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Como ser educador se não desenvolvo em mim a indispensável amorosidade aos educandos com quem me comprometo e ao próprio processo formador de que sou parte? Não posso desgostar do que faço, sob pena de não fazê-lo bem (FREIRE, 1996, p. 67).

A relação de certa intimidade que se estabelece entre o tutor e os alunos, sem, contudo,

perder o respeito mútuo, evidentemente, é considerada pelos alunos como elemento de grande influência positiva na elaboração dos mecanismos de ensino-aprendizagem necessários para que os objetivos sejam alcançados. Claramente percebe-se a importância do papel exercido pelo tutor, para além das informações de caráter técnico-científico, notadamente naqueles aspectos relativos à formação de cada aluno.

– E muitos tutores, eles trazem essa contribuição pessoal pra gente... Como

experiência e outras visões que não só do conhecimento que tá ali, e essa relação mais próxima facilita muito isso [...] (A4).

Segundo Freire (1996, p. 143), a prática educativa vivida com afetividade e alegria não prescinde da formação científica séria e da clareza política dos educadores e educadoras.

– Em relação aos professores no método convencional, a gente fica mais à

vontade pra comentar [...] (A4).

– O tutorial cria um vínculo entre tutor e aluno [...] (A5). – A distância (professor-aluno) é menor [...] (A5).

– O professor desce do pedestal [...] (A4).

– O tutor vira amigo, e a gente convive também fora do ambiente da

universidade (A5).

– Isso não acontece no sistema convencional [...] (A5).

– Nossos conhecidos que estudam em outros cursos de medicina que não são

ABP, não acreditam que isso existe, que os professores são tão próximos, que a gente conversa muito com eles [...] (A4).

– A gente conversa de igual, sem perder o respeito [...] (A4).

– Quando você permite isso, de ter um grupo pequeno, abordando o

professor, como não é no tradicional, ele desce do pedestal e ele tá no mesmo nível que você, você conversa com ele como se ele estivesse conversando com um colega, você perde um pouco desse senso de hierarquia e, a depender do perfil do tutor, muita coisa a gente aprende, não voltada assim somente pra o conhecimento médico, mas se auto- descobrindo [...] (A4).

– E esse vínculo é bom, até, não só agora, mas depois que a gente formar, a

gente então, vai precisar, mesmo! E no caso de um curso tradicional, por exemplo, você tem um determinado professor e depois você perde o contato, você nem lembra quem é que foi seu professor, não é o caso da gente que quando a gente formar, e futuramente quando a gente tiver trabalhando como colega e precisar de alguma ajuda, vai se sentir mais seguro, prá gente vai ser até mais fácil, né ?[...] (A4)

A fim de atender às expectativas de ensino-aprendizagem esperadas pelos alunos nas sessões tutoriais, solicitamos que eles delineassem o perfil daquele que seria o “tutor ideal”, caso isso fosse possível. Assim, muitos deles se manifestaram como a seguir

– Ah..., o tutor ideal tem que, antes de tudo, conhecer o método!(A5). – Tem que estudar o assunto!(A5).

– Estimular a discussão!(A5). – Saber avaliar [...] (A5).

– Que ele consiga avaliar alguém, independente daquela fichinha [...] (A5). – Tem que respeitar, não pode ser arrogante!(A5).

– Tem tutor que dá medo!(A5).

– O tutor tem que saber criticar, incentivando (A5). – Perceber as diferenças [...] (A5).

– Estimular o tímido (A5).

– Contribuir para o conhecimento [...] (A5). – O tutor, às vezes é arrogante, humilha [...] (A5).

– A crítica é boa, mas ela precisa ser feita com jeito, com palavras que

ajudem a construir, não deve humilhar [...] (A4).

– O tutor é humano, como todos nós, aí é normal que ele tenha simpatia por

um ou outro aluno, e de outro ele não goste muito, aí o aluno percebe e isso intimida, dificulta falar [...] (A4).

– Ah..., o tutor ideal é o tutor que estuda, né?(A4). – Que seja especialista, ou não (A4).

– E que não esteja ali somente com o papel pra dar a nota, né? Que ele

participe [...] (A4).

– Que cumpra os horários [...] (A4).

–Mas se o tutor não é bom, aí essa proximidade prejudica, porque é um

desperdício de tempo, a gente torce para que o tutorial acabe logo, que o módulo acabe logo, pra mudar de tutor (A4).

As mudanças que se estabelecem nas relações professor-aluno propiciadas pela dinâmica tutorial é compreendida pelos alunos como benéfica caso o tutor detenha conhecimentos de técnicas psico-pedagógicas que favoreçam o aprendizado e enriqueçam as trocas. Conforme a expressão dos alunos, nessa nova postura, o “professor-tutor ideal” é aquele que abandona a clássica postura de humilhação e intimidação dos estudantes, ao exibir, com arrogância e soberbia, o seu saber diante das lacunas de conhecimento científico naturalmente ainda presentes nos formandos, e assume uma nova atitude de compreensão, cooperação e respeito mútuo, adequadas à desejável e plena evolução do processo de ensino e aprendizagem.

Considerando a dinâmica das tutorias, os alunos admitiram, também, que todo o processo de aprendizagem propiciado pelos encontros tutoriais também é benéfico para o tutor, pois, sem dúvida, ele também aprende, conforme se verifica nas falas seguintes:

– O tutorial influencia o tutor a estudar um pouco mais [...] (A5). – Isso só ocorre com os tutores mais comprometidos (A5).

Nossas dúvidas ajudam o tutor a pensar mais sobre aquilo (A4).

– Mesmo sendo especialista, ele estuda, ele quer trazer o que tem de mais

novo sobre aquilo [...] (A4).

– E isso é uma coisa até falada por muito tutor, eles falam que isso é bom

porque ele vê até o que não é da rotina dele, da área dele [...] (A4).

Muitos até preferem o tutorial justamente por causa disso, pra tá

estudando, reciclando [...] (A4).

– Mas já aconteceu até de o tutor dizer: “ah!, isso agora é assim? Porque

no meu tempo a gente viu que não era assim, era assim, assim, então mudou...” ele vai se atualizando [...] (A4).

– Mas é verdade, eu acho que é um estímulo pra estudar, com certeza [...]

(A5).

– O estímulo, eu acho que é maior, mesmo porque a gente tá estudando ali e