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RESULTADOS E DISCUSSÃO

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Com objetivo de sistematizar a apresentação dos resultados encontrados na presente pesquisa optamos por fazê-lo seguindo o seguinte critério: caracterização do perfil socioeconômico da amostra; apresentação dos dados descritivos dos níveis de percepção social em suas dimensões emocional e prático; descrição dos níveis de percepção da qualidade de vida, em todos os domínios avaliados pelo WHOQOL: Old e Bref; e finalizamos apresentando a descrição das possíveis correlações evidenciadas entre as dimensões das variáveis pesquisadas, percepção de suporte social e percepção da qualidade de vida.

Os resultados das características socioeconômicas foram submetidos ao teste de significância Qui-quadrado (Chi-Squar Test) com (p>0.05), que indicaram haver uma homogeneidade entre os grupos 1 e 2 da amostra.

Os resultados dos dados que avaliaram a percepção de suporte social, em suas dimensões emocional e prático, foram submetidos ao teste de significância T-Student com (p>0.05) que também demonstrou haver semelhança entre os resultados apresentados pelos grupos 1 e 2, indicando novamente tratar-se de grupos homogêneos..

Os resultados das correlações entre suporte social e qualidade de vida foram analisados pelo coeficiente de correlação (r) de Pearson, o qual quantifica a relação linear entre as variáveis analisadas.

Na discussão dos resultados procuramos estabelecer um comparativo entre o perfil socioeconômico da amostra e o perfil dos idosos brasileiros, tomando por base os levantamentos estatísticos do IBGE, (2010), e os estudos efetuados pela Fundação Perseu Abramo, (2007), que caracterizam esse segmento populacional. Quanto à discussão dos demais resultados, procuramos fazê-lo fundamentado nos pressupostos teóricos e demais estudos pesquisados, os quais abordam o tema escolhido e que contribuíram com os objetivos propostos para esta pesquisa. Nossa intenção não foi apontar as casualidades do resultado evidenciado mas sobretudo, obter uma maior compreensão e caracterização da amostra de idosos pesquisada e suas respostas.

Ainda e conforme nos referimos no método que adotamos para esta pesquisa, item 4.2, os resultados apurados junto ao Grupo 1 (n=54), que corresponde aos idosos que freqüentam o programa de educação permanente há menos de 1 ano; e os resultados apurados junto ao grupo 2 (n=52), composto por idosos participantes do programa há mais de 1 ano, e os testes

de significância estatística realizados e que apontaram semelhança nas características socioeconômicas e nas percepções das variáveis investigadas entre os grupos, consideramos que os idosos da amostra se constituem em um grupo homogêneo.

Este resultado nos sugere portanto, que o tempo de freqüência no programa de educação permanente (menos de 1 ano para o grupo 1, e mais de 1 ano para o grupo 2) pode não ser um fator de influencia sobre as percepções de suporte social e qualidade de vida, demonstrada pelos idosos que compõem a amostra total (n=106), ou ainda, que o ambiente da pesquisa pode ter tido alguma influência sobre o resultado. Lembramos que a pesquisa foi realizada nas dependências da universidade onde o programa de educação permanente é oferecido, e que foi aplicada por esta pesquisadora que também é docente no programa e da maioria dos idosos da amostra pesquisada.

Após os esclarecimentos acima, os quais consideramos oportunos e dignos de um aprofundamento futuro, passamos a descrever e discutir os resultados evidenciados.

Tabela 1 - Características socioeconômicas entre grupos de idosos

Características Grupo 1 (n=54) Grupo 2 (n=52 Amostra (n=106) Idade Média 67,7 68,7 68,2 Desvio Padrão 5,9 6,2 6,0 Gênero (n) (%) (n) (%) (n) (%) Feminino 45 83,3 42 80,8 87 82,1 Masculino 9 16,7 10 19,2 19 17,9 Escolaridade Alfabetizado 3 5,6 7 13,5 10 9,4 Primário 20 37,0 16 30,8 36 34,0 Ginásio 9 16,7 15 28,8 24 22,6 Técnico 15 27,8 8 15,4 23 21,7 Superior 7 12,9 6 11,5 13 12,3 Rendimento Até 1 sm 1 1,9 1 1,92 2 1,9 De 1 a 2 sm 11 20,3 13 25,0 24 22,6 Acima de 2 sm 42 77,8 38 73,1 80 75,5 Composição Familiar Mora só 13 24,1 11 21,2 24 22,6

Mora com a família 41 75,9 41 78,8 82 77,4

Moradia Própria 48 88,9 46 88,5 94 88,7 Alugada 5 9,3 6 11,5 11 10,4 Cedida 1 1,8 - - 1 0,9 Religião Católica 40 74,1 23 44,2 63 59,4 Espírita 5 9,3 13 25,0 18 17,0 Evangélica 5 9,3 11 21,2 16 15,1

Protestante 1 1,8 - - 1 0,9

Não tem 2 3,7 2 3,8 4 3,8

Outras 1 1,8 3 5,8 4 3,8

sm = salário mínimo.

A tabela 1 apresenta as características socioeconômicas dos grupos 1 e 2 e da amostra total (n=106), conforme questionário elaborado para a coleta destes dados. Abaixo apresentamos uma síntese do perfil da amostra.

Tabela 2 – Síntese perfil socioeconômico da amostra entre grupos de idosos

Gr (n)

Idade Média DP

Sexo Escolaridade Rendimento

Acima 2 sm (%) Mora com Família(%) F(%) M(%) Pr(%) Md(%) Tec(%) 1 54 67,7 5,9 83,3 16,7 37,0 16,7 27,8 77,8 75,9 2 52 68,7 6,2 80,8 19,2 30,8 28,8 15,4 73,1 78,8 Total 106 68,2 6,0 82,1 17,9 34,0 22,6 21,7 75,5 77,4 sm = salário mínimo.

A tabela 2 apresenta uma síntese do perfil socioeconômico da amostra estudada, onde se evidenciam as seguintes características: A amostra total (n=106) se compõe de idosos com idade média de 68,2 anos (DP 6,0); sendo a maioria do sexo feminino 82,1%; onde 34,0% possui escolaridade de nível primário (Pr), 22,6% escolaridade de nível médio (Md) e 21,7% nível técnico-profissionalizante (Tec), ou seja 44,3% possuem escolaridade de nível secundário (Md+Tec). A maioria dos idosos da amostra reside com familiares 77,4%, sendo que também a maioria, 75,5% possui rendimento mensal na faixa acima de 2 salários mínimo.

Estas características sugerem tratar-se de um grupo de idosos, cuja maioria (75,5%) apresenta condições socioeconômicas diferenciadas, quando comparada aos dados apresentados pelos institutos de pesquisa nacional. Tais resultados nos levam acreditar que as características socioeconômicas evidenciadas na amostra podem favorecer a esses idosos, acessos a recursos melhores ou mais adequados ao provimento de suas necessidades, sejam de ordem material, educacional, social, saúde ou outras, o que conseqüentemente, pode favorecer que tenham uma boa percepção de seu momento atual, de uma melhor qualidade, domínio e satisfação com a vida.

No relatório do IBGE, através da Síntese de Saúde dos Idosos no Brasil, (2010), que traçou o perfil atual da saúde dos idosos brasileiros, apontou que: 77,4%, declararam sofrer

doenças crônicas; que destes 45,5%, declararam estado de saúde bom e muito bom; 12,6%, declararam estado de saúde ruim ou muito ruim, sendo que, os que declaram saúde ruim se encontram na faixa etária de 75 anos ou mais, com renda familiar de até ½ salário mínimo, ou seja, que dentro da maior faixa etária encontram-se os idosos que possuem maior vulnerabilidade e que apresentam menor condições econômicas.

Se considerarmos que maiores níveis de renda, educação e interação social permitem aquisição de melhores serviços, acompanhamentos, acessos a equipamentos de saúde e outros recursos necessários para promover qualidade de vida, saúde e sentimentos de bem-estar, podemos supor que a amostra estudada, por apresentar melhores condições e características socioeconômicas, se constitui em uma parcela de idosos que apresenta menor risco e vulnerabilidade à saúde e bem-estar, diferentemente o que nos mostra dados estatísticos sobre a população idosa brasileira.

A seguir, apresentamos aspectos mais específicos das características socioeconômica da amostra de idosos.

Tabela 3 – Distribuição do gênero por grupo de idosos

Grupos Idosos Feminino Masculino p

n % n %

Grupo 1 (n=54) 45 83,3 9 16,7 0,731

Grupo 2 (n=52) 42 80,8 10 19,2

Total Amostra (n=106) 87 82,1 19 17,9

Não Sig: p>0.05

A tabela 3 mostra que os dados encontrados junto ao Grupo 1 (n=54) e Grupo 2 (n=52), demonstram haver uma similaridade de gêneros, ou seja não existe uma relação significante, (p=0,731), entre os grupos perante os gêneros. Nota-se que a maioria dos freqüentadores do programa, seja do grupo 1 ou 2, são do sexo feminino (n=87), correspondendo a 82,1%, contra os do sexo masculino (n=19) com 17,9% dos idosos, mas isso se deu ao acaso, não havendo nenhuma relação com os grupos de idosos com menos ou mais tempo de freqüência no programa.

Na literatura e em estudos epidemiológicos (LONGINO, 1984; KALACHE et al., 1987), são ricos os exemplos que demonstram a feminização do envelhecimento humano, pois além da mulher viver mais, sua longevidade se deve a vários fatores, entre eles destacamos o fato de buscarem mais assistência médica e outros apoios sociais, o que resulta em mais anos de vida ativa, embora esta condição (maior longevidade) também possa implicar em maior vulnerabilidade (NÉRI, 2001). É provável, portanto, que as mulheres idosas que compõem

esta amostra, possuam uma maior predisposição em se engajarem em programas sociais e de saúde ofertados a esse publico, o que pode corroborar com os dados aqui evidenciados no que se refere à maioria de mulheres idosas participando em um programa de educação permanente ofertada por órgão público da localidade onde estão inseridas.

Gráfico 1: Representação gráfica entre gêneros da amostra

0 20 40 60 80 100 1 2 3

Distribuição Gênero Amostra Idosos

F(%) M(%)

Tabela 4 – Distribuição da faixa etária por grupo de idosos

Grupos 60 a 64 65 a 69 70 a 74 75 acima p Gr.1 (n=54) n % n % n % n % 0,567 19 35,2 18 33,3 9 16,7 8 14,8 Gr.2 (n=52) 16 30,8 13 25,0 11 21,2 12 2,01 Amostra(n=106) 35 33,0 31 29,2 20 18,9 20 18,9 Não Sig: p>0,05

Quanto às faixas etárias apresentadas na tabela 4, a amostra do grupo 1 (n=54) revela que a maioria dos idosos encontra-se na faixa etária entre 60 e 64 anos, correspondendo a 35,2%, seguida da segunda faixa etária de 65 e 69 anos, correspondente a 33,3%. Resultado semelhante foi evidenciado no grupo 2 (n=52), onde na primeira faixa encontramos a maioria da amostra 30,8%, seguida da segunda faixa, 25,0% dos idosos pesquisados.

Nota-se que a maioria dos idosos dos grupos está na faixa de idade entre 60 e 64 anos, e que o número de idosos vai diminuindo conforme aumenta a faixa etária. O Teste Qui- quadrado revelou não haver significância entre as faixas de idades com os grupos, sendo que o nível descritivo foi de (p=0,567). Alem disso, a amostra total (n=106), mostra que a maioria dos idosos pesquisados encontra-se entre as duas primeiras faixas etárias, que vai de 60 a 69

anos de idade, 33,0% para a primeira faixa de 60 a 64 anos e 29,2% para a segunda faixa de 65 a 69 anos, perfazendo um total de 62,2%.

Novamente verifica-se que na característica idade, não há diferenças entre os qrupos pesquisados, apontando também homogeneidade quanto à faixa etária.

Gráfico 2: Representação gráfica da idade média da amostra

Idade Média Amostra Idosos

67,2 67,4 67,6 67,8 68 68,2 68,4 68,6 68,8 (n) 54 52 106 Gr 1 2 Total Idade Média

Tabela 5 – Distribuição do grau de escolaridade por grupo de idosos

Grupos Alfabetiz. Primário Ginasial Técnico Superior p

Grupo 1 (n=54) n % n % n % n % n % 0.221 3 5,6 20 37,0 9 16,7 15 27,8 7 13,0 Grupo 2 (n=52) 7 13,5 16 30,8 15 28,8 8 15,4 6 11,5 Amostra (n=106) 10 9,4 36 34,0 24 22,6 23 21,7 13 12,3 Não Sig: p>0,05

Os dados referentes à escolaridade apresentados na tabela 5, demonstraram através do teste Qui-quadrado com (p>0,221), que entre os grupos 1 e 2 não há uma relação significante quanto à escolaridade, portanto os grupos se assemelham

Quanto aos resultados os dados demonstram que a maioria dos idosos (n=106) possui escolaridade de nível primário, correspondendo a 34% da amostra pesquisada. No grupo 1 com (n=54), temos com escolaridade de nível primário (n=20), que correspondem a 37%; seguido da escolaridade em nível técnico com (n=15) que corresponde a 27,8%; em seguida 16,7%, com nível médio, (n=9), que equivale ao antigo curso ginasial; seguida da graduação de nível superior (n=7) que corresponde a 13%; e por último apenas (n=3) que equivale a 5,6% que não concluíram o ensino básico sendo apenas alfabetizados.

No grupo 2 (n=52), observamos que se alteram em posição os que possuem ensino médio e técnico. Assim temos a maioria no grupo 2 com escolaridade de grau primário (n=16) que equivale a 30,8%; seguida de (n=15) com 28,8% que possui ensino ginasial; a seguir vêm os que possuem ensino técnico (n=8) com 15,4%; depois os idosos com escolaridade de nível superior (n=6) que equivale a 11,5%; e por último também observamos (n=7) que não concluíram o ensino básico, correspondendo a 1,7% da amostra.

Destacamos nestes resultados que dentre a amostra total (n=106), apenas 10 idosos que correspondem a 9,4%, possuem baixa escolaridade, e 13 idosos, que correspondem a 12,3%, possuem ensino superior.

Estes dados merecem destaque, quando sabemos que níveis maiores de escolaridade não são comuns de serem encontrados nas pesquisas que traçam o perfil dos idosos brasileiros, sendo mais corriqueiro constatar idosos com menor grau de escolaridade. A diferença encontrada nesta amostra, comparativamente em relação aos dados nacional, além de indicar tratar-se de uma amostra diferenciada em escolaridade, sugere também que diante desta característica, melhor nível de educação, a amostra pode apresentar, ou se perceber, com melhor qualidade de vida, já que maior conhecimento pode favorecer melhores condições de trabalho, e maior possibilidade de identificar e acessar recursos e direitos constitucionais.

[...] Entre os idosos brasileiros 89% não passaram da 8ª série do Ensino Fundamental (18% não tiveram nenhuma educação formal) e apenas 4% chegaram ao 3º grau de escolaridade (completo ou incompleto).

Entre a população idosa o analfabetismo funcional totaliza 49%: 23% declaram não saber ler e escrever, 4% afirmam só saber ler e escrever o próprio nome e 22% consideram a leitura e a escrita atividades penosas, sejam por deficiência de aprendizado (14%), por problemas de saúde (7%) ou por ambos motivos (2%) [...] (FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO, 2007). Gráfico 3: Representação gráfica do grau de escolaridade da amostra

0 10 20 30 40 1 2 Total

Escolaridade Amostra Idosos

Pr(%) Md(%) Tec(%)

Tabela 6 – Distribuição do rendimento mensal familiar por grupo de idosos

Grupos Ate 1 sm De 1 a 2 sm Acima de 2 sm p

Grupo 1 (n=54) n % n % n % 0,848 1 1,9 11 20,4 43 77,8 Grupo 2 (n=52) 1 1,9 13 25,0 38 73,1 Total Amostra (n=106) 2 1,9 24 22,6 80 75,5

sm = salário mínimo. Não Sig: p>0,05.

Quanto ao aspecto rendimento familiar representado na tabela 6, a maioria dos pesquisados, em ambos os grupos, encontra-se na faixa acima de 2 salários mínimos, sendo que os demais idosos da amostra, com percentuais mais baixos, se distribuem nas demais faixas salariais. Aqui também se verifica semelhança de características entre os grupos quanto às faixas salariais, conforme teste Qui-quadrado com (p=0,848). Assim observamos que 75,5%, ou seja a maioria da amostra (n=80), situa-se na faixa acima de 2 salários mínimos, 22,6% na faixa entre 1 e 2 salários mínimos com (n=24), e apenas 1,9% vive com renda mensal de até 1 salário mínimo com (n=2). Este dado pode ser indicativo da possibilidade de haver uma diferenciação para melhor, nas condições econômicas entre os idosos da amostra, se compararmos esses resultados aos dados nacionais.

[...] Entre a população urbana não idosa um terço (34%) tem renda familiar mensal de até 2 salários mínimos e apenas 6% percebem mais de 10 s.m. A situação se agrava nos domicílios com idosos: 43% têm renda familiar de até 2 salários mínimos e só 3% acima de 10 salários [...] (FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO, 2007).

Ainda, o Quadro 1, referente à síntese da situação social do idoso brasileiro, publicado pelo IBGE em 2010 e que apresentamos na introdução deste trabalho (p.15), reforça nossas suposições quanto a possível evidencia de que a amostra pesquisada possui melhores condições econômicas, pois nesta síntese o item rendimento mensal mostra que a maioria dos idosos no Brasil (43%), tem rendimento familiar de até 1 salário mínimo, sendo que na medida em que aumenta as faixas salariais, há decréscimo na quantidade de idosos. Mais uma vez destaca-se a importância do resultado evidenciado em nossa pesquisa, pois é sabido que melhores condições econômicas favorecem maior possibilidade da obtenção de recursos

necessários á manutenção da saúde, ao conforto, a educação, ao lazer, e conseqüentemente, á promoção de uma melhor qualidade de vida, no que tange a esse aspecto.

Gráfico 4: Representação gráfica rendimento mensal da amostra

0 20 40 60 80 Grupo 1 (n=54) Grupo 2 (n=52) Total Amostra (n=106)

Rendimento Mensal Amostra Idosos

Ate 1 sm % De 1 a 2 sm % Acima de 2 sm %

Tabela 7 – Distribuição da composição familiar por grupo de idosos

Grupos Mora só Mora com Família p

Grupo 1 (n=54) n % n % 0,719 13 24,1 41 75,9 Grupo 2 (n=52) 11 21,2 41 78,8 Amostra (n=106) 24 22,6 82 77,4 Não Sig: p>0,05.

A tabela 7 mostra através do teste Qui-quadrado com (p=0,719), não haver relação significativa entre os grupos e a composição familiar, ou seja, que em ambos os grupos, a maioria da amostra mora com familiares, correspondendo a (n=82) que equivale a 77,4%, contra (n=24) que moram sós, correspondendo a 22,6% . Este dado mostra-se compatível com a média nacional, conforme demonstrado a seguir.

[...] Os idosos residem em domicílios com 3,25 pessoas em média, sendo que apenas 15% vivem sós. Em termos de composição familiar, cerca de metade da população idosa vive com ao menos um filho ou filha (54%), com cônjuge (51%), e quase 1/3 com neto ou neta (30%) [...] (FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO, 2007).

Estes dados podem ser indicativos de que se a presença de outros familiares junto aos idosos, se por um lado pode significar maiores cuidados e atenção às necessidades de várias ordens, por outro, pode indicar outras situações e significados, menos ou mais afortunado, como por exemplo, o fato do idoso continuar contribuindo ou ser o provedor principal da família, ou uma dependência sobre seus familiares, trazendo implicações à sua percepção de qualidade de vida e de suporte social, dependendo das causas que geram essa composição familiar e os significados que atribuam a essa situação, em conformidade com os estudos de Ramos (2002) no que se refere às expectativas de retribuição ao que recebe de sua rede social.

Gráfico 5: Representação gráfica composição familiar da amostra

0 20 40 60 80 Grupo 1 (n=54) Grupo 2 (n=52) Amostra (n=106)

Composição Familiar Amostra Idosos

Mora só %

Mora com Família %

A seguir descrevemos os resultados encontrados na avaliação da percepção de suporte social, procurando estabelecer uma discussão sustentada pelos pressupostos teóricos que norteiam o estudo e relacionando ás características socioeconômica aqui evidenciadas.

Tabela 8 – Distribuição dos níveis de percepção suporte social entre grupos de idosos

Dimensões Grupos ( n ) Média DP P

Emocional 1 54 3,18 0,64 0,76 2 52 3,14 0,66 Prático 1 54 2,88 0,59 0,83 2 52 2,86 0,64 Não Sig.p>0,05%

Os resultados descritos na tabela 8 para a percepção de suporte social demonstram similaridade entre os grupos 1 e 2, onde temos (p=0,76), para percepção de suporte

emocional e (p=0,83), para percepção de suporte prático de acordo com o teste de significância T-Student, indicando não haver diferenças entre os grupos (1 e 2) para suporte emocional.

. Os níveis médios de percepção do suporte social emocional para o grupo 1 e 2 mostraram escores maiores, 3,18 com (DP=0,64) para o grupo 1, e 3,14 com (DP=0,66) para o grupo 2. Estes resultados mostram que a amostra (n=106) possui uma boa percepção de suporte emocional, conforme Siqueira e Padovam (2007); Siqueira (2008), onde níveis altos (escores acima de 3,0), de percepção de suporte emocional demonstram que as pessoas percebem em sua rede social condições de compartilharem alegrias, realizações, tristezas, obter atenção, consolo e compreensão de suas dificuldades, gerando o apoio emocional necessário à superação dos problemas e adversidades, e conseqüentemente favorecendo sentimentos de bem-estar, elevando auto-estima e promovendo saúde.

Com relação aos níveis de percepção de suporte prático os resultados entre os grupos também se assemelham conforme teste T-Student, sendo que os dados para percepção de suporte social prático possuem escores menores que os apurados em suporte social emocional. O grupo 1 apresenta uma média de percepção de suporte prático de 2,88, com (DP=0,59) e o grupo 2 apresenta média de 2,85 com (DP=0,64), não havendo diferença entre os grupos, com (p=0,83). Estes resultados indicam que quanto a este aspecto, percepção de suporte social prático, a amostra tem dúvidas (escores entre 2,0 e 2,9 indicam incerteza, segundo Siqueira e Padovam (2007); Siqueira (2008)), quanto a receber este tipo de apoio da rede social na qual está inserida.

Estes resultados nos levam a supor que os idosos da amostra possuem uma boa percepção de suporte social emocional, o que significa que se sentem amados e valorizados por sua rede social, mas que em situações práticas de suas vidas tais como, na obtenção de apoio prático (material ou não), sentem dúvidas ou inseguros de serem atendidos.

Uma das possibilidades de interpretação deste resultado é o de indicar uma possível sensação de certa fragilidade para a obtenção de recursos práticos (informacional e instrumental) de sua rede social o que pode gerar sentimentos de insegurança ou incertezas para suprir necessidades materiais, mesmo sentindo-se amados e apoiados afetivamente diante de situações adversas.

Gráfico 6: Representação gráfica escores médios percepção suporte social

Escores Médios Percepção Suporte Social

1 2 1 2 3,18 3,14 2,88 2,86 Emocional Prático Média Grupos

Objetivando maior compreensão sobre este resultado, estabelecemos um comparativo entre os resultados obtidos na avaliação da percepção de suporte social da amostra com alguns traços do perfil socioeconômico.

Tabela 9 – Comparativo entre suporte social e gênero nos grupos de idosos

Grupos Sexo Média

Semo DP p Média Sprát DP p Grupo 1 (n=54) F (n= 45) 3,23 0,61 0,22 2,89 0,58 0,87 M (n=9) 2,94 0,79 2,85 0,66 Grupo 2 (n=52) F (n=42) 3,13 0,68 0,75 2,83 0,68 0,55 M(n=10) 3,20 0,60 2,97 0,41 Não Sig p>0,05

A tabela 9 descreve os resultados comparativos entre as dimensões do suporte social e gênero onde o teste T-Student demonstrou não haver diferença entre os gêneros dos grupos 1 e 2 e as dimensões do suporte social, sendo (p=0,22) entre gêneros e suporte emocional para o grupo 1, e (p=0,75) entre gêneros e suporte emocional para o grupo 2. Resultado semelhante se evidencia para a dimensão suporte prático, sendo (p=0,87) entre gêneros e suporte prático para o grupo 1, e (p=0,55) entre gêneros e suporte prático para o grupo 2.

No entanto, destacamos que nos escores médios evidenciados nas dimensões avaliadas do suporte social observa-se uma diferença no grupo 1 quanto ao sexo masculino (n=9), para a percepção de suporte emocional indicativo de dúvidas, média de 2,94 com (DP=0,79),

quanto à obtenção deste apoio junto à rede social na qual se insere, diferente ao evidenciado na tabela 8, que descreve os escores médios gerais.

Tabela 10 – Comparativo entre Suporte Social e Rendimento nos Grupos e Idosos Grupos Rendimento Média

Semo DP p Média Sprát DP p 1 Até 1sm (n=1) 2,91 * 0,66 1,79 * 0,13 1 a 2 sm (n=11) 3,04 0,62 2,79 0,55 Acima 2 sm (n=42 3,22 0,65 2,93 0,58 2 Até 1sm (n=1) 2,73 * 0,61 3,00 * 0,42 1 a 2 sm (n=13) 3,27 0,69 3,06 0,60 Acima 2 sm n=38) 3,11 0,66 2,79 0,65

sm=salário mínimo. Não Sig p>0,05. (*) nº insuficiente (n=1).

A tabela 10 apresenta os resultados comparativos entre as dimensões da percepção do suporte social e rendimento, apontando não haver diferença entre as faixas de rendimento nos grupos e as dimensões da percepção de suporte social. Para o grupo 1 (n=54) com relação às faixas de rendimento e percepção de suporte emocional o teste de significância T-Student foi de (p=0,66); para o grupo 2 (n=52) com relação às faixas de rendimento e percepção de suporte emocional o mesmo teste de significância foi de (p=0,61).

Resultados semelhantes também se evidenciam com relação ao comparativo entre as faixas de rendimento e percepção de suporte prático. Para o grupo 1 (n=54) entre faixa de rendimento e percepção de suporte prático o T-Student foi de (p=0,13); e para o grupo 2 (n=52) entre faixas de rendimento e percepção de suporte prático o teste de significância foi de (p=0,42).

Quanto as médias dos escores de suporte social quando comparadas as faixas de

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