II PARÂMETROS TEÓRICOS DE ANÁLISE: REFLEXÕES SOBRE O DISCURSO E SUA RELAÇÃO COM O PODER
2.1 Regimes de verdade: os efeitos específicos do poder
Foucault, na obra A verdade e as formas jurídicas (2005) retoma cinco conferências em que ele demonstra o vínculo entre o que ele denomina de sistemas de verdade e as práticas sociais e políticas, suas características, origem e manutenção na sociedade atual.
A análise dessa obra interessa a esta tese particularmente pelo que Foucault vai dese ol e à o igi al e te,à o testa doà oà se tidoà deà e dade à doà s uloà XIXà eà distanciando-se das definições conceituais. Busca-se estabelecer aqui uma relação entre essa teoria e o corpus de análise da tese. Com relação à compilação dos documentos prescritivos, analisa-se o PPP das Línguas Estrangeiras para descrever a retomada ou não das propostas presentes nos documentos prescritivos da Educação nacional e a forma como os professores fundamentam esses discursos, a que textos acadêmicos recorrem, ou às leis nacionais, a um discurso da mídia, à tradição escolar no CPII ou a outros quaisquer que venham a constituir-se em um discurso de verdade.
No segundo bloco, analisa-se, na fala dos professores, o resgate aos textos e aos intertextos do PPP, a narratividade de sua formação profissional, as concepções de trabalho docente na constituição de uma verdade. Para realizar a análise, partiu-se do pressuposto, segundo Fou aut,àdeà ueàaà o tadeà oà àaàe p ess oàdoàdesejoàdoàho e .àNossaà o tadeà deà e dade à a uflaà osà desejos.à Oà ueà se p eà est à e à jogoà à oà desejo à eà oà pode .à Assim, ao serem interrogados acerca de sua prática pedagógica, os professores desejam falar sobre ela e sobre a sua disciplina, o quanto e como ela se representa, o quanto significa. Ao ser capturado pela volição, no discurso, mascara-se a verdade e escamoteia-se o sentido primeiro para ceder ao segundo, ter poder.
Foucault mostra como foi possível formar, no século. XIX, certo saber sobre o homem, sobre a individualidade, sobre o indivíduo normal ou anormal, dentro ou fora da regra, de forma a constituir-se um saber que nasce das práticas sociais de controle e da vigilância. Assim, o autor exclui a preeminência de um sujeito de conhecimento dado definitivamente, mas relaciona os domínios do saber com as práticas sociais, constituindo-se em um dos primeiros eixos de sua pesquisa.
O segundo eixo é metodológico e se elabora em torno de uma análise dos discursos. Pa aà Fou aultà ,à p. ,à oà dis u soà à esseà o ju toà egula à deà fatosà li guísti osà e à determinado nível, e polêmicos e estratégicos em outro .àEssaàa liseàp opostaàseào ga izaà e à to oà deà jogosà est at gi os,à deà aç oà eà deà eaç o,à deà pergunta e de resposta, de do i aç oàeàdeàes ui a,à o oàta àdeàluta ,à o t apo do-se a uma proposta anterior de considerar esses fatos de discurso simplesmente sob seu aspecto linguístico.
O terceiro eixo proposto está na reelaboração da teoria do sujeito. Aqui o autor propõe observar como se dá a constituição de um sujeito que não é dado definitivamente, que não é aquilo a partir do que a verdade se constitui na história, mas um sujeito que se constitui no interior mesmo da história, e que é a cada instante fundado e refundado por ela.
A partir desses eixos, Foucault propõe a existência de duas histórias da verdade. Uma que se organiza internamente, aquela que se corrige a partir de seus próprios princípios de regulação e a outra que propõe a formação da verdade ou das verdades em vários outros luga esà aà so iedade.à Nestaà últi a,à u à e toà ú e oà deà eg asà deà jogoà s oà defi idasà - regras de jogo a partir das quais vemos nascer certas formas de subjetividade, certos domínios de objeto, certos tipos de sabe à FOUCáULT,à ,p. à ,ààeàaàpa ti àdaíàseàto aà possível fazer uma história externa, exterior, da verdade.
Para operacionalizar os conceitos descritos, Foucault explora as práticas judiciárias, determinando a maneira como os homens negociam os danos e as responsabilidades no modo de pensar do Ocidente, como as práticas regulares (regras) foram sendo instituídas, impostas e também modificadas sem cessar através da história. Essas práticas também seriam definidoras dos tipos de subjetividade e formas de saber que constituíram a sociedade, bem como as relações entre o homem e a verdade.
Com a finalidade de desconstruir as verdades absolutas que regem certa leitura de u do,à Fou aultà ost aà deà ueà fo aà todasà asà oisasà fo a à iadas .à áà pa ti à deà u aà invenção,à si alizaà pa aà oà usoà doà te oà E fi du g ,à des itoà o igi al e teà e à Nietzs he,à evidenciando que, em determinado ponto do tempo e em determinado lugar do universo, inventaram o conhecimento.à E pli a,à ai da,à ue,à ua doà Nietzs heà usaà E fi du g ,à te à se p eàe à e teàaàout aàpala aà ueàlheàse iaàoposta,à U sp u g ,à ueàsig ifi aào ige ,àeà pa aàaà ualà oà a e àosà o eitosàdeà ueàeleà aiàt ata .à áài e ç oà àpo àu àlado,àu aà
ruptura, por outro, algo que possui um pequeno começo, baixo, mesquinho, inconfess el à (FOUCAULT, 2005, p.15). Dessa forma, Foucault aponta a criação da poesia, por exemplo, po à eioàdeà o s u asà elaç esàdeàpode ,à e à o oàaà iaç oàdoà o he i e to.à
Para o autor, se se quisesse saber o que é o conhecimento, não seria necessário aproximar-se da forma de vida, de existência, própria do filósofo, mas para saber o que ele é e apreendê-loàe àsuaà aiz,àe àsuaà fa i aç o ,à àfu da e talà ueàhajaàaàap o i aç oà o à os políticos, para perceber as relações de luta e poder ali instauradas. A partir daí pode-se, então, compreender como a análise do autor envereda por uma história política do conhecimento, dos fatos de conhecimento e do sujeito do conhecimento.
Centrando-se no caráter perspectivo do conhecimento, Foucault (2005, p.25) o conside aà o oàu aà e taà elaç oàest at gi aàe à ueàoàho e àseàe o t aàsituado ,àouà seja, porque nessa relação se define o efeito de conhecimento, seria totalmente contraditório imaginar um conhecimento que não fosse aquele que se apoia em sua natureza obrigatoriamente parcial, oblíqua, perspectiva. Essa marca não deriva da natureza humana, mas sempre do caráter polêmico e estratégico do conhecimento; como sempre ocorrem embates entre os interlocutores, o conhecimento é o efeito desses embates.
Acena para o retorno constante de Nietzsche sobre a ideia de que o conhecimento é, ao mesmo tempo, generalizante e particular, já que, por meio dele, se ignoram diferenças, assimilam-se as coisas entre si, sem que isso possa remeter a um fundamento de verdade. Em decorrência disso, o conhecimento é sempre desconhecimento. Entretanto, visto por outro ângulo, será também algo que se constrói sob a égide de uma astúcia, malícia, interdição sobre os indivíduos, coisas, situações e contextos, históricos, políticos etc. O conhecimento, por assim dizer, só acontece quando se tece uma luta, um duelo, entre o homem e aquilo que conhece e, por consequência desse embate, o conhecimento tem um caráter sempre singular. O que a princípio pode parecer um paradoxo é, na verdade, o que constitui a forma intrínseca do conhecimento: ele é simultaneamente generalizante e singular.
Foucault (2005) pretende mostrar como, de fato, as condições políticas e econômicas de existência não se constituem num obstáculo para o sujeito de conhecimento, mas aquilo por meio do qual se formam os sujeitos de conhecimento e, por conseguinte, as relações de verdade.
Após inventariar algumas noções a serem exploradas em sua obra, apresenta, a partir do estudo das práticas judiciárias, os modelos de verdade que circulam na sociedade, que ainda se impõem a ela e valem não somente no domínio da política, no domínio do comportamento cotidiano, mas principalmente na ordem da ciência. Para o autor, até na i iaà osà depa a osà o à Modelosà deà e dadeà ujaà fo aç oà evela as estruturas políticas que não se impõem do exterior ao sujeito de conhecimento, mas que são elas p p ias,à o stituti asàdoàsujeitoàdeà o he i e to. à ,àp. .
Foucault vai apresentar sua proposta de trabalho e de leitura da sociedade, advertindo sobre o fato de não realizar em absoluto uma análise estruturalista. Por i te dioà deà u à jogoà deà pala as,à p op eà aà ealizaç oà deà u aà pes uisaà deà di astia .à Insere assim o desvendamento de coisas que até então foram escondidas, ocultas, investidas na história de nossa cultura. As estruturas econômicas são socialmente um pouco mais conhecidas, mais inventariadas, mais enfatizadas que as estruturas de poder político. Assim, nessas conferências, pretende explicitar de que maneira as
Relações políticas se estabeleceram e se investiram profundamente na nossa cultura dando lugar a uma série de fenômenos que não podem ser explicados a não ser que os relacionemos não às estruturas econômicas, às relações econômicas de produção, mas a relações políticas que investem toda trama de nossa existência. (2005, p.35)
Para exemplificar a forma como o poder se constituiu e como as verdades a seu redor foram elaboradas, Foucault faz um estudo minucioso da história de Édipo e, de forma notável, resume seu drama. Finalmente, o que aconteceu a Édipo foi que, por saber demais, adaàsa ia.àáàpa ti àdesseà o e to,à Édipoà aiàfu io a à o oàoàho e àdoàpode ,à ego,à que não sabia das coisas e não sabia o porquê poderia demais. à ,àp. Historicamente, a partir desse momento, o homem do poder será um homem ignorante, como o que acontece ao final da tragédia em Édipo.
A consequência desse fato se constitui na forma como se apreende o poder, desde então: o poder é tachado de constituir-seà e à ig o ia,à i o s i ia,à es ue i ento, o s u idade .àPo àu àlado,àe isti oàosàfil sofosàeàadi i hosàe à o u i aç oà o àaà e dadeà ou verdades eternas espirituais e, por outro, o povo, que possui a lembrança ou o testemunho da verdade, já que não pode, de forma alguma, deter o poder.
Segundo o autor, o Ocidente vai ser dominado pelo grande mito de que a verdade nunca pertence ao poder político, e assim evidencia o poder político como cego, revelando que o verdadeiro saber é o que se possui quando da recordação das coisas. E, nesse grande
mito ocidental, iniciado por Platão, há antinomia entre saber e poder. Se há o saber, é p e isoà ueàeleà e u ieàaoàpode .à O deàseàe o t aàsa e àeà i iaàe àsuaà e dadeàpu a,à
oàpodeà aisàha e àpode àpolíti o à ,àp. .à
Foucault sugere a extinção desse mito, propondo que, por trás de todo saber, de todoà o he i e to,àoà ueàest àe àjogoà àu aàlutaàdeàpode .à Oàpode àpolíti oà oàest à ause teàdoàsa e ,àeleà àt a adoà o àoàsa e à ,àp. .
O pensamento de Foucault contribui para o fortalecimento da ideia de que a verdade é tecida num contexto histórico e social e, portanto, não é algo universal e incontestável, se consideradas as diferenças entre culturas, entre comunidades e povos. Foucault propõe o e te di e toàdasài stituiç esà o à e toà est a ha e to ,àu aà ezà ueàe ide iaà ueàtodaà eà ual ue à elaç oàso ialàeàp oduç oàdeà e dadeàest à ela io adaà o àosà laços àdeàpode .à O entendimento da verdade descaracteriza o discurso jurídico (e qualquer outro) como sendo imparcial ou isento de saber e poder; evidencia os discursos como fruto das práticas do poder, já que estão influenciados pelo contexto e a forma de sua produção.
Num segundo momento, a abordagem genealógica constitui boa parte da pesquisa de Foucault e, em Verdade e poder (2007)50, o autor afirma a necessidade de se abandonar o sujeito constituinte como conceito para que se possa chegar à constituição desse sujeito na t a aàhist i a.àáàissoàFou aultà ha a iaàdeàge ealogia,àistoà ,à u aàfo aàdeàhist iaà ueà dê conta da constituição dos sabe es,àdosàdis u sos,àdosàdo í iosàdeào jeto,àet . .
Quando se analisam as condições epistêmicas de produção de verdade, encontra-se a seguinte afirmação do autor:
Produzida por um conjunto de procedimentos regulados para a produção, a lei, a repartição, a i ulaç oàeàoàfu io a e toàdosàe u iados...àáà e dade àest à i ula e teàligadaàaàsiste asàdeà pode à ueàaàp oduze àeàaàapoia ,àeàaàefeitosàdeàpode à ueàelaài duzàeà ueàaà ep oduze .à ‘egi eàdaà
e dade .à FOUCáULT,à ,àp. )
A questão da verdade, portanto, aparece como uma questão que se relaciona com sua produção, ou mais especificamente, com o estabelecimento de condições de produção e do regime que a controla. Foucault assevera que a verdade não existe fora do poder ou sem poder. A verdade para ele é deste mundo, fazendo um paralelo às questões de cunho espiritual, ela é produzida no mundo em decorrência das múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Assim, cada sociedade tem seus regimes de verdade que
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Entrevista em que se discutem as relações entre verdade e poder no discurso da ciência, intitulado Verdade e
se poderiam chamar de políti aàge alàdeà e dade ,àouàseja,àosà últiplosàdis u sosà ueàelaà acolhe e faz funcionar como verdadeiros. São mecanismos e instâncias que permitem diferenciar os enunciados falsos dos verdadeiros, o modo como se ratificam uns e outros; as técnicas e os procedimentos que se valorizam para obter a verdade; o estatuto daqueles que se encarregam de determinar o que funciona como verdadeiro.
A economia política nas sociedades atuais tem cinco características historicamente importantes e fundamentais para a análise que aqui se propõe:
A verdade é centrada na forma do discurso científico e nas instituições que o produzem; está submetida a uma constante incitação econômica e política (necessidade de verdade tanto para a produção econômica, quanto para o poder político); é objeto, de várias formas, de uma intensa difusão e de um imenso consumo (circula nos aparelhos de educação ou de informação, cuja extensão do corpo social é relativamente grande, não obstante algumas limitações rigorosas); é produzida e transmitida sob o controle, não exclusivo, mas dominante, de alguns grandes aparelhos políticos e econômicos (universidade, exército, escritura, meios de comunicação); enfim, é objeto de debate político e de confronto social (as lutas ideológicas). (p.13)
A estreita relação entre saber, verdade e poder produz mecanismos de produção de significados que se constituem historicamente. O saber gera poder, que, por sua vez, produz mecanismos vários de produção de saber, que o fazem circular socialmente, que o legitimam e avalizam sua manutenção.
Ao se pensar, por exemplo, nos discursos que se elaboram em torno da Educação, pode-se questionar a forma como eles traduzem um regime de verdade e a configuração desses regimes na constituição de documentos diversos no contexto escolar, na comunidade educacional. Outro questionamento importante se elabora em torno de sua configuração o oà o as àp oposiç esà e dadei as ,àdeàfo aàaàela o a àu à o eitoàdeà efo aà aà Edu aç o à ueà i ulaàdeà a ei aàp e e teà osà aisàdi e sosà mbitos e níveis (oficial, não oficial, mídia, senso comum), da constituição dessas proposições e de sua formulação o igi ia.à Eà ta à a alia ,à ai da,à asà a ei asà deà fala à eà dist i ui à u à sa e à so eà aà iseà oà E si oà M dio ,à o à todoà oà o ju toà deà p ticas que servem de suporte ao discurso oficial e chega a embrenhar-se na opinião pública.
Noà e te di e toà deà Fou ault,à issoà a o te eà oà o oà o asà des o e tas ,à asà o oàu à o oà egi e à oàdis u soàeà oàsa e .àOài po ta teàe àtaisà uda çasà oà àseà serão rápidas ou de grande amplitude, são apenas o sinal de outras coisas: uma modificação nas regras de formação dos enunciados que são aceitos como oficialmente verdadeiros.
Não é, portanto uma mudança de conteúdo (refutação de erros antigos, nascimento de novas verdades), nem tampouco uma alteração da forma teórica (renovação do paradigma,
modificação dos conjuntos sistemáticos). O que está em questão é o que rege os enunciados e a forma como estes se regem entre si para constituir um conjunto de proposições aceitáveis cientificamente e consequentemente, susceptíveis de serem verificadas ou informadas por procedimentos científicos. (grifo do autor)(p. 15)
A historicidade da verdade não se produziria, segundo o autor, por um processo de variações, transformações do conhecimento produzido ao longo da história a partir de um jogo em que se busca aproximar-se o máximo possível da completude do conhecimento por meio de refutações e modernizações de descobertas – mudanças de "conteúdo" –, muito menos por uma alteração dos procedimentos teóricos – mudanças de "paradigma" ( p. 4). Em suma, é um problema de regime, de política dos enunciados e procedimentos científicos. Não se trata, assim, de saber qual é o poder que atua desde a exterioridade sobre a ciência, mas ueàefeitosàdeàpode à i ula àe t eàosàe u iadosà ie tífi os;à ualàse iaàseuà egi eà i te io àdeàpode ,à o oàeàpo ueàe à e tosà o e tosàeleàseà odifi aàdeàfo aàglo al .
A teoria explicativa delineada por Foucault acerca dos regimes de verdade são imprescindíveis na análise dos discursos nesta pesquisa, já que, a partir de certa tessitura, se àpossí elàa alisa à ue àest àauto izadoàaà efuta àa e aàdeà e osàa tigos à aàp opostaà curricular do Ensino Médio, propondo uma i o aç o .à Ce ta e teà seà deparará com um regime nos enunciados oficiais que propõem uma nova verdade para que se possa instaurar u aà e o aç oàdosà pa adig as ,à po à eioà daà odifi aç oà dosà u í ulosà es ola esà eà daà prescrição51 da prática do professor, que não mais deve ser como aquele do passado/presente, mas tomar nova roupagem, instaurada por um discurso normatizador.
O que Foucault chama de regime de verdade é o que se formula como possível no egi eàdis u si o ,àdosàefeitosàdeàpode àp p iosàdoàjogoàe u iati o;àdeslo a-se ao longo das construções históricas e se alicerça sobre um suporte institucional, exercendo pressão e coerção sobre os discursos:
[a vontade de verdade] é ao mesmo tempo reforçada e reconduzida por todo um compacto
conjunto de práticas como a pedagogia, é claro, como o sistema dos livros, da edição, das
bibliotecas, como as sociedades de sábios de outrora, os laboratórios de hoje. Mas ela é também reconduzida, mais profundamente sem dúvida, pelo modo como o saber é aplicado em uma sociedade, como é valorizado, distribuído, repartido e de certo modo atribuído (FOUCAULT, 2007, p. 17).
51No sentido que Schwartz (2002 apud “áNT áNNá;à“OU)á-e-SILVA, 2007, p.4) conceitua as normas, que têm
como propósito organizar o trabalho e se estabelecem de forma a prescrever de modo antecipado sua execução. Disponível em http://www.pgletras.uerj.br/matraga/matraga20/arqs/matraga20a04.pdf.
A esse conjunto de práticas, ratificadas por uma comunidade acadêmica, se somam as pesquisas, o discurso legal, a massificação do discurso da mídia na construção de uma e dade.àOà o pa toàdeàp ti as àdes itoàpo àFou aultà o stituiàosà a posàdaà i iaàouà as áreas disciplinares que se constroem e se fundam a partir de um discurso que é distribuído e valorizado socialmente.
O tema da verdade como um problema de sua produção, proposto pelo autor, se relaciona à forma como se distribui e se valoriza o regime de sua produção. Logo, a verdade apresenta um viés essencialmente político porque se relaciona com sua própria produção, com a formação de práticas dos sujeitos sociais e a formação de conceitos que ganham forma num determinado contexto.
Assim, deve-se compreender a verdade como algo circunstancial e contingente e, no asoà espe ífi oà doà dis u soà edu a io al,à o oà asso iadoà aà do í iosà deà sa e à ueà oà somente fazem aparecer novos objetos, novos conceitos, novas técnicas, mas também faze à as e à fo asà total e teà o asà deà sujeitosà eà deà sujeitosà deà o he i e to à (FOUCAULT, 2005, p.8, grifo nosso). Na visão pós-estruturalista, o conhecimento se legitima como consequência de uma vontade de verdade. Foucault postula a existência de procedimentos que controlam, selecionam, organizam e redistribuem a produção do discurso.
As manifestações institucionais das estratégias e práticas de poder podem ser encontradas na burocracia, leis e em vários outros discursos hegemônicos como os das ciências em geral. Nessa perspectiva, busca-se encontrar, nos discursos dos documentos curriculares do Colégio Pedro II (PPPs) e na sua relação com os documentos nacionais o stituídosàdeàu à dis u soàdeà e dade ,à e à o oà aàfalaàdosàp ofesso es,àosàdife e tesà egi esàdeà e dade à ueàpode àseài i a àeàseà o stitui à u àdis u soà aisàho og eoà sob alguns aspectos ou, como se suspeita nesta tese, pode suscitar um discurso heterogêneo, sob as mais diversas óticas.