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1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO

2.3 AUDITORIA OPERACIONAL

2.3.7 Relatório de Auditoria

Após efetuados os procedimentos de auditoria e elaborados os papéis de trabalho, o auditor irá para a fase final dos trabalhos de auditoria, a qual consiste na elaboração do relatório de auditoria, onde serão expressas as conclusões alcançadas pelo auditor durante a execução dos seus trabalhos.

O relatório de auditoria conforme esclarece Cordeiro (2013, p.218) “consiste na última etapa a ser cumprida pelo auditor, após ter empregado todas as técnicas, aplicado as normas e haver sistematizado sua auditoria em papéis de trabalho”.

No entendimento de Araújo (2008, p.117) o relatório de auditoria compreende “o instrumento técnico pelo qual o auditor comunica ou apresenta os resultados dos trabalhos realizados, suas conclusões, opiniões, recomendações e as providências a serem tomadas pela administração”.

O relatório de auditoria tem como principal objetivo comunicar ao contratante dos trabalhos de auditoria sobre as verificações realizadas na matéria objeto de análise de forma completa, clara, concisa, correta e imparcial, a fim de que os resultados sejam compreendidos e aceitos, gerando, se necessário for, melhorias à organização (ARAÚJO, 2008).

A principal finalidade do relatório de auditoria consiste em “proporcionar ao leitor uma interpretação cristalina sobre como andam as operações, controles e registros da empresa, onde o auditor apresentará a sua visão [...] acompanhada por sugestões factíveis para a área ou tipo de empresa auditada” (CORDEIRO, 2013, p.219).

Os relatórios de auditoria, conforme esclarece Lisboa (2014, p.85-86) “variam de acordo com a amplitude da atividade ou conteúdo auditado e, também, conforme o exame aplicado, a extensão e a profundidade dos procedimentos realizados”. Nesta perspectiva, Lisboa (2014) ainda ressalta que os relatórios de auditoria podem ser classificados em relatórios informais e em relatórios formais.

Os relatórios de auditoria informais compreendem as informações que não apresentam grande relevância, transmitidas aos administradores ou responsáveis pela organização de forma verbal, já os relatórios de auditoria formais, são aqueles elaborados de forma escrita, com redação clara e formal e que estejam em conformidade com as normas e legislações em vigor (LISBOA, 2014).

Os relatórios formais podem ser divididos em quatro tipos distintos, conforme aponta Lisboa (2014, p.86) os quais compreendem os

Relatórios na forma curta - bastante objetivo apenas de parte ou atividade específica apresentada; Relatórios na forma longa - bastante detalhado e analítico quanto à descrição dos trabalhos realizados, mas poderão não conter uma opinião final e formal do auditor; Relatórios sobre os controles internos - representa os comentários sobre os controles internos da empresa ou organização, ressaltando deficiências detectadas através dos diagnósticos e fazendo sugestões e recomendações construtivas, para melhoria dos processos e atividades de controles e; Relatórios especiais - poderão decorrer de trabalhos diversos executados pela auditoria operacional como levantamentos de valores do ativo ou passivo, conciliações de contas, apurações específicas de irregularidades detectadas e muitos outros possíveis.

Os relatórios de auditoria deverão ser elaborados, levando-se em consideração um conjunto de técnicas que facilitarão a confecção do relatório e o posterior entendimento do mesmo pelos responsáveis pela organização. As técnicas a serem observadas abrangem a capa do relatório, a qual deverá ter um leiaute simples, devendo indicar a natureza do trabalho realizado, o nome da entidade auditada, o nome do órgão realizador da auditoria e o período examinado (ARAÚJO, 2008).

As técnicas a serem observadas em relação ao conteúdo do relatório deverão abranger, conforme esclarece Araújo (2008) o índice, no qual são identificados os pontos abordados na auditoria e a página que o mesmo se encontra; o sumário executivo, que consiste numa breve descrição dos principais pontos abordados no relatório; as informações, as quais compreendem o nome, a vinculação e o objetivo da entidade, o período auditado, o número do processo sob exame, o nome e o endereço do gestor e outros dados que o auditor julgar serem necessários.

Araújo (2008) ainda elenca as técnicas em relação a introdução e objetivo do trabalho, os quais devem conter os aspectos introdutórios dos trabalhos, como o número do expediente que autoriza a auditoria, as normas aplicadas e os objetivos da auditoria; o alcance, as fontes de critério e os procedimentos, no qual deverão ser demonstrados o grau de abrangência dos exames, bem como as limitações que por ventura tenham ocorrido nos trabalhos, as leis, regulamentos, princípios e normas que serviram de base para os exames e os principais procedimentos utilizados durante a execução dos trabalhos.

O auditor ainda deverá observar as técnicas em relação ao resultado da auditoria, no qual deverá apontar as informações significativas ou negativas colhidas durante a execução da auditoria e; a conclusão, onde serão apontados os comentários finais sobre o trabalho executado (ARAÚJO, 2008).

O relatório de auditoria ainda deverá ser elaborado observando-se alguns requisitos básicos, necessários para um melhor entendimento das informações pelos administradores da organização. No entendimento de Araújo (2008), os requisitos básicos a serem observados consistem na importância do conteúdo, na utilidade e oportunidade, no cuidado e adequação

das provas, no convencimento, na objetividade, no conteúdo, na clareza, na inteireza e concisão, no tom construtivo, na empatia, nos efeitos visuais e na apresentação.

Na visão de Lopes de Sá (1998, apud CORDEIRO, 2013) o requisito da clareza consiste em escrever o relatório, com o uso de palavras curtas, comuns, com o emprego de uma sequência lógica, de forma que possa ser entendido por quem irá examiná-lo; a objetividade, por sua vez, consiste em ressaltar informações diretas e objetivas, sem o uso de informações desnecessárias a matéria auditada; já em relação ao requisito utilidade e oportunidade, o auditor deverá elaborar o seu relatório no tempo certo, para que o mesmo possa contribuir, se necessário, para a correção dos rumos da empresa.

O requisito importância do conteúdo consiste em considerar a relevância da informação, ou seja, no relatório devem constar apenas os fatos importantes, que mereçam realmente a atenção dos destinatários da informação; o cuidado e adequação das provas compreende na elaboração do relatório, pelo auditor, de forma imparcial, profissional, justa e segura, no qual o auditor transmite a confiabilidade da auditoria realizada; o convencimento consiste na elaboração do relatório de forma convincente, transmitindo a real importância dos trabalhos realizados; o conteúdo, por sua vez, consiste em elaborar o relatório com um conteúdo adequado, com informações corretas e necessárias, dando prioridade aos aspectos deficientes e satisfatórios (ARAÚJO, 2008).

Por fim, segundo afirma Araújo (2008), a inteireza e concisão compreendem que as opiniões expressas no relatório devem ser completas e precisas, devendo-se evitar detalhes desnecessários; o tom construtivo consiste em enfatizar os aspectos positivos, obtendo reações favoráveis nos trabalhos e recomendações; a empatia compreende que o auditor deve se colocar no lugar do auditado, refletindo sobre o que e como deve ser relatado as constatações obtidas; os efeitos visuais consistem na utilização sem exageros de gráficos, mapas, fotografias que facilitem o entendimento do leitor e; a apresentação, no qual devem ser observados com rigor as regras gramaticais e as técnicas de redação.

Para a elaboração de um relatório de auditoria, completo e de fácil entendimento, o auditor ainda deverá levar em consideração algumas regras fundamentais, conforme esclarece Araújo (2008, p.123-124) as quais compreendem

Utilizar língua culta; redigir em linguagem corrente, sem erros gramaticais; utilizar linguagem direta; evitar a linguagem coloquial; evitar linguagem metafórica; evitar gírias, chavões e lugares comuns; utilizar a boa expressão: clareza, concisão, correlação e elegância; evitar termos rebuscados ou difíceis; utilizar frases curtas; evitar períodos longos; evitar ideias primárias ou infantis; não dizer o óbvio; não fugir da constatação; evitar o uso de terminologia especializada, se for necessário usá-la,

ela deve ser adequadamente explicada; não redigir em caixa alta; não misturar minúsculas com maiúsculas; respeitar o emprego de maiúsculas, padronizar a letra: nem muito grande, nem muito pequena; redigir o ponto em três partes básicas: introdução, desenvolvimento e conclusão; selecionar os achados por hierarquia; valorar os achados; considerar o conteúdo dos atributos de um achado; explorar o recurso dos exemplos; sempre que possível o ponto de auditoria deve conter três ou quatro parágrafos; utilizar uma ideia básica por parágrafo; evitar o parágrafo da contradição; manter conexão entre parágrafos; distribuir harmoniosamente o número de linhas por parágrafos (4 a 6); somente incluir informação pertinente; evitar a maledicência; não filosofar inutilmente; não repetir seguidamente as palavras; evitar circunlóquios desnecessários; conferir todas as informações; conferir soma; referenciar os achados com os papéis de trabalho e; somente emitir relatório após a sua discussão com o auditado e a sua completa revisão.

Os relatórios de auditoria constituem uma etapa fundamental nos trabalhos de auditoria, no qual o auditor apresenta as informações descobertas no decorrer dos trabalhos e apresenta as suas conclusões e recomendações acerca da matéria auditada, porém, para que os relatórios sejam satisfatórios precisam ser elaborados com observância a uma série de técnicas, requisitos e regras que facilitarão a interpretação das informações pelos responsáveis pela administração, para que estes, a partir de um correto e completo relatório de auditoria identifiquem os benefícios gerados pelos trabalhos e reconheçam a importância e a necessidade da aplicação de auditorias para o desenvolvimento e a melhora dos seus negócios.