sentido do ora adotado: “na responsabilidade moral não é possível utilizar-se do Aparato Judiciário para exigir o cumprimento da mesma. Também não será possível constranger o patrimônio da outra parte”243.
A responsabilidade jurídica, por seu turno, surge quando as condutas são impostas pelo próprio ordenamento jurídico. Para sua concretização, a violação à norma jurídica deve gerar um dano, o qual perturba a paz social que se deseja manter. O indivíduo responsável pela lesão deve recompor o status quo anteriormente estabelecido, seja qual for o tipo de prejuízo por ele provocado.
A responsabilidade jurídica se exterioriza socialmente e por isso tem repercussão na seara judicial. O indivíduo que transgrede os deveres jurídicos impostos pelas normas está obrigado a ressarcí-lo não por sua consciência, mas sim por conta de uma obrigatoriedade jurídica244.
Pablo Gagliano Stolze e Rodolfo Pamplona Filho apontam que:
“A diferença mais relevante, todavia, reside realmente na ausência de coercitividade institucionalizada na norma moral, não havendo a utilização da força organizada para exigir o cumprimento, uma vez que esta é monopólio do Estado”245.
Assim, percebe-se que os deveres jurídicos são coercíveis e, por esta razão, fazem surgir uma obrigação jurídica quando violados. As obrigações jurídicas escampam da seara moral do indivíduo, em nada tem a ver com sua consciência. Normalmente, as consequências da violação estão previstas em lei, dentre as quais encontra-se a obrigação de indenização e a de reparação do prejuízo.
4.3 RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA X RESPONSABILIDADE CIVIL
243 FIGUEIREDO, Luciano L.; FIGUEIREDO, Roberto L.. Direito Civil: Obrigações e Responsabilidade
Civil. 6 ed. Salvador: Editora Juspodivm, 2017, p. 301.
244 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Responsabilidade civil. v.7, 28 ed. São Paulo:
Saraiva, 2014, p. 50.
OBJETIVA
A responsabilidade civil se divide em: responsabilidade subjetiva e responsabilidade objetiva, cada uma com suas particularidades. Esta divisão tem por base a questão da culpa e o dispositivo legal infringido246. Insta mencionar que elas possuem alguns pressupostos iguais: a conduta, o dano e o nexo de causalidade, os quais serão analisados posteriormente, sendo, inicialmente, essencial distinguir as duas modalidades de responsabilidade.
O artigo 927 do CC estabelece estes dois tipos de responsabilidade, estando a responsabilidade subjetiva prevista no caput deste dispositivo e a responsabilidade objetiva em seu parágrafo único:
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
Percebe-se que na responsabilidade subjetiva é imprescindível a demonstração de culpa por parte do causador do dano247. Hipótese que deixa nítida esta característica da responsabilidade civil é a do indivíduo que colide na traseira de outro carro. Apesar de existir uma presunção de culpa, o indivíduo que albaroou pode provar que não agiu com culpa.
A responsabilidade subjetiva decorre, então, de ações dolosas ou culposas que geraram algum tipo de prejuízo, sendo necessário que aqueles que sofreram com o dano provem que o agente agiu com culpa, aqui compreendida em sentido amplo248.
246 Ibidem, p. 64
247 BERALDO, Leonardo de Faria. Espécies de responsabilidade civil. In: Responsabilidade civil: Direito
Civil. v.6. Vaneska Donato de Araújo (coord.). São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 64.
Este tipo de responsabilidade é a regra no direito brasileiro, razão pela qual o indivíduo que sofreu os prejuízos necessitará
O Código Civil de 2002, em seu artigo 186, aponta a modalidade acima analisada. Ele assim dispõe: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”249.
Desta forma, concorda-se que são os ilícitos os fatos geradores deste tipo de responsabilidade, de modo que, quando há dolo ou culpa na conduta do agente, estes provados por quem sofreu o dano, haverá o tipo de responsabilidade ora abordada.
A responsabilidade objetiva, por sua vez, se concretiza quando a conduta do agente é lícita, mas de alguma forma gera perigo a outrem. Ou melhor, nesta modalidade precisa-se apenas comprovar a existência dos pressupostos gerais – ação, dano e nexo causal, não sendo o dolo e a culpa importantes para a sua constatação250-251.
Corrobora-se com o posicionamento de que a responsabilidade objetiva possui critério mais objetivos, isto é, o indivíduo está obrigado a ressarcir o dano por ele provocado independentemente de ser provada a existência de culpa ou dolo em sua conduta. Importa frisar que se estará diante da responsabilidade objetiva sempre que o legislador assim dispuser.
Entende-se que ambas as modalidades de responsabilidade convivem de maneira equilibrada e harmônica, no sistema jurídico brasileiro, sendo que diferença entre elas está no fato de que na responsabilidade objetiva o elemento culpa é, normalmente, desprezado, o que não significa que sua discussão não possa existir, sendo considerados para sua efetivação apenas os elementos conduta, dano e nexo de causalidade, os quais estão também presentes na responsabilidade subjetiva.
249 BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/l10406.htm. Acesso em: 25 de junho de 2018.
250 FIGUEIREDO, Luciano L.; FIGUEIREDO, Roberto L.. Direito Civil: Obrigações e Responsabilidade
Civil. 6 ed. Salvador: Editora Juspodivm, 2017, p. 410.
Esta, por seu turno, tem fundamento na culpa, a qual precisa ser comprovada pela vítima e nos elementos acima dispostos e que serão a partir de agora explicados.