou monopólio), e diante do alto custo que envolve a conquista de maior partici-pação de seus produtos e serviços no mercado consumidor, os grandes grupos empresariais passam a expandir-se para nações menos desenvolvidas, que tornam-se consumidoras de suas mercadorias e fornecedoras de bens de produção.

A penetração em novos mercados exige a fabricação de maior quantidade de mercadorias, e, consequentemente, maior consumo de bens intermediários e insumos para sua fabricação, conferindo à indústria maior economia de escala.

Assim, reduz seus custos e aumenta seu lucro, ou, se houver focos de concorrência a serem combatidos, pode-se transferir a redução de custos aos preços do produto final, conferindo-lhe maior competitividade.

Ao penetrarem nos novos mercados, as grandes em-presas estrangeiras passam a concorrer com a indústria local, aumentando a competitividade naqueles mercados, e, obviamente, elevando as pressões sobre os trabalhadores, que passam a submeter-se às imposições da nova realidade econômica. Assim, parcela significativa da indústria local aca-ba por não sobreviver aos ataques da indústria estrangeira mais desenvolvida e com maior capacidade de investimento.

Quanto aos níveis de emprego, se de um lado a entrada das multinacionais no mercado interno gere procura por trabalhadores, de outro, com as falências, caem os níveis de emprego. Aqui, é importante lembrar que neste nosso exem-plo, a quantidade de empregos gerados não tem a mesma proporção que a quantidade de empregos extintos, pois o grau de mecanização da produção presente nas grandes mul-tinacionais reduz drasticamente a demanda dessas empresas por mão de obra. Como efeito disso, observa-se a redução dos salários, uma vez que a oferta no mercado de trabalho se expande (ou, se preferirem, uma vez que a demanda por mão de obra se contrai). A indústria estrangeira, então, aproveita-se dessas condições e aumenta sua produção e oferta de produtos no mercado, novamente reduzindo custos e aumentando lucros, contratando essa mão de obra cada vez mais barata e submissa.

Dessa forma, tais indústrias criam as condições ne-cessárias para que possam, em seguida, marchar para a invasão de um novo mercado, e assim por diante, até transformarem-se em gigantes multinacionais, como as que surgiram a partir de inícios do século XX, nos Estados Unidos e na Europa.

De qualquer forma, sob o capitalismo, seja em sua fase de ampla concorrência, seja em sua fase monopolista e

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lista, as condições mais favoráveis aos trabalhadores são os períodos de prosperidade, quando aumenta a demanda da força de trabalho e, consequentemente, tende a ocorrer incremento real dos salários. Já nos períodos de crise, cai a demanda de força de trabalho e aumenta a concorrência entre os trabalhadores, resultando em queda dos salários reais. Ou seja, mesmo com a internacionalização da indústria local, havendo maior demanda por força de trabalho, haverá ganho em termos de salários reais para os trabalhadores.

Contudo, reduz-se a capacidade da nação reverter sua posição de subordinação ao capital estrangeiro, uma vez que a riqueza é internacionalizada.

O fato é que seja no livre mercado, ou no oligopólio, a classe trabalhadora sempre será obrigada a submeter seus próprios interesses aos do capital privado.

Marx previa que conforme o capitalismo se desenvolves-se, faria com que as empresas aumentassem a pressão sobre os trabalhadores, em nome da redução de custos e aumento da competitividade de seus produtos.

O aumento gradual das pressões sobre o proletariado, submetendo-o aos interesses do capital privado, aumentaria, consequentemente, a deterioração da qualidade de vida dos trabalhadores, o que poderia levá-los a se rebelar contra a continuidade desse modelo. Isto é, segundo a concepção de Marx, ao passo que o capitalismo se desenvolve, cava sua própria cova .

Teoricamente, se formos seguir o pensamento econômico liberal clássico, sob o aspecto macroeconômico, as nações deveriam dedicar-se às atividades para a quais possuem fatores absolutos e relativos de produção em abundância.

Estabelece, então, a divisão internacional do trabalho, di-vidindo as nações em produtoras de bens primários e bens manufaturados. Contudo, mesmo em países de economia predominantemente agrária, a partir do momento em que esta economia dá início a seu processo de industrialização, ao se observarem as mudanças que tal processo provoca no país subdesenvolvido, notar-se-á a transformação de sua estrutura produtiva, de exportadora de bens primários e inter-mediários, e importadora de produtos manufaturados, para uma economia industrializada, capaz de fabricar produtos de maior valor agregado.

A nova estrutura econômica, baseada na atividade industrial, absorveria mão-de-obra ociosa e geraria maior renda agregada, uma vez que elevaria os níveis salariais, ao mesmo tempo em que conferiria aos novos trabalhadores maior poder de consumo.

É importante compreender que essa mudança ocorre visando à formação de capital por parte dos grandes grupos industriais estrangeiros, que identificam nas economias me-nos desenvolvidas maiores possibilidades de ganho do que em seus próprios países, onde já não há mais disponibilidade de mão-de-obra barata, além de outros custos de produção mais elevados. Isto é, apesar de haver significativas mudan-ças na base econômica das nações menos desenvolvidas, mudanças estas capazes de promover melhora significativa nos níveis de emprego e renda, esse deslocamento propor-ciona vantagens ainda maiores aos grupos estrangeiros e aos seus países de origem, para onde a renda passa a fluir.

Sobre os efeitos desse deslocamento, até certo ponto promove a substituição de importações, consequentemente reduzindo a dependência dos mercados fornecedores es-trangeiros, entretanto, preserva a hegemonia do capital

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alienígena sobre o capital nacional, uma vez que este não possui poupança suficiente para realizar os investimentos necessários à ampliação, em termos quantitativos e qualita-tivos, da indústria nacional.

Nesse sentido, torna-se fundamental a presença do Es-tado na formação e desenvolvimento das forças produtivas nacionais, cuja ação pode manifestar-se de diversas formas, como por meio da concessão de subsídios e isenção de tributos à indústria local, criação de instrumentos de finan-ciamento a essa indústria, ou até mesmo pela criação da própria estrutura produtiva com capital público.

Na fase de criação de empresas estatais, sobretudo em setores estratégicos como a geração de energia, atividades mineratórias, transportes, comunicações, etc., cuja finalidade é suprir a indústria local dos recursos necessários à sua maior competitividade, tanto no mercado doméstico como no internacional, o discurso da classe capitalista mostra-se favorável ao investimento público, pois não possui recursos (ou mesmo interesse) para realizar tais investimentos. Con-tudo, ao observar o enorme potencial de lucratividade dessas empresas, principalmente após terem se consolidado no mer-cado, articula movimentos em que defende sua privatização. A exemplo dessa articulação, no Brasil, a partir dos anos 1990, com o Programa Nacional de Desestatização, criado pelo Presidente Fernando Collor de Mello, ao qual foi dado prosseguimento por seu sucessor Itamar Franco e depois por Fernando Henrique Cardoso, parte importante do patrimônio público nacional foi transferida ao controle privado.

Essa política gerou grande manifestação contrária por parte de personalidades ligadas à política, lideranças sindicais, intelectuais e estudantes, mas o debate foi

inter-rompido por parte do governo, que se recusou a realizá-lo, concluindo, então, a privatização de importantes empresas estatais brasileiras.

Aqui, cabe uma questão: apesar das manifestações con-trárias às privatizações, quais razões levaram o governo a realizá-las? Tais razões são elaboradas com base em teorias econômicas, ou por pressões do capital privado, principal-mente externo? É importante que se faça, duas décadas após a concretização desse processo, uma análise quanto às razões e aos seus efeitos socioeconômicos, mas este estudo não faz parte dos objetivos deste ensaio.

Estas são algumas das críticas que nos propomos a fazer quanto ao desenvolvimento do capitalismo e aqui se situa o cerne de nossa crítica: Quais fatores influenciam os gov-ernos de nações menos desenvolvidas a adotarem políticas econômicas que privilegiam, no longo prazo, sobretudo o capital privado estrangeiro, em detrimento do desenvolvi- mento sustentável de suas economias nacionais? Não fosse a forte atuação do Estado, tanto em nações centrais como em periféricas, o capitalismo sobreviveria ao seu próprio desenvolvimento?

Partiremos, a partir de agora, para uma análise do papel do Estado como instrumento regulador dos interesses priva-dos e sociais, elaborando, novamente, uma crítica a respeito dessa atuação, orientada, na maioria das vezes, por princípios políticos, e não socioeconômicos.