Para dar início à análise dos dados, far-se-á uma breve interpretação do índice de
transparência (IT) alcançado pelos portais de transparência de cada município estudado. A
pesquisa foi feita no dia 1 de dezembro de 2016, buscando a máxima atualização dos dados
possível.
A primeira questão buscou verificar se o link para o portal de transparência estava
disponível em todos os sites das prefeituras municipais, sendo facilmente encontrado em
todos eles, em cumprimento ao que a Lei de Acesso ordena, inclusive quanto a ser de fácil
acesso, pois já na página principal do município é possível encontrar o botão de acesso.
O segundo quesito exige dos portais das prefeituras a disponibilização das
competências e estrutura organizacional dos órgãos que os compõem, além dos endereços e
telefones das respectivas unidades e horários de atendimento ao público. Verificou-se que
todos os municípios registraram tais dados, exceto o município de Mamanguape, que não
divulgou os telefones das secretarias, tornando a informação exigida incompleta e, portanto,
não cumprindo 100% com o inciso I, do parágrafo 1
o, do art. 8
oda LAI.
Quanto ao registro de quaisquer repasses ou transferências de recursos financeiros, na
terceira questão, todos os municípios responderam positivamente, expondo suas receitas
orçamentarias, assim como as extra orçamentárias, previsão e arrecadação de receitas. O
acesso à tais informações foi simples e direto, sendo facilmente interpretado por usuários que
não possuem expertise no assunto. Da mesma forma se deu o quarto quesito, o qual exige o
registro das despesas dos municípios, que foi satisfatoriamente identificado em todos os
portais. Assim, as prefeituras divulgam quais os fornecedores contratados pela prefeitura, os
valores empenhados e liquidado, qual a unidade orçamentária que originou a despesa, até
mesmo as despesas com publicidade.
O quinto quesito se refere às informações relacionadas aos procedimentos licitatórios,
seus editais e resultados, bem como a todos os contratos celebrados. Aqui, os municípios de
Campina Grande e Patos não corresponderam às expectativas criadas pela Lei de Acesso,
deixando de publicar as chamadas dos editais em aberto, assim como os seus resultados e
contratos celebrados. A publicação das licitações e suas respectivas informações é elemento
primordial para o controle social da Administração Pública, fazendo com que o atendimento
ao inciso IV, do parágrafo 1
o, do art. 8
oda LAI seja providenciado com urgência.
Quanto à exigência de disponibilizar os dados gerais de programas, ações, projetos e
obras dos órgãos e entidades dos municípios, para seu efetivo acompanhamento, os
municípios de Campina Grande, Bayeux e Mamanguape não obtiveram êxito, nada
mencionando sobre tais questões. Enquanto isso, os municípios de João Pessoa, Patos e
Queimadas criaram links para acessar tais dados, dando cumprimento ao que ordena o inciso
V, do parágrafo 1
o, do art. 8
oda LAI, elencado no sexto quesito da pesquisa.
O sétimo quesito menciona a obrigação dos portais de criarem página específica com
as respostas às perguntas mais frequentes da sociedade, caso em que todos os municípios
responderam positivamente ao requisito. As perguntas são de temas diversos e mudam na
medida em que se analisa cada portal, variando desde perguntas úteis para o cotidiano (ex.:
“como solicitar podas de árvores”) até questões sobre o próprio tema da transparência pública.
Contendo também, em todos os portais das prefeituras, uma ferramenta de pesquisa de
conteúdo, possibilitando o acesso à informação de forma objetiva, transparente, clara e em
linguagem de fácil compreensão, consoante manda o inciso I, do parágrafo 3
o, do art. 8
oda
LAI, ilustrado no oitavo quesito do questionário.
O inciso II, do parágrafo 3
o, do art. 8
o, da Lei de Acesso, elencado na nona questão da
pesquisa, exige que os portais possibilitem a gravação de relatórios em diversos formatos
eletrônicos, inclusive abertos e não proprietários, como planilhas e textos, facilitando a análise
das informações. Todos os sites atingiram as expectativas da LAI, disponibilizando a
gravação de relatórios nos seguintes formatos: João Pessoa – download nos formatos xml, csv
e txt; Campina Grande – download nos formatos pdf e excel; Bayeux – download nos
formatos pdf, word, xls, xml, csv e rtf; Patos – download nos formatos pdf e excel;
Mamanguape – download nos formatos pdf e excel; e Queimadas – download nos formatos
pdf, xls e doc. Além disso, os portais possibilitaram o acesso automatizado por sistemas
externos em formatos abertos, estruturados e legíveis por máquina, idêntico ao que demonstra
o décimo quesito.
Os quesitos de número 11 e 12 são baseados em aspectos técnicos dos portais,
buscando a divulgação detalhada dos formatos utilizados para estruturação da informação e a
garantia da autenticidade e integridade das informações disponíveis para acesso. Assim, não
foi possível verificar tais elementos em nenhum dos portais das prefeituras e em seus
respectivos portais de transparência. Ainda que tais informações possam ser encontradas por
especialistas da área, acredita-se que esse não seja o objetivo da LAI, especialmente devido às
suas diretrizes, elencadas no capítulo 2 do presente trabalho.
Quanto à exigência de manter as informações disponíveis para acesso atualizadas,
todos os portais têm cumprido corretamente de acordo com o que prevê a Lei, especialmente
os dados referentes às receitas, despesas e licitações. Nos casos dos municípios que estão em
falta com alguma disponibilização de informação (como o caso de Campina Grande e Patos
com as licitações), não foi levado em consideração tal fato para fins de verificar a atualização
das informações como um todo, fazendo a análise com base nos dados já disponíveis.
O décimo quarto quesito trata da indicação de local e instruções que permitam ao
interessado se comunicar por via telefônica ou eletrônica, com o órgão ou entidade detentora
do website. Assim, todos os sites publicaram tais informações em local de fácil acesso para o
usuário, com todos os dados necessários para o possível contato com a prefeitura.
Como pode ser encontrado no décimo quinto quesito, a Lei de Acesso requer dos entes
públicos a adoção das medidas necessárias para garantir a acessibilidade de conteúdo para
pessoas com deficiência, nos termos do art. 17, da Lei n
o10.098/00,
220e do art. 9
oda
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pelo Decreto Legislativo
n
o186/08.
221Para tanto, os portais deveriam disponibilizar ferramentas que possibilitassem
220
“Art. 17. O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos
e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas
portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir-lhes o direito de acesso
à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer.”
BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a
promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras
providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 20dez. 2000. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10098.htm>. Acesso em: 05 nov. 2016.
221
“Art. 9
oOs Estados Partes também tomarão medidas apropriadas para:
a) Desenvolver, promulgar e monitorar a implementação de normas e diretrizes mínimas para a
acessibilidade das instalações e dos serviços abertos ao público ou de uso público;
b) Assegurar que as entidades privadas que oferecem instalações e serviços abertos ao público ou de uso
público levem em consideração todos os aspectos relativos à acessibilidade para pessoas com de ciência;
c) Proporcionar, a todos os atores envolvidos, formação em relação às questões de acessibilidade com as
quais as pessoas com de ciência se confrontam;
d) Dotar os edifícios e outras instalações abertas ao público ou de uso público de sinalização em Braille e
em formatos de fácil leitura e compreensão;
àquelas pessoas com deficiência ter o mesmo acesso que uma pessoa sem deficiência possui.
Diante de tal exigência, apenas o município de Queimadas o cumpriu, criando um link que, se
acionado, aparecerá um boneco de animação que irá se comunicar com a pessoa com
deficiência através das libras ou comando de voz, no caso de o usuário ser surdo/mudo ou
cego.
Por fim, o último quesito é relacionado à disponibilização de informações sobre o
“Sistema de Informação ao Cidadão” presencial, informando o local e horários de
atendimento, assim como formulários a serem preenchidos para a solicitação. O único
município que não cumpriu com tal demanda foi Campina Grande, nada mencionando sobre o
tema.
Após explicadas as respostas dos quesitos utilizados para análise do índice de
transparência de cada município, observe a Tabela 1 e o Gráfico 1 que seguem para melhor
visualização da pesquisa, lembrando que as respostas variam entre 0 ou 1, sendo 0 o não
cumprimento do quesito, e 1 o seu cumprimento.
e) Oferecer formas de assistência humana ou animal e serviços de mediadores, incluindo guias, ledores e
intérpretes pro ssionais da língua de sinais, para facilitar o acesso aos edifícios e outras instalações abertas
ao público ou de uso público;
f) Promover outras formas apropriadas de assistência e apoio a pessoas com de ciência, a m de assegurar a
essas pessoas o acesso a informações;
g) Promover o acesso de pessoas com de ciência a novos sistemas e tecnologias da informação e
comunicação, inclusive à internet;
h) Promover, desde a fase inicial, a concepção, o desenvolvimento, a produção e a disseminação de
sistemas e tecnologias de informação e comunicação, a m de que esses sistemas e tecnologias se tornem
acessíveis a custo mínimo.”
BRASIL. Decreto Legislativo nº 186, de 2008. Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007.
Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 10 jul. 2008. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/congresso/DLG/DLG-186-2008.htm>. Acesso em: 05
de nov. 2016.
Tabela 1 -Respostas dos quesitos por município
Fonte: Elaborado pela autora.
Gráfico 1 - Índice de Transparência
Fonte: Elaborado pela autora.
Veja na Tabela 2 a seguir a porcentagem das respostas dadas a cada quesito em
análise:
13
10
12 12
11
14
JOÃO PESSOA CAMPINA
GRANDE BAYEUX PATOS MAMANGUAPE QUEIMADAS
SOMATÓRIO
Tabela 2 – Estatísticas para cada quesito
ESTATISTICAS PARA CADA QUESITO
1 % 0 %
6 100% 0 0%
5 83% 1 17%
6 100% 0 0%
6 100% 0 0%
4 67% 2 33%
3 50% 3 50%
6 100% 0 0%
6 100% 0 0%
6 100% 0 0%
6 100% 0 0%
0 0% 6 100%
0 0% 6 100%
6 100% 0 0%
6 100% 0 0%
1 17% 5 83%
5 83% 1 17%
Fonte: Elaborado pela autora.
Após observar o questionário feito aos sites oficiais e portais de transparência dos
municípios escolhidos, somente poderá ser feito qualquer comentário sobre os resultados da
pesquisa com a análise dos gráficos e tabelas relacionados aos dados do IBGE, verificando se
há algum nexo entre eles.
Destarte, passar-se-á à análise dos gráficos em questão, primeiramente no que diz
respeito ao IDH dos municípios.
Gráfico 2 - Índice de Transparência x IDH
Fonte: Elaborado pela autora.
João Pessoa
Campina Grande
Bayeux Patos
Mamanguape
Queimadas
10
12
14
16
0,500 0,550 0,600 0,650 0,700 0,750 0,800
íN
D
IC
E
D
E
TR
AN
SP
AR
ÊN
CI
A
IDH
Indice de Transparência x IDH
No Gráfico 2, vê-se que o município de Queimadas, é o primeiro colocado no índice
de transparência, é o que tem um dos menores índices de desenvolvimento humano dentre os
seis (0,608), enquanto que Campina Grande, a terceira cidade da Paraíba com maior índice de
desenvolvimento humano (0,720), segunda dentre os seis municípios aqui listados, é a que
possui o menor índice de transparência entre eles. João Pessoa, por sua vez, está em segundo
lugar no índice de transparência, e tem o maior IDH do Estado (0,763). Os municípios de
Patos e Bayeux permaneceram na média, ambos ocupando o terceiro lugar no índice de
transparência e, respectivamente, possuem o terceiro e quarto maior índice de
desenvolvimento humano (0,701 e 0,649), enquanto Mamanguape tem o menor IDH (0,585) e
foi o quinto colocado no ranking do índice de transparência dos municípios.
No que concerne à relação entre os índices de transparência e a população estimada
para o ano de 2016 de cada município, verificou-se o que segue.
Gráfico 3 - Índice de Transparência x População Estimada 2016
Fonte: Elaborado pela autora.
No Gráfico 3, pode-se observar a repetição do quadro demonstrado no Gráfico 2: o
município de Queimadas com o maior índice de transparência, porém sendo a quinta menor
cidade no quesito populacional (45.945); Campina Grande em último lugar no IT, apesar de
ser o segundo maior município da Paraíba em relação à sua população (407.754); João Pessoa
é a cidade com maior população estimada do Estado (801.718), mas ficou atrás de Queimadas
no IT; os municípios de Patos e Bayeux em terceiro e quarto lugar no que concerne à
população estimada de 2016 (107.067 e 96.583), e ambos em terceiro lugar no resultado do
índice de transparência; e por fim, o município de Mamanguape, que tem a menor população
estimada de 2016 (44.694) e se encontra em penúltima colocação no índice de transparência.
João Pessoa
Campina Grande
Bayeux Patos
Mamanguape
Queimadas
10
11
12
13
14
15
16
- 100,000 200,000 300,000 400,000 500,000 600,000 700,000 800,000 900,000
íN
D
IC
E
D
E
TR
AN
SPA
RÊ
N
CI
A
População Estimada 2016
O Gráfico 4 trará o cruzamento dos dados entre os índices de transparência dos
municípios e suas respectivas receitas orçamentárias, passando à sua análise.
Gráfico 4 - Índice de Transparência x Receita Orçamentária 2014
Fonte: Elaborado pela autora.
A primeira observação a ser feita sobre o Gráfico 4 é que o IBGE não disponibilizou a
receita orçamentária do município de Patos, daí o fato dele não ser levado em consideração
em tal cenário. Assim, conclui-se que o mesmo cenário que ocorreu nos Gráfico 2 relacionado
ao IDH e no Gráfico 3 pertinente à população estimada de 2016 foi identificado no Gráfico 4.
Veja: o município de Queimadas tem o maior índice de transparência, porém é a
quarta cidade com menor receita dentre as cinco em questão (R$ 74.771.000,00) –
desconsiderando Patos para fins de análise desse cenário–; Campina Grande em último lugar
no IT, apesar de ser o segundo maior município da Paraíba em relação à receita orçamentária
de 2014 (R$ 729.443.000,00), ficando atrás somente da Capital paraibana; João Pessoa é a
cidade com maior receita orçamentária do Estado (R$ 1.935.888.000,00), mas ficou atrás de
Queimadas no IT; o município de Bayeux em terceiro no que concerne à receita orçamentária
de 2014 (R$ 128.102.000,00) e em terceiro lugar no resultado do índice de transparência; e
por fim, o município de Mamanguape, que tem a menor receita orçamentária dentre os cinco
municípios (R$ 64.328.000,00) e se encontra em penúltima colocação no índice de
transparência.
O Gráfico 5 irá verificar a ligação entre o IT e o Índice de Gini de cada município.
João Pessoa
Campina Grande
Bayeux
Mamanguape
Queimadas
10
12
14
16
- 200,00 400,00 600,00 800,00 1.000,00 1.200,00 1.400,00 1.600,00 1.800,00 2.000,00
íN
D
IC
E
D
E
TR
AN
SP
AR
ÊN
CI
A
RECEITA ORÇAMENTÁRIA 2014
Gráfico 5 - Índice de Transparência x Índice de Gini
Fonte: Elaborado pela autora.
Apresentando resultados diferentes do que tem sido observado nos gráficos anteriores,
e lembrando que, no cenário acima, quanto mais próximo de zero, melhor é a colocação do
município, procedeu-se às seguintes considerações: o município de Queimadas tem o menor
coeficiente de Gini (0,39) e o maior índice de transparência; João Pessoa é o segundo
colocado no IT, porém tem o maior Índice de Gini (0,50), ficando em último lugar; Bayeux e
Patos ambos estão em terceira colocação no índice de transparência, mas Bayeux tem o
terceiro menor coeficiente de Gini (0,42), e Patos o quinto menor (0,46); o município de
Mamanguape está em quinto lugar no que se refere ao IT e tem o segundo menor Índice de
Gini (0,41); por fim, a cidade de Campina Grande, que está em último lugar no índice de
transparência, tem o quarto menor Coeficiente de Gini (0,45).
Passando à análise do Gráfico 6, tem-se os seguintes resultados da relação entre o
índice de transparência e o PIB de cada município.
Gráfico 6 - Índice de Transparência x PIB 2013
Fonte: Elaborado pela autora.
João Pessoa
Campina Grande
Bayeux Patos
Mamanguape
Queimadas
10
12
14
16
0,37 0,39 0,41 0,43 0,45 0,47 0,49 0,51
íN
D
IC
E
D
E
TR
AN
SP
AR
ÊN
CI
A
ÍNDICE DE GINI
Indice de Transparência x ÍNDICE DE GINI
João Pessoa
Campina Grande
Bayeux Patos
Mamanguape
Queimadas
10
12
14
16
8.000,00 10.000,00 12.000,00 14.000,00 16.000,00 18.000,00 20.000,00
íN
D
IC
E
D
E
TR
AN
SP
AR
ÊN
CI
A
PIB 2013
No cenário exposto acima, observa-se o município de Queimadas com maior índice de
transparência e menor PIB (R$ 8.583,52), enquanto João Pessoa, que possui o maior PIB
do Estado (R$ 19.284,91) está em segundo lugar no IT. A cidade de Patos tem o terceiro
maior PIB dentre os municípios listados (R$ 11.057,52) e está em terceiro lugar no índice
de transparência, assim como Bayeux, que se diferencia de Patos apenas quanto ao PIB,
possuindo o quarto maior dentre eles (R$ 9.871,91). O município de Mamanguape tem o
quinto maior PIB (R$ 9.583,53) e ocupa a quinta colocação no IT, enquanto Campina
Grande é o último município na colocação do IT, apesar de ter o segundo maior PIB do
Estado (R$ 16.347,24).
Para melhor visualização dos dados, segue a Tabela 3 com os dados do IBGE de cada
município:
Tabela 3 - Dados do IBGE por município
JOÃO PESSOA CAMPINA GRANDE BAYEUX PATOS MAMANGUAPE QUEIMADAS
IDH 0,763 0,720 0,649 0,701 0,585 0,608 POPULAÇÃO ESTIMADA 2016 801,718 407,754 96,583 107,067 44,694 45,945 RECEITA ORÇAMENTÁRIA 2014 1.935.888.000,00 729.993.000,00 128.102.000,00 NÃO INFORMADO PELO IBGE 64.328.000,00 74.771.000,00 ÍNDICE DE GINI 0,50 0,45 0,42 0,46 0,41 0,39 PIB 2013 19.284,91 16.347,24 9.871,91 11.067,52 9.583,53 8.583,92
Fonte: IBGE (2014)
Antes de dar início às conclusões obtidas através da pesquisa, outro fator determinante
foi utilizado para análise da transparência e da aplicabilidade da Lei de Acesso à Informação
nos municípios em questão.
No dia 14 de novembro de 2016, foi enviada através do Serviço de Informações ao
Cidadão online (e-Sic) uma solicitação para cada um dos municípios sob análise, buscando
verificar a rapidez com que os entes públicos responderiam ao requerimento, lembrando que a
resposta deve ser dada imediatamente e, não sendo possível, é concedido prazo de 20 dias,
podendo ser aumentado para mais 10 dias mediante justificativa.
A pergunta endereçada aos municípios foi: “Quantos funcionários públicos ativos
existem na Secretaria de Saúde do Município?”. Tal solicitação foi a escolhida por ser uma
pergunta simples e direta, já que a intenção não era saber a resposta em si, mas sim verificar o
prazo de resposta. Pelo fato da Lei não especificar se tal prazo foi fixado em dias úteis ou
corridos, será avaliado aqui as duas opções.
Assim, como a pergunta foi enviada no dia 14 de novembro de 2016, se o prazo for
considerado em dias úteis, os municípios teriam até o dia 12 de dezembro de 2016 para
responder, podendo, ainda, estender para o dia 26 de dezembro de 2016, dadas as devidas
justificativas para o requerente. No caso do prazo ser interpretado em dias corridos, os agentes
públicos poderão responder até o dia 4 de dezembro de 2016, prorrogáveis até o dia 14 de
dezembro de 2016.
Foi obtido o seguinte resultado das solicitações: o município de João Pessoa respondeu
satisfatoriamente à pergunta no dia 22 de novembro de 2016, fornecendo os dados requeridos;
o município de Patos respondeu à solicitação no dia 16 de novembro de 2016, porém, sua
resposta foi insatisfatória, pois não forneceu a informação solicitada, indicando outro local de
acesso. Sabe-se, no entanto, que o e-Sic tem plena competência de atender ao requerimento
feito, assim como fez a prefeitura de João Pessoa; os outros municípios não responderam às
solicitações feitas, apenas enviaram e-mail automático confirmando que o requerimento havia
4 CONCLUSÃO
O presente trabalho de pesquisa buscou analisar o cumprimento de determinados
aspectos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, denominada Lei de Acesso à
Informação. Delimitando o campo de pesquisa, foram escolhidos seis municípios do Estado
da Paraíba para verificar, em cada um deles, o nível de observâncias das disposições da LAI
no pertinente à chamada transparência ativa (arts. 8º e 9º). Mais do que apenas analisar este
aspecto, o trabalho buscou verificar se havia alguma relação entre o maior ou menor
cumprimento dos requisitos de transparência ativa e o desenvolvimento socioeconômico de
cada localidade.
Investiga-se, desse modo, se a demanda local por transparência decorre da própria
sociedade ou, diversamente, ocorre por iniciativa da própria Administração. Na análise
proposta, toma-se como premissa básica a demanda por transparência que se verifica em entes
políticos com indicadores sociais mais elevados, adotando a perspectiva de que, em tais
condições, a maior transparência ativa deriva de - ou pelo menos indica - uma demanda
social. A inexistência de tal relação indicaria, de modo diverso, que o cumprimento da Lei se
daria pela segunda causa, ou seja, iniciativa da Administração.
No documento
São Paulo
(páginas 106-128)