Faz-se necessário relatar não apenas as experiências dos processos restaurativos ocorridos, mas sim o contexto no qual a coleta de dados se deu e como a escola veio aos poucos abarcando os princípios restaurativos em suas práticas.
A escola pública escolhida estava em um processo de implantação do Sistema de Proteção Escolar, contando com a presença de um profissional específico para o trato dos conflitos escolares, a Mediadora Escolar (anexo A). A princípio tanto a escola como a mediadora não compreendiam exatamente como seria o seu trabalho na escola, todas as questões de indisciplina eram remetidas ao mediador que as trava de maneira punitiva, partindo da aplicação da justiça retributiva. Aos poucos em reuniões da pesquisadora com a coordenação e a mediadora foi possível apresentar o projeto de justiça restaurativa em conflitos escolares e suas técnicas. Estas incluíam os círculos restaurativos (PRANIS, 2010) e a mediação (AZEVEDO, 2013). Assim, foi possível destacar a importância de um espaço físico específico e neutro para que ocorressem os círculos e a busca pela reparação nos conflitos. Com a proposta da realização desta pesquisa a partir das reuniões, a pequena sala que servia de estoque para materiais didáticos, com uma mesa e duas cadeiras, onde os alunos eram recebidos, foi substituída pouco a pouco pela sala de Mediação. Com um espaço maior, também foi possível que mobiliasse a sala com uma mesa redonda e várias cadeiras, o que possibilitou assim a execução dos círculos restaurativos e a despolarização do conflito. Segundo Azevedo, (2013) durante tentativas de resoluções pacíficas de conflitos, é necessário que as partes envolvidas se coloquem de maneira circular e não frente a frente, essa mudança física rompe a questão da mera disposição estrutural e traz benefícios para a construção de um acordo. Afinal o colocar-se frente à frente estimula uma polarização entre vítima e ofensor, inocente e culpado, e consequentemente uma violência implícita vinculada às relações de poder. Enquanto que nos processos circulares há uma horizontalidade das partes sendo estimulada a igualdade dos envolvidos. As pequenas mudanças do espaço físico também refletiram de forma positiva no trabalho da mediadora, que passou a se sentir valorizada.
Em reuniões pedagógicas, na apresentação dos princípios dos círculos restaurativos notou-se a grande resistência por parte dos professores, que ansiavam por resultados rápidos, não acreditando e obstaculizando as iniciativas restaurativas. Enfatizavam a necessidade de punição, mesmo compreendendo que estas não solucionam os problemas apresentados. Afirmavam que “conversar e orientar eles já fazem e que dar voz ao aluno é fomentar maiores indisciplinas” (sic).
Por isso, o processo de instauração dos círculos restaurativos na instituição foi gradual, assim como descrevemos acima, na luta pela aquisição de um espaço físico próprio, mas também por um espaço simbólico no cotidiano escolar.
A princípio os alunos entendiam a figura da mediadora como outra diretora, que em casos de indisciplina iria repreendê-los e chamar os pais. Com o passar do tempo e com a presença da pesquisadora, perceberam que este não era o papel do mediador e por esta ser uma figura que os ouvia, ansiavam a todo tempo ir à sala da mediação para conversar. Relatavam suas angústias, e por vezes até geravam pequenos conflitos apenas para serem encaminhados à mediação e então encontrarem um espaço de escuta. Ao se depararem com a pesquisadora nos corredores a abraçavam e pediam: “Me chama pra conversar, eu sou da sala 10!” (Sic)
A sala de mediação passou a ser um espaço de referência aos alunos, quando percebiam que estavam envolvidos em conflitos, dos quais ainda não possuíam autonomia suficiente para solucioná-los.
Seguindo a análise a partir dos Níveis de Desenvolvimento de Negociação Interpessoal de Selman (1980) é necessário salientar que em todos os casos, os sujeitos se encontram no Estágio 4 – Sistema Social e Convencional de Adoção de Perspectivas, por já se encontrarem em idade média de 13 anos. Portanto os processos restaurativos foram possíveis, afinal os sujeitos já possuem perspectiva social de grupo.
Serão apresentados os casos de conflitos escolares analisados com a ótica dos princípios restaurativos. Privilegiou-se o uso de nomes fictícios, preservando a identidade de todos os participantes.
3.1 - Caso 1
3.1.1 – Descrição
O primeiro caso a ser descrito é das alunas Joana e Giovana, ambas 13 anos cursando o 7º ano. As duas possuem desenvolvimento escolar satisfatório, com a maioria de suas notas azuis, porém alunas medianas mantendo-se no limite da média estipulada (5,0).
A escola possui uma pasta relativa a cada sala de aula, contendo uma ficha de cada aluno, onde estão relacionadas suas notas, faltas em cada disciplina e as ocorrências disciplinares em que se envolvem. Estas pastas se encontram em um armário arquivo localizado na sala da coordenação, todos os professores, inspetores e equipe gestora tem
autorização para anotar qualquer tipo de ocorrências nestas fichas, seja em horário de aula, intervalo, entrada e saída.
Joana tem em sua ficha, uma série de ocorrências relacionadas a uma conduta inadequada em sala de aula, anda constantemente pela sala, conversa e grita bastante, além de relatos de envolvimento em brigas coletivas no intervalo, entrada e saída. Já Giovana não possui nenhum relato indisciplinar.
O processo restaurativo se inicia no momento em que a aluna Giovana adentra a sala de mediação chorando, se queixando de Joana ter feito um vídeo seu e mostrado para outros alunos da sala para provocá-la. Diz que “Joana sempre arruma briga, junta turminha no intervalo e fica zoando” (sic). Relata ter medo de voltar para a sala de aula, diz “Joana me provoca e fala para os outros alunos também tirar sarro de mim” (sic). Conta que não adianta falar para os professores, pois quando eles saem da sala na troca de aula, começa tudo novamente.
Após a primeira fala a facilitadora pergunta quem estava na sala momento da cena do celular. Giovana diz que a professora havia saído da sala para buscar material. Afirma que não é única da sala que é zoada, há outros alunos também que sofrem. Diz que não tem amigos de verdade, pois um amigo de verdade guarda segredo e ela não confia em ninguém da sala de aula.
A aluna se apresentava bastante abalada, chorando muito e relatando as informações como um desabafo, falando sem pausas. A aluna é acolhida, a facilitadora lhe dá água e tenta acalmá-la, oferece lenços para secar suas lágrimas, ela então abraça a facilitadora dizendo não querer voltar para a sala. É dito então, que as coisas irão se solucionar da melhor maneira possível, e que a aluna Joana também será ouvida. Em seguida a facilitadora faz a proposta da participação nos processos restaurativos, sendo esta primeira escuta um pré-círculo e a aluna aceita, assina o TCLE e é encaminhada a sala de aula, aparentando alívio.
A aluna Joana é convidada a conversar com a facilitadora e já adentra a sala de mediação desconfiada, supondo que estava ali por reclamação da aluna Giovana e antes de qualquer intervenção da facilitadora já inicia sua fala alegando não ter nada contra a colega e que ela é assim mesmo “chorona e quieta, na dela”.
Ao ser indagada sobre o motivo do choro da colega Giovana, Joana relata sua versão da situação do celular, diz ter pego o celular e mostrado uma montagem de uma foto do cantor Justin Bieber vestido de mulher. Esta era a imagem que Joana mostrava aos alunos que desencadeava o riso. Diz não entender o porquê da saída repentina da colega da sala e por ter sido convidada ao pré-círculo, acredita que seja por não ter mostrado a foto do celular à
Giovana e que ela então deve ter se sentido excluída, mas reitera que não mostrou para todos os alunos da sala. É perguntado se quer dizer mais algo e afirma que não. A aluna então é convidada a participar dos processos restaurativos, concorda e assina o TCLE. Foi agendado um círculo para a segunda feira da semana seguinte.
No encontro entre as duas alunas a sala é organizada para recebê-las e se inicia com a apresentação dos procedimentos restaurativos. Explica que elas foram convidadas para participar do círculo, pois houve um conflito e que é importante que ele seja resolvido de modo a promover a restauração dos vínculos. Também é explicado a função do bastão da fala e da necessidade de um ouvir o outro durante sua narrativa, reforçando que por vezes tendemos a interromper o outro, mas que cada uma terá seu momento. É salientado que o bastão da fala é dado primeiro para aqueleque procurou a mediação, no caso Giovana. As alunas se mostram muito atentas às orientações, Giovana ao recontar sua versão se emociona e chora novamente. Diz a Joana que não gostou da amiga ter feito um vídeo dela pelo celular e mostrar aos outros. Relata que desde o ano passado é zoada de gorda. Antes brigava, respondia e até já bateu em uma menina na rua, mas que seu pai disse que acaso se envolvesse em briga novamente iria apanhar em casa, então prometeu a si mesma não se envolver mais em brigas. Durante toda sua fala, além das lágrimas, seu olhar focava o chão. Salienta que seu maior medo é apanhar, pois ser zoada já está acostumada.
Joana assume o bastão da fala, e inicia afirmando que não pensa em bater em Giovana, e que acha uma covardia chamar muita gente para bater em uma pessoa só, e se tiver algum problema resolve sozinha. Reconta a situação do celular, mostra a foto do Justin Bieber e ri por achar que Giovana pensava que fosse dela. Relata que ninguém zoa a Giovana, até porque apenas cinco pessoas da sala falam com ela. Afirma ter andado pela sala mostrando o celular e dizendo: Que horror! Mas que essa ação não tem vínculo nenhum com Giovana.
A facilitadora então faz uma intervenção, faz um pequeno resumo de tudo o que foi dito por ambas as partes e clarifica o mal entendido, propõe então que juntas alcancem uma solução para o conflito.
Joana diz à Giovana que também já foi zoada de testuda, mas que ela não fica quieta. Diz também que ela precisa se defender, mas que como ela não sabe, vai ajudá-la, se propõe a não permitir que a sala faça gozações com a colega, e que vai estimulá-la a enfrentar os que insistirem na ação. Giovana sorri e concorda com o acordo proposto. O processo é encerrado e agendado um pós círculo.
Na data agendada as alunas se encaminham à sala de mediação para reavaliarem a repercussão do acordo firmado. Giovana já se apresenta em uma postura corporal mais ereta,
e inicia sua fala. Diz que os outros percebem quando a pessoa é boba, que pararam de zoá-la por saberem que passou a reagir. Joana fez os colegas pedirem desculpas à Giovana, que se sentiu valorizada. Afirma que não vai mais deixar ninguém lhe humilhar. Que antes muitos não conversavam com ela, agora são seus amigos, e que conversa com todos da sala. Afirma que até em casa já está mais feliz.
Joana por sua vez, diz que se sentiu muito bem em ajudar a colega. E recita uma frase que diz lembrar todos os dias ao acordar e que ensinou a Giovana, “Se um dia a tristeza bater na sua porta. Abra um sorriso bem grande e fale assim: me desculpe, mas hoje a felicidade chegou primeiro.” (Sic)
3.1.2 – Análise
Segundo os Níveis de Desenvolvimento das Estratégias de Negociação Interpessoal de Selman (1980) o caso se encontra no nível 3: Estabilidade de Amizades e Soluções Mútuas para os Conflitos. Ou seja, as alunas conseguiram construir um acordo mútuo, entenderam que o conflito ocorreu, devido a um distúrbio de comunicação, sendo importante a preservação do relacionamento esgarçado, a restauração da relação.
É notável a satisfação das duas participantes e a eficácia da noção de restauração das relações no trato dos conflitos.
O sentimento de compaixão parece envolver Joana, que compreende as dificuldades de relacionamento da amiga, e se coloca à disposição para ajudá-la. De maneira empática, demonstra que partilha da dor de ser alvo de gozações, pois também já as vivenciou, apesar de possuir um estilo de resposta diferente a estas situações. Ao ouvir o outro há uma voluntariedade em auxiliá-lo, em participar do seu sentimento. “Compartilhar o sofrimento do outro não é aprová-lo, nem compartilhar suas razões, boas ou más para sofrer; é recusar-se a considerar um sofrimento qualquer que seja, como um fato indiferente, e um ser vivo qualquer que seja, como coisa.” (CONTE SPONVILLE, 2009, p. 118)
Ao analisar o caso observou-se que Giovana coloca-se na posição de vítima. Ela é uma adolescente forte, alta, negra e com sobrepeso, suas vestes se diferenciam da maioria das outras garotas de sua faixa etária e aparentam desgaste. Parece que o rótulo de gorda e a maneira como se sente tratada já lhe são garantia de rejeição e humilhação. A escola que deveria ser um local no qual se sentisse protegida reafirma esta sua condição de inferioridade. “A vergonha gruda na pele” (GAULEJAC, 2006, p.46) é difícil para um sujeito de 13 anos,
em formação emocional e física, como estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) desenvolver um autoconceito positivo.
Lederah (2012) apresenta a questão da identidade como a raiz dos conflitos, sendo o respeito e a compreensão elementos restaurativos. O sujeito expõe por meio de suas narrativas o modo como se percebe e como se relaciona. “A identidade está profundamente enraizada na percepção que a pessoa, ou grupo, tem de qual o seu relacionamento com os outros – e que efeito esse relacionamento tem sobre sua percepção como indivíduo ou grupo.” (LEDERACH, 2012, p. 71). A noção de identidade que Giovana estabelece justifica as violências das quais sofre, crendo ainda ser responsável por elas. No momento em que vê seus colegas de sala rindo, e automaticamente se assume como alvo de gozação expõe o seu processo de internalização da vergonha. Afinal seus rótulos não possuem em si mesmos a concepção de vergonha, há uma soma de múltiplos fatores de sua vida das quais não temos acesso, mas que reforçam esse seu sentimento. “Há um encadeamento entre o sofrimento social, ligado às condições de vida e o afetivo” (GAULEJAC, 2006, p.46). No relato de sua dificuldade em conquistar amigos, de sentir-se segura para contar seus segredos e da necessidade em abraçar a pesquisadora é possível reafirmar essa interligação entre suas frágeis condições sociais e afetivas.
Faz-se importante também destacar o fato da aluna já ter feito uso de violência na rua em outra ocasião e a solução apresentada pelo seu pai, ou seja, caso se envolvesse novamente em brigas, ele a bateria. O pai ao buscar resolver seus problemas com a violência física funciona como modelo para a filha também resolver seus problemas dessa forma. A saída para o diálogo, à busca por restauração nesse caso, age não tão somente na escola, mas como um multiplicador da cultura de paz nas famílias, assim como a violência serviu de modelo, o diálogo passa a ser o novo redator das relações.
Os princípios da justiça restaurativa colocam nas mãos dos próprios envolvidos a responsabilidade pela solução do conflito, não delegando a instâncias superiores posturas punitivas. Quando Giovana se encaminha a sala de mediação escolar, o faz para notificar uma conduta de uma colega, a qual considera inadequada por tê-la magoado, essa cultura escolar de delatar colegas, para as autoridades, a fim de que sejam punidos é freqüente. Há um estranhamento inicial das alunas frente à possibilidade de serem ouvidas e de poderem explicitar suas visões do conflito. O fato de mediante o conflito usar sempre a neutralidade, sem rotular cada qual como vítima ou ofensor, permite que na relação baseada na igualdade de poderes, se construa soluções que sanem com as necessidades de ambas as partes.
“Nesse sentido, verifica-se que o modelo restaurativo tem como objetivo, inicialmente, a reparação e cura para a vítima e, posteriormente, sanar o relacionamento entre vítima e ofensor, bem como para com a comunidade. Portanto, compreende-se que a intervenção restaurativa amplia os horizontes da vítima e de seu ofensor, oportunizando espaço para confissão, arrependimento sincero, perdão e reconciliação” (CASAGRANDE, TRENTIN, 2013, p. 5)
Segundo Casagrande e Trentin (2013), as mudanças de paradigmas alteram o olhar para o conflito, tomando-o de forma positiva, em que as diferenças iniciais passam a ser oportunidades de crescimento e as forças energéticas opostas transformam-se em complementares.
Para que a restauração dos laços emocionais seja feita é preciso que haja disposição para isso, uma abertura para a compaixão de todas as subjetividades que submergem durante as narrativas pessoais. O cunho pedagógico desse tipo de abordagem é mais eficaz que a lógica punitiva, na medida em que respeita individualidades e as tornam responsáveis por suas ações. O fato do sujeito ao invés de ser julgado, ser ouvido, o respeita não apenas enquanto homem sujeito de direitos, mas enquanto ser humano, com direito à dignidade.
3.2 – Caso 2
3.2.1 – Descrição
No segundo caso duas adolescentes Valéria e Jaqueline, ambas com desempenho escolar satisfatório e mediano, de 14 anos, cursando 9º ano, foram atendidas pela pesquisadora e pela mediadora oficial da escola.
No final do horário do intervalo, período em que os alunos vão se encaminhando para suas salas de aula, a mediadora e a pesquisadora ouviram muitos gritos e palavras de ordem como: “Arregou! Arregou!” (Sic). Ao sairmos da sala de mediação para verificar o que ocorria, uma inspetora, agente organizacional da escola, encaminha duas alunas machucadas, afirmando que estavam se agredindo fisicamente.
Ambas se sentam, foram acolhidas e acalmadas com água e lenços de papel para limpar as marcas de sangue. Após alguns momentos então iniciam suas falas. É sabido que o processo restaurativo deve se configurar com pré-círculos iniciais e após a escuta de cada parte, agendar um círculo com os participantes. Mas, a fluidez de acontecimentos da rotina escolar é tamanha que nem sempre há recursos de tempo e disponibilidade para que ocorram
desta forma. Segundo Nunes (2011) a mediação escolar, é uma ferramenta simplificada para dar celeridade aos inúmeros conflitos escolares, sem abdicar do restabelecimento do diálogo rompido, buscando sempre a satisfação das necessidades de cada um e da responsabilização advinda pela clarificação das pendências.
Apresentadas as alunas os princípios básicos de funcionamento de um processo restaurativo, do uso do bastão da fala e do respeito com o outro, iniciaram as narrativas.
Como não havia conteúdo do conflito que pudesse sinalizar qual das duas pudesse ser a vítima, Valéria por aparentar estar mais calma inicia, espontaneamente, sua fala. Afirma ter batido em Jaqueline por esta durante o intervalo ter a encarado. Incomodada foi então até a sala da aluna para questionar o porquê ela a olhava daquela maneira. Relata então que Jaqueline ao perceber sua aproximação virou as costas. Valéria mais irritada com o descaso da garota puxa seu cabelo e então Jaqueline começa a lhe desferir tapas e arranhões. Relata também que quanto mais alguns colegas próximos separavam, mais o tumulto dos outros alunos apertava para que a briga permanecesse. É questionada se há mais algo que gostaria de falar e a aluna afirma já ter terminado.
O bastão da fala então é direcionado à Jaqueline, que por sua vez relata um intervalo normal no qual passou a maior parte do tempo sentada com o olhar perdido em direção ao banheiro, mas nega ter observado Valéria de forma intimidatória. Disse ter se assustado com a abordagem de Valéria que a chamou na porta da sala questionando de maneira agressiva o porquê do seu olhar para com ela. Por não saber exatamente do que Valéria falava, Jaqueline diz ter se virado de costas por não querer se envolver em brigas.
Nesse momento do relato de Valéria, a diretora escolar adentra a sala para saber o que havia acontecido. Antes de qualquer explicação, diz “Duas meninas bonitas brigando? Que feio! Imagina seus pais sabendo disso? Que decepção... As duas precisam levar suspensão de uma semana!” (Sic) Se referindo à mediadora diz “Você cuida dessa papelada?” (Sic). A mediadora oficial da instituição pisca para a pesquisadora e diz “Cuido!” (Sic)
A aluna Jaqueline fica com o rosto vermelho e começa a chorar bastante, pelo fato de que seus pais serão avisados e que levará suspensão. Mexendo excessivamente nos cabelos, ia retirando os fios que caiam exponencialmente e dizia para Valéria: “Olha o que você fez!” (Sic). Valéria permaneceu o tempo todo calada e séria, com o rosto e o pescoço repletos de vergões e arranhões que minavam sangue.
A facilitadora então intervêm, pedindo a Valéria que diga o que esperava no momento