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4.1 MODELO CONCEITUAL

4.1.1 Representação do modelo

As categorias adotadas para expressar os intangíveis não podem ser diretamente medidas. Sua medição pode ser realizada indiretamente por meio de práticas observadas e explicitadas por um conjunto de itens. Portanto, os itens relativos a cada categoria dos intangíveis devem ser construídos e analisados com suporte de métodos e técnicas apropriados para tratamento de

construtos. Esses métodos e técnicas incluem procedimentos teóricos, experimentais e analíticos, da Teoria Clássica dos Testes e da Teoria da Resposta ao Item.

Por outro lado, a descrição detalhada de práticas observadas em cada categoria dos intangíveis demandaria um grande número de itens para serem verificados. Isso inviabilizaria sua operacionalização. Desse modo, propõe-se que a verificação de todos as categorias dos intangíveis seja feita em várias fases. Para garantir a ligação entre as fases utilizam-se os métodos da TRI. Assim, o modelo de avaliação dos intangíveis, conforme ilustra a Figura 4.2, é uma representação sistematizada de como se compõe cada fase.

Figura 4.2 – Modelo de avaliação de intangíveis

Após a primeira fase, com a criação da EMPI, os procedimentos das fases subseqüentes seguem como o previsto para a segunda fase. O modelo permite que progressivamente sejam incluídas novas categorias ou novos itens de atualização contínua.

4.1.1.1 Primeira fase

A primeira fase do modelo de avaliação dos intangíveis é sistematizada em 13 etapas, descrevendo todo o processo para a construção de um conjunto de itens – o instrumento de medição. Os instrumentos de medidas devem ser desenvolvidos contemplando os procedimentos teóricos, experimentais e analíticos, mostrados na Figura 3.11 (ver Capítulo 3). A sistematização das etapas sugeridas para a primeira fase do modelo de avaliação dos intangíveis é apresentada no Quadro 4.1.

Etapas Definições 1.Identificação do

domínio do construto

Conceituação clara e precisa do atributo para o qual se quer construir o conjunto de itens. Sistematização de toda a evidência empírica sobre o intangível em foco –definições conceituais, tópicos e subtópicos – que o representam.

2.Determinação da

dimensionalidade A dimensionalidade refere-se ao número de traços latentes (fatores) predominantes capazes de explicar os intangíveis. O atributo deve constituir uma única unidade conceitual concebida como uma dimensão homogênea.

3.Definições

constitutivas Definições teóricas que explicam as características do atributo – o intangível em foco. 4.Definições

operacionais do construto

a) Definições em termos de operações concretas, das práticas diretamente observadas, por meio das quais o construto se expressa.

b) Abrangência: quanto mais claramente se expressar as práticas observadas, maior a qualidade na definição do construto.

5.Operacionalização

do construto Construção dos itens para o instrumento de coleta de dados. 6.Representatividade

do conteúdo e tabela de especificação

Proporção com que cada tópico e subtópico do atributo deve ter na representatividade do conjunto de itens.

Associação dos tópicos e subtópicos com os processos a avaliar e sua importância relativa. 7.Análise semântica Verificação da compreensão dos itens para todos os níveis da população à qual o

instrumento se destina.

8.Análise dos juízes Verificação da adequação da representatividade das práticas observadas relativas ao intangível em foco.

9.Planejamento da aplicação

Definição da amostra e da forma de obtenção dos dados.

10.Teste piloto Aplicação do conjunto de itens a uma amostra da população alvo para os ajustes finais no instrumento.

11.Coleta dos dados Aplicação do instrumento para coleta dos dados.

12.Análise dos itens Análise: dimensionalidade, validade, confiabilidade; estimação dos parâmetros dos itens e das performances.

13.Criação da escala Definição dos níveis para a escala de avaliação dos intangíveis.

Quadro 4.1 – Sistematização da primeira fase do modelo de avaliação dos intangíveis Fonte: Adaptado de Pasquali (1998)

O produto resultante da primeira fase são os parâmetros dos itens e das performances nos intangíveis em uma EMPI padronizada, na qual todos os parâmetros que venham ser estimados no futuro, tanto dos itens como das performances, estarão na mesma unidade de medida estabelecida e, conseqüentemente, poderão ser comparados.

4.1.1.2 Segunda fase

A distinção na operacionalização da segunda fase, e das subseqüentes, está em dois aspectos. Um relativo ao conjunto de itens que deve ser misto, isto é, composto por uma parte de itens novos e outra por um percentual de itens já calibrados na fase anterior. A outra importante diferença é com relação ao procedimento de análise, que emprega o conceito de equalização, apresentado no Capítulo 3. Por esse procedimento, os itens novos estarão na mesma EMPI criada na primeira fase. Há dois tipos de equalização:

(a) Possibilita comparar itens de diferentes categorias, por exemplo, indicadores de capital humano que tenham os mesmos parâmetros de indicadores de capital relacional ou capital de cliente ou de outras categorias, calibrados para a EMPI estabelecida na primeira fase;

(b) Permite tornar comparáveis as performances nos intangíveis de empresas de diferentes ramos de negócios, que também estarão na mesma EMPI padronizada.

O modelo prevê que sejam adotados os métodos de equalização, conforme apresentados no Capítulo 3. Isto é, podem ser combinadas as situações quando se tem um conjunto de itens mesclado (formado em parte por itens novos e em parte por outros itens já calibrados) para uma ou mais populações (grupos de empresas). Na implementação do modelo, nesta primeira fase de pesquisa, têm-se apenas itens novos (ou seja, itens que ainda não foram calibrados) aplicados a um único grupo de empresas. A Figura 4.3 mostra uma representação visual do processo de equalização para o modelo de avaliação dos intangíveis.

Na Figura 4.3 – situação (a) – tem-se uma única população ou ramo de negócio avaliada por n conjuntos de itens parcialmente distintos. Esse é o caso de equalização via população. Essa situação poderia ser realizada, por exemplo, com uma amostra de empresas selecionadas aleatoriamente de um único ramo de negócio respondendo a vários conjuntos de itens. Cada conjunto de itens seria composto de duas partes. Uma parte contendo itens específicos dos conceitos de uma dada categoria dos intangíveis e outra contendo itens comuns entre as categorias. A calibração dos itens seria feita simultaneamente, aplicando os processos de estimação apropriados. Ao final desse processo os parâmetros obtidos são comparáveis, não importando que conjunto de itens cada empresa tenha respondido.

a – Um único ramo de negócio avaliado por n

conjuntos de itens parcialmente distintos b – N ramos de negócios avaliados por n conjuntos de itens parcialmente distintos Figura 4.3 – Representação visual da equalização para o modelo de avaliação dos intangíveis

Onde RN é Ramo de Negócio, o qual identifica as diferentes populações de A até N (hipotético); o conjunto de itens é o instrumento de medida e os itens são a representação operacional dos intangíveis nas empresas. As outras convenções seguem como definidas anteriormente na Figura 4.1.

A segunda situação (Figura 4.3b) ilustra o que se idealiza para a medição da performance nos intangíveis, ou seja, diversos ramos de negócios representando N populações respondendo n conjuntos de itens parcialmente distintos contendo uma percentagem de itens comuns. Esse é o caso de equalização via itens comuns. A calibração é feita simultaneamente, usando as respostas obtidas por meio dos itens comuns entre os conjuntos de itens respondidos por todas as empresas das amostras selecionadas aleatoriamente de cada ramo de negócio, utilizando modelo da TRI para duas ou mais populações. Esse caso permite que todos os parâmetros, ao final dos processos de estimação, estejam na mesma unidade de medição da escala de performance interpretável para os intangíveis, possibilitando assim que sejam comparáveis.

Ao final de cada fase, tem-se um conjunto de itens calibrados na EMPI estabelecida para a performance nos intangíveis. Esses conjuntos de itens são reunidos para formar um banco de itens. A vantagem de se ter um banco de itens é que se podem fazer avaliações de novos grupos de empresas, ou uma empresa individualmente, com um conjunto de itens calibrados, necessitando apenas estimar os parâmetros das performances. Além disso, com um banco de itens, é possível administrar um conjunto de itens constituído por um número menor de itens abrangendo todas a categorias de intangíveis nas empresas. É possível ainda ter conjuntos de itens montados de modo flexível, ou seja, os itens são escolhidos por computador a partir das performances estimadas com as respostas da empresa a cada item apresentado por meio eletrônico. Desse modo tem-se um conjunto de itens otimizado, adaptado a cada empresa, possibilitando medir a performance nos intangíveis de acordo com a realidade da empresa.

4.2 IMPLEMENTAÇÃO DO MODELO PARA AVALIAR INTANGÍVEIS –