4.1 ENTREVISTA COM ESPECIALISTAS
4.1.2 Análise dos Resultados
4.1.2.11 Resultado da Entrevista com E11
E11 atua com design de produto e design gráfico e em suas atividades as cotações são baseadas primordialmente na atribuição de tempos para as tarefas. Para E11, o fechamento de um preço é uma dificuldade e sobre a cotação, E11 observa que “A gente costuma fazer por hora de trabalho, essa mensuração [...]”. Com base nisso, E11 acrescenta que a definição do preço é simples, com a seguinte consideração
apenas: “vamos executar e vender tantas horas para esse projeto e cada hora custa tanto. O valor e esse [...]”.
Todavia, E11 explica que esse levantamento de horas é feito em “[...] um modelo de proposta bem legal que me ajuda. Eu coloquei nele tudo que eu tenho que fazer, ou que poderia fazer por etapas, daí eu vou ticando o que vai ter no projeto e consigo ir dando os prazos. Nunca acerto. Chega perto, mas não acerto [...]”. E11 acrescenta que “[...] o que eu faço também que me ajuda bastante é anotar o tempo de tudo. Daí se eu não lembro quanto tempo eu gastei no outro projeto eu vou nas planilhas e tá tudo lá. Mesmo assim eu não consigo acertar. Chego bem perto, mas acertar mesmo não acerto [...]”.
Sobre a margem de acerto, E11 explica que “[...] agora que eu já tenho vários projetos, eu começo a acertar bem mais os tempos, mas ainda, como eu falei, tem o erro, que não é muito. Talvez aí, eu falei 20%, mas eu acho que dá menos, talvez 5 a 10% de erro. É, 10%. Eu percebo que conforme eu vou fazendo os projetos eu começo a chegar mais perto do tempo certo [...]”. De forma bem pragmática, E11 observa que “tudo é uma questão de disciplina também. Não adianta tu marcar [estimar] o tempo e não cuidar pra cumprir. Tu tem que ter foco. Acho que é por isso que dizem que as empresas grandes controlam minuto a minuto dos caras [sic]. Tem que focar pra cumprir o tempo que tu falou que ia dar [...]”.
As evidências da indicação das dimensões da estimativa de tempo, identificadas na entrevista com E11, são apresentadas no Quadro 13.
Quadro 13 - Evidências das Dimensões da Estimativa de Tempo, por E11
Evidências Dimensão
“[...] com o tempo a gente vai conhecendo melhor as coisas e começa a acertar mais [...]”.
“[...] E importante também o que se aprende na faculdade. Dá uma noção [...] importante [...]”.
“[...] agora que eu já tenho vários projetos eu começo a acertar bem mais os tempos [...]”.
Conhecimento
continuação
Evidências Dimensão
“[...] eu sei que conforme eu for fazendo eu vou ganhando cancha e vou ficando
mais afinado com as definições do orçamento [...]”. Conhecimento “[...] Eu tenho um modelo de proposta bem legal que me ajuda. Eu coloquei nele
tudo que eu tenho que fazer, ou que poderia fazer por etapas, daí eu vou ticando o que vai ter no projeto e consigo ir dando os prazos [...]”.
“[...] então depois de um tempo eu cheguei nessa minha proposta que tem tudo nela. Como um check list do que precisa ser feito [...]”.
“[...] pra isso eu usei os autores que a gente estuda na faculdade e fui criando as etapas e as tarefas que cada etapa precisava. Cheguei nesse modelo que tá sempre mudando pra melhorar [...]”.
“[...] como eu falei o método pra mim e tudo. Tu passa a criar um modelo de procedimento se tu tem um método. Eu não uso um método só. Eu peguei um monte que a gente viu na faculdade e fiz o meu, que tá dando certo e eu tô melhorando ele com o tempo. Às vezes eu vejo que posso mudar aqui e ali e mudo. Tu não pode ficar fazendo sempre do mesmo jeito se tu tá vendo que do outro jeito vai ser melhor, tem que mudar e eu mudo. Mudo até na proposta [...]”.
Método
“[...] agora que eu já tenho vários projetos eu começo a acertar bem mais os tempos [...]”.
“[...] eu percebo que conforme eu vou fazendo os projetos eu começo a chegar mais perto do tempo certo [...]”.
“[...] não me preocupo muito em aprender e acertar rápido, claro que não posso errar muito, mas eu sei que conforme eu for fazendo eu vou ganhando cancha e vou ficando mais afinado com as definições do orçamento [...]”.
Execução
“[...] o que eu faço também que me ajuda bastante é anotar o tempo de tudo. Daí se eu não lembro quanto tempo eu gastei no outro projeto, eu vou nas planilhas e tá tudo lá. Mesmo assim, eu não consigo acertar. Chego bem perto, mas acertar mesmo, não acerto [...]”.
“[...] também tem as planilhas que ajudam, as de controle dos tempos que tu leva por cada coisa, cada trabalho. Isso é bem legal porque tu vê como que tu tá melhorando [...]”.
“[...] pra isso eu reforço o controle, sou bem chato com isso. Eu não acerto ainda em fazer um planejamento. Misturo as coisas, mas tô razoável. Tem que
melhorar, mas tá indo [...]”.
Planejamento e Controle
A Figura 22 apresenta a avaliação da concentração das referências acerca das dimensões da estimativa de tempo abordadas durante a entrevista com E11. Observa- se concentração bem distribuída ao redor das dimensões, mostrando que E5 não direcionou atenção a uma especificamente. Deve-se observar que a dimensão “Método de Design”, embora não se apresente em destaque na Figura 22, durante a entrevista, apresentou um caráter de protagonista no processo de desenvolvimento reportado por E11. À partir dessa dimensão, E11 provocou o desdobrando das demais.
Figura 22 - Referências das Dimensões, por E11
(fonte: elaborado pelo autor)
Observando o framework proposto, E11 comenta que “[...] eu [E11] acho que é muito bom. Ele vai atingir e ajudar todos os designers. Eu tive muita dificuldade pra começar. Tive que roer pedra. Foi difícil pra caramba. Ninguém te ajuda. Se tu pode consultar sobre tempo pra fazer um trabalho, isso vai ajudar mesmo. Só que eu acho que tem
que ser ligado na experiência do cara. Não adianta nada dizer o tempo sem dizer a característica de quem fez naquele tempo. Outra coisa é separar por tipo de desenvolvimento se possível. Isso vai ajudar bastante também, porque se tu vai fazer um produto, como eu digo, é bem diferente [...]”.