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2.5. Resultados Empíricos

2.5.2. Relação Condicional entre Beta e Rendibilidade

Nos mercados da amostra de acordo com a análise realizada na secção anterior não é confirmado o resultado de Fama e MacBeth (1973), a existência de uma relação linear, não condicional e positiva, entre o risco, medido pelo coeficiente beta, e a rendibilidade.

Face aos resultados encontrados, esta secção tem como objetivo analisar a relação sistemática, mas condicional entre beta e rendibilidade, defendida por Pettengill et al.

(1995). É analisada a dupla relação entre risco e rendibilidade. Uma relação positiva em períodos de rendibilidade em excesso de mercado positiva e uma relação negativa em períodos de rendibilidade em excesso de mercado negativa. Segue-se a mesma estrutura da secção anterior e, para verificar se os resultados são consistentes entre períodos, é realizada a análise para o período total, de quarenta e sete meses, de fevereiro/2006 a dezembro/2009 e, para dois subperíodos do período total, designados de período um e período dois, que medeiam entre fevereiro/2006 a dezembro/2007 e de janeiro/2008 e dezembro/2009, perfazendo vinte e três e vinte e quatro observações mensais respetivamente.

53 A Tabela 2.14 apresenta os resultados das regressões seccionais da equação (2.6), de acordo com a metodologia de Pettengill et al. (1995) para as carteiras constituídas com base nos coeficientes betas das ações individuais, nos quatro mercados de capitais em análise: vinte e cinco carteiras para os mercados da Europa, Alemanha, França e nove carteiras para Itália. A análise à relação condicional entre risco e rendibilidade, positiva para mercado em alta e negativa para mercado em baixa, é testada através das estimativas de γ1 e γ2 respetivamente, nos quarenta e sete meses da amostra, de fevereiro/2006 a

São constituídas vinte e cinco carteiras e nove carteiras para o mercado de Itália, com base na ordenação crescente dos coeficientes betas das ações individuais estimados através do modelo de mercado com 36 rendibilidades mensais, no período de fevereiro/1999 a janeiro/2002.

A equação estimada é: Rj, t = γ0 + γ1 Dmt βj-1 + γ2 (1-Dmtj-1 + εj, t . Em que: Rj, t é a rendibilidade da carteira j no mês t,

βj ,t-1 é o coeficiente beta da carteira, estimado através do modelo de mercado e da metodologia de janela deslizante com

os 48 meses anteriores e, Dmt assume o valor de 1 se o mercado está em alta e 0 se o mercado está em baixa e εj t é uma perturbação aleatória do modelo referente à carteira j no mês t.

As estimativas γ0, γ1 e γ2 são o valor médio das estimativas obtidas nas regressões seccionais em cada um dos períodos.

São estimadas 47 regressõesseccional e a estimativa γ1 é o valor médio das estimativas obtidas nas regressões seccionais quando o mercado está em alta e a estimativa γ2 é o valor médio das estimativas obtidas nas regressões seccionais quando o mercado está em baixa.

As médias estatisticamente significativas, a um nível de significância de 5%, estão assinaladas a negrito.

Período Total Média das Regressões: Rj, t = γ0 + γ1 Dmt βj-1 + γ2 (1-Dmtj-1 + εj, t

(02/2006 a 12/2009) Mercado em Alta Mercado em Baixa

Mercados: γ0 γ1 R2Ajust. γ0 γ2 R2Ajust.

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Os resultados apresentados na Tabela 2.14 evidenciam que quando o mercado está em baixa, a média da estimativa do coeficiente γ2 é negativa. O valor médio de γ2 é estatisticamente diferente de zero, isto é, existe uma relação sistemática e negativa entre o coeficiente beta e a rendibilidade, exceto no mercado da França. Quando o mercado está em baixa, a rendibilidade em excesso de mercado é negativa, as carteiras obtêm um prémio de risco negativo, confirmado pelo valor negativo da média da estimativa de γ2. Quando o mercado está em alta, a média da estimativa do coeficiente γ1 é positiva e o valor médio deste coeficiente é estatisticamente igual a zero, ou seja, não é confirmada a relação sistemática e positiva entre o coeficiente beta e a rendibilidade em todos os mercados.

Estes resultados não estão de acordo com estudos empíricos favoráveis ao beta condicional em alguns mercados da Europa (Cotter et al., 2014; Fletcher, 2000; Isakov, 1999; Jianhua

& Wihlborg, 2010; Morelli, 2011; Theriou et al., 2010), que constatam valores médios dos dois coeficientes, γ1 e γ2, estatisticamente diferentes de zero.

A constante do modelo, o coeficiente γ0, apresenta um comportamento idêntico em todos os mercados, a média da estimativa deste coeficiente é positiva quando o mercado está em alta e negativa quando o mercado está em baixa. A média deste coeficiente é estatisticamente igual a zero, na Europa quando o mercado está em alta e, em Itália quando o mercado está em alta e em baixa.

As médias dos coeficientes de determinação ajustados são baixas, variam entre 5,5% em Itália para mercado em baixa e em alta, e 21,4% na Europa quando o mercado está em baixa. Este coeficiente, em todos os mercados, apresenta valores superiores ou iguais quando o mercado está em baixa comparativamente a mercado em alta. Verifica-se também que este coeficiente apresenta em todos os mercados valores inferiores ou iguais quando o mercado está em alta, comparativamente ao modelo não condicional (Tabela 2.12) e, valores superiores ou iguais quando o mercado está em baixa, comparativamente ao modelo não condicional. Estes valores podem ser justificados pela relação sistemática e negativa entre beta e a rendibilidade quando o mercado está em baixa e pela ausência de relação sistemática e positiva quando o mercado está em alta.

Conclui-se que a relação condicional entre beta/rendibilidade, defendida por Pettengill et al. (1995), e confirmada noutros mercados, não existe na amostra em análise, apenas é verificada uma relação negativa entre beta e rendibilidade quando o mercado está em baixa e esta relação não é verificada no mercado de França.

55 Para verificar se estes resultados são consistentes é realizada a mesma análise, mas o período total é dividido em dois períodos, um e dois, de fevereiro/2006 a dezembro/2007 e de janeiro/2008 e dezembro/2009, perfazendo vinte e três e vinte e quatro observações mensais respetivamente.

A Tabela 2.15 apresenta os resultados das regressões seccionais para a equação (2.6), de acordo com a metodologia de Pettengill et al. (1995), nos dois subperíodos do período total. A análise é baseada nas carteiras, constituídas com base nos coeficientes betas das ações individuais, por mercado: vinte e cinco para os mercados da Europa, Alemanha e França e nove para o mercado de Itália. O objetivo é analisar se a relação é consistente nos dois períodos e no período total.

Na Europa e Alemanha, Tabela 2.15, os resultados são consistentes entre períodos.

Quando a rendibilidade em excesso de mercado é negativa, a hipótese nula enunciada que o valor médio do coeficiente γ2 é estatisticamente igual a zero é rejeitada. Mas, quando a rendibilidade em excesso de mercado é positiva, a hipótese nula enunciada que o valor médio do coeficiente γ1 é estatisticamente igual a zero não é rejeitada. No mercado de Itália, as médias de γ1 e γ2 são estatisticamente iguais a zero nos dois períodos, para mercado em alta e em baixa, exceto no período um para mercado em alta.

No mercado de França não é verificada a consistência temporal dos resultados. A média do coeficiente γ2 é estatisticamente igual a zero no período dois e, a média do coeficiente γ1 é estatisticamente igual a zero nos dois períodos.

Em todos os mercados, a média das estimativas dos coeficientes apresentam sempre o mesmo sinal entre períodos, positiva para o mercado em alta (γ1) e negativa para o mercado em baixa (γ2). Existe exceção na Europa e França, para mercado em alta no período um.

Pettengill et al. (1995) constatam que quando a rendibilidade em excesso de mercado é positiva as carteiras com coeficiente beta elevado obtêm rendibilidades mais elevadas que as carteiras com este coeficiente baixo. Inversamente, quando a rendibilidade em excesso de mercado é negativa, as carteiras com coeficiente beta elevado obtêm rendibilidades mais baixas que as carteiras com este coeficiente baixo.

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São constituídas vinte e cinco carteiras e nove carteiras para o mercado de Itália, com base na ordenação crescente dos coeficientes betas das ações individuais estimados através do modelo de mercado com 36 rendibilidades mensais, no período de fevereiro/1999 a janeiro/2002.

A equação estimada é: Rj, t = γ0 + γ1 Dmt βj-1 + γ2 (1-Dmtj-1 + εj, t . Em que: Rj, t é a rendibilidade da carteira j no mês t,

βj ,t-1 é o coeficiente beta da carteira, estimado através do modelo de mercado e da metodologia de janela deslizante com

os 48 meses anteriores e, Dmt assume o valor de 1 se o mercado está em alta e 0 se o mercado está em baixa e εj t é uma perturbação aleatória do modelo referente à carteira j no mês t.

As estimativas γ0, γ1 e γ2 são o valor médio das estimativas obtidas nas regressões seccionais em cada um dos períodos. A estimativa γ1 é o valor médio das estimativas obtidas nas regressões seccionais quando o mercado está em alta e a estimativa γ2 é o valor médio das estimativas obtidas nas regressões seccionais quando o mercado está em baixa.

As médias estatisticamente significativas, a um nível de significância de 5%, estão assinaladas a negrito.

Média das Regressões: Rj, t = γ0 + γ1 Dmt βj-1 + γ2 (1-Dmtj-1 + εj, t

57 A Figura 2.2 apresenta as rendibilidades médias das carteiras (vinte e cinco para a Europa, Alemanha e França e nove para Itália), desagregadas para mercado em alta e

Figura 2.2 - Rendibilidade Média das Carteiras para Mercado em Alta e em Baixa

A figura apresenta as rendibilidades médias das carteiras nos 47 meses (fevereiro/2006 a dezembro/2009) assim como as rendibilidades médias das carteiras em situação de mercado em alta e em situação de mercado em baixa, no referido período.

São constituídas vinte e cinco carteiras para cada um dos mercados, à exceção de Itália em que são constituídas nove carteiras, com base na ordenação crescente dos coeficientes betas das ações individuais estimados através do modelo de mercado com 36 observações mensais, no período de fevereiro/1999 a janeiro/2002.

A rendibilidade mensal das carteiras é a média simples da rendibilidade das ações que compõem cada uma das carteiras.

A rendibilidade média das carteiras é a média simples da rendibilidade mensal de cada carteira no período de fevereiro/2006 a dezembro/2009.

A rendibilidade mensal de mercado é a média simples da rendibilidade de todas as ações da amostra. O mercado está em alta (baixa) se a rendibilidade em excesso de mercado é positiva (negativa). A rendibilidade em excesso de mercado é a diferença entre a rendibilidade de mercado e a rendibilidade do ativo isento de risco em cada um dos meses.

-0,08

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Duas conclusões são retiradas da análise à Figura 2.2. Primeira, quando o mercado está em alta, as carteiras de coeficiente beta elevado, apresentam rendibilidades mais elevadas que as carteiras com o coeficiente beta mais baixo. Inversamente, quando o mercado está em baixa, as carteiras de coeficiente beta elevado, apresentam rendibilidades mais baixas que as carteiras com o coeficiente beta mais baixo. Segunda, a variação da rendibilidade das carteiras de mercado em alta para mercado em baixa, aumenta das carteiras de baixo coeficiente beta para as carteiras de elevado coeficiente beta. Pelo que, as oscilações da rendibilidade das carteiras são maiores nas carteiras de elevado coeficiente beta relativamente às carteiras com baixo coeficiente beta.

Conclui-se que na Europa e em cada um dos três países individualmente analisados não é confirmada a relação sistemática e condicional entre risco e rendibilidade, confirmado por vários autores (Abbas et al., 2011; Cenesizoglu & Reeves, 2013; Fletcher, 2000; Jianhua & Wihlborg, 2010; Pettengill et al., 1995). Existe uma relação negativa entre beta e rendibilidade quando a rendibilidade em excesso de mercado é negativa, mas não existe uma relação positiva entre beta e rendibilidade quando a rendibilidade em excesso de mercado é positiva.

Se o mercado está em alta as carteiras de elevado coeficiente beta obtêm rendibilidades mais elevadas que as carteiras com baixo coeficiente beta. Inversamente, se o mercado está em baixa as carteiras de elevado coeficiente beta obtêm rendibilidades mais baixas que as carteiras de baixo coeficiente beta.