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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO. SUELI FERREIRA. SUPORTE SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS PARTICIPANTES DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE. São Bernardo do Campo 2012.

(2) SUELI FERREIRA. SUPORTE SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS PARTICIPANTES DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Psicologia da Saúde. Orientador: Prof. Dr. Manuel Morgado Rezende. São Bernardo do Campo 2012.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA F413s. Ferreira, Sueli Suporte social e qualidade de vida em idosos participantes de um programa de educação permanente / Sueli Ferreira. 2012. 88 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) – Faculdade de Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2012. Orientação de: Manuel Morgado Rezende. 1. Suporte social 2. Idosos - Qualidade de vida 3. Envelhecimento - Psicologia I. Título CDD 157.9.

(4) A dissertação de mestrado sob o título “SUPORTE SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE”, elaborada por Sueli Ferreira, foi apresentada e aprovada em 28 de Março de 2012, perante banca examinadora composta por Profº. Dr. Manuel Morgado Rezende (Presidente/UMESP), Profª. Dra. Eda Marconi Custódio (Titular/UMESP) e Profª Dra. Lideli Crepaldi (Titular/USCS).. __________________________________________ Profº Dr. Manuel Morgado Rezende Orientador e Presidente da Banca Examinadora. ___________________________________________ Profª. Dra. Maria Geralda Viana Heleno Coordenadora do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Psicologia da Saúde Área de Concentração: Psicologia da Saúde Linha de Pesquisa: Processos Psicossociais.

(5) DEDICATÓRIA. Dedico este estudo à Amélia e Leny, in memorian, mulheres em minha vida que foram e continuam sendo,. fonte de. inspiração e estímulo à busca do saber..

(6) AGRADECIMENTOS. Agradeço a Deus que nos dá o dom da vida e nos sustenta para alcançarmos nossos melhores objetivos . Aos amigos inestimáveis, Rosemeire Kuchinisky Gomes e Marcello Portela Bonino, pela presença constante, apoio e contribuições a esta jornada. Aos estimados, Mirian, JJorge, Áurea, Érica, Astélio, Joana e Vânia, familiares e amigos, pela paciência e compreensão com minha ausência e distanciamento. Obrigada pelo amor e cuidado incondicional que me dedicam, sempre. Aos Profºs. Joaquim Celso Freire Silva e Leila Aparecida Peres Sanchez, pela confiança e oportunidade que me permitiram a realização deste estudo. Às Profªs. Marluce Auxiliadora Borges Glaus Leão e Carla Patrícia Hernandez Alves Ribeiro César, pelas importantes contribuições a este estudo, quando da qualificação. Aos Profºs. Cecília Aparecida Vaiano Farhat e Leandro Prearo, pelas orientações e ensinamentos preciosos, que permitiram as análises estatísticas deste estudo. Ao Profº Manuel Morgado Rezende pelas orientações que me trouxeram até aqui.. Em especial, agradeço aos caríssimos idosos da UniMais, que gentilmente ao participarem da pesquisa me permitiram alçar mais um vôo rumo ao saber.. Eternamente grata..

(7) “Diálogos de Riobaldo Tartarana” “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. ...O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas... ... afinam ou desafinam, verdade maior. O que ela quer da gente é coragem... Porque eu só preciso: de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos.”. (Guimarães Rosa).

(8) RESUMO Este estudo objetivou identificar e descrever uma possível relação entre suporte social e qualidade de vida, em pessoas idosas participantes de um programa de educação permanente, o qual é promovido por órgão público em parceria com uma universidade, instalada em um dos municípios que integram a região do ABC Paulista, em São Paulo. A amostra consistiu de 106 idosos, com idade a partir de 60 anos, de ambos os sexos, e que efetivamente participam do referido programa. Para a coleta de dados, a amostra foi dividida em dois subgrupos, onde o primeiro grupo constou de 54 idosos que freqüentam o programa há menos de 1 ano, e o outro grupo foi formado por 52 idosos que freqüentam o programa há mais de 1 ano, com isso objetivamos identificar uma possível existência de diferentes percepções entre os grupos, das variáveis estudadas, em função do tempo de participação no programa, o que não foi confirmado, com os resultados apontando para uma homogeneidade entre os grupos, tanto nos aspectos socioeconômicos quanto nas percepções de suporte social e qualidade de vida, independente do tempo de participação no programa. Este estudo utilizou método descritivo exploratório, de caráter quantitativo e comparativo. Para a coleta de dados foram utilizadas a Escala de Percepção de Suporte Social (EPSS), que avalia percepção de suporte social em suas dimensões emocional e prático; o instrumento de avaliação da qualidade de vida: WHOQOL Bref e Old, e um questionário com dados socioeconômicos que auxiliaram na caracterização do perfil da amostra e na análise estatística dos resultados. Os resultados apontaram que a amostra pesquisada caracteriza-se por possuir um perfil socioeconômico diferenciado, no que se refere a uma maior escolaridade e rendimento mensal, quando comparado a media nacional que mostra o perfil do idoso brasileiro mais vulnerável, com baixa escolaridade e rendimento. Os resultados das avaliações das percepções de suporte social e da qualidade de vida demonstraram tratar-se de idosos que se sentem satisfeitos com seu momento de vida; que percebem apoio emocional, sentindo-se objeto de afeto em sua rede social. Com relação a percepção de suporte prático, os resultados demonstraram que os idosos possuem uma percepção relativa, apontando dúvidas e incertezas quanto ao recebimento deste tipo de apoio de sua rede social. Diante deste resultado, percepção de dúvidas e incertezas em receber suporte prático, e a característica socioeconômica diferenciada da amostra, podemos supor que esses idosos possuem estas percepções, por se sentirem ou por serem de fato provedores e não dependentes da sua rede social. Não foi evidenciada correlação entre as variáveis suporte social e qualidade de vida, sugerindo que o construto suporte social talvez seja percebido pelos idosos da amostra como fator de diminuição da funcionalidade biopsicossocial ou da competência comportamental; ou ainda, pode-se supor que diante dos sentimentos de satisfação com a vida atual, a amostra de idosos volta-se menos aos aspectos protetores do suporte social. Palavras-chave: Suporte Social, Qualidade de Vida, Idosos e Envelhecimento Saudável..

(9) ABSTRACT. This study was intended to identify and describe a possible relationship between social support and quality of life in elderly participants in a continuing education program, which is promoted by a public agency in partnership with a University, located in one of the cities of the ABC region in São Paulo. The sample consisted of 106 individuals of both genders ranging in age from 60 years on, who effectively participate in the program. For data collection, the sample was divided into two subgroups, where the first group consisted of 54 seniors who have been attending the program for less than one year, and the other group consisted of 52 seniors who have been attending the program for more than one year, with the objective of identifying a possible existence of different perceptions between the groups, of the variables analyzed, depending on the time of participation in the program, which was not confirmed, as the results pointed to a homogeneity between the groups, both in the socioeconomic aspects and the perceptions of social support and quality of life, regardless of the time of participation in the program. This study used the exploratory descriptive method of comparative and quantitative character. The Scale of Perceived Social Support (SPSS) was used for data collection, which assesses the perception of social support in their emotional and practical dimensions; the instrument for evaluating the quality of life: WHOQOL Old & Bref; and a questionnaire with socioeconomic data that helped to characterize the profile of the sample and the statistical analysis of results. The results indicated that the sample studied is characterized by having a distinctive socioeconomic profile, with regard to higher education and monthly income, compared to the national average that presents a more vulnerable profile of the elderly Brazilian, with low education and income. The results of the evaluations of social support and quality of life perceptions have demonstrated that these seniors feel satisfied with their moment in life; and perceive the emotional support, feeling themselves as the object of affection in their social network. Regarding the perception of practical support, the results showed that the elderlies have a relative perception, pointing to uncertainties and doubts about receiving such support from their social network. Given this result, the perception of doubt and uncertainty in receiving practical support, and the distinctive socioeconomic characteristic of the sample, we can assume that these elderly people have these perceptions, by feeling themselves or by being in fact providers and not dependent on their social network. An inverse and negative correlation between the levels of social support and the quality of life facets was evident, suggesting that the social support construct may be perceived by the elderlies in the sample as a diminishing factor of biopsychosocial functionality or of behavioral competence. Key words: Social Support, Quality of Life, Seniors and Healthy Ageing..

(10) LISTA DE TABELAS. Tabela 1 - Características socioeconômicas entre grupos de idosos ....................................... 42 Tabela 2 – Síntese perfil socioeconômico da amostra entre grupos de idosos ........................ 43 Tabela 3 – Distribuição do gênero por grupo de idosos .......................................................... 44 Tabela 4 – Distribuição da faixa etária por grupo de idosos ................................................... 45 Tabela 5 – Distribuição do grau de escolaridade por grupo de idosos .................................... 46 Tabela 6 – Distribuição do rendimento mensal familiar por grupo de idosos ......................... 48 Tabela 7 – Distribuição da composição familiar por grupo de idosos .................................... 49 Tabela 8 – Distribuição dos níveis de percepção suporte social entre grupos de idosos ........ 50 Tabela 9 – Comparativo entre suporte social e gênero nos grupos de idosos ........................ 52 Tabela 10 – Comparativo entre Suporte Social e Rendimento nos Grupos e Idosos .............. 53 Tabela 11 - Comparativo entre Suporte Social e Composição Familiar nos Grupos Idosos .. 54 Tabela 12 – Distribuição dos níveis do WHOQOL-Bref entre os grupos de idosos .............. 58 Tabela 13 – Distribuição dos níveis do WHOQOL-Old entre grupos de idosos ................... 60 Tabela 14 - Correlação (r) de Pearson entre Suporte Social e Qualidade de Vida ................... 62.

(11) LISTA DE GRÁFICOS. Gráfico 1 - Representação gráfica entre gêneros da amostra ...................................................45 Gráfico 2 - Representação gráfica idade média da amostra .....................................................46 Gráfico 3 - Representação gráfica grau escolaridade da amostra ...........................................47 Gráfico 4 - Representação gráfica rendimento mensal da amostra ..........................................49 Gráfico 5 - Representação gráfica composição familiar da amostra ........................................50 Gráfico 6 - Representação gráfica escores médios percepção suporte social .........................52 Gráfico 7 - Representação gráfica escores médios WHOQOL-Bref........................................59 Gráfico 8 - Representação gráfica escores médios WHOQOL-Old.........................................62 Gráfico 9 – Representação gráfica correlação ( r ) de Pearson................................................63.

(12) LISTA DE QUADROS. Quadro 1- Perfil Socioeconômico do Idoso no Brasil.............................................................15 Quadro 2 - Escalas de respostas do WHOQOL-100 ...............................................................58.

(13) SUMÁRIO. 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 14 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................... 20 2.1. Envelhecimento Humano – Lifespan ................................................................................ 20 2.2. Suporte Social e Envelhecimento ...................................................................................... 26 2.3. Qualidade de Vida e Envelhecimento ............................................................................... 31 3. OBJETIVOS ...................................................................................................................... 36 3.1. Objetivo Geral ................................................................................................................... 36 3.2. Objetivos Específicos ........................................................................................................ 36 4. MÉTODO ........................................................................................................................... 37 4.1 Ambiente da Pesquisa ........................................................................................................ 37 4.2 Participantes da Pesquisa ................................................................................................... 37 4.3 Instrumentos ...................................................................................................................... 38 4.4 Procedimento ..................................................................................................................... 39 4.5 Tratamento dos Dados ....................................................................................................... 39 4.6 Aspectos Éticos ................................................................................................................. 40 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ...................................................................................... 41 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 65 7. REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 67 ANEXO A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) ........... 74 ANEXO B – ESCALA PERCEPÇÃO SUPORTE SOCIAL – EPSS......................................76 ANEXO C - WHOQOL-OLD .................................................................................................. 77 ANEXO D - WHOQOL-BREF ................................................................................................ 81 ANEXO E - DADOS SOCIOECONÔMICOS ........................................................................ 86 ANEXO F – SOLICITAÇÃO AUTORIZAÇÃO PESQUISA – USCS..................................87 ANEXO G – PARECER COMITE DE ÉTICA – UMESP......................................................88.

(14) 14. 1 INTRODUÇÃO. A longevidade é um fenômeno que se evidencia mundialmente, segundo dados de institutos de pesquisas sociodemográficos, e que num crescente tem suscitado estudos e pesquisas em prol de melhor compreender tal fato, assim como, encontrar formas e ações que favoreçam um viver por mais tempo com mais qualidade e satisfação, conforme nos mostra Néri (Orgs.) (1993, 2004). Na atualidade, estudos de levantamento demográfico e epidemiológico apontam que as pessoas estão vivendo mais tempo em decorrência de avanços ocorridos especialmente na área da saúde, notadamente nos grandes centros urbanos, no que se refere: ao aumento dos acessos aos serviços de saúde; menores índices de mortalidade infantil; menor taxa de natalidade; avanço do conhecimento científico e tecnológico; e mudanças no estilo de vida individual. (KALACHE et al., 1987; KALACHE, 1996). Como ocorre em todo o mundo, também no Brasil se verifica que a população está se tornando cada vez mais velha, em decorrência do menor número de nascimentos e do aumento no tempo de vida das pessoas, evidenciado no período entre 1990 e 2009, conforme dados obtidos junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE . Este órgão de pesquisa divulgou, em Abril de 2011, relatório com os dados levantados no Censo de 2010, o qual demonstra que a população brasileira de idosos com idade a partir de 60 anos é cerca de 21 milhões, se tornando o sexto país no mundo em idosos. Para o ano de 2020 estima-se que 13,7% da população brasileira será de idosos e outros cálculos de tendência apontam que até 2050, 30% das pessoas no país terão 60 anos ou mais. Proporção quase três vezes maior que a dos dias de hoje, onde os idosos representam 11,3 % da população. Isso acontece porque nos últimos anos houve um aumento na esperança de vida do brasileiro, por vários motivos, como os avanços da medicina e uma menor taxa de fecundidade. O IBGE, em seus levantamentos estatísticos, divide os idosos em quatro faixas etárias: de 65 anos a 69, de 70 a 74, de 75 a 79 e acima de 80. Desses grupos, o que possui a maior população é a da primeira faixa, com 4.840.810 pessoas com idade entre 65 e 69, os quais demandam cada vez mais atenção e cuidados, dos vários segmentos da sociedade, em prol da promoção de sua saúde física, mental e social, que possibilitem um viver com maior.

(15) 15 qualidade, com obtenção de aportes que os apóiem e garantam condições adequadas para o enfrentamento aos declínios conseqüentes do processo de envelhecimento humano. Conforme citamos acima, apresentamos o quadro síntese de acordo com o IBGE, que mostra os indicadores de saúde da população idosa brasileira.. Quadro 1 - Perfil Socioeconômico do Idoso no Brasil Previdência. 57,9% Até 1 salário mínimo. Aposentados e Pensionistas 19,5 De 1 a 2 sal. mínimo. 22,6% Mais de 2 sal. mínimo. 43,2% Menos de 4 anos. 29,0% De 4 a 8 anos. 22,9% 9 ou mais. 50,2% Idoso é referência. 32,3% Cônjuge é referência. 17,4% Outra pessoa. Raça/Cor. 64,1% Branca. 23,8% Parda. 12,1% Negra. 36,1% Homem. 7,2%. Gênero. 55,4% Mulher 55,8%. 44,2%. Renda. Escolaridade. Referência no domicílio. Aposentados. Outros. Fonte: Síntese Indicadores Sociais – IBGE (2010).. Através deste quadro podemos observar que a maioria dos idosos (43,2%) no Brasil, vive com baixo rendimento mensal de até 1 salário mínimo;. (50,2%) possui baixa. escolaridade, tendo recebido educação formal por menos de 4 anos; (64,1%) é referencia no seu domicílio, ou seja é o principal provedor da família; (55,4%) se declarou de raça branca, e 55,8% da população idosa no Brasil é formada pelo gênero feminino, denotando com isso a feminização do envelhecimento e conseqüente maior vulnerabilidade, se considerarmos que em termos cultural e socioeconômico, a mulher ainda ocupa menor posição no mercado de trabalho, menor salário e menor grau de escolaridade, muito embora essas características venham se modificando nas últimas décadas, entendemos que estas mudanças não atingiram as pessoas que foram objeto da pesquisa do último censo demográfico brasileiro, em função da idade pesquisada (60 anos ou mais). A partir deste perfil, podemos supor que os idosos brasileiros encontram-se numa faixa de risco maior à saúde e ao bem-estar por possuírem menos recursos educacionais e econômicos, para suprirem suas necessidades básicas..

(16) 16 Segundo Cotta et al. (2002), o fenômeno do envelhecimento populacional acarreta impactos em todos os setores da sociedade, sendo que na área da saúde há repercussão nos níveis assistenciais, assim como gera demandas por novos recursos e estruturas. Stuart-Hamilton (2002), aponta as conseqüências econômicas e sociais do envelhecimento na sociedade, quando a proporção de pessoas mais velha aumenta em relação à proporção de pessoas mais jovens, acarretando menor arrecadação de impostos diretos, desequilibrando os fundos públicos direcionados ao atendimento à saúde, educação, moradia e previdência social. Esforços advindos das áreas pública, privada e do terceiro setor, propondo ações voltadas à promoção de saúde e qualidade de vida da pessoa idosa, têm se intensificado. Na legislação brasileira temos o Estatuto do Idoso, em vigor desde 2003, que regula e assegura os direitos da pessoa com idade igual ou superior a 60 anos, como gratuidade no transporte público, prioridade no atendimento em estabelecimentos de saúde, bancários, comerciais, e outros. Na área educacional evidenciam-se iniciativas, como por exemplo, a criação das Universidades Abertas à Terceira Idade, que objetivam oferecer espaços para que a população idosa possa desenvolver novas capacidades e conhecimentos,. estabelecer novos. relacionamentos e vínculos, estimulando sentimentos de bem estar e melhorias na qualidade de vida.. [...] desde a última década, a vertente extensionista das universidades, como instância tradicionalmente articuladora de programas e projetos destinados a adultos mais velhos, demonstra uma evolução em termos da concepção de extensão universitária que reflete a importância da construção de um saber bilateral. Seu trabalho com essa população indica avanços na compreensão de que a educação e a aprendizagem são contínuas e acumulativas, e não um conjunto pontual de eventos institucionais [...] LEÃO, (2008, p.47).. Apesar do incremento e aumento das ações de cuidados à saúde e da formulação de políticas públicas voltadas aos vários segmentos populacionais, destacando-se neste estudo os que se referem especificamente à população idosa, entendemos que se por um lado isso se faz em virtude do interesse e atenção que o aumento na sociedade deste segmento populacional desperta, por outro lado, isto também indica a fragilidade que os idosos brasileiros vivenciam em nosso país, impactando na mobilização e aprofundamento de estudos e recursos que gerem melhorias nas suas condições de vida..

(17) 17 É dentro deste cenário, portanto, que nos moveu o interesse em realizar um estudo que pretendeu identificar, entre os idosos de um programa de educação permanente, uma possível relação entre suporte social e qualidade de vida, que permita re-significar envelhecimento enquanto momento de vida que comporta também potencial, harmonia, prazer e saúde, indo além da visão restritiva e linear, enquanto processo de perda multidirecional e dimensional. Sabe-se que envelhecer sem doença crônica é uma exceção, Stuart-Hamilton (2002), no entanto, os estudos sobre este segmento populacional vêm demonstrando que, apesar do declínio biológico inerente ao envelhecimento físico, necessariamente, não deve significar declínio nas demais dimensões da vida, ou exclusão social, ou baixa qualidade de vida. Acredita-se que se o idoso obtiver as condições e suportes necessários para continuar ativo, tendo acesso às instituições e pessoas que o auxiliem na solução de problemas e adversidades, mantendo auto-estima e visão positiva de si mesmo, seguramente viverá com maior qualidade esta fase da vida.. [...] no final da década de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) substituiu a expressão envelhecimento saudável por envelhecimento ativo, definindo o processo como otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas [...]. (NERI, TEIXEIRA, 2008, p. 84).. . Compreender quem é o idoso que hoje e no futuro vive cada vez mais, gerando demandas, mas que também é detentor de forças internas que o mobilizam para a superação de necessidades, adequando-se e adaptando-se às configurações do meio em que vive, acreditamos ser de fundamental importância para a sociedade atual e futura. Nossa pesquisa ocorreu junto a uma amostra de idosos que freqüenta um programa de educação permanente, patrocinado pela prefeitura de São Caetano do Sul, cidade que compõem a região do ABC Paulista em São Paulo, cujo programa é realizado em parceria com a universidade local. Este município vem se destacando no cenário brasileiro por apresentar alto índice de desenvolvimento humano (IDH/2000), em conformidade com o que propõe o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, o qual avalia anualmente os avanços econômicos, sociais, culturais e de políticas públicas, que influenciam a qualidade de vida humana de uma população. Este município oferece aos idosos, residentes na localidade,.

(18) 18 políticas públicas e programas gratuitos, objetivando promoção de saúde, educação, reinserção no mercado de trabalho, lazer e qualidade de vida aos munícipes com idade igual ou acima de 50 anos. Conforme dados publicados pelo Instituto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano do Sul e publicado em jornal da região em 12/07/2011,. o. município detém as seguintes características: possui 149.263 habitantes, sendo que, a população com idade a partir de 60 anos é de 28.521, correspondendo a 19,1% do total. Possui uma coordenadoria especifica de atendimento ao publico idoso (Coordenadoria Municipal de Atenção ao Idoso-COMTID), voltada ao planejamento e monitoramento das ações de assistência e promoção de saúde do idoso, que são. prestadas em 4 Centros. Integrados de Saúde e Educação da Terceira Idade (CISE), e na área educacional possui parceria com a universidade local, onde o programa de educação permanente é realizado. Em minha vivencia de docência junto a idosos do programa acima mencionado, tenho observado e ouvido relatos de alguns idosos que, ao ingressarem no programa, trazem expectativas diversas, como a de preencherem espaços vazios que o momento atual de suas vidas lhes trouxeram, ampliação dos relacionamentos com a conquista de novos vínculos sociais, além da expectativa em adquirir conhecimentos que atendam sonhos acalentados por não terem tido oportunidade de freqüentar uma universidade na juventude, e outras necessidades como adquirir habilidades para entender, acompanhar e fazer frente à rapidez e mutabilidade que ocorre no mundo atual. Também é possível observar em alguns desses idosos, sinais de insegurança para o contato social e aquisição de novas aprendizagens, isolamento, sinais de depressão, não aceitação ou resistência em aceitar recursos advindos do meio social e institucional, exclusão voluntária ou involuntária de convívio familiar e social e outras atitudes que não propiciam sentimentos de satisfação e qualidade de vida, com eles mesmos e com o meio onde se inserem. Reforço que, em minha experiência profissional neste programa, observo que alguns alunos procuram freqüentar a universidade como forma de se sentirem melhor consigo mesmo, outros o fazem por orientação médica ou familiar, alguns não conseguem, ou tem maior dificuldade em superar suas fragilidades, apresentando comportamentos indicativos de insegurança, insatisfação e inadequação nos relacionamentos interpessoais. Porém há os que se mostram cada vez mais engajados nas atividades propostas, na ampliação da rede de contato social, aproveitando e propondo outras ações e atividades, demonstrando a energia de seu potencial, disposição e satisfação. É diante deste contexto que nos motivamos e nos propusemos a investigar aspectos relativos ao envelhecimento saudável, especialmente no que se refere a possível influência do.

(19) 19 suporte social na percepção da qualidade de vida em adultos idosos, e contribuir para uma melhor compreensão desse momento de vida, a velhice. Desta forma, esta dissertação versa sobre um estudo quantitativo, acadêmico e científico, sobre suporte social e qualidade de vida, em uma amostra de 106 idosos com idade a partir de 60 anos, que participam de um programa gratuito de educação permanente. Para este estudo, nos fundamentamos na visão da psicologia positiva onde, na segunda parte desta dissertação apresentamos os pressupostos teóricos que nortearam a pesquisa e que está voltado para o desenvolvimento ao longo da vida (Lifespan), onde o envelhecimento é visto como um dos momentos da vida que comporta também potencialidades, adaptação e ajustamento, a despeito das perdas e declínios que o envelhecimento físico produz. Em seguida, descrevemos estudos nacionais, efetuados por pesquisadores do envelhecimento humano, relativo à percepção de suporte social e da qualidade de vida e sua importância na promoção de saúde em indivíduos idosos. Ao final da fundamentação teórica, na terceira parte, apontamos os objetivos em realizar tal estudo. Na quarta parte, detalhamos o método que orientou a pesquisa, assim como os instrumentos utilizados para a avaliação da percepção do suporte social, Escala de Percepção de Suporte Social – EPSS, construída e validada por Siqueira, (2008), aplicável a situações gerais, que avalia as dimensões emocionais e práticas. Foram utilizados também, os instrumentos de avaliação da qualidade de vida- WHOQOL: Old e Bref, desenvolvido e adaptado à realidade brasileira pelo grupo brasileiro que estuda qualidade de vida (WHOQOL-Group), coordenado por Fleck e colaboradores (1998b, 1999). Para traçar o perfil socioeconômico da amostra elaboramos um questionário com dados pessoais, econômico e social, que objetivou além de traçar o perfil socioeconômico da amostra, relacioná-lo aos resultados apurados na pesquisa. Na quinta parte, apresentamos os resultados e discussão dos achados da pesquisa, amparados pelos estudos empreendidos sobre envelhecimento humano no curso da vida (Lifespan), suporte social, qualidade de vida e perfil socioeconômico do idoso brasileiro. Finalizamos esta dissertação com nossas conclusões sobre o estudo e apontamos uma agenda de aprofundamento e de melhorias à pesquisa. A seguir apresentamos os pressupostos teóricos que fundamentam a presente pesquisa e estudo..

(20) 20. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. 2.1 Envelhecimento Humano – Lifespan. Estudar e melhor compreender a velhice e o processo de envelhecimento humano tem sido objeto de interesse e investigação científica e social, em função do aumento da longevidade, observado mundialmente, e em razão dos impactos que este fenômeno resulta nas sociedades, nos profissionais que atuam com este segmento da população e nos próprios indivíduos idosos (KALACHE et al., 1987; NÉRI, 1993; KALACHE, 1996; COTTA et al., 2002; STUART-HAMILTON, 2002; NÉRI, 2004). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, no último censo demográfico realizado em 2010, e em seu relatório Síntese dos Indicadores Sociais, publicado em 17/11/2010, o qual retrata a situação dos idosos no Brasil, o número de pessoas com 60 anos ou mais é de 21 milhões, representando 11,3% da população nacional. Para o ano de 2020 estima-se que 13,7% da população brasileira será constituída de pessoas com 60 anos de idade ou mais, os quais demandarão cada vez mais atenção e cuidados dos vários segmentos da sociedade, em prol da promoção de saúde física, mental e social, que possibilite um viver com maior qualidade, com oferta de aportes que os apóiem e garantam condições adequadas para o enfrentamento aos declínios, que o processo de envelhecimento humano envolve. O interesse da Psicologia por este assunto se aprofunda segundo Néri (2004), a partir da constatação do aumento da longevidade verificados na Europa e Estados Unidos durante o século XX, localidades onde surgiram os primeiros estudos sobre comportamento humano.. [...] o crescimento do contingente de idosos com maior poder político criou condições para que pesquisadores e praticantes de várias profissões, entre elas a psicologia, passassem a investir mais na pesquisa e na intervenção com esse segmento [...] (NERI, 2004, p. 17).. Ainda segundo essa autora, em razão do fenômeno da longevidade a psicologia passa a sentir necessidade de revisar seus pressupostos, considerando que a partir do século XX, o que se conhecia desta fase da vida não mais respondia satisfatoriamente às questões e situações observadas na população de idosos e nos próprios pesquisadores que também.

(21) 21 envelheciam, abrindo caminho para outras perspectivas teóricas, alinhando seus conhecimentos e achados com os de outras ciências humanas. Assim, da visão tradicional de entender o envelhecimento humano como fase da vida que se constitui de fragilidades, limitações, declínios e perdas biológicas e pessoais, passa-se a considerar a influência e a interação existente entre as dimensões biológicas, históricas, sociais, psicológicas e culturais, presentes em todo processo do desenvolvimento humano, que determinam que esta fase da vida, a velhice, deve ser vista e entendida como um processo complexo, multidimensional e multidirecional. A perspectiva teórica do desenvolvimento ao longo da vida, lifespan, entende o desenvolvimento humano como um processo que se estende por todo curso da vida, não se prende a etapas normativas ou estágios, sendo determinado por aspectos biológicos, psicológicos, socioculturais, históricos e pessoais. Conhecer e compreender os processos e condições que envolve envelhecer de forma satisfatória, implica em olhar essa fase da vida como detentora de potencialidades que impulsionam a pessoa idosa a manter suas capacidades de resistência, plasticidade, enfrentamento e flexibilidade para um bem viver. (BALTES, 1987; NÉRI, 2004). Dentro desta perspectiva a tendência é estudar o envelhecimento ao longo de toda a vida, o que pressupõe uma correlação entre envelhecimento e desenvolvimento, onde mesmo na presença de limitações de ordem biológica, as questões psicológicas e sociais podem se manter em desenvolvimento contínuo, na medida em que o ambiente e a cultura sejam propícios a isso. (BALTES, 1987; BALTES, BALTES,1990). [...] O desenvolvimento foi definido por Baltes (1987), como um processo contínuo, multidimensional e multidirecional, de mudanças orquestradas por influências genético-biológicas e sócio-culturais de natureza normativa e não normativa, marcado por ganhos e perdas concorrentes e por interatividade indivíduo-cultura e entre os níveis e tempo das influências [...] (NERI, 2004, p.18).. Segundo Néri (1993), os estudos sobre o envelhecimento humano efetuado por Baltes e colaboradores (1980, 1987, 1990, 2004), cujo enfoque se pauta no desenvolvimento ao longo de toda a vida (lifespan), influenciou novas formas de se visualizar e compreender a velhice tornando-se uma corrente dominante nos estudos da gerontologia, cujas características deste modelo são:.

(22) 22. Multidirecionalidade: o processo de desenvolvimento comporta crescimento e declínio, de forma variada entre as pessoas. Assim em algumas habilidades pode ocorrer um contínuo crescimento, como por exemplo, na melhoria do vocabulário, em outras pode ocorrer declínio, como por exemplo, resolução de novos problemas na idade madura tardia. Plasticidade: a prática, o cotidiano e o treinamento favorecem a modificação de habilidades e a aplicação de um conhecimento em situações diversas, com obtenção de resoluções criativas em todas as idades. Histórico de vida e contexto: local e tempo influenciam as circunstâncias, visões e crenças internas e externas, que cada pessoa possui, sempre interagindo com o ambiente onde estão inseridos. Casualidade múltipla: estudar e compreender o comportamento das pessoas implica em considerar uma diversidade de conhecimento sob vários enfoques, como por exemplo: da psicologia, biologia, sociologia, antropologia e outras. Somente através da multidisciplinaridade é que podemos obter uma visão mais realista e ampla do que se passa com cada indivíduo.. Em síntese os principais princípios deste enfoque teórico é o fato de considerar: múltiplos níveis, temporalidade,. diversas dimensões do desenvolvimento humano, ser. transacional, dinâmico e contextualista. (BALTES, SMITH, 2004). Estes aspectos formaram as bases do estudo da psicologia do envelhecimento voltada à pesquisa e entendimento das mudanças que continuam ocorrendo nos comportamentos dos indivíduos idosos, no que se refere às áreas cognitiva, afetiva e social. Segundo Néri, (2004), a psicologia do envelhecimento estuda ainda outros aspectos que afetam a vida das pessoas que envelhecem, tais como: diferenças intra-individuais e interindividuais, desempenhos nos diferentes grupos de idade, sexo, níveis educacionais, econômicos e sócio-culturais, que afetam e influenciam o funcionamento psicológico dos idosos, como também procura descrever e explicar as condições e potenciais que preservam o comportamento e o seu contínuo desenvolvimento.. [...] Já se sabe que pode continuar ocorrendo desenvolvimento em alguns domínios do funcionamento intelectual, manifestos em alta competência para realizar atividades da vida prática e para lidar com problemas existenciais.

(23) 23 complexos, ambos dependentes do acúmulo de experiência de vida [...] (NERI, 2001, p. 4; 2002, p. 13).. As influências a que se referem os estudiosos do envelhecimento humano possuem duas características, conforme nos descreve Baltes e Baltes (1990), as normativas que são compostas pelo sistema de gradação por idade, responsável pela maturação biológica e processo de socialização, e os fatores ambientais relacionados aos eventos históricos, o que equivale dizer que todos os indivíduos estão sujeitos a esses eventos e influências. As influências de ordem não normativas, são integradas por eventos não esperados e diferenciado entre as pessoas, não havendo portanto uma relação temporal, seqüencial ou de ritmo, por serem imprevisíveis e não ocorrerem a todos os indivíduos igualmente. Em ambas as influências há perdas e ganhos concorrentes, onde as pessoas buscam formas de compensações, adaptações e superações, demonstrando uma plasticidade comportamental que permite a possibilidade de ajustamento e adaptação, objetivando dar continuidade a um bemviver. Néri (2006) ilustra as influências normativas e não normativas com os seguintes exemplos:. Normativas: seqüência de mudanças previsíveis de natureza genético-biológica que ocorre ao longo das idades, tais como, maturação neurológica, puberdade e climatério; e mudanças psicossociais imprimidas nas pessoas pelo processo de socialização, tais como, comportamentos adotados em função dos valores, crenças e expectativas existentes no meio ao qual estão inseridos, como ingresso na escola, casamento e aposentadoria. Não-normativas: impostas por eventos biológicos e sociais não determinados tais como, perda de emprego, viuvez, acidentes, doenças e morte de pessoas próximas.. Ambas influências, normativas e não normativas, auxiliam e devem ser consideradas, segundo os estudiosos da perspectiva do desenvolvimento ao longo da vida, para o entendimento das diferenças individuais que se visualiza nas trajetórias e comportamentos emitidos pelos indivíduos ao longo da vida, o que muito nos interessa neste estudo, o entendimento e ajuste das ações e reações de indivíduos idosos, diante das situações de vida. Néri (2006) nos alerta que as questões relativas à longevidade são de suma importância para o momento atual, para que as sociedades, profissionais e pesquisadores.

(24) 24 possam gerar e propiciar condições adequadas para que este segmento populacional possa viver a velhice com qualidade e bem-estar.. [...] A expansão da duração da vida, que hoje está quase no limite máximo estabelecido pelo genoma humano, só foi possível graças a investimentos em instrumentos, habitação, técnicas e equipamentos de trabalho, higiene, imunização, antibióticos e outros recursos de proteção às agressões do ambiente e educação. [...] (NÉRI, 2006, p.2).. Desta forma, se as influências normativas e não-normativas afetam o desenvolvimento das pessoas e as formas como se comportam e interpretam os eventos de suas vidas, nos perguntamos como e quais recursos internos e externos existem e favorecem as pessoas idosas darem manutenção a sua existência, percebendo a velhice como um curso natural e com sobras de potenciais que lhes garantam bem-estar, satisfação e qualidade de vida, para fazer os enfrentamentos necessários aos decréscimos que também estão presentes e concorrendo de forma mais evidente nesta fase da vida, considerando os declínios biológicos e os eventos normativos como aposentadoria e não normativos como perda de entes queridos ou doenças, por exemplo. A regulação entre declínios e forças na velhice nos é descrito pela teoria de seleção, otimização e compensação (Teoria SOC), onde ganhos e perdas são regulados pela interação entre recursos pessoais e recursos existentes no ambiente, em um regime de interdependência. A ação sistêmica destes três mecanismos, seleção, otimização e compensação, gera comportamentos bem sucedidos ou adaptativos. (BALTES, BALTES, 1990). A Teoria SOC descreve o desenvolvimento humano em geral e estabelece como os indivíduos podem manejar as mudanças que ocorrem nas suas dimensões biopsicossociais, transformando-as em condições que permitem enfrentar as restrições que surgem na velhice, favorecendo ganhos e minimizando perdas. A seguir apresentamos sucintamente, o significado de cada uma dessas estratégias, conforme descrito por Néri, (2006).. Seleção: significa escolha de alternativas possíveis e viáveis, disponíveis interna e externamente aos indivíduos, que são percebidas pela sua plasticidade individual. É orientada á organização de recursos disponíveis que possam atender desejos, aspirações e necessidades, que o indivíduo possua e que favoreça o alcance de suas metas e objetivos..

(25) 25 Otimização: significa adquirir, aplicar, coordenar e manter recursos internos e externos que possam garantir níveis cada vez melhores de funcionamento pessoal. É obtido através da educação, da prática e do suporte social, presente nos processos cognitivos, à saúde, às capacidades e habilidades pessoais e sociais. Compensação: implica na adoção efetiva de alternativas que mantenham a funcionalidade da pessoa. Exemplos de compensação podem ser identificados pelo uso de aparelhos auditivos, cadeiras de rodas, utilização de pistas visuais e de memória que fornecem orientação espacial e uso de memória verbal.. Esta teoria traz uma contribuição significativa ao estudo sobre a velhice e envelhecimento humano na medida em que passa a olhar esta fase da vida não apenas como declínio, mas com possibilidades de ser bem sucedida, conforme nos aponta Néri (2006), quando o idoso lança mão dos seus recursos de seleção, otimização e compensação, para resolução de dificuldades que o envelhecimento produz.. [...] O modelo psicológico de envelhecimento bem-sucedido, baseado em processos de otimização seletiva com compensação, significa simplesmente fazer e ser o melhor possível com os recursos de que se dispõe [...] (NÉRI, 2006, p.4).. Orientada e estimulada pelos conhecimentos que a perspectiva lifespan nos trás é que nos propomos investigar e estudar uma amostra de idosos, que freqüenta um programa de educação permanente, objetivando identificar e descrever suas percepções de qualidade de vida e de suporte social, que possam mover potencialidades subjacentes e favorecer promoção de saúde e, conseqüentemente estimulem seu bem-estar e satisfação biopsicossocial. Numa perspectiva do envelhecimento positivo, Debert (1999), nos mostra uma visão possível de ocorrer com a percepção e projeção de uma melhor imagem de si próprio, de pessoas ativas, interessadas, criativas e que demonstram manter controle sobre suas vidas, desejos e interesses, substituindo estereótipos de abandono, solidão, inatividade e fragilidades. Temos também como exemplo, os estudos efetuados por Barros (1981) e Peixoto (1995), onde idosos de classe média visualizavam suas vidas de uma forma diferente a do discurso reducionista referente ao declínio biológico, demonstrando potencialidades e possibilidades de realizações na sociedade entre esse segmento populacional, á despeito de.

(26) 26 problemas de várias ordens, que ocorriam paralelamente às suas visões de potencial e realizações . Assim, procuramos alinhar nosso estudo sobre envelhecimento saudável com os de suporte social e qualidade de vida, para que possamos gerar contribuições à pesquisa, ao ensino e a assistência aos idosos. A seguir relatamos nossos estudos e entendimento sobre suporte social, enquanto fator positivo na promoção da saúde, na medida em que as pessoas percebem o grau de importância que ocupam junto de suas redes sociais e como essas relações podem otimizar recursos que eliminam ou minimizam dificuldades que surjam em função do envelhecimento.. 2.2 Suporte Social e Envelhecimento. A origem das atenções sobre suporte social se inicia a partir de um estudo epidemiológico longitudinal, empreendido por Berkman e Syme, em 1979, junto a adultos residentes no Estado da Califórnia, E.U.A, cujo foco principal esteve voltado a identificar a relação entre relacionamentos sociais e indicadores de saúde. Os resultados deste estudo, que teve duração de nove anos, demonstraram que índices elevados de integração social estavam inversamente associados à mortalidade. Segundo Siqueira e Padovam (2007), tal resultado estimulou o aprofundamento de pesquisas sobre a interface social e seus impactos na saúde. Os principais objetivos foram identificar os tipos de relacionamentos sociais mais benéficos à saúde; quais experiências vivenciadas nas relações sociais produzem impactos na saúde física, assim como, estruturar propostas de intervenção para promover e proteger a saúde das pessoas. Encontramos no meio acadêmico várias conceituações e denominações definindo o que é vida socialmente saudável a partir do construto suporte social. Assim temos: Cobb (1976) e Cohen (1988, 2004), com Suporte Social; Antonucci e Akiyama (1994), com Comboio Social; Keys (1998), com Bem-estar Social; Brissette, Cohen e Seeman (2000), e Berkman, Michael, Colditz e Kanachi (2001), com Integração Social. Da mesma forma Kaplan, Cassel e Gore (1977), contribuíram com a conceituação deste construto, apontando caminhos que orientaram a pesquisa sobre os efeitos no bem-estar e na saúde de pessoas e populações, quando confrontadas em suas interações sociais. Apoiada pelos estudos empreendidos por Cobb (1976) e Ramos (2002), entende-se que o conceito de Suporte Social está intimamente relacionado à promoção de saúde, na.

(27) 27 medida em que se observa o bem-estar advindo das relações que as pessoas empreendem em suas vidas e das suas interações com instituições que propiciam espaços de convivência e obtenção de recursos de variada ordem, que lhe favorecem atender necessidades e expectativas, sejam materiais, físicas, emocionais ou sociais.. [...] O argumento em favor da idéia de que as relações sociais podem de várias formas, promover melhores condições de saúde tem sido predominante. A ajuda recebida e a ajuda dada contribuem para um senso de controle pessoal, e isso tem uma influência positiva no bem-estar psicológico [...] (RAMOS, 2002, p. 156).. No âmbito da psicologia e segundo Cobb (1976), suporte social é entendido como as informações que possibilitam as pessoas processar sua percepção sobre três classes de crenças: de que é amada e que existem pessoas que se preocupam com ele; de que é apreciada e valorizada; e de pertencer a uma rede social. Define então suporte social apontando três aspectos: como a informação que leva a pessoa a se sentir amada na medida em que os outros se preocupam com ela; como a informação que faz com que a pessoa acredite que é valorizado, e como a informação que induz a pessoa a acreditar que pertence a uma rede, com obrigações mútuas. Sugere que o suporte social não está relacionado apenas com acessibilidade a recursos afetivos, mas também ao auxílio instrumental tangível que as redes sociais disponibilizam as pessoas. Ramos (2002), mostra um possível efeito negativo produzido pelo suporte social, quando a pessoa percebe o auxílio disponibilizado pela rede, como algo que lhe gera dependência e perda de autonomia, ou quando não se vê em condições de retribuir a ajuda recebida. O termo redes sociais tem origem na Sociologia e sua importância se evidencia ao preencher necessidades das pessoas como receber apoio sócio-emocional, ajuda material, serviços, informações e novos contatos, favorecendo inclusive a manutenção da identidade social daquele que a acessa. As redes sociais são as fontes de onde provem suportes sociais aos seus integrantes (WALKER; MACBRIDE; VACHON, 1977). Kaplan, Cassel, Gore (1977), definiram suporte social “como o grau em que as necessidades sociais de uma pessoa são satisfeitas através de sua interação com outros”..

(28) 28 Thoits (1982), acrescentou em seus estudos que o suporte social não se refere apenas a aspectos afetivos, mas se articula também às crenças de que a rede social disponibiliza recursos tangíveis e práticos ao qual denominou suporte instrumental. A visão de Sarason et al. (1983), aponta suporte social como a existência ou disponibilidade de pessoas e recursos em quem se possa confiar e que mostram preocupação, valorização e afeto. Outros estudos demonstraram a relação entre situação socioeconômica e suporte social, onde baixos níveis educacionais e de renda estão associados a uma restrição ao auxílio e assistência em função da desinformação ou da incapacidade cognitiva, favorecendo desta forma, doenças, isolamento, depressão e estresse, (KRAUSE e BORAWISK-CLARCK, 1995). Pessoas em posição inferior na escala socioeconômica aparentam estar especialmente em desvantagem em termos de saúde, segundo Cockerham (1991), onde populações e grupos que vivem sob pobreza estão mais expostos que indivíduos mais influentes, a riscos físicos, químicos, bioquímicos, biológicos e psicológicos que afetam a saúde. Estilos de vida que promovem uma existência sadia são mais típicos em classes altas. Para Bowling (1997), o suporte social caracteriza-se por um processo interativo que disponibiliza auxílio emocional, instrumental ou financeiro, pelas redes sociais às pessoas. Rodriguez e Cohen (1998), apontam que os auxílios que as pessoas buscam nas redes sociais são de variadas ordens, caracterizadas por suporte emocional, suporte instrumental e suporte informacional. Desta forma, o conceito de suporte social mostra uma dimensão que provoca satisfação nas pessoas, quando possuem a idéia de que são amadas , valorizadas e possuem o sentimento de pertença a uma rede social, conforme nos indica Cobb (1976), mas também quando obtém auxílio em instrumentos e informações, Rodriguez e Cohen (1998), que elimina ou minimiza situações adversas, reforçando os sentimentos de bem querer. Apreendemos então, que o suporte social representa a visualização dos aportes que instituições, rede social e pessoas, disponibilizam ao outro, tais como: suportes de cunho emocional, instrumental ou estrutural e de informação. Segundo Cobb (1976), o suporte emocional advém das pessoas com as quais se mantém laços afetivos e significativos, que permitem ser e sentir, sem restrições de julgamentos, embora seja do âmbito da rede social apontar caminhos mais favoráveis e desejáveis, para que o outro não se desiluda ou tenha comportamentos que o distancie da satisfação de suas necessidades. O suporte instrumental relaciona-se aos auxílios tangíveis.

(29) 29 que se pode receber de outras pessoas, disponibilizados pela rede social ou por instituições. É constituído dos recursos materiais ou estruturais que, rede social e instituição, coloca ao alcance daquele que necessita, invocando a certeza de amparo e apoio. O suporte informacional relaciona-se às informações que rede e instituições colocam à disposição das pessoas, para que possam trilhar caminhos mais assertivos e seguros. Isto descrito nos leva a supor que idosos envolvidos em programas institucionais que favorecem percepção das dimensões, amor, valor e pertença, terão maiores condições de superação dos problemas, sejam de ordem material, física, mental ou social, que o processo de envelhecimento e seu momento de vida possam acarretar. As universidades abertas à terceira idade são ou podem se transfigurar no suporte social que idosos podem utilizar para a transformação de realidades que se configuram vulneráveis à doença e ao isolamento, por exemplo, propiciando dessa forma os aportes que favorecem e promovem a saúde física e mental, dentro do meio em que estão inseridos.. [...] pessoas bem integradas em suas comunidades tendem a viver mais e também desenvolvem uma incrível capacidade de recuperar-se quando adoece; de modo inverso, isolamento social torna-se um fator de risco para a saúde [...] (MCDOWELL, NEWELL, 1996, p.24).. Com os estudos e conceitos relatados acima foi possível identificar um crescente interesse sobre o tema percepção de suporte social e os impactos que ele produz na população idosa, promovendo saúde, bem-estar, satisfação e qualidade de vida, mesmo diante de situações adversas que o processo de envelhecimento produz. A seguir citamos alguns artigos, pesquisados na base de dados do CNPq, publicadas pela Scielo entre o período de 2000 a 2010, dentro do formato (ISO 690), e que englobam as ciências da saúde e social. Um importante estudo envolvendo o tema suporte social é relatado pelo Projeto Bambuí,. que. se. constituiu. de. um. estudo. epidemiológico. das. características. sociodemográficas, suporte social e condição de saúde do idoso comparado a adultos jovens, realizado por pesquisadoras do NESPE - Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento da Fiocruz (2001), com 1606 habitantes idosos da cidade de Bambui-MG, que correspondeu a 92,2% de moradores da localidade, com 60 anos ou mais, e com uma amostra aleatória da população na faixa etária entre 18 e 59 anos (909 pessoas) que correspondeu a 89,1% da população local na faixa etária..

(30) 30 Seus objetivos foram descrever as características sociodemográficas, indicadores de suporte social e condições de saúde daquela população idosa, e compará-la a população jovem. Os resultados apontaram que as características sociodemográficas dos idosos desta localidade comparada a dos mais jovens correspondem ao evidenciado na população brasileira, quanto à distribuição etária, feminização do envelhecimento, baixa escolaridade e menor renda domiciliar, apontando maior vulnerabilidade dos idosos comparados aos mais jovens, em especial às mulheres. Os indicadores de suporte social mostraram a existência de uma importante rede de solidariedade entre as gerações, identificada na ajuda financeira, de moradia e de companhia, que os idosos e suas famílias recebem. Mas todos os indicadores indicaram piora no estado de saúde na medida em que há aumento da idade, com grande proporção de pessoas idosas hospitalizadas. Apoio social e saúde entre idosos, trata-se de um estudo que investiga a relação entre saúde e relacionamentos sociais com interpretação desta problemática sob a ótica dos enfoques teóricos da Teoria da Integração Social de Emile Durkheim (1951), e da Teoria das Trocas, de Peter Blau (1964). Ramos (2002), relata em suas conclusões sobre este estudo, que as relações sociais possuem efeitos positivos à saúde quando está presente a reciprocidade, ou seja, a pessoa que recebe auxílio tem a expectativa de poder retribuir, o que geralmente no envelhecimento esta percepção pode estar comprometida com os agravos na saúde e estado em que se encontra, gerando então impactos negativos. Desta forma, a integração social pode gerar resultados negativos à saúde dos idosos, quando não percebem em si a possibilidade de retribuição ao que lhe foi ofertado, ou quando passa a se sentir um peso para os que lhe auxiliam, sendo importante considerar a qualidade dos contatos que as pessoas mantém, remetendo-nos à Teoria da Eqüidade, de Adams (1975). A relevância do apoio social na velhice, apontado no crescente debate que se forma nas sociedades ocidentais, em torno do envelhecimento e das respostas sociais aos cidadãos idosos na atualidade, é demonstrado nos estudos de Martins (2005), quando relata o aumento do discurso político e social, dentro da psicologia comunitária. Outro estudo realizado por Cupertino et al. (2005), refere-se ao estresse e suporte social vivenciado na infância e adolescência e relacionados a sintomas depressivos no envelhecimento. Este estudo fundamenta-se nas influências sócio-históricas como fator de maior vulnerabilidade, predispondo a pessoa a apresentar depressão durante a fase do envelhecimento. Constituiu-se de uma amostra de 956 idosos com idade entre 60 e 103 anos, encontrando relações significativas entre as variáveis pesquisadas..

(31) 31 A relação entre redes de relações sociais e satisfação com a vida em adultos e idosos, empreendido por Resende et al. (2006), cujos objetivos foram investigar as configurações da rede, verificar a satisfação e descrever a relação entre ambas variáveis. Este estudo foi realizado junto a uma amostra de 90 pessoas com idades entre 25 e 85 anos, resultando em constatação positiva com rede, satisfação com vida atual e futura, em especial entre as pessoas que mais recebem suporte afetivo e instrumental. Bem-estar subjetivo, apoio social e estratégias de enfrentamento também foi objeto de pesquisa entre a população idosa. Neste estudo, realizado por Guedes (2006), participaram 123 idosos residentes em João Pessoa na Paraíba, identificando um maior grau de satisfação entre mulheres idosas e que enfrentam de forma direta as situações problemas na medida em que encontram suportes afetivo e instrumental. Resiliência e Apoio Social enquanto mecanismo de proteção e adaptativo na velhice, de autoria de Góis (2009), objetivou avaliar a capacidade de resiliência e o apoio social em 65 idosos usuários da rede de atenção básica à saúde do distrito sanitário leste de Natal no estado do Rio Grande do Norte. Diante destes estudos nossa pesquisa direcionou-se a aprofundar conhecimentos de modo a interagir e identificar a possível relação entre suporte social e qualidade de vida, que possa influenciar e promover saúde e bem-estar na velhice. A seguir apresentamos nossos estudos e entendimento sobre qualidade de vida e envelhecimento e seus impactos na saúde e bem-estar de idosos.. 2.3 Qualidade de Vida e Envelhecimento. As atenções às questões ligada à qualidade de vida começaram a despertar maior interesse de estudiosos e sua sistematização, a partir do século XX (NÉRI, 1993), tornando-se cada vez mais foco de preocupação para as áreas da saúde, social e das políticas públicas, com a definição concebida pela Organização Mundial de Saúde – O.M.S. (1994), que apontou três aspectos fundamentais do construto qualidade de vida: Subjetividade – que implica na percepção individual da pessoa sobre sua qualidade de vida; Multidimensionalidade – que abrange as dimensões física, psíquica e social; Bipolaridade – abarcando aspectos positivos e negativos..

(32) 32 O Grupo da Qualidade de Vida da Divisão de Saúde Mental da O.M.S. definiu qualidade de vida como:. [...] a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações [...] (WHOQOL-Group, 1998).. Assim, o conceito de qualidade de vida, com base na visão da O.M.S., pode ser entendido como a percepção que as pessoas possuem sobre sua vida, dentro do contexto cultural e dos valores da sociedade na qual está inserida, levando em conta seus objetivos, expectativas, padrões, preocupações e estilo de vida. É um conceito subjetivo que implica na análise pessoal sobre o grau de satisfação que se tem de alguns aspectos da vida e que foram atingidos. Com o advento da longevidade constatada no mundo todo e em especial nas sociedades em desenvolvimento como a brasileira, entendemos que estudar com qual qualidade de vida as pessoas estão envelhecendo torna-se fundamental para que as áreas sociais e da saúde possam revisar e reestruturar posturas e conceitos, tanto no atendimento das necessidades que este segmento gera, quanto na busca de ações preventivas e de promoção da saúde, favorecendo com que os idosos vivam com maior qualidade e satisfação. Segundo Lawton (1991), competência comportamental representa a avaliação sócionormativa do funcionamento da pessoa, quanto a sua saúde, como usa seu tempo, sua habilidade nos contatos sociais e cognitivos. Estas competências lhe favorecem na vida cotidiana autonomia e independência, abrangendo aspectos físicos, emocionais, sociais e cognitivos, para agir nos ambientes que freqüenta. Deficiências em competência comportamental, segundo este mesmo autor, geram impactos negativos na percepção de bemestar, assim como implica na busca de auxílio e suporte, os quais também podem estar comprometidos, quando a pessoa não se sente apta a fazê-lo. Para Baltes e cols. (1990), a dependência comportamental é algo nefasto ao idoso por isolá-lo de outros grupos ao serem percebidos como incompetentes. Para o estudo sobre qualidade de vida em idosos ora empreendido, nos apoiamos entre outros estudos, ao de Néri (2000), que define qualidade de vida como o resultado da ação de eventos múltiplos e concomitantes, que influencia a adaptação das pessoas e grupos, nas diversas fases de suas vidas, inclusive no envelhecimento..

(33) 33 Estamos considerando a vertente da produção de conhecimento científico, voltada à análise do processo de envelhecimento que comporta além dos aspectos de perda e declínio, também. as reservas de potencialidades e capacidades nas pessoas, que permitem uma. plasticidade comportamental, promovendo saúde, bem-estar e satisfação na velhice, como nos mostra os estudos de Baltes e cols. (1990). Freire (2003) considera que as dimensões física, psicológica, social e espiritual, devem ser atendidas quando se estuda qualidade de vida em idosos, por que elas favorecem o surgimento nos indivíduos sentimentos de autonomia, independência, saúde biopsicossocial, significado pessoal, continuidade de desempenho de papéis e atividades. Dentro desta perspectiva, o processo de envelhecimento humano vem sendo tratado nas mais diversas áreas do conhecimento científico, com publicações focadas especialmente, na saúde e na doença em idosos. Geralmente os estudos procuram explicar aspectos tais como: o que é uma boa vida; como se deve viver para ter uma boa vida; e quais estilos de vida são preditores de um bom envelhecimento. [...] a investigação sobre as condições que permitem uma boa qualidade de vida na velhice, bem como sobre as variações que esse estado comporta reveste-se de grande importância científica e social. Ao tentar resolver a aparente contradição que existe entre velhice e bem-estar, a pesquisa pode não só contribuir para a compreensão do envelhecimento e do desenvolvimento humano, como também para a geração de alternativas válidas de intervenção visando o bem-estar de pessoas maduras [...] (NÉRI, 1993, p. 11).. Estas questões vêm sendo intensamente discutidas, assim como a busca de indicadores que apontem qualidade de vida na velhice, e que variam desde status socioeconômico, satisfação de necessidades, capacidade funcional, sentido e significado da vida, controle e domínio sobre eventos, e outros aspectos (FLECK; CHACHAMOVICH; TRENTINI, 2003). Para mensurar qualidade de vida, nas últimas décadas surgiram vários instrumentos, sendo que a maioria foi desenvolvida nos Estados Unidos. Entretanto, apesar do grande número de instrumentos existentes, poucos foram feitos com o objetivo de avaliar especificamente a população idosa. No Brasil pode-se citar o projeto WHOQOL-Old, desenvolvido e validado pelo grupo de estudos em qualidade de vida, coordenado por Fleck e colaboradores (1999) da.

Referências

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