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Requisitos formais do Registro de Pessoas Jurídicas

No documento Direito Notarial e Registral (páginas 46-50)

Os requisitos formais que devem conter no registro das pessoas jurídicas estão elencados no art. 46 do Código Civil, sendo eles:

1. A denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver;

2. O nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;

3. O modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente;

4. Se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo;

5. Se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;

6. As condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso.

É por meio da denominação da empresa que ela atua nos atos da vida civil, é essa denominação que a distingue não só das demais pessoas jurídicas, como também indica qual é a sua espécie.

NOTA:

Loureiro (2017) aponta que é por meio do nome da pessoa jurídica que há a sua distinção para que possa celebrar e firmar seus contratos, demandar ou ser demandada em juízo e, utilizar nas suas atividades.

No que tange a finalidade da pessoa jurídica, ela diz respeito ao objetivo que ela pretende. É necessário colocar a sua finalidade no registro porque não é permitido atividade ilícitas ou contrárias à ordem pública, desta forma, com a sua escrituração haverá uma prova pré-constituída do que a empresa faz. Caso a pessoa jurídica essa estabelecida de forma temporária, é necessário que na sua escrita conste o prazo de duração desta.

No que diz respeito a sede da pessoa jurídica, ela corresponde ao domicílio da pessoa jurídica. A sua sede deve ser mencionada no ato de instituição, sendo ela importante para definição da competência do registrador, pois as pessoas jurídicas devem ser registradas em sua sede e caso abram filiais ou sucursais, estas também devem ser objeto de registro perante o oficial de Registro Civil de Pessoas Jurídicas do local ou município onde se localizam. Assim, além do registro, deve o interessado providenciar a averbação da existência de filial no registro da matriz da pessoa jurídica (LOUREIRO, 2017).

Um importante fator que merece ser comentado é o requisito de conter no registro o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores. Esse requisito é de suma importância, visto que, as pessoas jurídicas correspondem a entes fictícios, ou seja, ela não

existe como pessoa na vida real de forma material. Deste modo, deve-se saber quem são as pessoas físicas que possuem a incumbência de sua gerência, administração e representação em demandas judiciais e extrajudiciais.

Assim, Loureiro (2017) aponta ser imprescindível que haja a publicação sobre seus órgãos da administração, isto é, o nome e qualificação de seus administradores e representantes, os limites de suas atribuições, seus poderes e a forma como devem exercê-los. Pois, somente assim os terceiros poderão saber se os atos que celebram com as pessoas jurídicas são válidos, seguros e eficazes.

Existem ressalvas no que se refere as associações, assim (Padoin, 2011, p.60) aponta:

No que tange especificamente às associações, a Lei 11.127/05 substituiu a rigidez inicial do Código Civil, permitindo maior liberdade na organização das associações e aos termos de seus estatutos. Há, no entanto, normas cogentes, das quais o oficial deve cuidar quando lhe caiba examinar os estatutos propostos. Neste sentido, o artigo 54 enuncia regras essenciais à validade da norma interna da associação, cabendo ao Oficial verificar a inexistência de nulidade.

Deste modo, além do que consta no art. 46 do Código Civil, é exigido que o estatuto da associação verifique os requisitos constantes no art. 54 do mesmo código, sendo esses requisitos:

• A denominação, os fins e a sede da associação;

• Os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; os direitos e deveres dos associados;

• As fontes de recursos para sua manutenção;

• O modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos;

• As condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução;

• A forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas.

Padoin (2011) aponta observações sobre o quesito referente aos requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados. Esse autor aponta que no que se refere aos requisitos de admissão, o estatuto deverá conter as características que o associado deverá apresentar para que possa se associar, sendo lícito à associação criar limites ao ingresso de certos associados, mas sem qualquer discriminação que contrarie os direitos fundamentais que são garantidos pela nossa Constituição Federal.

No que se refere a demissão e a exclusão, você sabe qual é a diferença entre esses dois termos utilizados?

Pode-se dizer que a demissão acontece por um ato voluntário da pessoa que deseja se afastar do cargo ou da função que exerça, podendo dizer ou não o motivo do desligamento da pessoa jurídica. Já no que se refere a exclusão, ocorre quando o associado é afastado do quadro de funcionários por ato do órgão associativo, de modo definitivo.

Devemos fazer algumas considerações com relação ao registro das fundações, que assim como o das associações, possuem peculiaridades.

De acordo com o Código Civil, as fundações só podem se destinar a atividades religiosas, morais, culturais ou de assistência. Assim, é de responsabilidade do registrador verificar se a finalidade está sendo respeitada na hora do registro da fundação.

O art. 64 do Código Civil ainda aponta que “constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial.” (BRASIL, 2002)

Nesses termos temos por fim que

Ao Ministério Público cabe intervir no registro de estatuto das fundações. Uma vez pronto, o estatuto deve ser submetido ao representante do Ministério Público, que verificará, entre outros aspectos, a licitude do seu objeto e se atende ao interesse público para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência, bem como se os bens atribuídos para constituição do patrimônio são suficientes aos fins a que se destina. Os estatutos serão entregues ao representante do Ministério Público, que irá aprová-lo ou devolvê-lo ao apresentante para que proceda as alterações necessárias para sua posterior aprovação ou, desde já, a negando. (PADOIN, 2011, p. 61)

Por fim, com relação ao registro da pessoa jurídica, devemos destacar que essa só pode proceder quando o contrato ou o ato social estiver com rubrica do advogado, pois a falta de intervenção do advogado é causa impeditiva de registro do ato.

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No documento Direito Notarial e Registral (páginas 46-50)

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