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2.3 Responsabilidade social

2.3.2 Responsabilidade social no mundo

A realização de ações de caráter social não é uma prática recente no meio empresarial e descendem de ações filantrópicas que evoluíram ao longo do tempo, conforme já mencionado.

Stoner (apud KARKOTLI, 2004) relata que, em 1899, o empresário A Carnigie, fundador do conglomerado U.S. Stell Corporation já havia estabelecido uma abordagem para a responsabilidade social das grandes empresas, tendo por base os princípios da caridade e da custódia. A caridade exigia que os membros mais afortunados da sociedade ajudassem os desvalidos (desempregados, doentes e idosos). E pelos princípios da custódia, as empresas e os ricos deveriam zelar pela riqueza da sociedade.

Para Toldo (2002), a questão da responsabilidade corporativa adquiriu notoriedade com o julgamento pela justiça americana, em 1919, do caso de Henry Ford, presidente acionista majoritário da Ford Motor Company, e seu grupo de acionistas liderados por John e Horace Dodge. Os acionistas contestavam a atitude de Ford de não distribuir parte dos dividendos esperados aos acionistas, investindo-os na capacidade de produção, no aumento de salários e em fundo de reserva para diminuição esperada de receitas devido à redução dos preços dos carros. É lógico que a Suprema Corte decidiu a favor dos Dodges, entendendo que as corporações existem para o benefício de seus acionistas e que os diretores precisam garantir-lhes lucro, não podendo usá-lo para outros fins.

Em 1929, na Alemanha, a Constituição da República de Weimar introduziu a idéia da função social da propriedade. No início dos anos 30, trabalhos desenvolvidos na Academia concluíram que os acionistas são passivos proprietários e, portanto, abdicavam controle e responsabilidade para a direção da organização, aceitando-se a idéia de que as empresas assumissem função social expressa, basicamente, em ações de caráter filantrópico.

O lançamento, em 1953, do livro Responsibility of the Businessman, de Howard Bowen, nos Estados Unidos, foi também considerado um marco no campo da responsabilidade social.

No mesmo ano de 1953, outro litígio julgado nos EUA trouxe novamente a público a discussão sobre a inserção da empresa na sociedade e suas responsabilidades: o caso A. P. Smith Manufacturing Company versus seus acionistas, que contestavam a doação de recursos financeiros à Universidade de Princeton. Neste caso, a Suprema Corte de Nova Jersey foi favorável à doação de recursos, contrariando os interesses dos acionistas. Na mesma oportunidade, a Justiça estabeleceu, em lei, a filantropia corporativa, admitindo que uma corporação pode também promover o desenvolvimento social (ASHLEY etal., 2002).

Já nos anos 60, autores europeus se destacaram discutindo problemas sociais e suas possíveis soluções, e nos Estados Unidos, as empresas já se preocupavam com a questão ambiental e em divulgar suas atividades no campo social (TOLDO, 2002).

Na década de 70, começou a preocupação de como e quando a empresa deveria responder por suas obrigações sociais. Nessa época, a demonstração, para a sociedade, das ações empresariais voltadas para o social, tornou-se extremamente importante.

De acordo com Tinoco (2001), a França foi o primeiro país do mundo a normatizar a obrigatoriedade de elaboração do balanço social pelas empresas com mais de 300 funcionários, na forma da Lei nº 77.769, de 1977, cujo objetivo principal era dar publicidade ao clima social na empresa, em suma, estabelecer as performances da empresa no campo social. Este balanço, segundo o autor, é bastante paternalista, pois separa os fatos econômicos dos fatos sociais.

Na década de 90, com a maior participação de autores na questão da responsabilidade social, entrou em cena a discussão sobre os temas ética e moral nas empresas, contribuindo de modo significativo para a conceituação da responsabilidade social.

Para a Corporate Social Responsability (apud VASSALLO, 2000), não existe uma fórmula geral de responsabilidade social quando se trata de negócios. Mas alguns passos básicos podem ajudar muito na implantação de uma estratégia de boa cidadania corporativa, a saber:

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→ Desenvolver uma missão, uma visão e um conjunto de valores a serem seguidos. Para que a responsabilidade social seja uma parte integrante de cada processo decisório, é preciso que ela faça parte do DNA da companhia – seu quadro de missões, visões e valores. Isso leva a um comprometimento explícito das lideranças e dos funcionários com questões como ética nos negócios e respeito a acionistas, clientes, fornecedores, comunidades e meio ambiente.

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→ Colocar os valores em prática – é básico. De nada adianta ter um maravilhoso quadro de valores na parede do escritório se eles não são exercitados e praticados a cada decisão tomada.

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→ Promover a gestão executiva responsável – esse é um exercício diário e permanente. É preciso fazer com que cada executivo leve em consideração os interesses dos seus partícipes antes de tomar qualquer decisão estratégica.

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→ Comunicar, educar e treinar – as pessoas só conseguirão colocar valores de cidadania corporativa em prática se os conhecerem e souberem como aplicá-los no dia-a-dia.

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→ Publicar balanços sociais e ambientais – elaborados por especialistas e auditores externos, eles garantem uma visão crítica de como acionistas, funcionários, organizações comunitárias e ambientalistas enxergam a atuação da empresa.

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→ Usar a influência de forma positiva – o mundo corporativo é formado por uma grande rede de relacionamentos. Os valores cidadãos da empresa devem ser usados para influenciar a atuação de fornecedores, clientes e companhias do mesmo setor.

Quando se analisa o quadro da evolução da responsabilidade social no mundo, verifica-se que, apesar do muito que se evoluiu, muito ainda há por fazer. Ao se contemplar as diversas nações neste início de século, sob o enfoque das condições de vida, constata-se que grandes são as desigualdades, contradições e injustiças existentes entre as pessoas, como bem comenta Kliksberg (2002).

Por isso, urge que a responsabilidade social se consolide como uma alternativa viável para o resgate da dignidade humana, principalmente nas áreas onde os estragos ocasionados pela economia de mercado e a voracidade do capital se fizeram com maior intensidade, como no campo do trabalho e do emprego, como teremos oportunidade de examinar, mais adiante, após discorrer sobre a evolução da responsabilidade social em nosso país.

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