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RESPOSTA AOS QUESITOS:

No documento rdj096 (páginas 140-145)

DO JUÍZO: 1- HANSENÍASE.

2- O PERÍODO DE INCUBAÇÃO DA DOENÇA É EM MÉDIA DE 2 A 6 ANOS, SENDO O MAIS CURTO QUE SE CONHECE DE SETE MESES. COMO O DIAGNÓSTICO FOI FEITO EM AGOSTO DE 2004, ESTIMA-SE QUE ELA TENHA CONTRAÍDO A DOENÇA ENTRE 1998 E 2002.

(...).

Quanto à certeza do diagnóstico, com a licença devida, transcrevo e adoto também como motivação trecho da sentença da MM. Juíza Luciana Pessoa Ramos (147-54):

“No caso, a parte autora aposentou-se em 12/11/2003. Posteriormente, em 05/08/2004, foi submetida à consulta médica realizada no âmbito

da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, na qual foi constatado

o quadro clínico de hanseníase. O relatório médico foi da lavra da Dra. Nadira C.F.P. de Almeida, CRM/DF nº 10373 (fl. 67).

Os documentos de fls. 68/73, inclusive, atestam que a parte autora foi submetida a tratamento para combater os efeitos maléficos da hanseníase, inclusive por intermédio da rede pública de saúde. As receitas médicas indicaram a seguinte medicação para o tratamento: prednisona; dapsona e clofazimina. A referida medicação é indicada

para o tratamento da hanseníase, conforme consulta aos sítios eletrônicos do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase - MORHAN e ao sítio do Dr. Dráuzio Varella.

No ano de 2004, a autora, já ciente do diagnóstico de hanseníase, requereu, administrativamente, a conversão de sua aposentadoria para proventos integrais. A Administração, então, a submeteu a exame médico, em 27/09/2004, na qual o médico responsável deveria responder quanto à existência de biópsia ou de exame que comprovasse a patologia da servidora e, em caso afirmativo de hanseníase, qual a forma clínica e se existia cura para a doença (fl.86).

Confira-se o parecer do médico, Dr. Fernando P. Guerra, CRM/DF nº 2512, em resposta aos quesitos:

“Não há biópsia, uma vez que o diagnóstico de hanseníase é clínico; a baciloscopia negativa não descarta hanseníase e sim nos direciona para saber se o paciente é paucibacilar ou multibacilar. A biópsia só é feita quando não sabemos o diagnóstico. A forma clínica de paciente é indeterminada e existe cura para doença”. (grifo nosso).

Ressalte-se que o segundo quesito refere-se tão somente à pato- logia hanseníase e somente deveria ser respondido no caso de confirmação do diagnóstico. Ou seja, as respostas de que “a forma clínica é indeterminada” e de que “existe cura para a doença”, confirmam o diagnóstico da referida doença.

Destaque-se que o teor do exame realizado em 27/09/2004, no qual afirma que “a baciloscopia negativa não descarta hanseníase e sim nos direciona para saber se o paciente é paucibacilar ou multibacilar’ e que “a biópsia só é feita quando não sabemos o diagnóstico. A forma clínica de paciente é indeterminada e existe cura para doença”, indica claramente que a parte autora, de fato, já detinha o quadro de han- seníase à data do exame.

Considerando-se que existem duas formas de hanseníase, a paucibacilar e a multibacilar, o relatório, evidentemente, confirma o diagnóstico de

hanseníase. Ademais, o relatório médico afirma que há cura para a doença.

Logo, indene de dúvidas que a autora realmente contraiu a citada doença.

Apesar disso, assinalo que o contágio, por si só, não confere à autora direito à conversão dos proventos de aposentadoria (de proporcionais para integrais), pois não há comprovação de que ficou inválida em razão da hanseníase.

É o que se infere do laudo de fls. 129-30:

ROL DE QUESITOS: DO JUÍZO:

(...). (...).

DA PROCURADORIA DO DISTRITO FEDERAL. PELA MÉ- DICA DRA. BEATRIZ RIBEIRO CRM DF-9259.

(...).

10- APRESENTA ALGUMA SEQUELA? QUAL O GRAU DE INCAPACIDADE?

11- RECEBEU ALTA POR CURA? (...).

RESPOSTA AOS QUESITOS: DO JUÍZO:

(...). (...).

DA PROCURADORIA DO DF PELA MÉDICA DRA. BEATRIZ RIBEIRO CRM DF-9259.

(...).

10- AO EXAME NÃO APRESENTOU SEQUELAS NEM INCAPACIDADE DETECTÁVEL.

11-RECEBEU ALTA SEM RESTRIÇÕES.

Não desconheço que, para a conversão dos proventos, o artigo 190 da Lei 8.112/90 só passou a exigir a comprovação da invalidez por junta médica oficial após o advento da Lei 11.907/2009.

Entretanto, anteriormente, no caso de aposentadoria com proventos

integrais por motivo de doença, já se exigia a submissão à junta médica oficial para

atestar a invalidez/incapacidade para o desempenho das atribuições do cargo (art. 186, § 3º, Lei 8.112/90, com redação dada pela Lei 9.527/97).

Dessa forma, sob pena de ofensa ao princípio da isonomia, entendo que o regramento acima já tinha aplicação, por analogia, também aos casos de conversão de proventos.

Ora, caso assim não fosse, estaríamos diante de situação absolutamente desproporcional: a) O servidor acometido por alguma doença grave, contagiosa ou incurável só poderia se aposentar, com proventos integrais, após submissão à junta médica oficial, para atestar a invalidez; b) por outro lado, no caso de mera conversão dos proventos, seria suficiente apenas a prova do contágio da doença.

Em outras palavras, para aquele que fosse acometido por alguma doença especificada em lei, mas não ficasse inválido, bastaria se aposentar com proventos proporcionais e, após, simplesmente informar o aparecimento da moléstia para ter o direito ao recebimento dos proventos integrais, sem se submeter a junta médica.

Por oportuno, quanto à necessidade de comprovação de invalidez, trago à colação os seguintes precedentes deste Tribunal:

EMENTA1

ADMINISTRATIVO E PREVIDENCIÁRIO. SERVIDOR DO DISTRITO FEDERAL. APOSENTADORIA POR INVALI- DEZ PERMANENTE. MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA. INCAPACIDADE PARA O TRABALHO NÃO CONFIGURADA. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ COM PROVENTOS INTEGRAIS INCABÍVEL.

1. Nos termos do art. 186, inciso I, § 3º da Lei 8.112/90, não é a simples presença da doença grave, contagiosa ou incurável que, por si só, caracteriza a invalidez, mas sim, o estágio dessa moléstia que incapacite o servidor para o desempenho das atribuições do cargo ou ainda que seja impossível haver sua readaptação (artigo 24 do referido diploma legal).

2. Por força do art. 436 do CPC, o magistrado não está adstrito à conclusão do laudo pericial, podendo utilizar-se dos demais ele- mentos de prova para formar seu livre convencimento motivado (art. 131 do mesmo diploma legal).

3. Recurso não provido.

EMENTA2

ADMINISTRATIVO. PROFESSORA DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DO DISTRITO FEDERAL. NEOPLASIA MALIGNA. INCAPACIDADE PARA O TRABALHO NÃO CONFIGURA- DA. READAPTAÇÃO. PRETENSÃO DE APOSENTADORIA

POR INVALIDEZ INACOLHIDA. RECURSO IMPROVIDO. A constatação de o servidor estar acometido por doença grave, não é requisito suficiente para a concessão de aposentadoria, já que a invalidez se caracteriza não pela existência da doença, mas pela incapacidade para o desempenho das atribuições do cargo ou impossibilidade de readaptação, o que não ocorreu na espécie. Interpretação que se faz do artigo 186, I, § 3º da Lei 8.112/90. Assim, se no caso de aposentadoria era exigida a comprovação da invalidez,

com a mesma razão deve-se comprovar também na conversão de proventos.

É certo que a antiga redação da Lei 8.112/90 - aplicada ao DF por força da Lei Distrital nº 197/91 - não exigia que o aposentado, além estar acometido por uma das moléstias previstas no art. 186, § 1º, da Lei 8.112/90, fosse considerado inválido por junta médica oficial.

Todavia, segundo entendimento desta Corte de Justiça, permite-se a aplicação das alterações posteriores inseridas na Lei 8.112/90, desde que não conflitantes com as Leis Distritais.

Confira-se:

EMENTA3

ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. AGENTE DE POLÍCIA CIVIL DO DF. APROVAÇÃO EM CONCURSO DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE GOIÁS. CURSO DE FORMAÇÃO. DISPENSA DA ASSINATURA DE FOLHA DE PONTO SEM PREJUÍZO DOS VENCIMENTOS. POSSIBILIDADE.

1. (...).

2. O entendimento majoritário assente na jurisprudência desta Corte admite a extensão das modificações legais promovidas na Lei n. 8.112/90 mesmo após a edição da Lei Distrital n. 197/1991, desde que não colidentes com os diplomas legais existentes.

3. (...).

EMENTA4

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR DISTRITAL. AFASTAMENTO PARA REALIZAR CURSO DE FORMAÇÃO EM OUTRO CARGO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DISTRITAL. POSSIBILIDADE.

As modificações da Lei nº 8.112/90 posteriores à edição da Lei nº 197/91, que incorporou a norma federal ao ordenamento jurídico distrital, só podem ser aplicadas aos servidores públicos federais se houver a edição de lei local específica, sob pena de violação ao princípio da autonomia político-administrativa dos entes federativos.

A jurisprudência desta e. Corte de Justiça, no entanto, pacificou entendimento no sentido de que é possível colmatar as lacunas existentes na legislação distrital por meio da aplicação subsidiária das regras contidas na Lei nº 8.112/90, desde que não colida com as disposições normativas distritais.

(...).

Logo, constatando-se que a autora não ficou inválida em decorrência do contágio da hanseníase, o pedido para conversão de proventos deve ser julgado improcedente.

Posto isso, dou provimento à remessa oficial para, reformando a sentença, julgar improcedente o pedido inicial.

Julgo prejudicado o recurso do DF.

Ante a sucumbência, a autora arcará com as custas e honorários, estes fixados em R$ 100,00 (cem reais).

Des. Arnoldo Camanho (Revisor) - Com o Relator. Des. Cruz Macedo (Vogal) - Peço vista.

No documento rdj096 (páginas 140-145)